{"id":149581,"date":"2022-05-18T23:07:24","date_gmt":"2022-05-19T02:07:24","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/05\/frio-lota-abrigo-para-quem-foge-das-baixas-temperaturas-nas-ruas-de-bh\/"},"modified":"2022-05-18T23:07:24","modified_gmt":"2022-05-19T02:07:24","slug":"frio-lota-abrigo-para-quem-foge-das-baixas-temperaturas-nas-ruas-de-bh","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/05\/18\/frio-lota-abrigo-para-quem-foge-das-baixas-temperaturas-nas-ruas-de-bh\/","title":{"rendered":"Frio lota abrigo para quem foge das baixas temperaturas nas ruas de BH"},"content":{"rendered":"<div>A chegada precoce do frio agrava a situa\u00e7\u00e3o de quem passa a noite nas ruas das grandes cidades brasileiras. A busca por abrigo ganha um novo elemento para quem j\u00e1 se desvencilha diariamente da vulnerabilidade, fome e viol\u00eancia proporcionadas pela falta de um teto. Em Belo Horizonte,\u00a0\u00e0s v\u00e9speras da madrugada que se anuncia como a mais fria do m\u00eas de maio em mais de cem anos, centenas de pessoas buscam vaga nos centros de acolhimento da capital. O <b>Estado de Minas<\/b> acompanhou a entrada de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua no Albergue Tia Branca, no Bairro Floresta.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Com capacidade para 270 homens adultos, o Albergue Tia Branca fica completamente lotado em dias de chuva e frio. Mas a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 diferente quando o tempo est\u00e1 ameno. Segundo o coordenador da casa, Willian Marques, a m\u00e9dia de lota\u00e7\u00e3o do local \u00e9 de 260 pessoas. Quase sempre os ambientes ficam lotados, portanto.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>???Estou h\u00e1 dois anos na coordena\u00e7\u00e3o do albergue, que \u00e9 um espa\u00e7o extremamente importante para dar oportunidade \u00e0s pessoas de passar em um momento que elas est\u00e3o fragilizadas e vulner\u00e1veis. A gente oferece um espa\u00e7o digno de acolhimento, de escuta, para dormir com tranquilidade, se alimentar e se higienizar. As pessoas aqui criam v\u00ednculos e por ter essa quest\u00e3o da seguran\u00e7a, \u00e9 por isso que acessam nesse formato de pernoite???, conta.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>As portas do albergue abrem \u00e0s 17h. Os primeiros a entrar s\u00e3o idosos e pessoas com defici\u00eancia e, depois, a casa recebe os demais homens maiores de idade. Para conseguir uma vaga, \u00e9 preciso ter um cadastro e passar por um processo de triagem.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Por se propor um ambiente de passagem, o albergue oferece apoio e alia as vagas de pernoite \u00e0 participa\u00e7\u00e3o em movimentos, busca por trabalho, tratamento de sa\u00fade e demais formas de assist\u00eancia para oferecer a oportunidade de independ\u00eancia \u00e0s pessoas que se encontram em situa\u00e7\u00e3o de rua. Willian cita uma das iniciativas coordenadas pela casa, al\u00e9m do acolhimento.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>???N\u00f3s temos aqui tamb\u00e9m um programa chamado ???cabide social???. Quando a pessoa precisa de uma roupa melhor para uma entrevista de emprego, ou para encontrar um familiar, por exemplo, ela pode buscar l\u00e1. Sabemos que isso \u00e9 importante e, para quem est\u00e1 na rua, \u00e9 dif\u00edcil manter as pe\u00e7as limpas e conservadas, ent\u00e3o prestamos esse apoio???, explica.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O catador de materiais recicl\u00e1veis Jefferson Tadeu Silva chegou ao albergue depois de participar da\u00a0passeata do movimento antimanicomial de BH\u00a0nesta quarta (18). Na rua h\u00e1 seis meses, ele conta que faz parte de outros movimentos oferecidos \u00e0s pessoas que est\u00e3o sem teto e que ajudam a ter uma vaga no albergue<\/div>\n<div><\/div>\n<div>???J\u00e1 tem algum tempo que estou na rua e eu participo do Centro Pop (Centro de Refer\u00eancia da Popula\u00e7\u00e3o de Rua) durante o dia e me chamaram para participar do evento hoje. Sou catador de material recicl\u00e1vel e agora vou tomar um banho, jantar e descansar. J\u00e1 venho aqui no albergue h\u00e1 seis meses, desde que ca\u00ed em situa\u00e7\u00e3o de rua. A rua al\u00e9m do frio \u00e9 perigosa???, explica.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>Ap\u00f3s o processo de triagem para a composi\u00e7\u00e3o das vagas, cada um dos 270 homens que entram no Albergue Tia Branca recebe passes. Eles s\u00e3o trocados por toalhas e um kit higiene para banho, cobertores e duas refei\u00e7\u00f5es: jantar e caf\u00e9 da manh\u00e3. ??s 7h do dia seguinte, todos os ocupantes deixam o albergue.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Al\u00e9m do frio, ocupantes da unidade de acolhimento buscam a fuga das ruas, o que significa inseguran\u00e7a. O paulista Alexandre Mendes Domingues estava no refeit\u00f3rio quando conversou com a reportagem. Entre uma garfada e outra da refei\u00e7\u00e3o que chega ao albergue direto dos Restaurantes Populares da capital, ele conta que busca apoio para escapar tamb\u00e9m da viol\u00eancia.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>???Sou de S\u00e3o Paulo, mas minha m\u00e3e veio pra Vespasiano e eu vim com ela. H\u00e1 14 anos que eu moro em BH. H\u00e1 cinco anos eu venho no albergue, conhe\u00e7o todos, desde os assistentes at\u00e9 as faxineiras. ?? onde tenho acesso livre para jantar, tomar banho e assistir televis\u00e3o. Mas eu gosto mais de ficar na minha cama, lendo a b\u00edblia. Em dias assim \u00e9 indispens\u00e1vel, na rua tem muito frio e muita maldade, pessoas batendo umas nas outras por coisas pequenas, por um cobertor, uma manta???, relata.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>O carioca J\u00falio C\u00e9sar est\u00e1 na capital mineira h\u00e1 25 anos, onde foi motorista de \u00f4nibus. ?? reportagem ele relatou lutar contra o alcoolismo. J\u00e1 idoso, ele conta que faz todos os esfor\u00e7os para escapar da rua, onde encontra mais dificuldades para ter sucesso em sua batalha contra o v\u00edcio.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>???Estou em recupera\u00e7\u00e3o e tratamento contra o alcoolismo. Fui motorista de \u00f4nibus 9407, 9030, 9031, Circular, v\u00e1rias linhas. Venho para fugir n\u00e3o s\u00f3 do frio, mas tamb\u00e9m para ter um conv\u00edvio. Eu estou numa situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil e estou tentando sair, n\u00e3o quero ficar na rua, a rua para mim me traz a maior tristeza, quero sempre estar perto de uma pessoa amiga???, disse.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Para o tamb\u00e9m ex-motorista Paulo Ribeiro da Silva, de 51 anos, a rua foi o destino ap\u00f3s a demiss\u00e3o durante a pandemia. Ele esperava uma vaga no albergue quando conversou com a reportagem.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>???Eu estava fazendo um trabalho e perdi minha hora, mas sou cadastrado aqui e na rua eu n\u00e3o fico. Se precisar, eles me encaminham para outro abrigo. Eu trabalhava, mas na pandemia, demitiram 80 funcion\u00e1rios da empresa e fiquei sem renda para pagar o aluguel???, relata.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>Paulo perdeu o emprego no ano passado e, desde ent\u00e3o, depende de locais de acolhimento para n\u00e3o passar a noite na rua. Em meados de 2021, per\u00edodo cr\u00edtico da pandemia da COVID-19, Belo Horizonte tinha mais de 8.300 pessoas em situa\u00e7\u00e3o de rua segundo o programa Polos de Cidadania, da Faculdade de Direito da UFMG<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<h3>Grande procura<\/h3>\n<div><\/div>\n<div>Por volta das 18h30, com uma hora e meia da abertura dos port\u00f5es, o Albergue Tia Branca ainda n\u00e3o tinha alocados todos os 272 ocupantes da noite que se anuncia a mais fria do ano. J\u00e1 fora da rua, cerca de 100 pessoas esperavam pelo processo de triagem e de entrega dos passes para banho, cobertor e refei\u00e7\u00f5es no p\u00e1tio da unidade.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Se protegendo do frio, as pessoas em busca de um teto para a noite se juntavam em pequenos grupos, conversavam com funcion\u00e1rios do albergue e ansiavam pela oportunidade de entrar nas acomoda\u00e7\u00f5es enquanto a temperatura ca\u00eda sensivelmente.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A chegada precoce do frio agrava a situa\u00e7\u00e3o de quem passa a noite nas ruas das grandes cidades brasileiras. 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