{"id":108748,"date":"2022-05-08T00:06:04","date_gmt":"2022-05-08T03:06:04","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/05\/brasil-vira-terra-livre-para-agrotoxicos-proibidos-na-europa-e-nos-eua\/"},"modified":"2022-05-08T00:06:04","modified_gmt":"2022-05-08T03:06:04","slug":"brasil-vira-terra-livre-para-agrotoxicos-proibidos-na-europa-e-nos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/05\/08\/brasil-vira-terra-livre-para-agrotoxicos-proibidos-na-europa-e-nos-eua\/","title":{"rendered":"Brasil vira terra livre para agrot\u00f3xicos proibidos na Europa e nos EUA"},"content":{"rendered":"<p>Muitos agrot\u00f3xicos proibidos em pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia (UE), nos Estados Unidos (EUA), e no Reino Unido s\u00e3o liberados no Brasil. Somente no \u00faltimo dia 26, ato do Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (Mapa) autorizou o registro de 26 novas marcas dos qu\u00edmicos. Um deles, inclusive, passa por reavalia\u00e7\u00e3o da Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa), que pode proibir seu uso. O fungicida se chama carbendazim e \u00e9 suspeito de provocar malforma\u00e7\u00f5es em fetos e est\u00e1 associado ao desenvolvimento de c\u00e2ncer.<\/p>\n<p> Al\u00e9m do carbendazim, muito usado em planta\u00e7\u00f5es como as de soja, feij\u00e3o e arroz, os agroqu\u00edmicos imidacloprido e tiametoxam est\u00e3o liberados no Brasil. Os tr\u00eas s\u00e3o proibidos na UE. O imidacloprido \u00e9 vedado nos EUA desde 2010. O governo ainda concedeu registro a marcas de agrot\u00f3xicos \u00e0 base de acetamiprido, banido na Fran\u00e7a, e de epoxiconazol, vetado na Fran\u00e7a e no Reino Unido.<\/p>\n<p> Desses princ\u00edpios ativos, o imidacloprido, o tiametoxam e o acetamiprido foram banidos por esses pa\u00edses por prejudicarem a atividade de insetos polinizadores, como as abelhas. Os dois primeiros foram proibidos na UE, em 27 de abril de 2018, e o \u00faltimo, na Fran\u00e7a, em 1\u00ba de setembro de 2018. J\u00e1 o fungicida epoxiconazol est\u00e1 relacionado com problemas hormonais nos humanos e foi vetado na Fran\u00e7a, em 28 de maio de 2019.<\/p>\n<p> A agr\u00f4noma Marina Lac\u00f4rte enxerga um lobby ???pesad\u00edssimo??? dos ruralistas. Ela afirma que a Anvisa tem liberado n\u00fameros exorbitantes de agroqu\u00edmicos desde a nomea\u00e7\u00e3o da ministra Tereza Cristina (PP-MS) para o Mapa, em 2019. Naquele ano, 474 novos pesticidas foram registrados, n\u00famero recorde at\u00e9 aquele momento. Esse total, por\u00e9m, foi superado nos dois anos seguintes: 493 (2020) e 562 (2021).<\/p>\n<p> Um relat\u00f3rio da ONU critica a ind\u00fastria e aponta ???t\u00e1ticas agressivas e anti\u00e9ticas??? das grandes empresas qu\u00edmicas que produzem e vendem as subst\u00e2ncias t\u00f3xicas. Segundo publicado em revista da Unesp, a comercializa\u00e7\u00e3o de defensivos agr\u00edcolas movimenta cerca de US$ 10 bilh\u00f5es por ano no Brasil, algo em torno de 20% do mercado global.\u00a0<\/p>\n<p> O Minist\u00e9rio da Agricultura afirma que ???as decis\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o aos registros de agrot\u00f3xicos est\u00e3o em concord\u00e2ncia com a Lei 7.802\/89 e n\u00e3o seguem necessariamente as mesmas decis\u00f5es tomadas por pa\u00edses terceiros???. Pontua ainda que ???todos os produtos citados foram avaliados e aprovados pelos tr\u00eas \u00f3rg\u00e3os competentes ao tema (Mapa, Anvisa e Ibama), de forma que s\u00e3o considerados seguros???.\u00a0<\/p>\n<p> A pasta salienta que recebe as aprova\u00e7\u00f5es referentes \u00e0 sa\u00fade, da Anvisa, e ao meio ambiente, do Ibama, e frisa que ???n\u00e3o pode indeferir o registro de um produto que foi avaliado como seguro pelos \u00f3rg\u00e3os participantes do processo de registro???, como no caso do carbendazim.<\/p>\n<p>  Agrot\u00f3xicos s\u00e3o produtos de a\u00e7\u00e3o f\u00edsica, qu\u00edmica ou biol\u00f3gica que servem para alterar a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica da flora e da fauna, a fim de preservar a cultura implantada na \u00e1rea cultivada, al\u00e9m de atuarem no armazenamento do que foi colhido.\u00a0<\/p>\n<p> Engenheira agr\u00f4noma e professora da Universidade Cat\u00f3lica de Bras\u00edlia, Fabiana Fonseca explica que a natureza do plantio em larga escala brasileiro, principalmente em monocultura (uma \u00fanica esp\u00e9cie implantada na \u00e1rea por vez), facilita o surgimento de pragas. Da\u00ed, faz-se necess\u00e1ria a ado\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos para combate. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO), cerca de 40% da produ\u00e7\u00e3o de alimentos \u00e9 perdida, anualmente, por causa de pragas.<\/p>\n<p> Apesar de os agroqu\u00edmicos terem o objetivo de melhorar o aproveitamento da produ\u00e7\u00e3o, eles deixam res\u00edduos que podem ser t\u00f3xicos, em maior ou menor grau, nos alimentos. Os efeitos podem ser agudos e cr\u00f4nicos.\u00a0<\/p>\n<p> O primeiro tipo aparece mais rapidamente, e costuma causar sintomas como irrita\u00e7\u00e3o na pele, ard\u00eancia no nariz e boca, tosses, dor no peito, dificuldade para respirar, at\u00e9 mesmo n\u00e1useas, v\u00f4mitos e diarreia.<\/p>\n<p> Os efeitos cr\u00f4nicos envolvem desde dificuldades para dormir e esquecimento at\u00e9 anormalidades em \u00f3rg\u00e3os, sistema reprodutor e hormonal (caso do epoxiconazol), malforma\u00e7\u00e3o em fetos (como no caso do carbendazim) e problemas de desenvolvimento f\u00edsico e intelectual em crian\u00e7as.<\/p>\n<p> No ponto ambiental, a agr\u00f4noma e porta-voz da Campanha de Agricultura e Alimenta\u00e7\u00e3o do Greenpeace, Marina Lac\u00f4rte, explica que o uso de defensivos agr\u00edcolas causa contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, do solo e do ar, o que degrada o solo e acaba matando, al\u00e9m das pragas, outros animais do ecossistema. Muitas vezes, predadores naturais de outras esp\u00e9cies, o que gera desequil\u00edbrio e pode causar mais problemas com pragas novas.\u00a0<\/p>\n<p> Outro exemplo em que o uso de agrot\u00f3xicos \u00e9 um ???tiro no p\u00e9??? do setor produtivo do agro, segundo a agr\u00f4noma, \u00e9 a morte de abelhas. Inseticidas aplicados para combate a outros insetos matam abelhas, animais primordiais para a poliniza\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria planta\u00e7\u00e3o, motivo de banimento do imidacloprido, tiametoxam e acetamiprido da UE.<\/p>\n<p> Omiss\u00e3o do governo<\/p>\n<p> Marina aponta que os governos brasileiros sempre foram omissos e coniventes com o agroneg\u00f3cio ??? e aqui ela enfatiza que n\u00e3o se deve confundir a agricultura familiar, a agroecol\u00f3gica e a de pequenos produtores com a monocultura de latif\u00fandios, que concentra a maior parte do capital e da produ\u00e7\u00e3o das commodities.<\/p>\n<p> A profissional avalia, por\u00e9m, que desde 2019, primeiro ano do governo Bolsonaro, houve desmonte no Minist\u00e9rio do Meio Ambiente muito mais acentuado, bem como emparelhamento dos minist\u00e9rios da Agricultura, do Meio Ambiente e da Sa\u00fade com os interesses do agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p> Outra agricultura<\/p>\n<p> A agr\u00f4noma do Greenpeace Marina Lac\u00f4rte avalia que o modelo atual de agricultura, de grandes propriedades, concentra\u00e7\u00e3o de terras e uso intensivo defensivos, foi intencionalmente definido. ???O Brasil escolheu ser o celeiro do mundo. N\u00e3o para alimentar o mundo, mas para dar lucro.??? Com isso, o governo d\u00e1 alguns fomentos, como cr\u00e9dito, incentivos fiscais e subs\u00eddios.\u00a0<\/p>\n<p> Ela explica que h\u00e1 modelos alternativos interessantes, como os adotados em pequena escala pela agricultura familiar e pela agroecologia. Nesses casos, o manejo evita os insumos industrializados e prioriza os naturais.\u00a0<\/p>\n<p> Marina defende que uma reforma agr\u00e1ria \u00e9 pauta interessante para o capitalismo, pois ela garante a seguran\u00e7a alimentar da popula\u00e7\u00e3o. Isso porque a maior parte dos alimentos que s\u00e3o servidos \u00e0 mesa das pessoas adv\u00e9m de pequenos produtores rurais. Parcela significativa das grandes lavouras brasileiras cultiva a rota\u00e7\u00e3o das monoculturas de soja e milho, que s\u00e3o exportados em gr\u00e3os ou t\u00eam destino na alimenta\u00e7\u00e3o animal.<\/p>\n<p> A professora Fabiana Fonseca aponta que m\u00e9todos alternativos de cultivo mais sustent\u00e1vel s\u00e3o pouco adotados por terem custo maior, exigirem mais tempo e produzirem menor volume, como \u00e9 o exemplo dos produtos org\u00e2nicos, bem comuns nos cultivos de hortali\u00e7as.<\/p>\n<p> A agr\u00f4noma do Greenpeace reconhece, apesar de tudo, que uma mudan\u00e7a para um modo de cultivo econ\u00f4mico, ambiental e socialmente sustent\u00e1vel deve ser gradual, com transi\u00e7\u00e3o que, aos poucos, vai deixando de adotar agroqu\u00edmicos.<\/p>\n<p> A reportagem solicitou posicionamento do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente sobre o assunto, mas, at\u00e9 o momento, n\u00e3o obteve resposta. O espa\u00e7o segue aberto.<\/p>\n<p> Receba not\u00edcias do Metr\u00f3poles no seu Telegram e fique por dentro de tudo! Basta acessar o canal: https:\/\/t.me\/metropolesurgente<\/p>\n<p> O post Brasil vira terra livre para agrot\u00f3xicos proibidos na Europa e nos EUA apareceu primeiro em Metr\u00f3poles.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muitos agrot\u00f3xicos proibidos em pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia (UE), nos Estados Unidos (EUA), e no Reino Unido s\u00e3o liberados no Brasil. 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