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Limões mantêm preço acima da média mesmo na entressafra

Limões mantêm preço acima da média mesmo na entressafra
Limões mantêm preço acima da média mesmo na entressafra

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Resumo jornalístico: No cinturão cítrico paulista, o limão tahiti registrou forte alta de preços na entressafra, puxado por menor oferta e clima. Entre junho e agosto, a média recebida pelo produtor subiu de 32,10 para 104,78 reais por caixa, com Ceagesp e CeasaMinas registrando aumentos expressivos. Conab aponta queda na florada e previsão de normalização apenas com a nova safra no fim do ano. Palavras-chave: limão tahiti, entressafra, Ceagesp, CeasaMinas, Conab, Cepea/Esalq.

Cinturão Citrícola Paulista viveu, entre junho e agosto, forte elevação nos preços do limão tahiti, em plena entressafra. Dados da Conab mostram que a média recebida pelo produtor subiu de R$ 32,10 por caixa de 27,2 kg em junho para R$ 55,60 em julho e atingiu R$ 104,78 em agosto, em um intervalo marcado por volatilidade histórica nesses frutos.

Crédito: “Agência Brasil”.

O pesquisador Renato Garcia Ribeiro, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), aponta que o limão tem uma volatilidade histórica de preços e ressalta que o momento atual é particularmente delicado, com chuvas que prejudicaram a florada no começo do ano. “O limão tem como uma de suas características ter uma volatilidade muito alta em seu histórico de preços, diferente do que estamos acostumados a ver em outras plantas. O momento atual é um período bem precário, com uma condição especial de chuvas que afetou a florada no começo do ano”, explicou à Agência Brasil o especialista.

Segundo a Conab, no cinturão citrícola paulista — responsável por cerca de 80% da produção nacional —, a variação dos preços também se refletiu no atacado. No Ceagesp, maior entreposto do país, o valor da fruta subiu de 1,82 reais o quilo no início da entressafra, em maio, para 8,62 reais no pico de setembro, aumento de aproximadamente 374%. Já na CeasaMinas, entre BH e região, a oscilação foi de 2,50 reais para 8,50 reais por quilo, o que representa aproximadamente 240% de alta.

A Conab lembra que, geralmente, o limão segue um ritmo sazonal: pico de safra em janeiro e fevereiro, queda entre março e abril, entrada na entressafra a partir de maio e retomada da oferta até meados de setembro. O crescimento recente é atribuído à queda na oferta no início da entressafra e à qualidade e quantidade limitadas de frutos produzidos nas floradas recentes.

A atuação de chuvas acima da média prejudicou tanto a florada principal de julho — que conduziria o volume para o segundo semestre — quanto o pegamento de frutos de floradas anteriores. A Região Bebedouro e Matão concentrações de produção respondem por grande parte da área plantada, mas outros polos, como Limeira, Votuporanga e São José do Rio Preto, também registraram impactos. A Conab destaca que a florada de julho só deve gerar volume relevante a partir de meados de novembro, o que alimenta a continuidade da pressão de preços até o fim do ano.

A normalização de preços é prevista apenas com a chegada da nova safra, marcada para o fim do ano, segundo informações da Conab. Enquanto isso, consumidores devem continuar sentindo o efeito da entressafra no preço do limão tahiti.

Ceagesp — Na última semana, preços do limão recuaram, sem confirmar continuidade.

O maior impacto ficou no volume de produção, com clima influenciando a oferta.

El Niño pode elevar calor e déficit hídrico na safra de 2027, segundo especialistas.

Conab aponta baixo impacto do El Niño neste ano.

Ceagesp — Na semana, os preços do limão negociados no centro de abastecimento recuaram, mas ainda não é possível afirmar que a tendência de queda se manterá nos próximos dias.

O impacto mais expressivo ficou no volume de produção. Renato Ribeiro, pesquisador do Cepea/Esalq, afirmou que “tivemos anos anteriores bons, mas houve impacto da condição climática, que deve se estender para o próximo ano”.

Especialistas apontam que o cenário de El Niño forte previsto para o início de 2027 pode elevar o calor e o déficit hídrico, aumentando o estresse nas plantas e potencialmente afetando a florada no final da primavera e início do verão.

Os técnicos da Conab dizem que o El Niño teve pouco impacto na produção de limão neste ano, embora reconheçam que as variações observadas foram influenciadas por outras variáveis climáticas.

“Mesmo no mês de julho, quando chuvas e ventos anormais afetaram a florada, o fenômeno era de intensidade ainda baixa. Então não podemos afirmar que foi a causa principal das alterações ocorridas nesse mercado. Podemos dizer que contribuiu para essa configuração, mas não foi o fator principal”, avaliam especialistas do setor.

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