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Valores democráticos são essenciais em acordos, diz chanceler alemão

Valores democráticos são essenciais em acordos, diz chanceler alemão
Valores democráticos são essenciais em acordos, diz chanceler alemão

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Durante o AHK Business Breakfast em São Paulo, Johann Wadephul, representante alemão, defendeu uma parceria entre democracias estáveis, com proteções econômicas proporcionais e foco em inovação. O objetivo é estreitar a relação Brasil–Alemanha, fortalecendo áreas como defesa, tecnologia, economia circular e sustentabilidade, para transformar o Brasil em um polo de produção e exportação.

Para o governo alemão, a aproximação entre países que se apoiam na legalidade, na segurança jurídica e na defesa de direitos fundamentais é o eixo de uma estratégia em um “cenário mundial de maior desconfiança”. Wadephul citou os EUA e a política tributária de Donald Trump como exemplo de desordem que a Alemanha rejeita, destacando o Brasil como parceiro de ligações estreitas. “Faz parte da nossa família”, afirmou.

No painel, ele indicou que a cooperação com a China continuará, porém é preciso avaliar quando a presença chinesa passa a ocupar uma fatia desproporcional da economia nacional. “Em alguns momentos, é um competidor. Porém, a gente adora concorrência, é o que nos move para criar melhores tecnologias, melhores produtos”, completou.

“A gente aprendeu que também precisa se defender e deve coordenar nossa política nesse sentido”, completou, mencionando a exportação de automóveis chineses a preços menores que os praticados no mercado interno, como saída para a produção excedente.

Svenja Ahlburg, porta-voz da Wilo Group, destacou a pouca visibilidade dada ao papel do Brasil e ressaltou que o país já é crucial para a indústria alemã. “Hoje, o Brasil é muito mais importante para a indústria alemã do que aparece no debate público”, afirmou, lembrando que a geração de valor local e a competitividade são cruciais para avançar.

“Temos que contribuir para que a indústria brasileira seja mais competitiva”, avaliou, acrescentando que o acordo por si só não resolve sem inovação e componentes que alimentem a indústria local.

Para tornar o Brasil mais competitivo, a meta é transformá-lo em hub regional, não apenas em mercado consumidor. A porta-voz enfatizou a importância de reduzir custos, incentivar inovação e fortalecer cadeias produtivas nacionais para ampliar a participação brasileira.

A Alemanha segue sendo um parceiro-chave no campo ambiental, sendo a maior economia europeia e mantendo forte presença no Brasil, com comércio bilateral de cerca de US$ 21 bilhões e estoque de investimentos diretos em torno de US$ 44 bilhões. O Fundo Amazônia e o Fundo Clima destacam os investimentos alemães em proteção ambiental, restauração de florestas e redução de emissões, com ações que alcançam comunidades, povos indígenas e áreas de conservação.

Em maio, foi firmada a parceria Mercosul-União Europeia, com foco em cooperação bilateral em defesa, IA, tecnologias quânticas, infraestrutura, economia circular, eficiência energética, bioeconomia e pesquisa oceânica e climática. O Brasil também recebe recursos de programas ambientais que apoiam iniciativas de restauração, produção sustentável e inovação tecnológica.

Concebido pelo governo brasileiro e administrado pelo BNDES, o Fundo Amazônia já beneficiou 259 mil pessoas com atividades produtivas sustentáveis, 75 mil indígenas e 122 terras indígenas do bioma, além de 192 unidades de conservação.

Notícias relacionadas: Brasil ratifica acordos do Mercosul com EFTA e Singapura. O chanceler ressaltou que o país manterá cooperação com a China, desde que haja equilíbrio entre ganhos econômicos e salvaguardas para a indústria nacional.

E você, como enxerga esse eixo Brasil–Alemanha? Quais setores devem ganhar prioridade na cooperação e que impactos isso pode ter para a economia brasileira e o meio ambiente? Compartilhe sua opinião nos comentários.

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