{"id":103242,"date":"2022-05-06T17:34:00","date_gmt":"2022-05-06T20:34:00","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/05\/celular-se-isola-como-principal-plataforma-dos-gamers-no-brasil\/"},"modified":"2022-09-23T12:26:46","modified_gmt":"2022-09-23T15:26:46","slug":"celular-se-isola-como-principal-plataforma-dos-gamers-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/05\/06\/celular-se-isola-como-principal-plataforma-dos-gamers-no-brasil\/","title":{"rendered":"Celular se isola como principal plataforma dos gamers no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>S??O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Em 2018, a mesa gamer do estudante Matheus Lobo, 22 anos, teve um upgrade. Ap\u00f3s seis meses de economia, ele conseguiu substituir seu computador b\u00e1sico, que usava para trabalhar, por um com processador, placa de v\u00eddeo e mem\u00f3ria melhores -componentes que s\u00e3o chave para um bom desempenho nos jogos.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Era o in\u00edcio da instala\u00e7\u00e3o dos sonhos: computador com duas ou mais telas, diferentes controles, fones de ouvido com cancelamento de ru\u00eddo, mouse de alta precis\u00e3o.<\/p>\n<p>Quatro anos depois, a mesa gamer virou uma mesa de cabeceira: \u00e9 ali que ele deixa as luvas de dedo, o cooler mobile (esp\u00e9cie de miniventilador para resfriar o celular) e o controle onde acopla o smartphone.<\/p>\n<p>&#8220;Em 2020, o meu computador quebrou, e a manuten\u00e7\u00e3o era extremamente cara. N\u00e3o achei vi\u00e1vel. Com o pre\u00e7o da manuten\u00e7\u00e3o, eu poderia comprar um celular melhor&#8221;, afirma. Desde ent\u00e3o, Matheus joga quase exclusivamente pelo celular.<\/p>\n<p>O comportamento \u00e9 uma tend\u00eancia mundial: em 2021, o mercado de jogos em plataformas m\u00f3veis (celulares e tablets) movimentou US$ 93,2 bilh\u00f5es (R$ 468,4 bilh\u00f5es), 52% de todo o faturamento do setor. Segundo relat\u00f3rio da NewZoo, \u00e9 um aumento de 7,3% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior.<\/p>\n<p>O Brasil, que segundo levantamento da FGV tem mais smartphones do que pessoas, segue o mesmo rumo. De acordo com a Pesquisa Games Brasil, feita com 13.051 internautas entre fevereiro e mar\u00e7o deste ano, 48,3% dos entrevistados que jogavam preferiam o celular, um aumento de 6,7 pontos percentuais em rela\u00e7\u00e3o ao levantamento do ano passado.<\/p>\n<p>Desses, 33,2% declaram jogar em dispositivos m\u00f3veis todos os dias; 70,7% dos que preferem mobile se consideram casuais.<\/p>\n<p>Matheus, f\u00e3 de games no celular &#8220;desde o jogo da cobrinha&#8221;, viu o mercado se expandir nos \u00faltimos anos. Com isso, embora tenha migrado para o mobile por uma quest\u00e3o financeira, hoje est\u00e1 na plataforma por escolha.<\/p>\n<p>Ele acha mais f\u00e1cil mostrar novidades para os amigos e dar play em qualquer lugar, e quase n\u00e3o liga o Xbox Series X que est\u00e1 na sua sala. &#8220;Geralmente, os jogos que est\u00e3o saindo para console est\u00e3o saindo para celular&#8221;, justifica.<\/p>\n<p>Foram v\u00e1rias as companhias que entraram na disputa por esse p\u00fablico desde que a francesa Gameloft lan\u00e7ou o Spider-Man Unlimited, um dos mais famosos para celular, em 2014, e se tornou pioneira em produtos com narrativas e personagens mais complexos para a plataforma.<\/p>\n<p>O Fortnite, famoso jogo de estrat\u00e9gias da Epic Games, por exemplo, pode ser jogado de qualquer plataforma -a mesma conta pode ser usada em computador, console ou celular e carrega o progresso do jogador. J\u00e1 o League of Legends, maior sucesso da Riot Games, tem a sua vers\u00e3o para mobile desde 2020.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda os que s\u00e3o completamente voltados para smartphone, como o Pokemon Go. O objetivo do jogo, febre em 2016, \u00e9 a captura das famosas criaturas do desenho, que aparecem na c\u00e2mera do celular por meio de realidade aumentada.<\/p>\n<p>No Brasil, a Wildlife Studios \u00e9 a principal empresa de games focada no mercado mobile. ?? a \u00fanica do setor entre os unic\u00f3rnios ???apelido das startups com valor de mercado superior a US$ 1 bilh\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 17 anos no mercado, o presidente-executivo da distribuidora de jogos Level Up, Gl\u00e1ucio Marques, afirma que o desenvolvimento dos games mobile teve um salto nos \u00faltimos tr\u00eas anos, acompanhando a evolu\u00e7\u00e3o e populariza\u00e7\u00e3o dos celulares ???e pegando carona na digitaliza\u00e7\u00e3o da pandemia.<\/p>\n<p>&#8220;Em rela\u00e7\u00e3o a neg\u00f3cios a gente v\u00ea uma grande oportunidade&#8221;, afirma o empres\u00e1rio, embora ressalte que, de modo geral, no console ou computador a experi\u00eancia \u00e9 mais rica, com gr\u00e1ficos melhores, mais intera\u00e7\u00e3o e eventualmente uma internet a cabo, mais r\u00e1pida.<\/p>\n<p>Em 2018, 14% dos acessos \u00e0 plataforma de jogos da empresa de Marques era mobile. Em mar\u00e7o deste ano, o dispositivo j\u00e1 era respons\u00e1vel por 80% dos acessos, guinada que provocou mudan\u00e7as na equipe. Dos cerca de 180 funcion\u00e1rios contratados desde 2019, 40% foram para cargos ligados a servi\u00e7os para celular ou tablet.<\/p>\n<p>&#8220;A minha m\u00e3e de 79 anos nunca havia jogado e, h\u00e1 5 anos, depois que comprou o primeiro smartphone, passou a jogar diariamente e investe nisso&#8221;, conta Marques.<\/p>\n<p>A pr\u00f3xima grande mudan\u00e7a, aposta ele, ser\u00e1 a quinta gera\u00e7\u00e3o de rede de celulares, que deve chegar ainda este ano no Brasil. &#8220;O 5g vai potencializar esse crescimento para produtos melhores. Agora, precisamos ver em quanto tempo a popula\u00e7\u00e3o em geral vai ter acesso. Assim como o p\u00fablico com celulares melhores, \u00e9 um nicho&#8221;, afirma.<\/p>\n<p><span class=\"news_bold\">P??BLICO DO CELULAR ?? MAIS DIVERSO<\/span><\/p>\n<p>&#8220;Quando voc\u00ea vai para plataformas como console e computador, a experi\u00eancia de games \u00e9 elitizada&#8221;, afirma Carlos Silva, s\u00f3cio da Go Gamers. &#8220;O celular, aparelho que voc\u00ea utiliza no seu cotidiano, \u00e9 o mesmo que voc\u00ea pode jogar.&#8221;<\/p>\n<p>De acordo com a Pesquisa Games Brasil, o p\u00fablico das classes C e D, que representa 38% dos jogadores de console e 41% dos de computador, \u00e9 59% dos jogadores de smartphone e tablet.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a de custo ficou ainda mais evidente ap\u00f3s o in\u00edcio da pandemia, quando a interrup\u00e7\u00e3o das cadeias globais de suprimentos desataram uma crise no mercado de microchips ???componente essencial para eletr\u00f4nicos.<\/p>\n<p>O d\u00f3lar passando os R$ 5, em um aumento de 24% desde o fim de 2019, tamb\u00e9m n\u00e3o ajuda quem quer comprar importados.<\/p>\n<p>O levantamento aponta que 67,1% dos entrevistados gastaram menos de R$ 1.250 no \u00faltimo ano em equipamentos para jogos, valor bem abaixo dos cerca de R$ 2.300 necess\u00e1rios para adquirir um Xbox Series S, console mais barato da nova gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O mesmo fen\u00f4meno \u00e9 observado no investimento da experi\u00eancia: 61,6% dos entrevistados dizem ter gasto em jogos no \u00faltimo ano menos de R$ 300 -pre\u00e7o de um game de primeira linha da Nintendo no Brasil. Entre os 17,3% que dizem n\u00e3o ter gasto nada em jogos no \u00faltimo ano, 40,2% afirmaram que n\u00e3o o fizeram por causa do pre\u00e7o.<\/p>\n<p>Apesar da infla\u00e7\u00e3o, os gamers resistem. Na pesquisa de 2022, 74,5% dos entrevistados diziam ter costume de jogar jogos eletr\u00f4nicos, varia\u00e7\u00e3o dentro da margem de erro de dois pontos percentuais em rela\u00e7\u00e3o aos 72% de 2021.<\/p>\n<p>&#8220;O p\u00fablico de games continuou muito engajado&#8221;, diz Silva. Foram 41,7% os entrevistados que concordaram totalmente sobre terem jogado mais durante o per\u00edodo de isolamento social.<br \/>A diversidade no celular abarca tamb\u00e9m g\u00eanero. Mulheres s\u00e3o 60,4% entre os jogadores, cen\u00e1rio que se inverte no console, onde 63,9% s\u00e3o homens. No computador, o p\u00fablico masculino representa 58,9% dos gamers.<\/p>\n<p>Imers\u00e3o e recursos gr\u00e1ficos s\u00e3o diferen\u00e7as mais sentidas A analista de redes sociais Stheephanny Andrade, que descobriu o mundo dos games com Super Mario e Donkey Kong em um Super Nintendo da d\u00e9cada de 1990, tem se dedicado cada vez mais ao celular. Come\u00e7ou com jogos mais b\u00e1sicos, incluindo o conhecido quebra-cabe\u00e7as Candy Crush, at\u00e9 conhecer, em 2017, a vers\u00e3o para celular do Free Fire, game de a\u00e7\u00e3o do est\u00fadio Garena.<\/p>\n<p>Hoje, aos 27 anos, ela participa de um grupo para jogar PlayerUnknown&#8217;s Battlegrounds, ou PUBG, em campeonatos amadores, parte dos diversos eventos voltados s\u00f3 para jogadores de celular. A Mobile Pro League Brazil Spring deste ano, competi\u00e7\u00e3o profissional do game ao qual Stheephanny se dedica, teve um pico de 44.323 espectadores, segundo o eSports Charts.<\/p>\n<p>Embora seja uma entusiasta da praticidade do celular, Stheephanny ainda joga por outras plataformas. &#8220;A imers\u00e3o quando eu estou jogando no PC ou no console \u00e9 bem maior. Os gr\u00e1ficos hoje em dia s\u00e3o bons no smartphone, mas quando voc\u00ea vai jogar aquele mesmo jogo em uma vers\u00e3o para computador, tem uma grande diferen\u00e7a. Parece que voc\u00ea se teletransporta para dentro do jogo&#8221;, afirma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S??O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Em 2018, a mesa gamer do estudante Matheus Lobo, 22 anos, teve um upgrade. 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