Pular para o conteúdo

Muçulmanos interrompem culto em igreja perseguida na Indonésia

Muçulmanos interrompem culto em igreja perseguida na Indonésia
Muçulmanos interrompem culto em igreja perseguida na Indonésia

COMPARTILHE ESSE CONTEÚDO


No último domingo, uma multidão muçulmana interrompeu o culto na Igreja Pentecostal do Tabernáculo de Cristo da Resposta (GPT), em Medan, província de Sumatra do Norte, Indonésia, forçando o fechamento temporário do templo após alegações de que a congregação não possuía licença para funcionar como local de culto.

Vídeos da ocasião mostram a igreja cercada por moradores que, em tom de protesto, interromperam a cerimônia. Os fiéis chegaram a ser deslocados para o segundo andar do prédio, já que o espaço no piso inferior foi considerado inadequado pela multidão. Várias pessoas deixaram o local diante da hostilidade.

Segundo o International Christian Concern (ICC), a igreja busca autorização para construir e usar o templo há quase nove anos, mas o pedido tem sido negado pelas autoridades repetidamente, sem uma justificativa clara.

A igreja enfrenta anos de repressão

Desde 2017, a congregação vem cumprindo as exigências legais. Naquele ano, os cristãos compraram o terreno para o templo e concluíram o pagamento em duas parcelas. Posteriormente, com o acesso ao terreno bloqueado, precisaram adquirir uma área vizinha por cerca de 280 milhões de rúpias indonésias (aproximadamente US$ 16 mil).

Ao longo do processo, os líderes apresentaram toda a documentação exigida pelas autoridades locais e solicitaram recomendações do FKUB (Fórum para a Harmonia Inter-religiosa), órgão responsável por analisar pedidos relacionados a locais de culto. Em uma reunião de quatro horas com integrantes do FKUB, da Agência de Unidade Nacional e Política e de outros órgãos do governo, não houve decisão definitiva; as autoridades prometeram apenas realizar uma inspeção no local para avaliar a possibilidade de autorização.

De acordo com o ICC, a maioria dos moradores da região apoia a construção do templo, sendo apenas um grupo de residentes muçulmanos contrário ao projeto desde o início. Dedy Mauritz Simanjuntak, presidente do Conselho Cristão da Indonésia (MUKI) em Sumatra do Norte, criticou a morosidade do processo e afirmou que a falta de posição firme das autoridades incentiva novos episódios de intolerância religiosa. Ele ressaltou que nove anos não é um tempo aceitável e que a Constituição não pode ser desrespeitada por acordos que beneficiam apenas parte da população.

O prefeito de Medan, Rico Waas, disse que ninguém deve ser discriminado na cidade, mas reconheceu as dificuldades enfrentadas pela congregação para realizar cultos há anos.

COMPARTILHE ESSE CONTEÚDO