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Famílias detalham as marcas que o feminicídio deixa nos filhos das vítimas

Famílias detalham as marcas que o feminicídio deixa nos filhos das vítimas
Famílias detalham as marcas que o feminicídio deixa nos filhos das vítimas

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Feminicídio no Distrito Federal expõe feridas que vão além da tragédia individual, tocando famílias inteiras que precisam seguir adiante com carinho, apoio público e memória das vítimas. Este relato reúne casos graves em 2024-2026, as trajetórias de quem ficou e as ações de acolhimento para órfãos e dependentes de vítimas de violência.

No Jardim Botânico, Daniella Pelaes, 46 anos, foi assassinada dentro de casa. O autor, Janilson Quadros de Almeida, foi condenado a 39 anos de prisão em regime fechado. A família, já marcada pela dor, viu Beth Pelaes, irmã de Daniella, assumir a tutela de três filhos biológicos e de sobrinhos que passaram a morar com eles após o crime.

“Eles perderam o pai e a mãe ao mesmo tempo. O pai foi para o presídio — e eles não querem mais saber dele — e a mãe virou estrelinha no céu”, desabafou Beth, que tornou-se a referência materna para as crianças. A rotina mudou radicalmente: a família deixou Brasília e se estabeleceu no Amapá, para ficar perto da rede de apoio estendida pelos parentes.

A partir dali, o Natal e as celebrações ganharam novo tom. A família relembra cada memória com a força necessária para seguir em frente, mantendo viva a lembrança de Daniella e buscando um futuro mais estável para as crianças que ficaram.

Avó no papel de mãe — outra história de dor e resiliência vem de Isladdy. Marinalva Pereira Bastos, com cinco netos entre 7 e 16 anos, cuida deles desde o nascimento da família. Isladdy, dependente química, foi assassinada em 2025 após uma recaída, e Marinalva reforça o impulso de lutar pela proteção das crianças: “A gente precisa gritar para que os políticos vejam a dor de uma mãe.” Isladdy tinha acabado de concluir a faculdade e a família prossegue, mantendo a memória da filha como força para os netos. Em 24 de junho, Isladdy completaria 37 anos.

O caso evidencia também a trajetória de luto compartilhado: a família de Daniella viajou ao longo do tempo para cobrar justiça, protestando na Esplanada dos Ministérios e lembrando que a violência não pode se naturalizar.

Programa Acolher Eles e Elas surge como resposta institucional às famílias que ficam. Do DF, o programa atende órfãos de feminicídio, com 194 beneficiários hoje, e, desde seu lançamento em 2023, já acolheu 217 filhos de vítimas até maio de 2026. Entre janeiro e maio deste ano, 15 órfãos passaram pelo acolhimento da Secretaria da Mulher, incluindo os filhos de Isladdy. O benefício inclui um salário mínimo de R$ 1.518 por criança ou adolescente.

Como denunciar violência doméstica é outro eixo essencial. Mulheres vítimas podem registrar ocorrências na delegacia eletrônica da Polícia Civil do DF pelo 197, ou acionar a Polícia Militar pelo 190. O programa Viva Flor também oferece apoio com georreferenciamento e acionamento rápido das autoridades, mediante registro da ocorrência e medidas protetivas de urgência.

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Este conjunto de relatos mostra que, por trás de cada número, há famílias, memórias e uma sociedade que precisa agir com políticas públicas eficazes de acolhimento, prevenção e apoio emocional para quem fica.

E você, já acompanhou alguma história de apoio a órfãos de feminicídio perto de você? Compartilhe suas experiências e opiniões sobre as medidas de proteção e acolhimento que deveriam ganhar mais espaço nas políticas públicas. Sua leitura pode inspirar ações concretas e apoio a quem precisa. Deixe seu comentário.

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