Inflação atinge pratos tradicionais da culinária de BH
E também experimentado o famoso beirute do Xodó, na Praça da Liberdade, ou o pastel da pastelaria Marília de Dirceu. Você imaginaria que todos esses produtos consumidos há décadas custavam até quatro ou cinco vezes menos no início do século?
A crise inflacionária do Brasil em 2022 não só atingiu a cesta básica das famílias, mas interferiu diretamente no lazer e no paladar do belo-horizontino ou dos turistas. Num cenário de incertezas no país, os estabelecimentos da capital trabalham arduamente para tentar segurar ao máximo os preços de seus ???queridinhos???, e os consumidores tentam economizar para não deixar de saboreá-los.
O aumento no preço dos insumos da cesta básica (arroz, feijão e carnes) é o que mais impacta no preço do prato. ???A grande maioria não deixou de comer aqui, mas a inflação impacta na margem de lucro. Não temos como aumentar 40% no preço do kaol???, explica o empresário André Palhares, um dos administradores do restaurante e café, ao lado do pai e do tio, João Lúcio e Luiz Fernando Palhares.
Como os demais, o estabelecimento não repassou a maioria dos aumentos dos insumos para o consumidor nos últimos anos e traçou estratégias para lidar com os períodos de crise.
???Estamos comprando estoques maiores, diminuímos algumas embalagens e conversamos com os fornecedores para obter melhores preços. Além disso, nosso cardápio mudou em 2017, pois saímos das carnes industrializadas para as artesanais, o que deixou o produto mais atrativo???, afirma o gerente-geral César Gonçalves Viana.
Preço da farinha encarece o pastel
A tradicional pastelaria Marília de Dirceu, fundada em 1992 por cinco irmãs, tentou abdicar ao máximo dos reajustes para não prejudicar as vendas e os clientes. Uma reportagem do Estado de Minas no início dos anos 2000, emoldurada nas paredes do estabelecimento, mostrava que um pastel custava, em média, R$ 0,60. Hoje, o salgado custa entre R$ 5 e R$ 6.
???A tradição nos ajudou a manter o volume de vendas. Sabemos que o consumidor também está numa situação complicada. Os insumos aumentaram 30% na média, mas repassamos pouco esse valor. Além disso, procuramos variar o serviço, servindo festas e eventos para aumentar o orçamento???, afirma a gerente-geral Juliana Bahia.
Desde o ano passado, o café teve aumento de 25% em função da valorização do produto e das variações climáticas. Em 2002, um simples cafezinho custava R$ 0,80, de acordo com o proprietário, Renato Moura Caldeira.
Hoje, o cliente paga R$ 3 pelo café; com o pão de queijo, R$ 7. ???Tenho dificuldade para dar aumento. Muita gente não saiu de casa e continua trabalhando em home office, o que reduz as vendas. Se o empresário não tiver perseverança, não prospera???, afirma Caldeira.
???A tradição, o recheio, a massa, qualidade e atendimento ajudam a ter o nome que ela tem nesses muitos anos de trabalho. O pessoal nos procura, mesmo com a mudança dos preços???, diz Rosângela Gomes Evangelista, de 55, responsável pela confecção das massas.





