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Aposta de Boulos, PL dos apps vira impasse para Lula antes da eleição

Aposta de Boulos, PL dos apps vira impasse para Lula antes da eleição
Aposta de Boulos, PL dos apps vira impasse para Lula antes da eleição

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Resumo: a discussão sobre a regulamentação do trabalho por aplicativo no Brasil está no centro do embate entre o governo federal, trabalhadores e grandes plataformas. O governo Lula busca aprovar o PLP 152/2025 com apoio da Câmara, enquanto entregadores e motoboys organizam protestos e pressionam pela garantia de direitos. O debate promete reconfigurar remunerações, responsabilidades e o poder de negociação entre plataformas e trabalhadores.

No cenário político, o governo decidiu levar adiante uma regulamentação após tentar viabilizar um projeto apresentado pelo líder Guilherme Boulos no ano anterior. A estratégia ganhou corpo com a parceria entre o governo e o presidente da Câmara, Hugo Motta, para avançar na discussão de como regular a atividade de motoristas e entregadores que operam por meio de apps de transporte e entrega.

O projeto escolhido para tramitar na Câmara é o PLP 152/2025, de Luiz Gastão (PSD-CE). Para conduzir a tramitação, foi criada uma Comissão Especial, com o relator Augusto Coutinho (Republicanos). O objetivo é ouvir as categorias e consolidar as demandas no texto final, buscando um consenso entre governo, parlamentares e trabalhadores.

Para transformar as demandas em proposta, o governo montou um grupo de trabalho com especialistas e representantes de entregadores. A ideia era assegurar que a regulamentação refletisse a realidade de quem vive da corrida por aplicativo, com condições de trabalho variáveis e, muitas vezes, de renda instável.

Na semana passada, Coutinho apresentou um relatório que desagradou tanto o governo quanto as entidades representativas. Segundo Guilherme Boulos, o texto final retirou avanços do projeto original, incluindo o adicional de 30% para trabalho noturno e feriados, além de restringir a obrigatoriedade de pontos de apoio pelas plataformas.

O motoboy JR Freitas, pré-candidato a deputado estadual pelo PSOL e coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Direitos, afirmou que houve uma manobra envolvida na condução do debate. Ele criticou a visão de que o substitutivo atende às necessidades da categoria e acusou o entorno do debate de favorecer as plataformas.

Freitas e outros representantes argumentam que o substitutivo não enfrenta questões centrais, como remuneração adequada, transparência dos aplicativos e a transferência de custos e riscos para quem está na rua. Segundo eles, o equilíbrio entre Uber, 99 e outras empresas e os trabalhadores ainda não foi alcançado.

Em meio ao impasse, trabalhadores convocaram uma paralisação nacional e uma carreata em São Paulo para pressionar pela aprovação de um texto que garanta direitos sem sacrificar a renda dos entregadores. O projeto define as plataformas como serviço de intermediação e prevê uma taxa de até 30% do valor das corridas, além de classificar os trabalhadores como autônomos.

A mobilização em São Paulo está marcada para a manhã de hoje, com saída na Praça Charles Miller, em frente ao Estádio do Pacaembu, rumo à sede da Uber. Entre os temas que seguem em debate, estão a necessidade de remuneração por KM e tempo, a garantia de uma corrida mínima e a defesa da Justiça do Trabalho, com o enquadramento da categoria como MAT (Motorista por Aplicativo de Transporte).

Quanto às empresas, a Amobitec — que representa Uber, 99 e iFood — ainda não se pronunciou sobre o assunto. O espaço para manifestação permanece aberto, à medida que a tramitação avança e o governo busca consolidar posições entre as partes envolvidas.

Este debate pode redefinir as relações entre trabalhadores e plataformas no país. Acompanhe os desdobramentos e compartilhe sua opinião: você acredita que a regulamentação deve fortalecer direitos e garantias, ou que o caminho atual deve favorecer a agilidade e a inovação proporcionadas pelas plataformas?

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