Justiça suspende decisão para Prefeitura de SP credenciar Uber moto
Decisão judicial anterior determinava que prefeitura de São Paulo credenciasse empresa para prestar serviço de mototáxi em até 48 horas
24/07/2026 22:03
, atualizada 24/07/2026 22:04

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) suspendeu a decisão que obrigava a prefeitura de São Paulo, sob gestão de Ricardo Nunes (MDB), a credenciar a Uber para operar o serviço de mototáxi na capital. A ordem exigia o credenciamento em até 48 horas, com multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento. A suspensão vale até o julgamento definitivo do recurso, conforme despacho divulgado nesta sexta-feira (24/7).
O relator, o desembargador Borelli Thomaz, concedeu o efeito suspensivo com base em decisões recentes do STF. O despacho sustenta que o suposto prejuízo financeiro alegado pela Uber não possui densidade jurídica suficiente para se sobrepor ao direito fundamental à vida e à segurança viária.
Em nota, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte, por meio do Conselho Viário, afirmou que deve anular o credenciamento realizado pela decisão. A prefeitura já havia informado ter iniciado o cumprimento da ordem, mas ressaltou que isso não significava autorização plena para a operação.
A gestão Nunes também destacou que outras etapas previstas na Lei 18.349/2025 e no Decreto n° 64.811/2025 precisam ser cumpridas para eventual início da operação, como o cadastramento dos motociclistas junto ao Departamento de Transportes Públicos (DTP) e a emissão do Certificado de Segurança Veicular (CSV) para as motocicletas utilizadas na prestação do serviço.
A administração municipal ainda apontou números de segurança: em 2025, foram registradas 475 mortes de motociclistas na cidade; no primeiro semestre de 2026, são 283 óbitos. “A atual gestão permanecerá defendendo a vida”, afirmou o governo.
Até o momento, a Uber não se pronunciou sobre o caso. O espaço permanece aberto para manifestação.
Novela entre Prefeitura de SP e apps — A digressão jurídica em torno da liberação de corridas por mototáxi envolve o Decreto Municipal nº 62.144/2023, que suspendeu o serviço de transporte remunerado privado por motocicletas. Enquanto isso, plataformas passaram a oferecer viagens, levando a Justiça a considerar a medida sob questionamento. A prefeitura recorreu para manter a suspensão e regularidade do decreto.
Em decisão de primeira instância, a Justiça paulista afirmou que o decreto é inconstitucional, sob o argumento de que a lei federal não regula o serviço por motocicletas, apenas por automóveis. A prefeitura sustenta que a legislação federal não regulamenta especificamente o serviço por motocicletas, mantendo a discussão jurídica em andamento. Enquanto o tema avançava, a 99Moto informou ter realizado mais de 500 mil viagens em 14 dias de operação, distribuindo mais de R$ 3 milhões a cerca de 13 mil motociclistas parceiros, sem registro de mortes ou acidentes graves. O serviço foi liberado temporariamente, mas sofreu nova suspensão em 16 de maio. Em abril, a 99 desistiu de implantar o serviço em São Paulo, redirecionando investimentos para entregas.
Segundo informações divulgadas pelo Metrópoles, parceiro do PrimeiroJornal, a novela jurídica e as negociações entre o município e as plataformas seguem em curso.
Crédito: “Paulo Pinto/Agência Brasil”.





