{"id":153497,"date":"2022-05-24T18:01:04","date_gmt":"2022-05-24T21:01:04","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/05\/modernizacao-do-setor-eletrico-inclui-energia-mais-barata-diz-ipea\/"},"modified":"2022-05-24T18:01:04","modified_gmt":"2022-05-24T21:01:04","slug":"modernizacao-do-setor-eletrico-inclui-energia-mais-barata-diz-ipea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/05\/24\/modernizacao-do-setor-eletrico-inclui-energia-mais-barata-diz-ipea\/","title":{"rendered":"Moderniza\u00e7\u00e3o do setor el\u00e9trico inclui energia mais barata, diz Ipea"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>Novas tecnologias levam \u00e0 possibilidade de uso de novos equipamentos que proporcionam novas formas de servi\u00e7os e de rela\u00e7\u00f5es comerciais. A exemplo da telefonia, o setor de energia tamb\u00e9m passa por esse processo e, diante dele, tem procurado atualizar a legisla\u00e7\u00e3o. Este foi o tema debatido\u00a0<span id=\"OBJ_PREFIX_DWT273_com_zimbra_date\" role=\"link\">hoje<\/span>\u00a0(24) durante o Ciclo de Palestras sobre Legisla\u00e7\u00e3o e Pol\u00edticas P\u00fablicas ??? evento promovido pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea).<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1461591&#038;o=node\"\/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1461591&#038;o=node\"\/><\/p>\n<p>???Quando se fala em moderniza\u00e7\u00e3o e liberaliza\u00e7\u00e3o do setor el\u00e9trico, na minha cabe\u00e7a tem, na ponta, energia mais barata para empresas e consumidores???, disse o presidente do Ipea,\u00a0Erik Alencar de Figueiredo,\u00a0ao dar in\u00edcio ao evento que teve, como foco central, o Projeto de Lei 414\/2021 que, segundo o governo, pode ajudar a modernizar o setor,\u00a0caso seja aprovado.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"O presidente do Ipea, Erik Figueiredo, e a diretora de programa da Secretaria Executiva do Minist\u00e9rio de Minas e Energia, Camilla Fernandes, durante ciclo de palestras sobre a moderniza\u00e7\u00e3o do setor el\u00e9trico.\" data-echo=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/-SYZW6GyiVsU8tdWh2S-wH1mcLE=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/ipea-setor-eletrico_mcamgo_abr_240520221818-2.jpg?itok=L69us3t5\" src=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/loading_v2.gif\" title=\"Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Brasil\"\/>     <\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<p>Entre as possibilidades previstas pelo projeto, est\u00e1 a de permitir, ao pequeno consumidor, liberdade para escolher quem ser\u00e1 seu fornecedor de energia. Na teoria, caso haja um mercado realmente competitivo, a expectativa \u00e9 de que a consequ\u00eancia disso sejam pre\u00e7os mais baixos para o consumidor final.<\/p>\n<p>Essa liberdade de escolha j\u00e1 \u00e9 praticada por grandes e m\u00e9dios consumidores ??? em geral, ind\u00fastrias ??? que adquirem energia via livre mercado. O desafio ser\u00e1 o de estender, aos pequenos consumidores, essa possibilidade.<\/p>\n<h2>Consumidor brasileiro<\/h2>\n<p>Para que isso seja poss\u00edvel, no entanto, \u00e9 necess\u00e1rio, antes de tudo, entender quem \u00e9 esse pequeno consumidor. ???Temos muitos brasileiros com renda pr\u00f3xima a um sal\u00e1rio m\u00ednimo. Isso reflete a vida mediana dos brasileiros. E h\u00e1 brasileiros cuja despesa com energia el\u00e9trica \u00e9 bastante expressiva em termos de or\u00e7amento. Para boa parte desses brasileiros, pelo menos 10% da renda \u00e9 comprometida com energia el\u00e9trica???, disse o presidente do Ipea ao apresentar alguns dos dados coletados pelo instituto.<\/p>\n<p>Segundo ele, conhecer esses brasileiros cujas despesas com energia el\u00e9trica e com g\u00e1s de cozinha s\u00e3o consider\u00e1veis ???\u00e9 vital para que as pessoas que conduzem as pol\u00edticas p\u00fablicas no Brasil tornem essas pol\u00edticas provedoras de bem-estar social???, acrescentou.<\/p>\n<h2>Indicadores de regula\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>De acordo\u00a0com um levantamento apresentado pelo\u00a0diretor de Estudos e Pol\u00edticas Regionais, Urbanas e Ambientais\u00a0do Ipea, Nilo Luiz Saccaro Junior,\u00a0os indicadores de regula\u00e7\u00e3o do setor el\u00e9trico brasileiro est\u00e3o muito abaixo dos observados nos pa\u00edses integrantes da Organiza\u00e7\u00e3o para Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE).<\/p>\n<p>???No setor de eletricidade, o valor indicador do Brasil (2,06 pontos, em uma escala onde quanto menor for o n\u00famero, melhor a situa\u00e7\u00e3o) \u00e9 42% superior \u00e0 m\u00e9dia dos pa\u00edses da OCDE, que era 1,45 ponto, enquanto a m\u00e9dia dos cinco melhores pa\u00edses era 0,39???, disse.<\/p>\n<p>???No setor de g\u00e1s natural, os n\u00fameros s\u00e3o ainda piores para o Brasil, que teve 2,99 pontos contra 1,35 da m\u00e9dia da OCDE???, acrescentou.<\/p>\n<h2>Mudan\u00e7as inevit\u00e1veis<\/h2>\n<p>Segundo a\u00a0diretora de programa da Secretaria Executiva do Minist\u00e9rio de Minas e Energia (MME), Camilla Fernandes,\u00a0a\u00a0ind\u00fastria de energia el\u00e9trica est\u00e1 passando por ???mudan\u00e7as cada vez mais profundas??? n\u00e3o apenas no\u00a0Brasil.<\/p>\n<div>\n<div>\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"A diretora de programa da Secretaria Executiva do Minist\u00e9rio de Minas e Energia, Camilla Fernandes, durante ciclo de palestras sobre a moderniza\u00e7\u00e3o do setor el\u00e9trico.\" data-echo=\"https:\/\/imagens.ebc.com.br\/wXAQ9gC8ovq88pERUhyF1MHB68o=\/365x0\/smart\/https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/ipea-setor-eletrico_mcamgo_abr_240520221818-5.jpg?itok=jlNoS_mo\" src=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/loading_v2.gif\" title=\"Marcelo Camargo\/Ag\u00eancia Brasil\"\/>     <\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/div>\n<p>???Essas mudan\u00e7as s\u00e3o inevit\u00e1veis. Estamos falando de fontes renov\u00e1veis; solu\u00e7\u00f5es tecnologias; novas formas de gerar energia; novos modelos de neg\u00f3cio; novas formas de intera\u00e7\u00e3o com o consumidor. ?? algo que j\u00e1 est\u00e1 acontecendo em todo o mundo???, disse.<\/p>\n<p>Ela lembrou que, no Brasil, j\u00e1 existe mais de 1 milh\u00e3o de unidades com gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda instaladas que geram quase 11 gigawatts (GW) de energia.<\/p>\n<p>Gera\u00e7\u00e3o distribu\u00edda \u00e9 uma modalidade na qual a energia gerada em resid\u00eancias ou condom\u00ednios ??? a partir da energia solar coletada via placas fotovoltaicas, por exemplo ??? pode ser repassada a outros consumidores. Essa energia repassada ao sistema pode ent\u00e3o compensar parte da energia consumida pela unidade que a gerou, diminuindo os gastos com a conta de luz.<\/p>\n<p>???Energias renov\u00e1veis descentralizadas de pequeno porte espalhadas j\u00e1 s\u00e3o uma realidade no Brasil???, destacou a secret\u00e1ria do MME, ao elogiar uma outra medida prevista no PL 414: a possibilidade de os consumidores escolherem de quem comprar\u00e3o a energia el\u00e9trica.<\/p>\n<p>Segundo ela, na forma como se encontra, o projeto tem o apoio do minist\u00e9rio, uma vez que ???leva em conta todo trabalho que fizemos e a atualiza\u00e7\u00e3o de nossos estudos visando os avan\u00e7os legais???.<\/p>\n<p>???Aguardamos avan\u00e7os no Legislativo. O desafio da implementa\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o do setor \u00e9, na verdade, o desafio de equilibrar consenso, porque precisamos de consenso no setor, com seguran\u00e7a regulat\u00f3ria e estabilidade jur\u00eddica, al\u00e9m de cumprimento dos contratos, de qualidade, porque n\u00e3o d\u00e1 para ser amador nesse ambiente, e de tempo. S\u00e3o crit\u00e9rios que se op\u00f5em, mas mudar o normativo \u00e9 realmente uma necessidade que se imp\u00f5e para atender a realidade no setor???, argumentou a secret\u00e1ria.<\/p>\n<h2>Acima da infla\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Participante do encontro, o\u00a0vice-presidente de Estrat\u00e9gia e Comunica\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), Bernardo Sics\u00fa,\u00a0apresentou um estudo, segundo o qual a\u00a0conta de luz residencial aumentou ???mais que o dobro da infla\u00e7\u00e3o entre 2014 e 2021???.<\/p>\n<p>???Nesse per\u00edodo, a conta de luz teve aumento 237% maior do que o do IPCA [\u00edndice que mede a infla\u00e7\u00e3o]. Nesse mesmo per\u00edodo, os pre\u00e7os do mercado livre ficaram 25% abaixo do IPCA???, disse o representante da Abraceel, ao comparar os \u00edndices cobrados nas contas de luz de pequenos consumidores (no caso, residenciais), com os cobrados de m\u00e9dio e grandes consumidores no mercado livre, onde h\u00e1 possibilidade de se escolher quem ser\u00e1 o fornecedor de energia.<\/p>\n<p>Citando pesquisas feitas em 2021 pela Abraceel, Sics\u00fa disse que oito em cada 10 brasileiros gostariam de escolher seus fornecedores de energia; e que sete em cada 10 trocariam de\u00a0fornecedores, se tivessem oportunidade.<\/p>\n<p>???Abrir o mercado significa, tendo como base dados de consultorias renomadas de mercado, uma redu\u00e7\u00e3o, no componente energia ao negoci\u00e1-la livremente, da ordem de 27%. Na conta de luz, a redu\u00e7\u00e3o seria de 15%???, afirmou.<\/p>\n<h2>Fatores<\/h2>\n<p>A possibilidade de pequenos consumidores adquirirem energia no mercado livre foi um dos fatores identificados pelo estudo do Ipea para entender as discrep\u00e2ncias entre os indicadores brasileiros e os dos pa\u00edses da OCDE.<\/p>\n<p>???Em\u00a0todos pa\u00edses\u00a0[da OCDE]\u00a0e tamb\u00e9m no\u00a0Brasil j\u00e1 temos a liberdade de escolha para os grandes e m\u00e9dios consumidores, mas s\u00f3 para o Brasil n\u00e3o temos a liberdade de escolha para os pequenos consumidores, que t\u00eam em sua grande maioria os consumidores residenciais e comerciais???,\u00a0explica Nilo Saccaro.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do pesquisador, o fim do mercado cativo \u00e9 ???fundamental para que as quest\u00f5es competitivas ocorram ap\u00f3s a privatiza\u00e7\u00e3o de estatais???. Ele, no entanto, pondera que ???cativar sem modernizar o marco regulat\u00f3rio faz correr o risco de o monop\u00f3lio ser mantido???.<\/p>\n<p>???Privatiza\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria, mas n\u00e3o suficiente. Precisa vir acompanhada da moderniza\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria e da abertura do mercado???, disse.<\/p>\n<p>Ainda segundo o diretor de Estudos e Pol\u00edticas Regionais, melhor regula\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 necessariamente mais regula\u00e7\u00e3o. ???Regula\u00e7\u00e3o excessiva ou complexa pode se tornar uma barreira para a entrada aos novos concorrentes???, completou.<\/p>\n<h2>Verticaliza\u00e7\u00e3o da cadeia<\/h2>\n<p>Um outro fator citado por ele \u00e9 a chamada ???verticaliza\u00e7\u00e3o da cadeia???, na qual um pequeno grupo de empresas domina v\u00e1rios elos da cadeia de gera\u00e7\u00e3o, transmiss\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica.<\/p>\n<p>Por fim, ele cita a dificuldade para a venda de participa\u00e7\u00f5es acion\u00e1rias. ???No Brasil se precisa inclusive de autoriza\u00e7\u00e3o do Congresso Nacional, o que n\u00e3o ocorre nos outros pa\u00edses pesquisados???.<\/p>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Novas tecnologias levam \u00e0 possibilidade de uso de novos equipamentos que proporcionam novas formas de servi\u00e7os e de rela\u00e7\u00f5es comerciais. 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