{"id":151867,"date":"2022-05-22T12:33:57","date_gmt":"2022-05-22T15:33:57","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/05\/diretor-de-the-square-incendeia-cannes-com-satira-sobre-super-ricos\/"},"modified":"2022-09-23T12:26:25","modified_gmt":"2022-09-23T15:26:25","slug":"diretor-de-the-square-incendeia-cannes-com-satira-sobre-super-ricos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/05\/22\/diretor-de-the-square-incendeia-cannes-com-satira-sobre-super-ricos\/","title":{"rendered":"Diretor de &#8216;The Square&#8217; incendeia Cannes com s\u00e1tira sobre super-ricos"},"content":{"rendered":"<p>LEONARDO SANCHEZ<br \/>CANNES, FRAN??A (FOLHAPRESS) &#8211; As estruturas da velha Europa prometem ser chacoalhadas no Festival de Cannes com a exibi\u00e7\u00e3o de &#8220;R.M.N.&#8221;, do romeno Cristian Mungiu, e &#8220;Triangle of Sadness&#8221;, do sueco Ruben Ostlund. Ambos tocam em temas latentes na por\u00e7\u00e3o mais rica da Europa -xenofobia, classe e privil\u00e9gio- e s\u00e3o exibidos no quinto dia de evento.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>&#8220;R.M.N.&#8221;, um acr\u00f4nimo para Rom\u00eania, acompanha os eventos que se passam numa cidadezinha do pa\u00eds dias ap\u00f3s a contrata\u00e7\u00e3o de imigrantes do Sri Lanka pela f\u00e1brica de p\u00e3es local. O an\u00fancio de vagas decorava casas e o com\u00e9rcio h\u00e1 semanas, mas o sal\u00e1rio m\u00ednimo n\u00e3o atraiu moradores locais, o que levou a dona da panificadora a trazer gente de fora.<\/p>\n<p>?? o suficiente para uma verdadeira insurrei\u00e7\u00e3o tomar conta da cidade, com a maioria dos cidad\u00e3os inconformados porque &#8220;imigrantes est\u00e3o roubando nossos empregos&#8221; ou por causa dos &#8220;h\u00e1bitos de higiene&#8221; dos homens que agora manipulam o p\u00e3o que eles comem diariamente. Um verdadeiro show de horrores xen\u00f3fobo.<\/p>\n<p>O curioso, no entanto, \u00e9 que a avers\u00e3o ao estrangeiro vem justamente de uma cidade que est\u00e1 sem m\u00e3o de obra por tanto exportar seus jovens a pa\u00edses como Alemanha e Espanha, e que vive em harmonia com uma boa por\u00e7\u00e3o de h\u00fangaros que h\u00e1 d\u00e9cadas cruzam a fronteira. Eles tamb\u00e9m insistem em aprender alem\u00e3o e s\u00e3o terrivelmente crist\u00e3os -mas at\u00e9 o padre compra a briga pela &#8220;prote\u00e7\u00e3o&#8221; daquela bolha de pele clara e tradi\u00e7\u00f5es ultrapassadas.<\/p>\n<p>&#8220;Eu tamb\u00e9m vejo romenos pedindo esmola nas ruas da Fran\u00e7a&#8221;, diz um franc\u00eas que est\u00e1 de passagem e fica inconformado ao ouvir que os tr\u00eas cingaleses v\u00e3o levar mis\u00e9ria e viol\u00eancia \u00e0 cidade, escancarando a hipocrisia do discurso.<\/p>\n<p>?? um filme que capta o mal-estar de uma Europa cada vez menos globalizada e cada vez mais fechada dentro de nacionalismos e agendas populistas pr\u00f3prias, como a guerra na Ucr\u00e2nia tem mostrado. Mungiu, o diretor, j\u00e1 ganhou a Palma de Ouro, por &#8220;4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias&#8221;, e agora tenta repetir o feito tocando num assunto saturado, mas de forma original.<\/p>\n<p>Opress\u00f5es e disputas ideol\u00f3gicas tamb\u00e9m devem tornar &#8220;Triangle of Sadness&#8221; um dos filmes mais comentados desta edi\u00e7\u00e3o do Festival de Cannes. S\u00e3o raros os aplausos em sess\u00f5es para a imprensa no festival, mas, por enquanto, o longa de Ostlund foi o mais bem recebido pelos jornalistas.<\/p>\n<p>As gargalhadas ao longo das duas horas e meia de exibi\u00e7\u00e3o e um burburinho nos dias anteriores denunciavam que &#8220;Triangle of Sadness&#8221;, ou tri\u00e2ngulo da tristeza, se tornaria sensa\u00e7\u00e3o na riviera francesa.<\/p>\n<p>O filme \u00e9 exagerado em todos os sentidos, mas n\u00e3o esperava-se menos do vencedor da Palma de Ouro por &#8220;The Square: A Arte da Disc\u00f3rdia&#8221;, igualmente absurdo. Logo de cara, somos introduzidos a um casal de modelos influenciadores. Discuss\u00f5es sobre feminismo, rela\u00e7\u00f5es t\u00f3xicas e a ind\u00fastria da moda se seguem, at\u00e9 que o longa passa a ser dividido por cap\u00edtulos.<\/p>\n<p>O primeiro deles \u00e9 num restaurante; o segundo, num cruzeiro, e o terceiro se passa numa ilha. &#8220;Todos s\u00e3o iguais&#8221; \u00e9 uma frase que se repete entre eles, numa clara e pouco sutil ironia sobre a desigualdade latente do mundo.<\/p>\n<p>Divis\u00f5es motivadas por classe op\u00f5em os personagens em cena e, quando chegamos ao luxuoso cruzeiro, somos apresentados a coadjuvantes extremamente caricatos, ali para mostrar qu\u00e3o obsceno e desconcertante pode ser o ac\u00famulo de riqueza por um \u00ednfimo punhado de magnatas.<\/p>\n<p>O capit\u00e3o da embarca\u00e7\u00e3o, um americano vivido por Woody Harrelson, por outro lado, \u00e9 um marxista convicto, que se esconde em sua su\u00edte para ouvir o hino da Internacional Comunista e para ter o m\u00ednimo de contato poss\u00edvel com seus passageiros.<\/p>\n<p>Numa cena colada a um literal &#8220;shitshow&#8221; -um show de absurdos escatol\u00f3gico que basicamente serve para fazer gra\u00e7a a partir daquela gente refinada- o capit\u00e3o discute com um passageiro, russo e capitalista. Ele cita Mark Twain e L\u00eanin, enquanto o segundo, Reagan e Thatcher.<\/p>\n<p>Terceiro e \u00faltimo cap\u00edtulo de sua trilogia sobre masculinidade t\u00f3xica, junto com &#8220;The Square&#8221; e &#8220;For\u00e7a Maior&#8221;, &#8220;Triangle of Sadness&#8221; tem discuss\u00f5es latentes sobre o feminino e o masculino, embora Ostlund n\u00e3o se restrinja a elas. Classe e privil\u00e9gio est\u00e3o no cerne da hist\u00f3ria, sob um verniz de humor que deve amplificar e levar a trama para um p\u00fablico consider\u00e1vel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LEONARDO SANCHEZCANNES, FRAN??A (FOLHAPRESS) &#8211; As estruturas da velha Europa prometem ser chacoalhadas no Festival de Cannes com a exibi\u00e7\u00e3o de &#8220;R.M.N.&#8221;, do romeno\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":151868,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[81],"tags":[],"class_list":["post-151867","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/151867","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=151867"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/151867\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=151867"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=151867"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=151867"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}