{"id":110073,"date":"2022-05-08T11:03:30","date_gmt":"2022-05-08T14:03:30","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/05\/mae-do-grafiteiro-scank-assassinado-em-2020-mantem-vivo-o-legado-artistico-do-filho\/"},"modified":"2022-05-08T11:03:30","modified_gmt":"2022-05-08T14:03:30","slug":"mae-do-grafiteiro-scank-assassinado-em-2020-mantem-vivo-o-legado-artistico-do-filho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/05\/08\/mae-do-grafiteiro-scank-assassinado-em-2020-mantem-vivo-o-legado-artistico-do-filho\/","title":{"rendered":"M\u00e3e do grafiteiro Scank, assassinado em 2020, mant\u00e9m vivo o legado art\u00edstico do filho"},"content":{"rendered":"<p class=\"bodytext\">\n<p class=\"bodytext\">Scank queria subir cada vez mais alto, deixar seu nome gravado todo dia mais perto do c\u00e9u, e Nice, a m\u00e3e, achava aquilo absurdo. Para qu\u00ea subir tanto?<\/p>\n<p class=\"bodytext\">??? Meu filho, o que \u00e9 isso? Eu n\u00e3o quero te perder.\u00a0<br \/> ??? O povo exagera, minha m\u00e3e ??? o grafiteiro respondia.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Dois anos depois do assassinato dele, Leonice Galdino, 50 anos, guarda duas pastas com desenhos do filho. O jovem, um dos mais conhecidos grafiteiros, pichadores e artistas urbanos de Salvador, foi baleado enquanto pintava um muro no Imbu\u00ed, em fevereiro de 2020. Ningu\u00e9m responde pelo crime.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Leonice recolheu cada peda\u00e7o de papel deixado por Scank (apelido de Jailson) em casa. Desde o dia do crime, ela decidiu preservar e popularizar o legado art\u00edstico do filho.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Depois de perder o rapaz, Nice, que nunca gostou de arte, se viu na fun\u00e7\u00e3o de pintar (sem nunca ter pintado) camisetas com a caligrafia do filho e promover eventos para falar da arte dele &#8211; um deles \u00e9 a exposi\u00e7\u00e3o online Scank Vive.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Ela at\u00e9 aprendeu a ler, minimamente, &#8216;o alfabeto do picho&#8217; (a assinatura que identifica os tra\u00e7os de cada pichadir). As\u00a0letras de Scank, por exemplo, t\u00eam caracter\u00edsticas como a simetria entre o quadrado e o circular, que a m\u00e3e j\u00e1 sabe reconhecer.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><b>M\u00e3e solo<\/b><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Leonice criou os tr\u00eas filhos sozinha &#8211; situa\u00e7\u00e3o de, pelo menos, 11 milh\u00f5es de mulheres, diz\u00a0o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p class=\"bodytext\">De manh\u00e3zinha, ela sa\u00eda para o primeiro trabalho, que emendava com o segundo, at\u00e9 22h. Os meninos, tentava manter ???na linha???: da escola para a banca (refor\u00e7o escolar) e de l\u00e1,\u00a0para casa.\u00a0<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>???A\u00ed chega uma vizinha para me contar que viram Jailson e um amigo riscando o col\u00e9gio. J\u00e1 falou parecendo que meu filho ia morrer no outro dia. Fiquei desesperada com aquele jeito que ela falou???<\/strong>, recorda.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">Na \u00e9poca, Jailson era adolescente e, como Nice tinha medo da repress\u00e3o social e policial contra a arte urbana,\u00a0pedia que o menino parasse. Ele respondia: ???Se a senhora n\u00e3o quer, eu vou parar???.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Mas o falat\u00f3rio na vizinhan\u00e7a continuava e n\u00e3o demorava at\u00e9 Nice descobrir que o filho permanecia em atividade. ???Lavei minhas m\u00e3os, n\u00e3o queria mais saber???.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Isso era o que Nice dizia ao filho. A verdade \u00e9 que sempre que ela tinha not\u00edcias de que o rapaz tinha pichado o nome dele &#8211; \u00e0s vezes junto com o\u00a0de uma namorada &#8211; em algum canto da cidade, ela passava de \u00f4nibus, atenta.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???Como esse menino sobe ali????. Era uma pergunta que n\u00e3o sa\u00eda da cabe\u00e7a dela.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><b>As mudan\u00e7as<\/b><\/p>\n<p class=\"bodytext\">A not\u00edcia da morte de Scank mudou os rumos da vida de Nice. Cozinheira, ela tinha um restaurante, que tocava com a ajuda dos filhos. &#8220;A morte do meu filho mudou tudo em minha vida. A vida dele foi interrompida e eu me vi com um objetivo que \u00e9 o de manter o nome dele vivo&#8221;.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"622\" src=\"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/localimages\/csm_mae_scank2_9d28c2104e.jpeg\" width=\"1000\"\/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"text-center\">\n<p class=\"bodytext\"><strong>Nice e o filho, artista conhecido como V\u00edrus <\/strong><\/p>\n<p>(Foto: Sora Maia\/CORREIO)<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\">Um deles \u00e9 o compositor e cantor V\u00edrus Carinhoso, que a ajuda a realizar projetos sobre o legado art\u00edstico do irm\u00e3o e com quem ele passar\u00e1 o Dia das M\u00e3es, em Salvador. O outro, Jefferson, trabalha como mission\u00e1rio em S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe, na \u00c1frica.\u00a0<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>???Comecei a ter uma ideia completamente diferente de tudo que eu achava que era o trabalho do meu filho???<\/strong>, conta.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">A cozinheira precisou\u00a0aprender a se virar ainda menina. Aos 12 anos, ap\u00f3s o falecimento da m\u00e3e, tornou-se\u00a0bab\u00e1. Aos 16, afei\u00e7oou-se \u00e0 culin\u00e1ria. O restaurante dela foi aberto em 2016, depois de anos de\u00a0venda de congelados e quentinhas.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Leonice fechou o restaurante, vendeu sua casa em Salvador e se mudou para Arau\u00e1, em Sergipe. L\u00e1, ela ainda trabalha\u00a0como cozinheira e voltou a vender comida congelada\u00a0e refei\u00e7\u00f5es para eventos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Na sala da nova resid\u00eancia, h\u00e1 quatro quadros com grafites de Scank. Para colorir o muro, ela contratar\u00e1 um grafiteiro que reproduzir\u00e1 alguma arte do filho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Scank queria subir cada vez mais alto, deixar seu nome gravado todo dia mais perto do c\u00e9u, e Nice, a m\u00e3e, achava aquilo absurdo.\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":110074,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[82],"tags":[],"class_list":["post-110073","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-policia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/110073","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=110073"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/110073\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=110073"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=110073"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=110073"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}