{"id":115985,"date":"2022-05-10T13:04:57","date_gmt":"2022-05-10T16:04:57","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/05\/quem-sao-os-5-de-eleitores-que-acham-que-economia-no-brasil-vai-bem\/"},"modified":"2022-05-10T13:04:57","modified_gmt":"2022-05-10T16:04:57","slug":"quem-sao-os-5-de-eleitores-que-acham-que-economia-no-brasil-vai-bem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/05\/10\/quem-sao-os-5-de-eleitores-que-acham-que-economia-no-brasil-vai-bem\/","title":{"rendered":"Quem s\u00e3o os 5% de eleitores que acham que economia no Brasil vai bem"},"content":{"rendered":"<p>O empres\u00e1rio Marconi Ant\u00f4nio de Souza, de 71 anos, mora em Bras\u00edlia e atua no ramo de m\u00e1quinas de cart\u00e3o de benef\u00edcios corporativos, como vale-alimenta\u00e7\u00e3o. Eleitor de Jair Bolsonaro (PL), ele considera que a economia no Brasil vai bem. <\/p>\n<p>&#8220;Tivemos uma pandemia que ainda n\u00e3o acabou e que est\u00e1 tendo uma fase aguda na China, temos uma interfer\u00eancia de uma guerra e um ano eleitoral. Mesmo assim, acho que a economia est\u00e1 indo bem, porque o governo tomou medidas que fizeram com que houvesse uma rea\u00e7\u00e3o, como redu\u00e7\u00e3o de juros para financiamento imobili\u00e1rio&#8221;, disse \u00e0 BBC News Brasil. <\/p>\n<p>A empresa de Marconi de Souza n\u00e3o encolheu, mas tamb\u00e9m n\u00e3o cresceu muito nos \u00faltimos dois anos. Ele atribui isso \u00e0 pandemia e a fatores externos.<\/p>\n<p>&#8220;Nossa empresa estabilizou em 2020 e cresceu um pouco no ano passado. O setor de turismo sofreu muito com a pandemia e alguns outros setores reduziram a produtividade por um problema de abastecimento que \u00e9 global, mas a economia n\u00e3o andou para tr\u00e1s. Tem segmentos reclamando de barriga cheia&#8221;, diz. <\/p>\n<p>O empres\u00e1rio de Bras\u00edlia faz parte dos 5% de brasileiros que, segundo a pesquisa de opini\u00e3o eleitoral BTG-FSB, divulgada em 25 de abril, consideram que o Brasil vive &#8220;um bom momento econ\u00f4mico&#8221;. Outros 32% acreditam que o Brasil est\u00e1 em crise econ\u00f4mica, mas conseguindo superar. A maioria, por\u00e9m &#8211; 62% &#8211; avalia que o Brasil est\u00e1 em crise econ\u00f4mica e com dificuldade de superar. <\/p>\n<p>Alguns indicadores econ\u00f4micos importantes, como alta de pre\u00e7os, taxa elevada de desemprego e baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), alimentam esse cen\u00e1rio menos otimista. A infla\u00e7\u00e3o no ano passado, de janeiro a dezembro de 2021, alcan\u00e7ou 10,06%, a pior taxa desde 2015. Levando em considera\u00e7\u00e3o as 11 maiores economias da Am\u00e9rica Latina, o Brasil s\u00f3 fica atr\u00e1s de Argentina e Venezuela, dois pa\u00edses que atravessam crises profundas, que v\u00e3o muito al\u00e9m dos problemas trazidos pela pandemia de covid-19 e suas repercuss\u00f5es. <\/p>\n<p>Em mar\u00e7o, o \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a infla\u00e7\u00e3o oficial do Brasil, acelerou para 1,62%, a maior taxa em 28 anos. E, recentemente, o Banco Mundial reduziu a proje\u00e7\u00e3o de crescimento da economia brasileira de 1,4% para 0,7% em 2022. <\/p>\n<p>Mas, ent\u00e3o, o que leva 5% dos eleitores a considerar que a economia vai bem? Quem \u00e9 essa parcela da popula\u00e7\u00e3o? <\/p>\n<p>Segundo cientistas pol\u00edticas ouvidas pela reportagem, a explica\u00e7\u00e3o pode estar no forte apoio desse p\u00fablico ao atual governo e tamb\u00e9m no poder aquisitivo &#8211; muito ricos ou muito pobres. Entenda:<\/p>\n<h3>Apoiadores de Bolsonaro<\/h3>\n<p>Para a cientista pol\u00edtica Andr\u00e9a de Freitas, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), esses 5% s\u00e3o majoritariamente formados por pessoas que apoiam fortemente Bolsonaro. &#8220;Acredito que sejam o n\u00facleo duro de apoio ao bolsonarismo. Bolsonaro, mesmo nos piores momentos de avalia\u00e7\u00e3o do governo, sempre mant\u00e9m algo em torno de 15 a 20% de aprova\u00e7\u00e3o&#8221;, disse \u00e0 BBC News Brasil. <\/p>\n<p>&#8220;Quando a gente vai olhando para v\u00e1rias perguntas das pesquisas de opini\u00e3o que direcionam o entrevistado a quest\u00f5es espec\u00edficas do governo, voc\u00ea sempre tem o n\u00facleo duro, que acha que tudo est\u00e1 muito bem. Esses 5% s\u00e3o parte desse grupo.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo Freitas, a percep\u00e7\u00e3o desse eleitorado sobre a economia, portanto, est\u00e1 mais ligada \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o com Bolsonaro do que com a situa\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica dessas pessoas. Isso porque, destaca a professora, embora haja setores menos afetados pela infla\u00e7\u00e3o e o baixo crescimento econ\u00f4mico, nenhum deles est\u00e1 se beneficiando fortemente do estado atual da economia. <\/p>\n<p>&#8220;Eu n\u00e3o acho que tenha um setor que esteja se beneficiando, seja de pol\u00edticas p\u00fablicas ou de aus\u00eancia das pol\u00edticas p\u00fablicas do Estado para economia. Todo mundo est\u00e1, de alguma forma, sendo afetado pela queda no consumo, causada pela diminui\u00e7\u00e3o da renda e pelo aumento do desemprego&#8221;, diz. <\/p>\n<p>Segundo ela, nesse contexto, os eleitores que integram o n\u00facleo duro de Bolsonaro v\u00e3o utilizar &#8220;duas ferramentas racionais&#8221; para analisar o estado da economia. <\/p>\n<p>Uma delas, diz Freitas, \u00e9 distribuir responsabilidades. &#8220;Ele vai dizer que a responsabilidade \u00e9 dos governadores que fecharam o com\u00e9rcio na pandemia, do Congresso, do Supremo Tribunal Federal ou da guerra da Ucr\u00e2nia. A segunda \u00e9 afirmar que a economia poderia estar muito pior, n\u00e3o fosse por Bolsonaro.&#8221;<\/p>\n<p>A professora da Unicamp destaca que, de fato, a pandemia e a guerra s\u00e3o fatores que influenciam na economia. &#8220;Mas quando a gente vai olhar os indicadores frios, o Brasil est\u00e1 pior do que muitas economias da Am\u00e9rica Latina. E todas elas, assim como o Brasil, est\u00e3o sendo afetadas pela guerra e pela pandemia.&#8221;<\/p>\n<p>O empres\u00e1rio Marconi de Souza tem outra avalia\u00e7\u00e3o. Para ele, parte da &#8220;imprensa e advers\u00e1rios de Bolsonaro&#8221; pintam um quadro excessivamente dram\u00e1tico da economia.<\/p>\n<p>&#8220;Os segmentos do Brasil que t\u00eam problema n\u00e3o est\u00e3o tendo problema por causa da forma como o governo trabalha. O segmento que sofreu muito \u00e9 o informal: o cara que vendia pipoca na praia, no sem\u00e1foro, perto dos est\u00e1dios. Com o &#8216;fica em casa&#8217; durante a pandemia, esses segmentos tiveram preju\u00edzos. Mas o governo atendeu dando o auxilio emergencial&#8221;, argumenta.  <\/p>\n<p>&#8220;Como a gente est\u00e1 num ano eleitoral, as pessoas est\u00e3o querendo tomar proveito disso. Tem gente querendo queimar o governo.&#8221;<\/p>\n<h3>Muito rico e muito pobre<\/h3>\n<p>J\u00e1 a professora de Ci\u00eancia Pol\u00edtica Maria do Socorro Braga, da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar) avalia que os 5% que consideram que a economia vai bem s\u00e3o os muito ricos ou muito pobres &#8211; esses \u00faltimos beneficiados recentemente com o Aux\u00edlio Brasil. <\/p>\n<p>&#8220;Essas pessoas devem integrar as camadas mais ricas que, independentemente da infla\u00e7\u00e3o ou das condi\u00e7\u00f5es sociais e pol\u00edticas, v\u00e3o manter um patamar de riqueza&#8221;, avalia. &#8220;Ou \u00e9 o segmento muito pobre que, independentemente da situa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o enxerga potencial de melhora na pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o de vida. S\u00e3o pessoas em condi\u00e7\u00e3o vulner\u00e1vel, com baixa inteligibilidade do que se decide politicamente e o impacto dessas decis\u00f5es na pol\u00edtica.&#8221;<\/p>\n<p>Entre os integrantes dessa camada mais pobre, o recebimento do Aux\u00edlio Brasil pode ter contribu\u00eddo para uma percep\u00e7\u00e3o mais positiva do estado da economia, diz a professora. Esse programa de transfer\u00eancia de renda foi Institu\u00eddo pelo governo Bolsonaro para substituir o Bolsa Fam\u00edlia e paga cerca de R$ 400 por m\u00eas a cerca de 18 milh\u00f5es de fam\u00edlias. A cria\u00e7\u00e3o do Aux\u00edlio Brasil foi alvo de controv\u00e9rsia, com cr\u00edticos afirmando que ele teria car\u00e1ter eleitoreiro. <\/p>\n<p>Por sua vez, Andr\u00e9a Freitas, da Unicamp, acredita que o benef\u00edcio em si, sozinho, n\u00e3o seria suficiente para gerar essa avalia\u00e7\u00e3o positiva. Para ela, o componente ideol\u00f3gico, de apoio a Bolsonaro, \u00e9 o fator principal, enquanto o Aux\u00edlio Fam\u00edlia seria o argumento racional usado para justificar a percep\u00e7\u00e3o otimista sobre a economia. <\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 que o aux\u00edlio n\u00e3o fa\u00e7a diferen\u00e7a, mas eu acho que, de novo, ele entra nesse lugar da argumenta\u00e7\u00e3o racional&#8221;, diz. <\/p>\n<p>&#8220;Pode haver pessoas que est\u00e3o recebendo aux\u00edlio e que sintam que est\u00e3o melhores do que antes. Mas eu n\u00e3o acho que \u00e9 isso que vai conduzir necessariamente o voto no Bolsonaro, porque o processo de implementa\u00e7\u00e3o do programa foi confuso e gerou a percep\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica inst\u00e1vel.&#8221;<\/p>\n<h3>Economia ser\u00e1 tema central da elei\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>O fato \u00e9 que a economia dever\u00e1 ser o principal tema da elei\u00e7\u00e3o presidencial deste ano. E a melhora ou piora nos indicadores deve ter efeito direto na aprova\u00e7\u00e3o de Bolsonaro. <\/p>\n<p>Segundo a consultoria internacional Eurasia Group, a principal preocupa\u00e7\u00e3o do eleitor atualmente \u00e9 &#8220;renda e emprego&#8221;. Entre mar\u00e7o e abril, pesquisas de inten\u00e7\u00e3o de voto revelaram um avan\u00e7o de Bolsonaro, embora o ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT) continue \u00e0 frente em todos os cen\u00e1rios para o primeiro e segundo turno. Lula aparece com 41% a 45% das inten\u00e7\u00f5es de voto, dependendo da pesquisa, e Bolsonaro com 30% a 32%. <\/p>\n<p>E, em m\u00e9dia, o percentual dos que aprovam a gest\u00e3o de Bolsonaro subiu de 30% para 35% nos primeiros tr\u00eas meses deste ano. A Eurasia Group atribui a melhora na avalia\u00e7\u00e3o de Bolsonaro &#8220;\u00e0 modesta recupera\u00e7\u00e3o do poder de renda&#8221; da popula\u00e7\u00e3o mais pobre nos primeiros meses deste ano devido a medidas pontuais.<\/p>\n<p>&#8220;No segundo semestre de 2021, a renda real no Brasil caiu 11%, impulsionada por um aumento inflacion\u00e1rio maior do que o previsto, que atingiu duramente as fam\u00edlias de baixa renda. Mas, no in\u00edcio de 2022, essas fam\u00edlias recuperaram parcialmente a renda perdida com o reajuste anual de 10% do sal\u00e1rio m\u00ednimo nacional, 13\u00ba sal\u00e1rio para aposentados e algumas medidas tomadas pelo governo, como o perd\u00e3o da d\u00edvida estudantil e libera\u00e7\u00e3o de saques do FGTS&#8221;, diz a consultoria.<\/p>\n<p>Apesar dessa leve recupera\u00e7\u00e3o na renda, a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do pa\u00eds continua dif\u00edcil, com alta nos pre\u00e7os dos alimentos e combust\u00edveis. No acumulado de 12 meses, a infla\u00e7\u00e3o chegou a 11,3%. Alimentos e combust\u00edveis s\u00e3o alguns dos setores mais afetados. <\/p>\n<p>O pre\u00e7o m\u00e9dio do litro da gasolina ficou em R$ 7,283 na \u00faltima semana de abril, o que representa uma alta de 0,18% em rela\u00e7\u00e3o ao levantamento anterior. <\/p>\n<p>Trata-se do maior valor nominal pago pelos consumidores desde que a Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo (ANP) passou a fazer levantamento semanal de pre\u00e7os, em 2004. J\u00e1 a taxa de desemprego no primeiro trimestre de 2022 foi de 11,1%, o mesmo patamar do primeiro trimestre de 2021. ?? uma taxa menor que a projetada pela ag\u00eancia Bloomberg, de 11,4%. <\/p>\n<p>Segundo a consultoria Eurasia, Bolsonaro precisa de avan\u00e7os mais substanciais nos indicadores econ\u00f4micos para continuar crescendo nas pesquisas.<\/p>\n<p>Socorro Braga, professora da UFSCar lembra que, historicamente, eleitores culpavam o candidato \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o pelas crises econ\u00f4micas em vigor. Mas o cen\u00e1rio atual, de pandemia seguida por uma guerra na Ucr\u00e2nia, viabilizou uma narrativa de culpabiliza\u00e7\u00e3o de fatores externos. <\/p>\n<p>&#8220;A infla\u00e7\u00e3o no Brasil est\u00e1 alta e atinge a classe m\u00e9dia. Nas elei\u00e7\u00f5es anteriores, quanto maior a infla\u00e7\u00e3o, menor capacidade de compra e, como consequ\u00eancia, culpava-se o governo&#8221;, diz. <\/p>\n<p>&#8220;Mas uma parcela da popula\u00e7\u00e3o, sobretudo esses 5% que consideram que a economia vai bem, est\u00e1 culpando o efeito da pandemia ou da guerra, e n\u00e3o a falta de pol\u00edticas efetivas para debelar essa situa\u00e7\u00e3o. ?? uma narrativa forte voc\u00ea dizer que isso \u00e9 consequ\u00eancia de uma guerra, da falta de insumos e da pandemia.&#8221;<\/p>\n<p>Resta saber se essa narrativa vai ganhar for\u00e7a ou perder espa\u00e7o ao longo da campanha eleitoral. <\/p>\n<p><b>J\u00e1 assistiu aos nossos novos v\u00eddeos no <\/b>YouTube<b>? 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