{"id":138727,"date":"2022-05-15T07:03:42","date_gmt":"2022-05-15T10:03:42","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/05\/populacao-muda-rotina-em-cajazeiras-bairro-com-mais-mortes-violentas-em-2022\/"},"modified":"2022-05-15T07:03:42","modified_gmt":"2022-05-15T10:03:42","slug":"populacao-muda-rotina-em-cajazeiras-bairro-com-mais-mortes-violentas-em-2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/05\/15\/populacao-muda-rotina-em-cajazeiras-bairro-com-mais-mortes-violentas-em-2022\/","title":{"rendered":"Popula\u00e7\u00e3o muda rotina em Cajazeiras, bairro com mais mortes violentas em 2022"},"content":{"rendered":"<p class=\"bodytext\">\n<p class=\"bodytext\">Pela manh\u00e3, os primeiros helic\u00f3pteros sobrevoam Cajazeiras. De cada janela de casa, em Cajazeira 10, W.*\u00a0avista partes do bairro e acompanha a passagem da aeronave militar, que costuma voltar \u00e0 tarde. Faz duas horas que ele ouviu quatro tiros e concluiu, pela dire\u00e7\u00e3o do som, a origem dos disparos &#8211; a Independ\u00eancia, onde dois policiais foram assassinados no retorno do enterro de um colega. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> H\u00e1 uma semana, Cajazeiras se retraiu a uma rotina imposta pelo medo de poss\u00edveis confrontos\u00a0depois das mortes\u00a0de tr\u00eas policiais militares, entre o\u00a0\u00faltimo\u00a0s\u00e1bado e domingo. Nunca aconteceu algo semelhante na regi\u00e3o, que acumula, desde janeiro, o maior n\u00famero de\u00a0mortes violentas em Salvador.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">No ano, foram 31 mortes no bairro, seguido pela vizinha \u00c1guas Claras, com 22 \u00f3bitos, onde o cotidiano tamb\u00e9m est\u00e1 modificado pela viol\u00eancia, mostram os boletins di\u00e1rios da Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica da Bahia (SSP), tabulados pela reportagem. J\u00e1 foram 428 em toda a cidade.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Os tr\u00eas policiais mortos eram lotados na 3\u00aa Companhia Independente de Pol\u00edcia Militar, que atende o per\u00edmetro, estrat\u00e9gico para o tr\u00e1fico de drogas, seja pela proximidade com duas rodovias ou pelas \u00e1reas de matagal que facilitam a dispers\u00e3o de quem foge.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Alexandre Menezes\u00a0morreu ao receber um tiro na cabe\u00e7a, em confronto com criminosos, na Rua Ulisses Guimar\u00e3es, em \u00c1guas Claras, separada de Cajazeira 7 por tr\u00eas ruas. Os outros dois PMs, Vitor Cruz e Shanderson Ferreira, voltavam do enterro dele quando foram atingidos, na Independ\u00eancia, que come\u00e7a ao lado do\u00a0Campo da Pronaica e vai at\u00e9 Boca da Mata, ainda parte de Cajazeiras.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Com as mortes dos tr\u00eas militares em menos de 24h, s\u00e3o cinco PMs assassinados neste ano na Bahia. No ano passado, foram 23 policiais mortos. \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A pol\u00edcia prometeu dias de buscas pelos criminosos, que correram para se refugiar na vizinhan\u00e7a, como Val\u00e9ria e Jardim Nova Esperan\u00e7a, onde acontecem opera\u00e7\u00f5es. ?? popula\u00e7\u00e3o, restou mais uma semana de adapta\u00e7\u00e3o for\u00e7ada, com funcionamento restrito de escolas e com\u00e9rcio, sobe e desce de viaturas e helic\u00f3pteros no c\u00e9u.<\/p>\n<h3><strong>A rotina: ansiedade e medo<\/strong><\/h3>\n<p class=\"bodytext\">A \u00faltima vez, em tr\u00eas d\u00e9cadas de bairro, em que W. presenciou tamanha movimenta\u00e7\u00e3o policial foi em julho de 2016. Um atentado fatal contra um militar, em frente a um boteco, desencadeou tr\u00eas dias de persegui\u00e7\u00e3o ao suspeito &#8211; morto em seguida. O in\u00edcio de maio em Salvador registrou, at\u00e9 o momento, 43 mortes violentas.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>???Mas nunca vi nada parecido, com uma resposta t\u00e3o forte quanto essa???<\/strong>, diz W.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">Afastado do emprego, W. evita sair, exceto para buscar a esposa no retorno do trabalho, num ponto de \u00f4nibus em Cajazeira 10. O filho deles, estudante de uma das 16 escolas que suspenderam as atividades, n\u00e3o voltar\u00e1 \u00e0s aulas at\u00e9 os pais decidirem que \u00e9 seguro. Quando? N\u00e3o sabem.<br \/> \u00a0<br \/> Diferentemente do que foi divulgado, ele e outros moradores dizem que a normalidade da rotina escolar n\u00e3o \u00e9 uma realidade e que at\u00e9 os professores faltam ao trabalho, por medo. As secretarias municipal e estadual de Educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o responderam aos questionamentos sobre o funcionamento das unidades.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A morte de policiais ou o ferimento de agentes em opera\u00e7\u00f5es leva receio \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, temerosa quanto ao resultado das a\u00e7\u00f5es de repres\u00e1lia.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>&#8220;O ir e vir, o acessar a escolas, \u00f4nibus, tudo passa a ser regulado pela din\u00e2mica da viol\u00eancia. H\u00e1 tamb\u00e9m o receio pelo\u00a0abuso da for\u00e7a, j\u00e1 que h\u00e1 falta controle para inibir o uso da viol\u00eancia&#8221;<\/strong>, pontua Luciene Santana, pesquisadora da Rede de Observat\u00f3rios da Seguran\u00e7a e da Iniciativa Negra na Bahia.<\/p>\n<\/blockquote>\n<div class=\"flourish-embed flourish-chart\" data-src=\"visualisation\/9989555\">\n<p class=\"bodytext\">A Bahia fica atr\u00e1s apenas do Rio de Janeiro\u00a0em n\u00famero de mortos em opera\u00e7\u00f5es policiais em territ\u00f3rios perif\u00e9ricos &#8211; foram 260 mortos aqui no estado, entre 2019 e 2020, segundo a Rede.\u00a0&#8220;A pol\u00edcia \u00e9 colocada em\u00a0din\u00e2mica de guerra, em que as opera\u00e7\u00f5es resultam em alto \u00edndice de morte de pessoas&#8221;.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Os sons da viol\u00eancia chegam por diferentes lados. Pela janela, em um s\u00f3 dia, o\u00a0barulho met\u00e1lico de disparos ecoou duas vezes na casa de W. O mais intenso, 12 tiros, despertou ele e a esposa. Passava das 22h, os dois viam TV. De onde vieram os disparos, n\u00e3o identificaram.<\/p>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\">Os primeiros dois pontos de tens\u00e3o foram as \u00e1reas onde os policiais foram assassinados, entre \u00c1guas Claras e Cajazeiras, repartida em sete Cajazeira. Mas, como era de se esperar, as opera\u00e7\u00f5es tomaram as ruas o sentimento de apreens\u00e3o se espalhou.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Em Fazenda Grande 2, que integra Cajazeiras, O., babalorix\u00e1 de um terreiro de Candombl\u00e9, cancelou tr\u00eas festividades p\u00fablicas previstas para o m\u00eas ??? Tempo, Oxal\u00e1 e as Yab\u00e1s ??? e fechou as portas do templo para quem n\u00e3o fosse filho\u00a0de santo feito na\u00a0Casa.\u00a0<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>???N\u00f3s t\u00ednhamos um calend\u00e1rio e n\u00e3o vai ser mais feito pelos acontecimentos. S\u00e3o muitos tiros, barulhos perturbadores, not\u00edcias recorrentes de morte???<\/strong>, afirmou.\u00a0<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">Salvador tem dois mil terreiros e 25% deles est\u00e3o entre Cajazeiras, \u00c1guas Claras e Fazenda Grande. ?? a localidade com a maior concentra\u00e7\u00e3o de templos, junto ao Sub\u00farbio, diz a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Cultura Afroamer\u00edndia (AFA).<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A Pol\u00edcia Militar respondeu\u00a0que n\u00e3o\u00a0fornece\u00a0detalhes sobre a criminalidade na regi\u00e3o\u00a0???para n\u00e3o atrapalhar as opera\u00e7\u00f5es ???, mas que a popula\u00e7\u00e3o\u00a0poderia ???ficar despreocupada, porque o policiamento foi refor\u00e7ado???. Em Cajazeiras e arredores, onde ningu\u00e9m est\u00e1 despreocupado, moradores percebem um aumento\u00a0da viol\u00eancia nos \u00faltimos sete anos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Esse intervalo de tempo coincide com a intensifica\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a de fac\u00e7\u00f5es criminosas na regi\u00e3o, entre elas a\u00a0Bonde do Maluco, criada no complexo prisional da Mata Escura, em 2015, com a inten\u00e7\u00e3o de ampliar a atua\u00e7\u00e3o em pontos estrat\u00e9gicos do tr\u00e1fico na cidade. Para isso, esses grupos criminosos cooptaram\u00a0quadrilhas j\u00e1\u00a0existentes.\u00a0<\/p>\n<h3><strong>Viol\u00eancia \u00e9 problema de sa\u00fade p\u00fablica<\/strong><\/h3>\n<p class=\"bodytext\">??s pressas, F. retirou as cadeiras da pra\u00e7a, onde uma fam\u00edlia acabara de sentar. Era Dia das M\u00e3es e esperava lucrar, com o restaurante, R$ 2 mil. As mortes dos policiais anteciparam o fechamento, no entanto. Quem cresce em bairros onde h\u00e1 constante conflito entre criminosos e policiais\u00a0aprende a reconhecer a imin\u00eancia dos riscos, o que n\u00e3o exclui o apavoro.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">F. est\u00e1 ansiosa e sente medo pela movimenta\u00e7\u00e3o de viaturas &#8211;\u00a0cada uma a servi\u00e7o de\u00a0uma especializada &#8211;\u00a0e pela resposta dos criminosos, que pode levar a troca\u00a0de tiros,\u00a0como os registrados ao longo da semana.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"622\" src=\"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/localimages\/csm_rotula_da_feirinha_980670007f.jpeg\" width=\"1000\"\/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><strong>Movimento na R\u00f3tula da Feirinha, ponto central de Cajazeiras<\/strong> (Foto: Marina Silva\/CORREIO)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\">Os disparos, feitos por\u00a0armas legalizadas ou extraviadas, nem sempre cumprem o destino planejado, perfurando casas e corpos de quem acompanha uma guerra sem vitoriosos.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>???Eu estou muito ansiosa, porque a gente n\u00e3o sabe o que fazer, principalmente eu que trabalho na rua???<\/strong>.\u00a0<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">Desde 1996, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) considera a viol\u00eancia que perturba a vida de pessoas como F.\u00a0um problema de sa\u00fade p\u00fablica, pelas consequ\u00eancias f\u00edsicas, psicol\u00f3gicas, sociais que ela provoca.\u00a0<\/p>\n<div class=\"flourish-embed flourish-chart\" data-src=\"visualisation\/9979185\">\n<p class=\"bodytext\">A viol\u00eancia, de t\u00e3o pr\u00f3xima, imp\u00f5e mudan\u00e7as na rotina que se estendem no tempo\u00a0&#8211; evitar determinadas ruas, intuir a hora limite de voltar para casa, saber at\u00e9 quais caminhos \u00e9 permitido ir.<\/p>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\">Mariana Possas, professora de Sociologia e pesquisadora do Laborat\u00f3rio de Estudos sobre o Crime e Sociedade da Universidade Federal da Bahia,\u00a0utiliza o termo ???adapta\u00e7\u00e3o cotidiana \u00e0 viol\u00eancia??? para se referir a essas concess\u00f5es que a viol\u00eancia imp\u00f5e.\u00a0<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>???N\u00e3o precisamos estar nas periferias para haver viol\u00eancia, mas sabemos onde a viol\u00eancia termina em disparo de arma de fogo para matar. ?? uma adapta\u00e7\u00e3o muito radical e cruel???<\/strong>.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">Na \u00faltima quarta-feira (11), F. reabriu seu com\u00e9rcio, mas com antecipa\u00e7\u00e3o do fechamento em duas horas. As entregas tamb\u00e9m foram adaptadas: o entregador n\u00e3o entra em\u00a0tr\u00eas localidades ??? \u00c1guas Claras, Cajazeira 11 e Independ\u00eancia ??? at\u00e9 segunda ordem.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><\/p>\n<h3><strong>O saldo da procura<\/strong><\/h3>\n<p class=\"bodytext\">Cajazeiras nasceu para ser um bairro planejado, com pr\u00e9dios, casas e equipamentos urbanos. A falta de moradia para todos j\u00e1 era uma realidade na d\u00e9cada de 70, o que levou o Governo da Bahia a formular o Projeto Urban\u00edstico Cajazeiras. Propriet\u00e1rios de ch\u00e1caras foram desapropriados\u00a0para que, em 1978, o projeto fosse posto em pr\u00e1tica.\u00a0<br \/> \u00a0<br \/> A equipe envolvida no plano da extinta Empresa de Habita\u00e7\u00e3o e Urbanismo da Bahia (Urbis) recebeu cr\u00edticas pela dist\u00e2ncia do bairro, pensado para 20 mil habitantes &#8211; o n\u00famero est\u00e1 tr\u00eas vezes maior no censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica de 2020\u00a0-, mas o programa seguiu.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Cada terra desapropriada recebeu um estudo e o bairro, fatiado por n\u00famero.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>???Primeiro Cajazeira 4 e 5, depois a 6, 7, 8, 10 e a 11. S\u00f3 n\u00e3o teve a 9, por um problema fundi\u00e1rio???<\/strong>, explica T\u00e2nia Scofield, arquiteta que participou da implanta\u00e7\u00e3o do Projeto Cajazeiras, atualmente presidente da Funda\u00e7\u00e3o M\u00e1rio Leal Ferreira.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">A desapropria\u00e7\u00e3o de tr\u00eas fazendas &#8211; entre elas a Fazenda Grande &#8211; levou \u00e0 integra\u00e7\u00e3o de novas \u00e1reas. Da\u00ed ser comum, hoje, moradores se referirem a Fazenda Grande como Cajazeiras, pois tudo passou a integrar o reformulado Projeto Urban\u00edstico Integrado Cajazeira. O bairro de \u00c1guas Claras existia, mas t\u00e3o pr\u00f3ximo a Cajazeiras a ponto de se confundirem. \u00a0<br \/> \u00a0<br \/> J\u00e1 Boca da Mata surgiu como uma ocupa\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea dentro de Cajazeira 10. \u00a0Na virada para os anos 80, Salvador registrou um dos maiores picos de crescimento, diante do \u00eaxodo rural e do avan\u00e7o industrial.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A ideia do bairro planejado n\u00e3o vingou, com a chegada de pessoas a\u00a0encostas ou plan\u00edcies de Cajazeiras. A Urbis tentou, sem sucesso, sufocar as invas\u00f5es.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">O bairro cresceu e desenvolveu um polo comercial ??? em 2015, o Shopping Cajazeiras foi inaugurado. A R\u00f3tula da Feirinha\u00a0era pensada, desde o princ\u00edpio, como a rota central que viria a ser.\u00a0Em 1985, G. chegou \u00e0 Cajazeira 11, para morar numa das casas planejadas, hoje bem distante do projeto original.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">L\u00e1 ele criou fam\u00edlia e passa a maior parte do tempo. ???Apesar dos \u00faltimas acontecimentos, acho um lugar tranquilo. Aqui voc\u00ea tem um certo tipo de tranquilidade para conviver no barzinho, curtir com a fam\u00edlia???, diz G.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Ao longo da semana, ele evitou sair, exceto por necessidade, sempre com documentos em m\u00e3os, em caso de ser abordado por policiais, e nunca para \u00e1reas que ele considera de mais risco, como \u00c1guas Claras e Independ\u00eancia e Jaguaripe, ambas em Cajazeiras.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">No fim da\u00a0\u00faltima sexta (13), as opera\u00e7\u00f5es de busca pelos envolvidos nas mortes dos policiais seguiam\u00a0sem intervalo pelo bairro, mas G. optou por n\u00e3o cancelar a participa\u00e7\u00e3o em uma festa religiosa planejada durante meses. Uma semana depois da morte do primeiro policial,\u00a0o saldo das buscas \u00e9 de nove mortos.<\/p>\n<p><em>*Por quest\u00f5es de seguran\u00e7a, o nome dos entrevistados foi ocultado. As iniciais n\u00e3o correspondem \u00e0s dos\u00a0verdadeiros nomes deles.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pela manh\u00e3, os primeiros helic\u00f3pteros sobrevoam Cajazeiras. 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