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Vereador preso recebeu doação de campanha de empresários de ônibus

Vereador preso recebeu doação de campanha de empresários de ônibus
Vereador preso recebeu doação de campanha de empresários de ônibus

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Uma operação da polícia em São Paulo atingiu o vereador Senival Moura (PT), acusado de integrar um esquema de lavagem de dinheiro vinculado ao PCC, operado por meio de empresas de ônibus. Deflagrada em 25/6, a ação indica Moura como a liderança oculta da Transunição e envolve outros alvos, fruto de uma investigação iniciada em 2020 após o assassinato de Adauto Soares Jorge, ex-presidente da empresa.

A investigação aponta que a Transunição foi inflada artificialmente para ocultar a movimentação financeira real e facilitar atividades criminosas associadas ao tráfico de drogas. Mensagens indicam que Moura era referenciado pelos codinomes “presidente”, “véio”, “velhinho” e “vereador” e que ele tinha controle sobre decisões-chave.

Dadores de campanha de 2016, somando R$ 18 mil, aparecem ligados ao grupo. Entre eles: Luciana Martins Pinto (esposa de Osiel Bernardino Pinto) com R$ 7.000; Clayton Barbosa Ferrari, R$ 3.600; Reinaldo Knoth Rola, R$ 2.000; Ubiratã Batista de Oliveira, R$ 2.000; Wilson Pereira da Costa, R$ 2.000; e Divino Bernardino Pinto, R$ 1.400.

As autoridades apontam que Moura era o real beneficiário de, pelo menos, 13 ônibus envolvidos no esquema, com CPFs dele e de familiares vinculados aos ativos. As planilhas indicam que a estrutura financeira do grupo dependia dele para legitimar operações e manter a aparência de regularidade da empresa.

A ação também aponta que Moura ocupava cargos de influência na Câmara Municipal de São Paulo — 1º secretário da Mesa Diretora e presidente da Comissão de Trânsito, Transporte e Atividade Econômica — o que lhe conferia poder sobre fiscalização e regulação do setor onde a Transunição atuava.

Em defesa, o advogado Marcio Sayeg afirmou que a medida é surpresa e que a defesa vem tomando as providências cabíveis. O parte sustenta que a Justiça será esclarecida e que não houve conduta ilícita por parte do vereador.

Entre os alvos, além de Moura, estão Jair Ramos de Freitas “Cachorrão” — apontado como articulador da lavagem — Leonel Moreira Martins, Lourival de França Monário (diretor da Transunição) e Devanil de Souza Nascimento “Sapo”.

A polícia também determinou o afastamento de dirigentes da Transunição: Lourival França Monário (presidente), William Remorini Freitas (diretor financeiro), Kelly Cristina Santos Ribeiro (diretora comercial), Edgar Paiva da Rocha (presidente do Conselho), Leonardo Wendell do Nascimento e Weslei Castro Gomes (conselheiros). Além disso, houve suspensão de atividade de empresas vinculadas ao esquema, como Transunição Transportes S.A., Duvale Distribuidora de Petróleo e Álcool Ltda, SPM – Transporte Urbano de Passageiros S/A, Universo Bus Comércio e Serviços Ltda, LMP Transportes, ICM Transportes e FRF Transportes.

A investigação registra ainda uma “estrutura paralela” para decisões sobre a Transunição, incluindo transferência de recursos a criminosos ligados ao PCC. Há uma mudança societária na empresa, com salto do capital social de pouco mais de R$ 100 mil para mais de R$ 50 milhões, sem explicação clara sobre a origem dos recursos.

Em 2024, o Gaeco já havia deflagrado a Operação Fim da Linha, desarticulando redes que lavavam recursos do PCC por meio da UPBus e da Transwolff — empresas de ônibus que atendem quase 700 mil passageiros. O caso de São Paulo evidencia como crime organizado e transporte público se entrelaçam, com reflexos na política local.

E você, o que acha dessa investigação e das ligações entre política, transporte e crime? Deixe suas opiniões nos comentários e compartilhe seus pontos de vista sobre o tema.

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