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Estudo aponta risco de melanoma em partes do corpo além da pele

Estudo aponta risco de melanoma em partes do corpo além da pele
Estudo aponta risco de melanoma em partes do corpo além da pele

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Resumo: Melanoma pode ocorrer fora da pele, atingindo olhos, mucosas e órgãos internos. O estudo da Fundação do Câncer reforça prevenção, diagnóstico precoce e integração entre áreas da saúde no Brasil, com tratamento pelo SUS. Dados epidemiológicos vêm da plataforma info.oncollect.

Brasil – Nem todo melanoma está relacionado ao câncer de pele, esclarece a Fundação do Câncer. Com origem nas células produtoras de melanina (melanócitos), o melanoma também pode se manifestar nas estruturas extracutâneas (extrapele), como no olho, em mucosas, como as da cavidade oral, e em órgãos internos dos sistemas genital e digestivo.

Esse tipo de neoplasia maligna é menos frequente, porém mais agressivo e letal porque tem maior possibilidade de provocar metástase e, com isso, se espalhar para tecidos e órgãos vizinhos.

A 12ª edição do boletim Análises e Tendências em Câncer, lançado pela fundação neste mês, foca no estudo do melanoma de pele e extracutâneo. Com o título Melanoma: nem sempre na pele, a publicação destaca que conhecer este tipo de câncer é o primeiro passo para enfrentá-lo.

“Para enfrentar o câncer, não basta tratar. É preciso conhecer. Conhecer para prevenir, diagnosticar mais cedo, planejar melhor os serviços de saúde e orientar políticas públicas capazes de salvar vidas”

Anualmente, as edições do boletim da Fundação do Câncer mostram um retrato epidemiológico da doença no Brasil e têm o objetivo de alertar a sociedade e orientar profissionais sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do combate ao câncer.

Os dados do boletim são da plataforma info.oncollect, sistema que integra a coleta, organização e análise de dados relativos a registros hospitalares de oncologia.

Enfrentando o melanoma

O estudo também aponta que o enfrentamento do melanoma de pele e extracutâneo no Brasil requer prevenção, diagnóstico precoce, qualificação dos registros, acesso oportuno ao tratamento e articulação entre atenção básica, dermatologia, oftalmologia, oncologia e demais especialidades médicas, conforme Alfredo Scaff, consultor médico da Fundação do Câncer e coordenador do estudo.

“Controlar o câncer é realizar o diagnóstico da forma mais precoce possível, iniciar o tratamento da forma mais oportuna para que as pessoas se tratem e se curem do câncer. O câncer é uma doença que tem cura quando diagnosticado e tratado precocemente”, destaca.

Pelo SUS, o padrão do tratamento do melanoma é a cirurgia da lesão primária.

Resumo: Estudo do INCA revela que, entre 2014 e 2023, a cirurgia foi a primeira opção de tratamento do melanoma de pele em 84,7% dos casos no Brasil. A Região Sudeste lidera com 89,6% e o Norte registra 64,4%. Deslocamentos para tratamento destacam gargalos de acesso, especialmente no Centro-Oeste (20,2%). A aprovação da classe anti-PD-1 pela ANVISA em 2016 abriu caminho para imunoterapia, incorporada pelo SUS em 2020 (nivolumabe/pembrolizumabe).

São Paulo — Em estudo detalhado, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) aponta que, entre 2014 e 2023, a cirurgia permaneceu como a primeira medida terapêutica para melanoma de pele no país, respondendo por 84,7% dos procedimentos iniciais. A pesquisa destaca a importância da cirurgia como base do tratamento, mesmo diante de avanços em terapias mais modernas.

Regiões – Ao segmentar por área geográfica, a Região Sudeste aparece na frente com 89,6% das cirurgias iniciais, seguida pela Região Norte (64,4%). Esses números revelam diferenças regionais na adoção de abordagens terapêuticas, ainda que a cirurgia permaneça dominante em todas as regiões.

Quanto ao deslocamento para o tratamento oncológico, a maioria dos pacientes realizou o atendimento na própria região de residência. O Centro-Oeste se destacou como a área com maior necessidade de deslocamento entre localidades, com 20,2% buscando tratamento fora de casa, indicador de gargalo no acesso à assistência especializada, segundo a Fundação do Câncer.

Outros tratamentos – O INCA enfatiza que a quimioterapia continua amplamente utilizada no melanoma. Em 2016, a ANVISA aprovou o uso de medicamentos da classe anti-PD-1 (nivolumabe, pembrolizumabe) e, mais recentemente, o tebentafuspe para melanoma ocular metastático/inoperável. Em 2020, a Conitec aprovou a primeira imunoterapia no SUS para melanoma metastático, com dois agentes anti-PD-1 (nivolumabe e pembrolizumabe).

O consultor médico da Fundaçao do Câncer e coordenador do estudo, Alfredo Scaff, ressalta que a chegada de terapias de ponta elevou a taxa de resposta e a sobrevida em casos avançados ou metastáticos.

“Isso é um marco, já que a resposta clínica saltou de menos de 10% com quimioterapia para até 70% com imunoterapia. Isso é revolucionário”, afirmou.

Por outro lado, o responsável pela Assistência do INCA, Gélcio Mendes, ressalta que, para o melanoma extracutâneo, as evidências de imunoterapia são limitadas e, em muitos casos, sem efetividade evidente.

São Paulo (SP), 09/09/2026. - O coordenador de Assistência do Instituto Nacional de Câncer (INCA), Gélcio Mendes. Foto: Carlos Leite/INCA

Crédito: Carlos Leite/INCA

O INCA também destaca que novas tecnologias costumam somar às terapias já eficazes, sem substituí-las. É essencial considerar o benefício observado nos estudos, a eficácia no mundo real, a relação custo-efetividade e a capacidade de financiamento, dados os altos custos de aquisição dessas opções terapêuticas.

Fonte: Agência Brasil

Resumo – Estudo brasileiro analisa melanoma no SUS e aponta custos elevados da imunoterapia como principal entrave de acesso. Propõe compra centralizada por parte do Ministério da Saúde, articulada à política de industrialização da saúde (CEIS) para reduzir preços e ampliar produção nacional. Dados epidemiológicos mostram distribuição de melanomas extrapele no Brasil, com ênfase em ocular.

Caminhos propostos incluem AF-Onco e mudanças na logística de distribuição para ampliar o acesso aos pacientes, dentro de parâmetros aprovados pela Conitec.

Dados do estudo: 42.255 casos avaliados; 92,2% são melanomas cutâneos; 75% dos extrapele são oculares; 1.324 melanomas extrapele entre 1990-2021; 993 oculares; 447 homens e 546 mulheres.

Observa-se ainda que o melanoma ocular pode permanecer assintomático nas fases iniciais, o que reforça a necessidade de políticas de acesso mais ágeis a tratamentos de alta complexidade.

Brasil – Um estudo epidemiológico com registros hospitalares no país aponta que o alto custo da imunoterapia para melanoma continua sendo uma barreira para pacientes do SUS, dificultando o acesso em tempo hábil. O levantamento analisa dados entre 1990 e 2021 e destaca a necessidade de mudanças estruturais para ampliar o acesso a esses tratamentos.

Segundo Alfredo Scaff, consultor da Fundação do Câncer, a saída para esse gargalo financeiro envolve a compra centralizada de insumos pelo Ministério da Saúde e órgãos vinculados, em articulação com a política de industrialização da saúde por meio do CEIS, com objetivo de obter produtos com valores mais acessíveis no mercado farmacêutico.

O coordenador de Assistência do Inca, Gélcio Mendes, admite o peso do custo da terapia e informa que alterações no marco legal (portarias) para ampliar o programa AF-Onco estão em tramitação. O foco é ampliar o acesso a esses agentes dentro dos parâmetros aprovados pela Conitec.

“Com a nova política de medicamentos oncológicos, expressa pelas portarias da Assistência Farmacêutica em Oncologia [AF-Onco], espera-se dar acesso aos pacientes com melanoma metastático à imunoterapia, dentro dos parâmetros aprovados e pactuados pela Conitec, assim como de diversas outras tecnologias”, afirmou Scaff.

Scaff ressalta que, apesar dos avanços legais, o fluxo logístico para a distribuição de remédios de alta tecnologia até as Unacons e CACons depende de pactuação entre gestores, processo que ainda está em construção.

O repasse efetivo desses medicamentos às unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia permanece sob negociação intergovernamental, segundo o pesquisador.

Dados do estudo sobre melanoma extrapele

Estudo epidemiológico com registros hospitalares no Brasil aponta que 92,2% dos casos são melanomas cutâneos, 5,7% são oculares e 2,5% mucosas.

Entre 1990 e 2021, apenas para melanomas extrapele, foram registrados 1.324 novos casos, sendo 523 em homens e 801 em mulheres.

A olho foi a principal localização primária (75%) dos casos extracutâneos, seguido dos órgãos genitais (12,8%) e do sistema digestório (8,2%).

Entre os 993 casos analisados de melanoma ocular, 447 (45%) ocorreram em homens e 546 (55%) em mulheres.

Diante dos números, a Fundação do Câncer alerta que, diferentemente do melanoma cutâneo, o ocular pode permanecer assintomático nas fases iniciais, o que reforça a necessidade de políticas de acesso mais rápidas a tratamentos de alta complexidade.

Resumo: Melanoma de pele permanece o câncer de pele mais comum no Brasil. Entre 1990 e 2021, foram registrados 30.614 casos novos; em 2023, ocorreram 2.047 óbitos. A região Sul tem as maiores taxas de incidência; projeções para 2026/2028 indicam 9.360 novos casos no país. Dados do INCA e da Fundação do Câncer.

Melanoma de pele continua sendo o tipo de câncer de pele mais frequente no Brasil, embora represente apenas 4% dos tumores malignos cutâneos. Dados do INCA (Instituto Nacional de Câncer) e da Fundação do Câncer indicam que, entre 1990 e 2021, foram 30.614 casos novos. A distribuição por sexo aponta 15.714 ocorrências em mulheres (51,3%) e 14.900 em homens (48,7%). A doença apresenta predomínio de localização no tronco (22,4%), seguido de membros inferiores (19,1%) e membros superiores (13,8%). Em relação ao sexo, homens apresentaram mais diagnósticos na orelha, couro cabeludo, pescoço e tronco; mulheres, na face, membros inferiores e superiores. O diagnóstico precoce é enfatizado, pois os sintomas são inespecíficos e podem atrasar a detecção.

Em termos de mortalidade, o INCA registrou, em 2023, 2.047 óbitos por melanoma de pele no Brasil. Desse total, 1.176 mortes ocorreram entre homens (1,14 por 100 mil) e 871 entre mulheres (0,8 por 100 mil). A média de óbitos no período 2020-2024 ficou em seis por milhão de habitantes, com maiores taxas entre homens (8 por milhão) do que entre mulheres (5 por milhão).

Pelo panorama regional, a região Sul registrou as maiores taxas de incidência, com 44,40 casos por milhão, quase o dobro da média nacional (19,20 por milhão). No Sul, o melanoma ocupa a sétima posição entre cânceres em mulheres e a nona entre homens.

Para o triênio 2026/2028, o INCA projeta 9.360 novos casos de câncer de pele melanoma no Brasil, com uma incidência de 19,2 casos por milhão de habitantes. O maior risco permanece entre homens, com 23,8 casos por milhão, frente a 17,3 por milhão entre as mulheres. Os números integram as estimativas do instituto, que orientam políticas públicas e ações no SUS. O estudo completo pode ser consultado neste link.

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