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Após abusos na infância, biomédica tenta tirar nome da mãe de certidão

Após abusos na infância, biomédica tenta tirar nome da mãe de certidão
Após abusos na infância, biomédica tenta tirar nome da mãe de certidão

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São Paulo

Justiça de SP nega remoção completa da genitora de registro de nascimento em caso de abuso; recurso é aguardado

A biomédica Heloisa Rodrigues, 28 anos, moveu uma ação na Justiça de São Paulo para retirar o nome da mãe de seu registro de nascimento. Em decisão de 1ª instância, a sentença autorizou a retirada dos sobrenomes da genitora, mas manteve a mãe no campo de filiação do registro civil. O processo tramita na 1ª Vara da Família e Sucessões de São Vicente, litoral paulista, e envolve histórico de abusos relatado pela autora.

Na sentença, o juiz Guilherme da Costa Manso Vasconcellos reconheceu que Heloisa sofreu com um “histórico de abusos, negligência e crueldade” pela mãe, mas sustentou que a maternidade é, no momento do parto, um fato biológico evidente e insofismável. Assim, o magistrado entendeu que a única hipótese jurídica para apagar a filiação materna é a adoção, e que Heloisa não está sendo adotada, apenas buscando a exclusão parcial do vínculo no registro.

De acordo com a defesa, a advogada afirmou ao Metrópoles que o recurso pretende tratar o tema sob uma perspectiva constitucional e contemporânea do Direito das Famílias, ressaltando que “o registro civil deve estar a serviço da pessoa e de sua dignidade, e não transformar-se em instrumento de perpetuação de uma violência já vivenciada”. A peça contesta, ainda, por que a desconstituição da filiação paterna, prevista em certos casos, não poderia ser examinada, em caráter excepcional, quando a violação parte da mãe?

O caso ganhou repercussão após um vídeo publicado por Heloisa nas redes sociais no último domingo (19). Nele, ela questiona a decisão judicial: “Por que a genitora precisa ser protegida de uma ‘morte civil’, mas a filha não pode ser protegida de continuar carregando, pelo resto da vida, o nome de quem a vendeu para homens desde os nove anos?”.

Em julho do ano passado, a Justiça de São Paulo já havia proibido a genitora de se aproximar de Heloisa, impondo uma distância mínima de 500 metros. A vítima também conseguiu alterar, na Justiça, o primeiro nome, passando de Larissa para Heloisa, com a identificação atual. A defesa da genitora não foi localizada pela reportagem, e o espaço permanece aberto para manifestação.

Segundo a reportagem do Metrópoles, o caso continua em tramitação, com defesas e recursos cabíveis para que a jovem possa sustentar a retirada total ou parcial do vínculo materno do registro. A comunidade jurídica acompanha a evolução do tema, que envolve direitos de família, dignidade humana e o papel do registro civil.

Interessados no tema são convidados a compartilhar suas opiniões nos comentários abaixo, contribuindo para o debate sobre direitos de família, registro civil e proteção a vítimas de violência.



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