{"id":124660,"date":"2022-05-12T06:07:02","date_gmt":"2022-05-12T09:07:02","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/05\/violencia-domestica-mulher-deve-ser-encorajada-a-denunciar-diz-delegada\/"},"modified":"2022-05-12T06:07:02","modified_gmt":"2022-05-12T09:07:02","slug":"violencia-domestica-mulher-deve-ser-encorajada-a-denunciar-diz-delegada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/05\/12\/violencia-domestica-mulher-deve-ser-encorajada-a-denunciar-diz-delegada\/","title":{"rendered":"Viol\u00eancia dom\u00e9stica: &#8216;Mulher deve ser encorajada a denunciar&#8217;, diz delegada"},"content":{"rendered":"<p> Apenas nesta quarta-feira (11\/5), dois casos de viol\u00eancia contra a mulher foram registrados em Minas Gerais. As duas ocorr\u00eancias tinham um motivo em comum: os ex-companheiros n\u00e3o aceitavam o fim do relacionamento.\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div><\/div>\n<div>Na primeira ocorr\u00eancia, registrada pela Pol\u00edcia Militar, em Ibirit\u00e9, na Grande BH,\u00a0uma mulher foi esfaqueada perto da Escola Estadual Jo\u00e3o Ant\u00f4nio Siqueira, no bairro Washington Pires. De acordo com a pol\u00edcia, ela \u00e9 funcion\u00e1ria da escola e estava indo para o trabalho no momento em que foi abordada pelo ex-companheiro.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A v\u00edtima foi socorrida por funcion\u00e1rios da escola e levada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Ibirit\u00e9. O estado de sa\u00fade dela n\u00e3o foi informado. Militares do 48\u00ba Batalh\u00e3o da Pol\u00edcia Militar fizeram buscas na regi\u00e3o para tentar prender o criminoso que segue foragido.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O segundo caso aconteceu em Pouso Alegre, no Sul de Minas.\u00a0Um homem foi preso em flagrante depois de perseguir a ex-mulher at\u00e9 a porta da delegacia, onde ela foi prestar queixa contra ele.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A v\u00edtima, de 34 anos, contou \u00e0 pol\u00edcia que, quando quis se separar, o ex-companheiro passou a amea\u00e7\u00e1-la, dizendo frases como ???se n\u00e3o fosse dele, n\u00e3o seria de mais ningu\u00e9m???. Al\u00e9m de persegui-la, ele a proibiu de estudar e trabalhar. Segundo a v\u00edtima, apesar de n\u00e3o ter sido agredida fisicamente, ele tinha ci\u00fames excessivos, pegava o cart\u00e3o banc\u00e1rio dela e gastava todo o dinheiro, sem autoriza\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>O homem foi preso em flagrante pelo crime de contraven\u00e7\u00e3o, pelo uso do cart\u00e3o da v\u00edtima sem autoriza\u00e7\u00e3o e vai responder ainda pelo crime de viol\u00eancia dom\u00e9stica.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<h2>Morta a facadas ap\u00f3s denunciar o agressor<\/h2>\n<div><\/div>\n<div>Os casos registrados nesta quarta-feira n\u00e3o s\u00e3o isolados. Segundo dados da Secretaria de Estado de Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica de Minas Gerais (Sejusp), o estado registrou, de janeiro a mar\u00e7o deste ano, 33.848 casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher. Em 2020 foram 145.424 casos e em 2021, 144.618 ocorr\u00eancias.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Na semana passada,\u00a0uma mulher de 30 anos foi morta a facadas pelo ex-companheiro\u00a0dentro da pr\u00f3pria casa, no Bairro Tropical, em Contagem, na Grande BH. O suspeito, de 23 anos, j\u00e1 tinha sido preso por amea\u00e7a e agress\u00e3o \u00e0 v\u00edtima, mas foi liberado na madrugada em que cometeu o crime, ap\u00f3s ter colocado uma tornozeleira eletr\u00f4nica.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A delegada Karine Tassara, titular da Casa da Mulher Mineira, lembra que a medida protetiva \u00e9 um recurso bastante eficaz no combate \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher. ???Quando ela registra o boletim de ocorr\u00eancia e pede uma medida protetiva, ela tem sim uma seguran\u00e7a. Mas ela n\u00e3o \u00e9 100%. N\u00e3o temos um seguran\u00e7a ao lado dessa mulher.???\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Karine afirma que, na maioria dos casos de feminic\u00eddio a v\u00edtima, \u00e0s vezes, n\u00e3o registrou nenhum boletim de ocorr\u00eancia contra o agressor. Para a delegada, o grande desafio no combate a este tipo de crime \u00e9 fazer com que a sociedade entenda que a viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar contra a mulher \u00e9 sist\u00eamica. ???E precisamos estranhar essa viol\u00eancia. O tempo todo a sociedade precisa estar ciente de que a viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar n\u00e3o \u00e9 fato isolado, n\u00e3o s\u00e3o poucos os casos e ela \u00e9 mais presente do que imaginamos.???\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A delegada alerta que quando a mulher come\u00e7a a suspeitar que est\u00e1 passando por uma situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia dom\u00e9stica, deve buscar ajuda para identificar se a situa\u00e7\u00e3o que ela est\u00e1 vivendo se enquadra nesses casos.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>???Muitas vezes, essa mulher n\u00e3o sabe que est\u00e1 sofrendo viol\u00eancia. Ela acha que aquilo \u00e9 normal porque a viol\u00eancia contra a mulher em ambiente familiar ainda \u00e9 sist\u00eamica, \u00e9 hist\u00f3rica e naturalizada. ?? necess\u00e1rio acender esse alerta para que crian\u00e7as, adolescentes, sociedade de forma geral, sejam orientados a identificar o que \u00e9 uma viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar.???<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Segundo Karine, a sociedade tamb\u00e9m precisa ser instigada a denunciar. ????? importante n\u00e3o esperar muito tempo, a segunda vez ou a terceira vez. ?? importante que ela tome uma provid\u00eancia imediata. ?? um desafio social, estrutural. Temos uma origem machista e o patriarcalismo ainda est\u00e1 arraigado na nossa sociedade. O ato de a mulher denunciar precisa ser incentivado. Ela precisa ser encorajada a tomar uma provid\u00eancia o quanto antes???, afirma.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<h2>Como buscar ajuda\u00a0\u00a0<\/h2>\n<div><\/div>\n<div>Existe um canal de den\u00fancia espec\u00edfico para a viol\u00eancia dom\u00e9stica, com uma central de atendimento \u00e0 mulher. O n\u00famero \u00e9 o 180. ???O denunciante \u00e9 an\u00f4nimo, mas \u00e9 importante que ele passe informa\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 v\u00edtima, o endere\u00e7o em que ela se localiza, para que possamos apurar os fatos???, explica a delegada.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>J\u00e1 a medida protetiva, em regra, \u00e9 solicitada pela v\u00edtima. ???N\u00e3o \u00e9 comum a medida ser solicitada pelos pais ou irm\u00e3os. Teria que avaliar cada caso.??? Ela ressalta ainda que \u00e9 importante diferenciar: a medida protetiva n\u00e3o est\u00e1 ligada \u00e0 provid\u00eancia criminal. ???Um boletim de ocorr\u00eancia pode resultar em uma medida protetiva, caso seja o desejo da mulher. Mas, pode resultar tamb\u00e9m em uma apura\u00e7\u00e3o criminal, se for o caso. Tem que analisar cada caso e cada crime.???<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A mulher em estado de viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar deve procurar a delegacia mais pr\u00f3xima. Se na cidade em que ela mora n\u00e3o tiver delegacia especializada em atendimento \u00e0 mulher, a v\u00edtima deve ir a uma delegacia comum. Ela vai registrar o boletim de ocorr\u00eancia e pedir a medida protetiva.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A Casa da Mulher Mineira \u00e9 uma unidade policial que tem o objetivo de atender ocorr\u00eancias de demanda espont\u00e2nea das mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica, familiar e sexual, garantindo um acolhimento humanizado e mais c\u00e9lere, em local projetado especialmente para essa finalidade.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O espa\u00e7o fica na Avenida Augusto de Lima, 1.845, no Barro Preto, bem pr\u00f3ximo \u00e0 Delegacia Especializada em Atendimento \u00e0 Mulher. As mulheres s\u00e3o atendidas por uma equipe de policiais e servidores de diversas \u00e1reas de forma\u00e7\u00e3o, como psic\u00f3logos e assistentes sociais, treinados para orientar, encaminhar e acolher todas as demandas da mulher em situa\u00e7\u00e3o de viol\u00eancia.<\/div>\n<div><\/div>\n<h3><b>Dados de Viol\u00eancia Dom\u00e9stica e Familiar contra a Mulher em Minas<\/b><\/h3>\n<div><\/div>\n<div>\n<ul>\n<li>2020 &#8211; 145.424 casos<\/li>\n<li>2021 &#8211; 144.618 casos<\/li>\n<li>2022 (janeiro a mar\u00e7o) &#8211; 33.848<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<div>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0&#8211; janeiro &#8211; 11.389<\/div>\n<div>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0&#8211; fevereiro &#8211; 10.423<\/div>\n<div>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0&#8211; mar\u00e7o &#8211; 12.036<\/div>\n<div><\/div>\n<h3><b>Dados de Viol\u00eancia Dom\u00e9stica e Familiar contra a Mulher em BH<\/b><\/h3>\n<div><\/div>\n<div>\n<ul>\n<li>2020 &#8211; 16.974 casos<\/li>\n<li>2021 &#8211; 16.964 casos<\/li>\n<li>2022 (janeiro a mar\u00e7o) &#8211; 3.900<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<div>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0&#8211; janeiro &#8211; 1.332<\/div>\n<div>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0&#8211; fevereiro &#8211; 1.215<\/div>\n<div>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0&#8211; mar\u00e7o &#8211; 1.353<\/p>\n<h2>O que \u00e9 relacionamento abusivo?<\/h2>\n<div>Os relacionamentos abusivos contra as mulheres ocorrem quando h\u00e1 discrep\u00e2ncia no poder de um em rela\u00e7\u00e3o ao outro. Eles n\u00e3o surgem do nada e, mesmo que as viol\u00eancias n\u00e3o se apresentem de forma clara, os abusos est\u00e3o ali, presentes desde o in\u00edcio. ?? preciso esclarecer que a rela\u00e7\u00e3o abusiva n\u00e3o come\u00e7a com viol\u00eancias expl\u00edcitas, como amea\u00e7as e agress\u00f5es f\u00edsicas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A viol\u00eancia dom\u00e9stica \u00e9 um problema social e de sa\u00fade p\u00fablica e, que quando se fala de comportamento, a raiz do problema est\u00e1 na socializa\u00e7\u00e3o.\u00a0Entenda o que \u00e9 relacionamento abusivo e como sair dele.<br \/><b><br \/>Leia tamb\u00e9m:<\/b>\u00a0Cidade feminista: mulheres relatam viol\u00eancia imposta pelos espa\u00e7os urbanos<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<h2>Como denunciar viol\u00eancia contra mulheres?<\/h2>\n<div>\n<ul>\n<li>Ligue 180 para ajudar v\u00edtimas de abusos.<\/li>\n<li>Em casos de emerg\u00eancia, ligue 190.<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<h2>O que \u00e9 viol\u00eancia f\u00edsica?<\/h2>\n<div>\n<ul>\n<li>Espancar<\/li>\n<li>Atirar objetos, sacudir e apertar os bra\u00e7os<\/li>\n<li>Estrangular ou sufocar<\/li>\n<li>Provocar les\u00f5es<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<h2>O que \u00e9 viol\u00eancia psicol\u00f3gica?<\/h2>\n<div>\n<ul>\n<li>Amea\u00e7ar<\/li>\n<li>Constranger<\/li>\n<li>Humilhar<\/li>\n<li>Manipular<\/li>\n<li>Proibir de estudar, viajar ou falar com amigos e parentes<\/li>\n<li>Vigil\u00e2ncia constante<\/li>\n<li>Chantagear<\/li>\n<li>Ridicularizar<\/li>\n<li>Distorcer e omitir fatos para deixar a mulher em d\u00favida sobre sanidade (Gaslighting)<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<h2>O que \u00e9 viol\u00eancia sexual?<\/h2>\n<div>\n<ul>\n<li>Estupro<\/li>\n<li>Obrigar a mulher a fazer atos sexuais que causam desconforto\u00a0<\/li>\n<li>Impedir o uso de m\u00e9todos contraceptivos ou for\u00e7ar a mulher a abortar<\/li>\n<li>Limitar ou anular o exerc\u00edcio dos direitos sexuais e reprodutivos da mulher<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<h2>O que \u00e9 viol\u00eancia patrimonial?<\/h2>\n<div>\n<ul>\n<li>Controlar o dinheiro<\/li>\n<li>Deixar de pagar pens\u00e3o<\/li>\n<li>Destruir documentos pessoais<\/li>\n<li>Privar de bens, valores ou recursos econ\u00f4micos<\/li>\n<li>Causar danos propositais a objetos da mulher<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<h2>O que \u00e9 viol\u00eancia moral?<\/h2>\n<div>\n<ul>\n<li>Acusar de trai\u00e7\u00e3o<\/li>\n<li>Emitir ju\u00edzos morais sobre conduta<\/li>\n<li>Fazer cr\u00edticas mentirosas<\/li>\n<li>Expor a vida \u00edntima<\/li>\n<li>Rebaixar por meio de xingamentos que incidem sobre a sua \u00edndole<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<p><\/p>\n<h2>Leia mais:<\/h2>\n<ul>\n<li>As principais lutas dos movimentos pelos direitos das mulheres<\/li>\n<li>O que \u00e9 feminic\u00eddio? Entenda as origens e saiba como combat\u00ea-lo<\/li>\n<li>Como a pornografia distorce o sexo e incita viol\u00eancia contra mulheres<\/li>\n<li>Entenda como a cultura da pedofilia est\u00e1 presente na sociedade<\/li>\n<li>Do estupro ao aborto: a dif\u00edcil jornada da mulher v\u00edtima de viol\u00eancia sexual<\/li>\n<li>&#8216;Meu namorado me deu o rem\u00e9dio e viajou&#8217;; relatos de mulheres que fizeram aborto clandestino em MG<\/li>\n<\/ul>\n<p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apenas nesta quarta-feira (11\/5), dois casos de viol\u00eancia contra a mulher foram registrados em Minas Gerais. 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