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MPF realiza audiência pública sobre conflitos fundiários em comunidades quilombolas do Recôncavo Baiano

MPF realiza audiência pública sobre conflitos fundiários em comunidades quilombolas do Recôncavo Baiano
MPF realiza audiência pública sobre conflitos fundiários em comunidades quilombolas do Recôncavo Baiano

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Audiência pública promovida pelo Ministério Público Federal (MPF) e pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) discutiu, em 27 de maio de 2026, as disputas territoriais e as alternativas de defesa para as comunidades quilombolas da região do Recôncavo Baiano, com foco especial na Comunidade Quilombola Zumbi-Maragogipe.

O encontro ocorreu no Auditório J. J. Calmon de Passos, na sede do MP-BA, em Salvador, entre 9h50 e 12h50. Além de representantes de órgãos públicos, participaram lideranças comunitárias e entidades parceiras, reunindo informações e avaliando ações com prazos definidos para enfrentar o grave conflito fundiário e socioambiental na região.

Objetivos centrais do edital do MPF foram: ouvir explicações e possíveis atos concretos do Governo Federal e do Governo da Bahia, com prazos claros; e socializar o Protocolo de Consulta das Comunidades Quilombolas do Guaí – Maragogipe, criado para assegurar que a comunidade seja ouvida sempre que houver projetos que impactem seu território e modo de vida.

A abertura contou com apresentações culturais de lideranças quilombolas, seguidas por relatos das comunidades de Baixão do Guaí, Guarucú, Guerém, Giral Grande, Porto da Pedra e Tabatinga, que enfatizaram as dificuldades do conflito fundiário e pediram solução urgente para ações possessórias que ameaçam desalojar moradores. Também foram destacadas as consequências de um débito de respeito do Estado com povos e comunidades tradicionais.

Entidades parceiras como o Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP), ActionAid Brasil, Movimento dos Pescadores e Pescadoras e a Articulação Nacional de Quilombos (ANQ) estiveram presentes, relatando impactos de atores econômicos locais e reforçando a necessidade de medidas públicas mais cuidadosas.

Do lado público, participaram Procuradoria-Geral do Estado da Bahia, Secretarias de Infraestrutura (Seinfra), Justiça e Direitos Humanos (SJDH), Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi), SDA, Inema, DEMCA/MDA e, virtualmente, a Fundação Cultural Palmares (FCP). A coordenação ficou a cargo dos procuradores da República Ramiro Rockenbach e Marcos André Carneiro da Silva, com apoio do promotor Rogério Luis Gomes de Queiroz, além da Defensoria Pública da União (DPU) e da Bahia (DPE-BA).

Como encaminhamentos, a Procuradoria-Geral do Estado revelou compromissos de buscar, na Justiça Estadual, a suspensão de processos possessórios até que a regularização fundiária do território seja concluída pelo INCRA, com apoio da Defensoria Pública. A SJDH anunciou a Caravana de Direitos Humanos em Maragogipe, em julho de 2026, com alcance a São Roque do Paraguaçu. A Sepromi criará uma Sala de Situação para políticas públicas das comunidades de Maragogipe, com participação do Inema em licenciamentos ambientais. A SDA manterá o apoio ao Incra-BA na regularização fundiária, e o DEMCA/MDA acompanhará o processo como prioridade, com encaminhamentos às autoridades competentes.

Por fim, MPF, MP-BA, DPU e DPE-BA se comprometeram a acompanhar o caso e a solicitar ao INEMA a reavaliação de licenciamentos ambientais, cobrando o cumprimento dos acordos firmados na audiência.

A comunidade é chamada a acompanhar os desdobramentos e a compartilhar opiniões sobre as medidas de regularização e defesa territorial. Qual é a sua leitura sobre os encaminhamentos anunciados? Deixe seu comentário e participe da conversa sobre direitos, terras e justiça para as comunidades tradicionais.

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