{"id":141088,"date":"2022-05-16T11:34:02","date_gmt":"2022-05-16T14:34:02","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/05\/lan-houses-vao-alem-dos-games-para-sobreviver-em-sp\/"},"modified":"2022-09-23T12:26:35","modified_gmt":"2022-09-23T15:26:35","slug":"lan-houses-vao-alem-dos-games-para-sobreviver-em-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/05\/16\/lan-houses-vao-alem-dos-games-para-sobreviver-em-sp\/","title":{"rendered":"Lan houses v\u00e3o al\u00e9m dos games para sobreviver em SP"},"content":{"rendered":"<p>PO\u00c1, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Enquanto Reinaldo Soares, 64, conversava com a reportagem da Ag\u00eancia Mural, um cliente esperava de p\u00e9 para ser atendido, com o celular na m\u00e3o. O morador foi \u00e0 RPJ Tecnologia Lan House, localizada no bairro de Nova Po\u00e1, em Po\u00e1, na Grande S\u00e3o Paulo, porque tinha d\u00favidas sobre o uso do aparelho.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Esse tipo de atendimento agora \u00e9 rotineiro na lan house -espa\u00e7o que antes servia para acessar computadores com internet. Roxo, como chamam Reinaldo no bairro, cobra um valor simb\u00f3lico de R$ 2 a R$ 3 para repassar seus conhecimentos sobre como usar as fun\u00e7\u00f5es do celular.<\/p>\n<p>A mudan\u00e7a do modo de conectividade do brasileiro impulsionou novos servi\u00e7os nesses ambientes. Para que pudessem sobreviver, sobretudo nas periferias, as lan houses se transformaram tamb\u00e9m em papelarias, aumentaram as vendas de produtos eletr\u00f4nicos e viraram at\u00e9 uma esp\u00e9cie de correio local, recebendo as entregas do bairro.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00e3o servi\u00e7os para a gente estar agregando, n\u00e9? Porque a pr\u00f3pria lan house de hoje n\u00e3o tem um feedback lucrativo, apesar de as crian\u00e7as estarem com necessidade de fazer trabalhos escolares&#8221;, destaca Roxo, que possui bacharelado em administra\u00e7\u00e3o, com p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em engenharia econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Esse agregado serve para driblar as mudan\u00e7as no comportamento dos usu\u00e1rios.<\/p>\n<p>Em 2008, o Comit\u00ea Gestor de Internet colocava mais da metade dos brasileiros (52%) como usu\u00e1rios frequentes das lan houses. Em 2014 apontava para apenas 22%.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, o acesso via celular foi apagando as lans dos levantamentos. A casa, o trabalho ou o celular em deslocamento s\u00e3o agora os principais pontos de acesso, segundo a Tic Domic\u00edlios (Pesquisa Sobre o Uso das Tecnologias de Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o nos Domic\u00edlios Brasileiros).<\/p>\n<p>Por causa da falta de movimento em Itaquera, Roxo se mudou e abriu um novo espa\u00e7o em Nova Po\u00e1, onde possui fam\u00edlia. Entre seus objetivos estava inserir os filhos, Jaiane, 35, Mayko, 46, e Reinaldo J\u00fanior, 40, no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o foi poss\u00edvel manter todos. &#8220;A receita \u00e9 muito baixa, n\u00e3o d\u00e1 para gerar sustentabilidade para todo mundo&#8221;.<\/p>\n<p>Hoje os filhos atuam com administra\u00e7\u00e3o e marketing. Apenas Roxo e a esposa, Regina de Jesus Dutra, 59, seguiram no ramo. Ela confecciona pe\u00e7as de artesanato \u00e0 venda na loja.<\/p>\n<p>Pandemia elevou procura por ajuda digital e local de trabalho remoto A lan house seguiu aberta por mais dez anos at\u00e9 a pandemia de covid, mas a empresa manteve o atendimento de outros servi\u00e7os digitais. Ajudou moradores at\u00e9 a solicitar e receber o aux\u00edlio emergencial.<\/p>\n<p>A reabertura foi em fevereiro de 2022, j\u00e1 com servi\u00e7os online criados e ampliados, com foco em impress\u00f5es, venda de produtos e manuten\u00e7\u00e3o de eletr\u00f4nicos. Ainda existe a \u00e1rea de computadores, mas num local separado.<\/p>\n<p>Pensando nesses casos, o casal busca ampliar o com\u00e9rcio colocando pequenos escrit\u00f3rios de trabalho, tendo em vista a crescente demanda de trabalho remoto ap\u00f3s o isolamento social causado pela pandemia.<\/p>\n<p>Ao lado dos novos servi\u00e7os resistem os jogos virtuais. Os cl\u00e1ssicos como GTA e Counter Strike permanecem nas m\u00e1quinas, mas a molecada de 12 anos, que \u00e9 clientela frequente, j\u00e1 come\u00e7a a se interessar por novos jogos, entre eles Minecraft e o Lego Star Wars: The Skywalker Saga.<\/p>\n<p>&#8220;E isso \u00e9 gostoso de ver, eles interagindo. A\u00ed um p\u00f5e um jogo aqui, outro ali, acaba tendo um desafio entre eles, nesses jogos. Isso continua existindo na lan house, o que &#8216;n\u00e3o d\u00e1 para fazer&#8217; via celular&#8221;, comenta Roxo.<\/p>\n<p>A quatro quil\u00f4metros dali, no centro de Suzano, entre lot\u00e9rica, lanchonetes e mercados, uma fileira de jovens garotos se instala em frente aos computadores de uma garagem na Eletro House.<\/p>\n<p>Por l\u00e1, eles conversam, gritam, interagem entre si ou com algu\u00e9m do outro lado da tela. Mas o cen\u00e1rio dos jogos \u00e9 outro.<\/p>\n<p>&#8220;Hoje o pessoal gosta de jogo de mundo aberto, tem o CS, tem aquele de celular, o Free Fire, tem o Fortnite, saiu tamb\u00e9m aquele jogo Valorant&#8221;, diz Cl\u00e1udio Ferrari, 38, dono da lan house que est\u00e1 em atividade h\u00e1 13 anos no mesmo endere\u00e7o.<\/p>\n<p>Os jogos de mundo aberto s\u00e3o aqueles em que o usu\u00e1rio tem liberdade para explorar e realizar as atividades do cen\u00e1rio desenvolvido pelo game.<\/p>\n<p>Formado em tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, Ferrari criou a lan house com o intuito de continuar uma tradi\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia voltada para o com\u00e9rcio e unir com uma paix\u00e3o: os jogos.<\/p>\n<p>Se os meninos ainda continuam jogando, a interatividade mudou. &#8220;Ou\u00e7o as conversas deles: &#8216;Ah, eu estou jogando com uma pessoa l\u00e1 de Minas Gerais, uma dos Estados Unidos&#8217;.&#8221; Uma conectividade imposs\u00edvel de imaginar no boom das lan houses na primeira metade dos anos 2000.<\/p>\n<p>Outro fator nost\u00e1lgico do auge das lan houses eram os famosos &#8220;coruj\u00f5es&#8221;. Uma atividade em que o p\u00fablico virava a noite jogando dentro do lugar.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o d\u00e1 nem para contar quantos coruj\u00f5es a gente fez, o pessoal que ia jogar e ficava horas e horas jogando&#8221;, relembra Ferrari.<\/p>\n<p>Mesmo com o p\u00fablico jovem, de 15 a 32 anos, frequentando o local, restri\u00e7\u00f5es de funcionamento acabar com os coruj\u00f5es.<\/p>\n<p>Hoje, enquanto os jovens permanecem nos games, boa parte do p\u00fablico vem para impress\u00f5es e c\u00f3pias relacionadas a documentos e realiza\u00e7\u00e3o de curr\u00edculos. &#8220;Eu venho aqui ultimamente para fazer impress\u00f5es. Eu n\u00e3o tenho impressora em casa, sempre foi \u00fatil pra mim&#8221;, diz o cliente Alm\u00e9rio de C\u00e1ssio Rodrigues, professor de geografia do munic\u00edpio, enquanto esperava pela entrega de um documento impresso das m\u00e3os de Ferrari.<\/p>\n<p>Ferrari diz que frequentemente est\u00e1 mudando, testando novas op\u00e7\u00f5es, desde doces at\u00e9 geladeira com refrigerante, uma ideia que teve que ser descartada por causa do alto consumo de energia. Um fliperama ainda resiste na entrada da lan house. No come\u00e7o havia at\u00e9 tr\u00eas m\u00e1quinas instaladas.<\/p>\n<p>Idosos procuram pelo aparelho e se re\u00fanem depois do trabalho para jogar e matar a saudade dos velhos tempos, assim como os jovens que descobrem uma nova atividade que n\u00e3o conheciam.<br \/>&#8220;Muita gente n\u00e3o pode ter um computador em casa, ainda mais um computador gamer que hoje ainda est\u00e1 bem caro&#8221;, diz Ferrari.<\/p>\n<p>Fazendo uma busca pelo site Therabyte, especialista na venda de PC Gamer, uma m\u00e1quina desse tipo, desenvolvida para aguentar os gr\u00e1ficos e v\u00eddeos de jogos sem travar e com bom rendimento, vai de R$ 3.500 a R$ 15.691.<\/p>\n<p>Na lan house em Suzano a hora para jogar games custa R$ 3, em computadores com alta capacidade para jogos virtuais. Mas Ferrari ressalta: &#8220;N\u00e3o chega nem aos p\u00e9s do que era em 2009, porque n\u00e3o era s\u00f3 jogo. O pessoal procurava muito para usar redes sociais&#8221;.<\/p>\n<p><span class=\"news_bold\">PANDEMIA ELEVOU PROCURA POR AJUDA DIGITAL E LOCAL DE TRABALHO REMOTO<\/span><\/p>\n<p>Um outro mercado que tamb\u00e9m entrou no foco desses neg\u00f3cios foi o de entregas. Durante a pandemia, Roxo foi procurado pelo Mercado Livre e pela Shopee para oferecer uma parceria para realizar a entrega e recebimentos de mercadoria pelo bairro.<\/p>\n<p>Em Mogi das Cruzes, a cal\u00e7ada da \u00c1rea X Lan House e Papelaria viveu algo parecido. Na frente um banner com diversos s\u00edmbolos de servi\u00e7os de entrega como Mercado Livre, Shopee, Magalu, Amazon aparecem sob um fundo amarelo.<\/p>\n<p>Para Tom\u00e1s Machado dos Santos, 36, dono do estabelecimento, a parceria foi uma salva\u00e7\u00e3o, juntamente da amplia\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio para papelaria, em julho de 2021.<\/p>\n<p>&#8220;No come\u00e7o eu pensei que n\u00e3o ia dar muito certo, porque era muito pouco, poucas caixas [de mercadorias]. Hoje est\u00e1 indo super bem. S\u00e3o em m\u00e9dia, 300 caixas, todos os dias.&#8221;<\/p>\n<p>Al\u00e9m da quest\u00e3o da pandemia, Tom, como prefere ser chamado, comenta que a instala\u00e7\u00e3o de pr\u00e9dios residenciais no bairro fez diminuir o uso dos computadores. Antes da pandemia, eram 15 m\u00e1quinas, hoje s\u00e3o apenas 6.<\/p>\n<p>O lugar tamb\u00e9m abre espa\u00e7o para mochilas e brinquedos, que dividem espa\u00e7o com embalagens de presente, itens escolares, fones de ouvido, pen drive, teclado, mouse e alguns salgadinhos e doces -os primeiros itens a aparecer no cat\u00e1logo al\u00e9m das m\u00e1quinas.<\/p>\n<p>Quando Tom come\u00e7ou, em 2006, &#8220;tinha p\u00fablico que fazia fila&#8221;; a queda de movimento come\u00e7ou a ser mais sentida em 2018.<\/p>\n<p>&#8220;Hoje o pessoal j\u00e1 procura muito para fazer documenta\u00e7\u00e3o, uma segunda via de conta, alguma coisa do INSS. Com a pandemia tinha muita coisa que tinha que ser feita pela digital, tem gente que vem aqui procurando por isso. A gente sempre vai precisar de um local pr\u00f3ximo do bairro para imprimir um documento.&#8221;<\/p>\n<p>Entre outros servi\u00e7os r\u00e1pidos realizados por Tom, ele menciona o download de m\u00fasicas para CD e a transfer\u00eancia de dados para pen drive ou celular.<br \/>Servi\u00e7o:<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PO\u00c1, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Enquanto Reinaldo Soares, 64, conversava com a reportagem da Ag\u00eancia Mural, um cliente esperava de p\u00e9 para ser atendido, com\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":141089,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[81],"tags":[],"class_list":["post-141088","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/141088","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=141088"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/141088\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=141088"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=141088"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=141088"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}