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Pesquisa identifica, pela 1ª vez, câncer transmissível entre peixes

Pesquisa identifica, pela 1ª vez, câncer transmissível entre peixes
Pesquisa identifica, pela 1ª vez, câncer transmissível entre peixes

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Ciência

Estudo identifica melanoma transmissível em peixes do lago Memphremagog, na fronteira entre EUA e Canadá

27/07/2026

Atualizado em 27/07/2026 13:53

Divulgação/nature
Imagem mostra incidência de câncer melanoma em peixes - Metrópoles

Cientistas identificaram pela primeira vez um melanoma transmissível em peixes do lago Memphremagog, na fronteira entre Vermont, EUA, e Quebec, Canadá. A descoberta, publicada na revista Nature, aponta que entre 2014 e 2017, entre 23% e 37% das amostras coletadas de bagres-marrons (Ameiurus nebulosus) apresentaram tumores malignos contagiosos.

O que se sabe até agora: análises histopatológicas indicam que os tumores são melanomas malignos; o tumor apresenta perfil genético distinto do hospedeiro, mas mantém uma linhagem quase idêntica entre peixes diferentes, sugerindo transmissão entre indivíduos. Não foram identificados vírus ou microrganismos como agentes de transmissão; as próprias células cancerígenas atuam como o veículo contagioso.

Precedente inédito: o estudo descreve o primeiro registro de câncer transmissível em peixes e em qualquer ecossistema de água doce no mundo. Além disso, até 78,9% das variantes específicas dos tumores são compartilhadas entre peixes do lago Memphremagog, e o genoma tumoral se aproxima mais de bagres do Maine e de New Hampshire, indicando origem externa.

Hipótese de transmissão: os pesquisadores apontam que a contagiosidade pode ocorrer em aglomerações durante o comportamento reprodutivo ou na desova, por meio de contato indireto com água ou sedimentos. A queda de imunidade durante o período reprodutivo ou o estresse ambiental também pode contribuir para a transmissão.

Após a descoberta, cientistas passaram a observar a doença em peixes de outros lagos e lagoas da região, o que reforça a noção de disseminação geograficamente ampla e origem externa do agente. Ainda não se sabe a taxa de letalidade nem o impacto a longo prazo, nem a extensão da disseminação pela América do Norte, exigindo novos estudos de modelagem e conservação.

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