{"id":106532,"date":"2022-05-07T11:03:50","date_gmt":"2022-05-07T14:03:50","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/05\/um-caso-de-amor-com-heartstopper-e-love-victor\/"},"modified":"2022-05-07T11:03:50","modified_gmt":"2022-05-07T14:03:50","slug":"um-caso-de-amor-com-heartstopper-e-love-victor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/05\/07\/um-caso-de-amor-com-heartstopper-e-love-victor\/","title":{"rendered":"Um caso de amor com Heartstopper e Love, Victor"},"content":{"rendered":"<p class=\"bodytext\">\n<p class=\"bodytext\">Filmes e s\u00e9ries sobre as descobertas da adolesc\u00eancia s\u00e3o muitos. N\u00e3o \u00e0 toa esse tipo de obra se transformou num g\u00eanero, o coming-of-age, narrativa que acompanha o crescimento e a transi\u00e7\u00e3o dessa galera. Ainda que haja imensa variedade, os clich\u00eas padronizam quase todas as produ\u00e7\u00f5es. Duas exce\u00e7\u00f5es que fogem ao universo hetenormativo precisam ser destacadas (ainda que tenham muitos clich\u00eas): as s\u00e9ries Heartstopper (Netflix) e Love, Victor (Star+), que nos ensinam de forma bem acess\u00edvel a respeitar as escolhas do outros e a liberdade de se constru\u00edrem aos poucos na vida.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Adapta\u00e7\u00e3o\u00a0fiel dos quadrinhos de Alice Oseman, Heartstopper \u00e9 um delicinha pop que virou unanimidade entre p\u00fablico e cr\u00edtica, com 100% de avalia\u00e7\u00f5es positivas no Rotten Tomatoes. Oseman, que assina o roteiro da s\u00e9rie protagonizada por Kit Connor e Joe Locke, levou para a telinha as sacadas inteligentes do texto original, incrementando os personagens com mais humanidade. A trama acompanha Charlie (Locke), um garoto gay que se apaixona por Nick (Connor), jogador de r\u00fagbi da escola ??? ele se descobre bissexual. Apesar de seguir o esqueleto base do coming-of-age LGBTQIA+, Heartstopper consegue superar isso de forma brilhante.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Novela mais tradicional ??? e nem por isso menos interessante, Love, Victor traz um retrato do t\u00edmido Victor Salazar (Michael Cimino), que enfrenta os pilares cat\u00f3licos da fam\u00edlia de imigrantes colombianos ao revelar que \u00e9 gay. Ao contr\u00e1rio de Heartstopper, cuja fam\u00edlia quase n\u00e3o se imp\u00f5e na trama, em Love, Victor ela interfere diretamente nas escolhas do protagonista e mostra que sem a rede de apoio que vem de casa n\u00e3o d\u00e1 pra segurar a onda. Sobretudo se os preconceitos s\u00e3o perpetuados por institui\u00e7\u00f5es religiosas que rotulam pessoas LGBTQIA+ como pecadores.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Listamos a seguir dez motivos pelos quais voc\u00ea e sua fam\u00edlia precisam assistir Heartstopper e Love, Victor. Confira e acrescente os seus.<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>1 &#8211;\u00a0<\/strong> \u00a0O elenco jovem \u00a0\u00e9 sensacional. Muito afinados e totalmente imersos na \u00a0trama de Alice Oseman, as vers\u00f5es de Joe Locke e Kit Connor (Charlie e Nick, respectivamente) em Heartstopper s\u00e3o t\u00e3o carism\u00e1ticas que \u00e9 imposs\u00edvel conter a alegria ao v\u00ea-los representar a inoc\u00eancia de seus personagens. Igualmente bacana \u00e9 a atua\u00e7\u00e3o de Michael Cimino ao traduzir o misto de ang\u00fastia e deslumbramento que vai tomando conta de Victor na s\u00e9rie que funciona como spin-off do filme Love, Simon (Greg Berlanti\/2018).<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>2 &#8211;\u00a0<\/strong> O texto leve \u00a0e direto, e os recursos gr\u00e1ficos que migram de forma divertida das HQs, transformam Heartstopper numa s\u00e9rie muito agrad\u00e1vel de se assistir.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>3 &#8211;<\/strong>\u00a0O drama familiar \u00a0\u00e9 o foco, mas Love, Victor n\u00e3o carrega no melodrama. Nem mesmo quando a m\u00e3e do personagem t\u00edtulo o rejeita por imposi\u00e7\u00e3o do modelo religioso no qual foi criada. Ao longo das duas temporadas (dia 15 de junho a terceira e \u00faltima chega ao Star+), a personagem de Ana Ortiz percebe que o amor pelo filho e a f\u00e9 em Deus n\u00e3o s\u00e3o excludentes.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>4 &#8211;\u00a0\u00a0<\/strong> \u00a0A delicadeza \u00a0e a naturalidade com que as pautas LGBTQIA+ s\u00e3o tratadas em Heartstopper provocam empatia genu\u00edna no p\u00fablico. Focada numa hist\u00f3ria de amor, a s\u00e9rie mostra que falar sobre relacionamentos homoafetivos n\u00e3o precisa ser necessariamente uma coisa traum\u00e1tica ou cheia de gatilhos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>5 &#8211;\u00a0<\/strong>\u00a0\u00a0<span><span><span>Os\u00a0 poucos e bons amigos de Charlie funcionam n\u00e3o s\u00f3 como rede de apoio perfeita, mas tamb\u00e9m como exemplo de representatividade. Elle (<span><span><span>Yasmin Finney<\/span><\/span><\/span>) \u00e9 uma garota trans que sofreu durante a transi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero. Ao longo dos epis\u00f3dios, vemos o interesse dela por Tao (<span><span><span>William Gao<\/span><\/span><\/span>), o h\u00e9tero diferent\u00e3o do grupo. A turma se completa com Isaac (<span><span><span>Tobie Donavan<\/span><\/span><\/span>), o ???amigo quieto??? que pode ser assexual. Al\u00e9m deles, tem o casal interracial formado por Darcy (<span><span><span>Kizzy Edgell<\/span><\/span><\/span>) e Tara (<span><span><span>Corinna Brown<\/span><\/span><\/span>), meninas que resolvem deixar de esconder seu namoro.<\/span><\/span><\/span><\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>6 &#8211;\u00a0\u00a0<\/strong> \u00a0A quest\u00e3o racial \u00a0fica muito clara em Love, Victor, cujo texto mostra didaticamente que as coisas podem ser muito mais dif\u00edceis para pessoas n\u00e3o brancas. Mesmo para aquelas que conquistaram uma certa estabilidade no bate-estaca do \u00a0american way of life. \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>7 &#8211;\u00a0<\/strong>\u00a0Ter a premiad\u00edssima Olivia Colman fazendo uma ponta em Heartstopper \u00e9 um luxo \u00e0 parte. Ela interpreta a m\u00e3e de Nick, que faz quest\u00e3o de apoiar o filho de forma incondicional.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>8 &#8211;\u00a0<\/strong>\u00a0\u00a0A trilha sonora de Heartstopper \u00e9 muito bacana e reflete perfeitamente o perfil de p\u00fablico-alvo, com nomes da m\u00fasica alternativa como\u00a0Baby Queen, beabadoobee, Rina Sawayama, CHVRCHES, Dayglow e Chloe Moriondo.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>9 &#8211;\u00a0\u00a0<\/strong>\u00a0As quest\u00f5es da sa\u00fade \u00a0mental s\u00e3o muito importantes nas duas s\u00e9ries. Por\u00e9m, ganha mais cores em Love, Victor, que mostra a dificuldade que Felix (Anthony Tupel), melhor amigo de Victor, tem ao lidar com a m\u00e3e que sofre de depress\u00e3o e transtorno obsessivo compulsivo. Mais do que isso, retata a real dificuldade que o garoto tem de admitir que precisa de ajuda para cuidar dela. Mas, quando ele assume isso, o peso que tira dos ombros \u00e9 imenso.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>10 &#8211;\u00a0<\/strong>\u00a0 O bullying \u00a0agressivo sofrido na escola pelos personagens das duas s\u00e9ries machuca bastante ao espectador mas pe bastante ilustrativo para que a fam\u00edlias e membros da comunidade escolar prestem muita aten\u00e7\u00e3o ao seu redor. E, sobretudo, tomem uma atitude efetiva (e afetiva) para que esses abusos sejam interrompidos.<\/p>\n<h3><strong>EXTRA &#8211; Uma dica pra ler e duas pra assistir<\/strong><\/h3>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"636\" src=\"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/localimages\/csm_colagem_arlindo_d1f9bcc025.jpg\" width=\"999\"\/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Arlindo \u00e9 um garoto fofo, cheio de sonhos e vontade de encontrar seu lugar no mundo. Tudo o que ele quer \u00e9 seguir sua vida de adolescente na cidadezinha onde mora, no interior do Rio Grande do Norte, sem precisar se incomodar com o inc\u00f4modo dos outros. Ele aluga filmes na locadora com as amigas todo s\u00e1bado, sente o cora\u00e7\u00e3o bater mais forte pelas primeiras paqueras, canta muito Sandy &#038; J\u00fanior no chuveiro, e ainda ajuda a m\u00e3e a fazer doces para vender.\u00a0Por mais que ele se esforce, muita gente na cidade n\u00e3o aceita Arlindo e seu jeitinho de ser. ?? que ele gosta de garotos. Aos poucos, por\u00e9m, ele vai perceber que vale a pena lutar para ser quem\u00a0\u00e9, ainda mais quando tem tanta gente com quem contar. O livro de <\/strong><strong>Ilustralu\u00a0<\/strong>\u00e9 uma del\u00edcia: o texto cheio de nuances, a arte muito fofa e a mensagem vale uma sess\u00e3o de terapia. Editora Seguinte, R$ 63, 200 p\u00e1ginas<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"650\" src=\"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/localimages\/csm_love-simon_3e5eb0217b.jpg\" width=\"1000\"\/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"bodytext\"><strong>&#8220;Anunciar quem voc\u00ea \u00e9 para o mundo \u00e9 bastante assustador&#8221;, diz Simon (<\/strong><strong>Nick Robinson<\/strong>), no bonito filme Love, Simon, adapta\u00e7\u00e3o do best-seller de Becky Albertalli, Simon vs. a Agenda Homo Sapiens (Intrinseca, R$ 34, 272 p\u00e1ginas). A trama acompanha a vida de um garoto de 16 anos que tenta levar uma vida ???normal??? para os padr\u00f5es da escola onde estuda: faz esportes, n\u00e3o \u00e9 do grupo dos nerds e parece meio sem gra\u00e7a sempre que os pais lhe perguntam sobre as namoradas. Em segredo, Simon mant\u00e9m correspond\u00eancia com algu\u00e9m an\u00f4nimo a quem revela ser gay e conta todas suas ang\u00fastias. Quando os e-mails vazam para toda a escola, ele ter\u00e1 que encontrar coragem o bastante para lidar com o preconceito, retomar o controle de seu destino e reafirmar sua identidade. Longe de ser dram\u00e1tico como a sinopse promete, Love, Simon (que deu origem \u00e1 s\u00e9rie Love, Victor)\u00a0conta essa hist\u00f3ria de descobertas de uma forma muito leve e afetiva, com bastante humor at\u00e9.\u00a0<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"667\" src=\"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/localimages\/csm_Young-Royals_c2f16652ea.jpg\" width=\"1000\"\/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Se para muitos adolescentes gays o per\u00edodo de descobertas e despertar da sexualidade ainda \u00e9 muito dif\u00edcil, mesmo nos dias de hoje, para os integrantes da realeza europeia, que precisam seguir uma s\u00e9rie de normas, \u00a0esse caminho pode ser ainda mais doloroso. ?? por onde caminha a s\u00e9rie Young Royals (Netflix), que \u00a0mostra o dilema que se imp\u00f5e diante do pr\u00edncipe Wilhelm (<\/strong><strong>Edvin Ryding<\/strong>), da Su\u00e9cia: continuar sendo exemplo de ???bom comportamento??? para os s\u00faditos ou dar vaz\u00e3o aos sentimentos pelo colega de escola Simon (<strong>Omar Rudberg<\/strong>). Interessante aqui \u00e9 que, ao contr\u00e1rio do que acontece em filmes com adolescentes, gays ou n\u00e3o, a galera de Young Royals n\u00e3o segue o padr\u00e3o de beleza imposto. Meninos e meninas s\u00e3o bem normais, inclusive nos clich\u00eas do comportamento.<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Veja os trailers de Heartstopper e Love, Victor:<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/hTyXVn9t0ig\" frameborder=\"0\" height=\"315\" width=\"560\" sandbox=\"allow-scripts allow-same-origin\"><\/iframe><\/p>\n<p class=\"bodytext\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kxbUwMajFWc\" frameborder=\"0\" height=\"315\" width=\"560\" sandbox=\"allow-scripts allow-same-origin\"><\/iframe><\/p>\n<p class=\"bodytext\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Filmes e s\u00e9ries sobre as descobertas da adolesc\u00eancia s\u00e3o muitos. 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