{"id":116523,"date":"2022-05-10T15:33:57","date_gmt":"2022-05-10T18:33:57","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/05\/identidade-de-genero-influencia-forma-como-o-alcoolista-lida-com-dependencia\/"},"modified":"2022-09-23T12:26:43","modified_gmt":"2022-09-23T15:26:43","slug":"identidade-de-genero-influencia-forma-como-o-alcoolista-lida-com-dependencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/05\/10\/identidade-de-genero-influencia-forma-como-o-alcoolista-lida-com-dependencia\/","title":{"rendered":"Identidade de g\u00eanero influencia forma como o alcoolista lida com depend\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Um estudo qualitativo conduzido por pesquisadores da Escola de Artes, Ci\u00eancias e Humanidades da Universidade de S\u00e3o Paulo (EACH-USP) sugere que a identidade de g\u00eanero influencia a forma como o dependente alco\u00f3lico lida com sua condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o foi coordenada pelo professor Edemilson de Campos, com apoio da FAPESP e colabora\u00e7\u00e3o de N\u00e1dia Narchi, tamb\u00e9m professora da EACH-USP. Os resultados foram divulgados na revista Drug and Alcohol Review.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Campos conta que obteve permiss\u00e3o para frequentar as reuni\u00f5es estritamente femininas de um grupo dos Alco\u00f3licos An\u00f4nimos (AA) na cidade de S\u00e3o Paulo. E foi nesses encontros, bem como nas entrevistas realizadas com as participantes, que recolheu os depoimentos em primeira m\u00e3o utilizados em seu estudo.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;Grupos do AA que re\u00fanem apenas mulheres s\u00e3o frequentes nos Estados Unidos. Mas no Brasil n\u00e3o. Os AA desencorajam esse formato, alegando que o alcoolismo \u00e9 um s\u00f3 e afeta igualmente homens e mulheres. Mas as mulheres que entrevistei pensam diferente e me disseram que se sentiam intimidadas nas reuni\u00f5es mistas. Algumas relataram, inclusive, que haviam sido v\u00edtimas de ass\u00e9dio e piadas sexistas durante os encontros&#8221;, diz o pesquisador.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Ele informa que existem 120 grupos de Alco\u00f3licos An\u00f4nimos na cidade de S\u00e3o Paulo. Mas apenas dois deles promovem reuni\u00f5es estritamente femininas: um na zona norte da cidade e outro no bairro de Santa Cec\u00edlia. &#8220;Como os AA n\u00e3o possuem estrutura hier\u00e1rquica, os grupos gozam de bastante autonomia, inclusive com coordena\u00e7\u00e3o rotativa. Solicitei permiss\u00e3o para frequentar as reuni\u00f5es femininas dos dois grupos, mas apenas as participantes da zona norte concordaram&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Campos informa que essa reuni\u00e3o congregava 15 mulheres, que se reuniam todo s\u00e1bado: umas frequentadoras recentes, com apenas dois meses de AA; outras com mais de 30 anos de participa\u00e7\u00e3o. De modo geral, eram mulheres com padr\u00e3o econ\u00f4mico e n\u00edvel de escolaridade mais baixo, algumas casadas com participantes dos Alco\u00f3licos An\u00f4nimos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>?? importante esclarecer que os Alco\u00f3licos An\u00f4nimos consideram o alcoolismo como uma &#8220;doen\u00e7a cr\u00f4nica e incur\u00e1vel&#8221;, decorrente de uma predisposi\u00e7\u00e3o f\u00edsica aliada \u00e0 obsess\u00e3o mental pelo uso do \u00e1lcool. E acreditam que n\u00e3o h\u00e1 for\u00e7a de vontade individual capaz de vencer essa doen\u00e7a. A rede de apoio formada pelo pr\u00f3prio grupo \u00e9 um suporte indispens\u00e1vel para conviver sobriamente com ela.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Os Alco\u00f3licos An\u00f4nimos definem a si mesmos como uma &#8220;irmandade de homens e mulheres&#8221;, n\u00e3o ligada a &#8220;nenhuma seita ou religi\u00e3o, nenhum movimento pol\u00edtico, nenhuma organiza\u00e7\u00e3o ou institui\u00e7\u00e3o&#8221;. A &#8220;irmandade&#8221; n\u00e3o cobra taxas nem mensalidades, mas possui autossufici\u00eancia financeira gra\u00e7as \u00e0s contribui\u00e7\u00f5es volunt\u00e1rias de seus membros.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 hav\u00edamos estudado grupos com reuni\u00f5es mistas. O que fizemos, com muito respeito, nessa reuni\u00e3o estritamente feminina, foi uma pesquisa de tipo etnogr\u00e1fico, recolhendo relatos individuais sobre relacionamento, fam\u00edlia, trabalho e outros assuntos de interesse das participantes. A express\u00e3o &#8216;dor da alma&#8217; foi a forma como essas pr\u00f3prias mulheres caracterizaram sua condi\u00e7\u00e3o, marcada por um forte sentimento de rejei\u00e7\u00e3o e solid\u00e3o devido ao estigma social&#8221;, diz Campos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Um aspecto not\u00e1vel constatado pelo pesquisador foi que, enquanto nas reuni\u00f5es mistas os homens enfocavam seus relatos no trabalho e em outros aspectos impessoais da vida pr\u00e1tica, as participantes da reuni\u00e3o estritamente feminina falavam muito mais de sua intimidade. &#8220;Por isso, reuni\u00f5es s\u00f3 de mulheres s\u00e3o muito importantes. Por oferecerem um espa\u00e7o seguro de express\u00e3o. Essas reuni\u00f5es tinham o poder de devolver \u00e0s participantes um sentimento de dignidade&#8221;, argumenta.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>De maneira geral, o pensamento socialmente condicionado \u00e9 bastante condescendente com o pai que negligencia suas obriga\u00e7\u00f5es paternas. Mas \u00e9 implac\u00e1vel com a m\u00e3e que procede de forma semelhante. &#8220;O sentimento de que o alcoolismo possa t\u00ea-las impedido de cumprir aquilo que a sociedade esperava delas era algo que pesava demais para essas mulheres&#8221;, conta Campos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo qualitativo conduzido por pesquisadores da Escola de Artes, Ci\u00eancias e Humanidades da Universidade de S\u00e3o Paulo (EACH-USP) sugere que a identidade de\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":116524,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[81],"tags":[],"class_list":["post-116523","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/116523","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=116523"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/116523\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=116523"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=116523"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=116523"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}