{"id":105606,"date":"2022-05-07T07:03:42","date_gmt":"2022-05-07T10:03:42","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/05\/os-yanomamis-estao-escondidos-na-floresta\/"},"modified":"2022-05-07T07:03:42","modified_gmt":"2022-05-07T10:03:42","slug":"os-yanomamis-estao-escondidos-na-floresta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/05\/07\/os-yanomamis-estao-escondidos-na-floresta\/","title":{"rendered":"Os yanomamis est\u00e3o escondidos na floresta"},"content":{"rendered":"<p class=\"bodytext\">\n<p class=\"bodytext\">Cad\u00ea os yanomamis? A pergunta que invadiu a time line de milhares de pessoas nas redes sociais, mobilizando ativistas e celebridades internacionais nos \u00faltimos sete dias parece finalmente ter sido respondida. Em depoimento \u00e0 Pol\u00edcia Federal na quinta (5), o l\u00edder ind\u00edgena J\u00fanior Hekurari afirmou que os cerca de 24 \u00edndios dados como desaparecidos ap\u00f3s confronto com garimpeiros na comunidade Araca\u00e7\u00e1, em Roraima, foram localizados no interior da floresta, em outra \u00e1rea dentro do territ\u00f3rio Yanomami. Um outro \u00a0grupo se encontra na regi\u00e3o de Palimi\u00fa, tamb\u00e9m na reserva.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A localiza\u00e7\u00e3o dos \u00edndios desaparecidos no final de abril, contudo, \u00e9 insuficiente para fechar o caso que, \u00a0embora resumido em uma \u00fanica quest\u00e3o, exige muitas respostas para solucionar grave problema que envolve a posse e o uso de terras, prote\u00e7\u00e3o da floresta e mesmo a exist\u00eancia de um povo. \u00a0O desaparecimento dos ind\u00edgenas em Araca\u00e7\u00e1 \u00e9, at\u00e9 aqui, o cap\u00edtulo mais dram\u00e1tico de uma s\u00e9rie de recentes epis\u00f3dios de escalada de viol\u00eancia naquela \u00e1rea, alvo de a\u00e7\u00e3o de garimpeiros.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">No final de abril, uma for\u00e7a tarefa formada por agentes da Pol\u00edcia Federal e por funcion\u00e1rios da Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio e do Instituto Brasileiro (Funai) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama) adentrou aquele territ\u00f3rio para investigar a den\u00fancia feita pelo pr\u00f3prio J\u00fanior Hekurari, presidente do Conselho Distrital de Sa\u00fade Ind\u00edgena Yanomami e Ye&#8217;kwana (Condisi-YY), de que garimpeiros teriam violentado e assassinado uma menina yanomami de 12 anos, e sequestrado uma \u00edndia e sua filha, uma crian\u00e7a que sumiu \u00a0ap\u00f3s ser atirada no rio. Ao chegar \u00e0 aldeia, a for\u00e7a tarefa n\u00e3o encontrou nenhum \u00edndio da comunidade, se deparando ainda com todas as casas queimadas.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Apesar do choque que o cen\u00e1rio e a gravidade das den\u00fancias provocam, a PF afirmou \u00a0n\u00e3o ter visto ind\u00edcios de crime. A conclus\u00e3o foi divulgada em nota assinada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, Funai e pela Secretaria Especial de Sa\u00fade Ind\u00edgena. ?? um costume dos yanomamis mudar de moradia quando um dos seus morre. Na mudan\u00e7a, eles incineram as antigas resid\u00eancias. Segundo a Pol\u00edcia Federal, o inqu\u00e9rito ainda segue em aberto e as den\u00fancias de viol\u00eancia contra os \u00edndios continuam sendo \u00a0investigadas.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Embate<\/strong><br \/> Minera\u00e7\u00e3o \u00e9 uma atividade proibida em reservas ind\u00edgenas. O territ\u00f3rio Yanomami em Roraima \u00e9 legalmente reconhecido como reserva ind\u00edgena desde 1992. A posse da \u00e1rea era disputada pelos ind\u00edgenas e garimpeiros, sempre com viol\u00eancia por parte do segundo grupo, desde a d\u00e9cada de 1970. Entre 1987 e 1990, centenas de pistas clandestinas para avi\u00f5es foram abertas para escoar o ouro recolhido ali. No auge do garimpo na regi\u00e3o, foi estimada a presen\u00e7a de 30 a 40 mil garimpeiros, cerca de cinco vezes a quantidade de \u00edndios que ali residiam.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A corrida do ouro no territ\u00f3rio Yanomami diminui com a legaliza\u00e7\u00e3o da reserva. Mas ela ainda existe.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">E ganhou for\u00e7a nos \u00faltimos anos. O governo federal, com o pr\u00f3prio presidente Jair Bolsonaro \u00e0 frente, tem defendido mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o e projetos de lei nesse sentido tramitam no Congresso. Em apenas um ano ??? entre 2021 e 2020 ??? a \u00e1rea de floresta devastada pelos garimpos ilegais em toda a reserva, que inclui mais de 350 comunidades, cresceu 46%, um incremento de 1.038 hectares, ou cerca de 3 mil campos de futebol devastados, a maior taxa anual desde a demarca\u00e7\u00e3o h\u00e1 30 anos. Em maio do ano passado, imagens de garimpeiros atirando contra yanomamis a partir de barcos ganharam o mundo ao serem publicadas e diversas postagens nas redes sociais da internet.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Al\u00e9m de destruir a floresta, a presen\u00e7a dos garimpeiros leva doen\u00e7as como gripe, mal\u00e1ria, pneumonia e recentemente covid-19 \u00a0\u00e0 popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, despreparada para enfrenta-las. Mais de 60% das crian\u00e7as yanomamis sofrem de desnutri\u00e7\u00e3o. O retrato ainda inclui o aliciamento de mulheres e meninas ind\u00edgenas que acabam se prostituindo em troca de um prato de comida. As informa\u00e7\u00f5es fazem parte do relat\u00f3rio Yanomami sob ataque &#8211; Garimpo ilegal na Terra Ind\u00edgena Yanomami e Propostas para Combat\u00ea-lo, divulgado pela Hutukara Associa\u00e7\u00e3o Yanomami.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Crime que d\u00e1 lucro<\/strong><br \/> A solu\u00e7\u00e3o para o lucrativo garimpo ilegal n\u00e3o \u00e9 simples e exige recursos materiais e humanos que imponham a presen\u00e7a do Estado na regi\u00e3o, garantindo o cumprimento das leis naquele territ\u00f3rio. O ouro \u00e9 um dos ativos que mais se valorizam em todo o mundo.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Na quinta (5), em Sorocaba (SP), a Pol\u00edcia Federal apreendeu \u00a077 quilos de ouro sem proced\u00eancia comprovada. O valor da apreens\u00e3o soma cerca de R$ 23 milh\u00f5es. Seis pessoas que faziam o transporte foram detidas &#8211; quatro delas s\u00e3o policiais militares, um deles da reserva.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A aeronave que transportava a carga \u00e9 do empres\u00e1rio Dirceu Frederico Sobrinho, conhecido como ???Rei do Ouro??? e dono da empresa de ouro FD Gold. Filiado ao PSDB, ele concorreu como suplente de senador pelo Par\u00e1 em 2018.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Seu nome consta na agenda de encontro presenciais com membros do gabinete do presidente Jair Bolsonaro. Ele se reuniu com o vice-presidente Hamilton Mour\u00e3o, o ministro-chefe do Gabinete de Seguran\u00e7a Institucional General Heleno, e os ex-ministros da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e do Meio Ambiente, Ricardo Salles. No ano passado, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal pediu a suspens\u00e3o da empresa de Sobrinho, acusada de despejar no mercado mais de uma tonelada de ouro extra\u00eddo de garimpos ilegais da Amaz\u00f4nia.<br \/> com ag\u00eancias<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Garimpeiro \u00e9 preso 29 anos ap\u00f3s chacina\u00a0<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">A Pol\u00edcia Federal (PF) prendeu na noite da quinta (5), em Boa Vista (RR), o garimpeiro Eli\u00e9zio Monteiro Neri, que foi condenado por envolvimento no genoc\u00eddio de ind\u00edgenas yanomami conhecido como &#8220;Massacre do Haximu&#8221; e estava foragido. Segundo a Pol\u00edcia Federal, Neri foi abordado pela Pol\u00edcia Militar quando estava em um supermercado. A corpora\u00e7\u00e3o pediu o apoio para a realiza\u00e7\u00e3o da pris\u00e3o ap\u00f3s receber a informa\u00e7\u00e3o de que o garimpeiro chegaria na capital de Roraima pela rodovi\u00e1ria.<br \/> A chacina ocorreu em 1993, quando garimpeiros que atuavam em regi\u00e3o pr\u00f3xima \u00e0 fronteira com a Venezuela assassinaram 16 yanomamis. Entre os mortos havia mulheres, adolescentes crian\u00e7as e um beb\u00ea. Segundo o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF), o massacre chegou ao conhecimento das autoridades em agosto daquele ano, por meio de um bilhete escrito por uma freira que estava em miss\u00e3o na regi\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A Procuradoria relata que, no dia 15 de julho daquele ano, sete garimpeiros chamaram seis ind\u00edgenas para ca\u00e7ar e assassinaram quatro desses. Ainda de acordo com o MPF, em retalia\u00e7\u00e3o, os ind\u00edgenas mataram um dos garimpeiros. Um m\u00eas depois, os garimpeiros invadiram uma \u00e1rea onde estavam integrantes da tribo e ent\u00e3o mataram, a tiros e golpes de fac\u00e3o, 12 ind\u00edgenas &#8211; um homem, duas idosas, uma mulher, tr\u00eas adolescentes, quatro crian\u00e7as e um beb\u00ea.<br \/> O MPF denunciou 24 garimpeiros, sendo que apenas cinco estavam &#8220;plenamente identificados&#8221;. ??, at\u00e9 hoje, o \u00fanico caso reconhecido como genoc\u00eddio pela Justi\u00e7a brasileira.<br \/> \u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cad\u00ea os yanomamis? 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