{"id":152213,"date":"2022-05-23T07:03:27","date_gmt":"2022-05-23T10:03:27","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/05\/projeto-celebra-os-50-anos-de-carreira-da-cantora-e-dancarina-inaicyra-falcao\/"},"modified":"2022-05-23T07:03:27","modified_gmt":"2022-05-23T10:03:27","slug":"projeto-celebra-os-50-anos-de-carreira-da-cantora-e-dancarina-inaicyra-falcao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/05\/23\/projeto-celebra-os-50-anos-de-carreira-da-cantora-e-dancarina-inaicyra-falcao\/","title":{"rendered":"Projeto celebra os 50 anos de carreira da cantora e dan\u00e7arina Inaicyra Falc\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p class=\"bodytext\">\n<p class=\"bodytext\">Inaicyra Falc\u00e3o tem uma carreira gigantesca. Mulher negra, baiana, \u00e9 professora doutora em educa\u00e7\u00e3o, pesquisadora do corpo em dan\u00e7a e int\u00e9rprete soprano dram\u00e1tica. Ocupou a universidade quando isso ainda era algo muito estranho para corpos negros.\u00a0Todas estas facetas ser\u00e3o celebradas no projeto Ojo Odun, que comemora 50 anos de carreira na dan\u00e7a e nos canto afrodiasp\u00f3ricos, em evento que acontece de hoje (23) a domingo (29), no Teatro Moli\u00e8re, com roda de conversa, oficina e concerto.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"> A programa\u00e7\u00e3o se inicia hoje, \u00e0s 19h, com o bate-papo Corpo e Ancestralidade, inspirado no t\u00edtulo de livro hom\u00f4nimo Corpo e Ancestralidade: uma Proposta Pluricultural de Dan\u00e7a-arte-educa\u00e7\u00e3o, escrito durante sua tese de doutorado na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da USP, em 1996. O trabalho \u00e9 considerado uma refer\u00eancia no meio art\u00edstico e educacional quando o assunto \u00e9 a pesquisa de estudos criativos das artes do corpo a partir da heran\u00e7a mitica afrodiasp\u00f3rica.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A roda de conversa \u00e9 gratuita e tamb\u00e9m ter\u00e1 participa\u00e7\u00e3o do bailarino Negrizu, outro veterano da dan\u00e7a negra baiana, com quem a artista j\u00e1 se cruzou pelo caminho e teve a honra de performar em 2021, no videoarte Ij\u00f3 Mim\u00f3, dirigido e concebido pelo artista visual Ayrson Her\u00e1clito.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">O bate-papo tem media\u00e7\u00e3o de Nadir N\u00f3brega, doutora em dan\u00e7a e mestra em artes c\u00eanicas pela UFBA, com quem Inaicyra \u00a0conviveu nos tempos do Ballet Brasil Tropical. \u00a0&#8220;Meu contato com a arte come\u00e7ou ainda bem jovem. Com meu pai, que era marceneiro e escultor, e minha av\u00f3, dona Senhorinha. Foi ali que comecei meu contato com os cantos, a dan\u00e7a. E levei para minha vida inicialmente ao entrar na escola de Dan\u00e7a da Ufba. Anos mais tarde e tamb\u00e9m passei a trabalhar com o canto&#8221;, conta Inaicyra.<\/p>\n<p> Ela \u00e9 filha de Deosc\u00f3redes Maximiliano dos Santos (1917-2013), o Mestre Didi, \u00a0sacerdote m\u00e1ximo do culto aos egunguns, da tradi\u00e7\u00e3o iorub\u00e1 na Ilha de Itaparica. Etamb\u00e9m \u00a0um dos mais importantes artistas pl\u00e1stica da tradi\u00e7\u00e3o afrobrasil\u00e7eira. E sua av\u00f3, Maria Bibiana do Esp\u00edrito Santo, m\u00e3e Senhora ??? terceira a assumir o comando do terreiro Il\u00ea Ax\u00e9 Op\u00f3 Afonj\u00e1. \u00a0<\/p>\n<p> ???O culto ao orix\u00e1 me leva desde crian\u00e7a a ter contato com as tradi\u00e7\u00f5es africanas, na m\u00fasica, dan\u00e7a, comida, figurino. Era tudo integrado e j\u00e1 aprendi assim. Lembro que criava hist\u00f3rias enquanto dan\u00e7ava nos xir\u00eas e nos palco. Sempre fui muito dram\u00e1tica, sempre tive um subtexto???, diz Inaicyra, que enfatiza esse &#8216;subtexto&#8217; enquanto deixa a sua mem\u00f3ria viajar nos 72 anos de vida.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A programa\u00e7\u00e3o segue exposi\u00e7\u00e3o de fotografias de momentos da carreira da artista, que ser\u00e1 exibida durante . E com a oficina Corpo em Di\u00e1spora, que ocorre de 27 a 29 de maio, de 10h \u00e0s 14h, ministrada pela doutora em artes da cena Luciane Ramos Silva, no Espa\u00e7o Silvestre ??? mas que j\u00e1 est\u00e1 com inscri\u00e7\u00f5es encerradas.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Quebrando estere\u00f3tipos<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Inaicyra explica que o projeto celebra cinco d\u00e9cadas de sua vida profissional com as artes. ???Comemora o ponto fora da curva que represento: mulher, negra, artista, acad\u00eamica, inovadora nessa sociedade etnoc\u00eantrica e ter podido abrir possibilidades para pluralidades de vozes e caminhos&#8221;, afirmou.\u00a0<\/p>\n<p> A artista menciona que \u00e9 um privil\u00e9gio poder contribuir com a pesquisa e forma\u00e7\u00e3o de conhecimento. Na sua trajet\u00f3ria, ela diz que sempre focou em &#8220;questionar e desmistificar estere\u00f3tipos socialmente intr\u00ednsecos na estrutura\u00e7\u00e3o de racistas e colonialistas que s\u00e3o invisibilizados???.<\/p>\n<p> Misturar forma\u00e7\u00e3o, conversa e apresenta\u00e7\u00e3o era um objetivo antigo da artista, que j\u00e1 passou por companhias como Olodumar\u00ea, Dan\u00e7a Contempor\u00e2nea da UFBA e Ballet Brasil Tropical. Mestra em Artes Teatrais pela Universidade de Ibadan na Nig\u00e9ria, doutora em Educa\u00e7\u00e3o pela USP e livre doc\u00eancia na \u00e1rea de Pr\u00e1ticas Interpretativas pela Universidade Estadual de Campinas, Inaicyra decidiu no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990 se dedicar artisticamente \u00e0 m\u00fasica, em canto erudito &#8211; trazendo refer\u00eancias do candombl\u00e9 para o seu cantar.<\/p>\n<p> At\u00e9 por isso o \u00faltimo ato do projeto comemorativo destaca a m\u00fasica, no Concerto 3 Tempos, que traz um repert\u00f3rio de c\u00e2nticos yorub\u00e1s presentes no primeiro \u00e1lbum de Inaicyra, \u00a0Okan Awa: C\u00e2nticos da Tradi\u00e7\u00e3o Yorub\u00e1 (2000). Okan Awa significa Nosso Cora\u00e7\u00e3o e \u00e9 uma obra em homenagem a sua av\u00f3 \u00a0M\u00e3e Senhora.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\n<p> Na apresenta\u00e7\u00e3o, ela estar\u00e1 acompanhada dos instrumentistas Gabi Guedes e Maur\u00edcio Louren\u00e7o. O show acontece no pr\u00f3prio Moli\u00e8re, s\u00e1bado, \u00e0s 20h, com performances de Negrizu e Luciano Ramos Silva &#8211; que estar\u00e3o com ela durante o desenrolar do projeto. Os ingressos s\u00e3o vendidos exclusivamente pelo pelo WhatsApp (71) 99921-2368 ou atrav\u00e9s de link no perfil do projeto @projetoojoodun, por R$20 e R$10.<\/p>\n<p> Contemplado pelo Edital Setorial de Dan\u00e7a 2019, OJO ODUN tem apoio financeiro do Governo do Estado, atrav\u00e9s do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda, Funda\u00e7\u00e3o Cultural do Estado da Bahia e Secretaria de Cultura da Bahia. Ela conta que ter o projeto contemplado por um edital \u00e9 uma grande novidade.&#8221; Eu nunca tinha conseguido esse tipo de financiamento antes e j\u00e1 me programava para fazer com meu dinheiro mesmo&#8221;, afirma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Inaicyra Falc\u00e3o tem uma carreira gigantesca. Mulher negra, baiana, \u00e9 professora doutora em educa\u00e7\u00e3o, pesquisadora do corpo em dan\u00e7a e int\u00e9rprete soprano dram\u00e1tica. 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