{"id":153635,"date":"2022-05-24T21:01:48","date_gmt":"2022-05-25T00:01:48","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/05\/campanhas-podem-aumentar-adesao-de-jovens-adultos-a-dose-de-reforco\/"},"modified":"2022-05-24T21:01:48","modified_gmt":"2022-05-25T00:01:48","slug":"campanhas-podem-aumentar-adesao-de-jovens-adultos-a-dose-de-reforco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/05\/24\/campanhas-podem-aumentar-adesao-de-jovens-adultos-a-dose-de-reforco\/","title":{"rendered":"Campanhas podem aumentar ades\u00e3o de jovens adultos \u00e0 dose de refor\u00e7o"},"content":{"rendered":"<div>\n<p>Campanhas publicit\u00e1rias com linguagem adequada, busca ativa de quem n\u00e3o voltou aos postos de vacina\u00e7\u00e3o e maior divulga\u00e7\u00e3o do sucesso da imuniza\u00e7\u00e3o s\u00e3o algumas das estrat\u00e9gias recomendadas por pesquisadores para ampliar a ades\u00e3o dos jovens adultos \u00e0 dose de refor\u00e7o contra a covid-19.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1461674&#038;o=node\"\/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1461674&#038;o=node\"\/><\/p>\n<p>O \u00faltimo boletim do Observat\u00f3rio Covid-19 da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostrou que a cobertura da terceira dose fica abaixo de 40% entre os adultos com menos de 30 anos. Na faixa et\u00e1ria de 18 e 19 anos, o percentual chega a 25,2%. A baixa ades\u00e3o contrasta com a cobertura de mais de 75% nas mesmas faixas et\u00e1rias, quando \u00e9 considerado apenas o ciclo prim\u00e1rio da vacina\u00e7\u00e3o, com duas doses ou dose \u00fanica.<\/p>\n<p>Para o coordenador do grupo respons\u00e1vel pelo Boletim InfoGripe, da Fiocruz, e integrante da C\u00e2mara T\u00e9cnica de Assessoramento em Imuniza\u00e7\u00e3o da Covid-19, Marcelo Gomes, a comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 o principal mecanismo para estimular essa popula\u00e7\u00e3o a completar a imuniza\u00e7\u00e3o. &#8220;Os departamentos de <em>marketing<\/em> de empresas j\u00e1 sabem que, para p\u00fablicos distintos, \u00e9 preciso desenvolver campanhas distintas. E, com a vacina\u00e7\u00e3o, \u00e9 a mesma coisa&#8221;, compara. &#8220;A gente deixou muito de trabalhar o papel do jovem, a import\u00e2ncia do jovem e o porqu\u00ea de, mesmo tendo risco menor, a vacina\u00e7\u00e3o dele ser importante.&#8221;<\/p>\n<p>O pesquisador lembra que as coberturas de vacinas que exigem mais de uma dose j\u00e1 costumam sofrer com a dificuldade de manter a ades\u00e3o nas aplica\u00e7\u00f5es posteriores \u00e0 primeira. A busca ativa, em que os profissionais de sa\u00fade entram em contato com quem precisa se vacinar, j\u00e1 \u00e9 uma realidade nesses casos e pode tamb\u00e9m ajudar a trazer de volta o p\u00fablico da dose de refor\u00e7o contra a covid-19. No caso da vacina contra o SARS-CoV-2, Gomes acredita que o problema se agrava porque a dose de refor\u00e7o n\u00e3o estava prevista inicialmente e s\u00f3 se mostrou necess\u00e1ria para toda a popula\u00e7\u00e3o com o surgimento de novas variantes do v\u00edrus, como a ??micron.<\/p>\n<p>&#8220;Isso tamb\u00e9m cobra seu pre\u00e7o. Temos que resgatar a popula\u00e7\u00e3o e mostrar que essa mudan\u00e7a tem um embasamento&#8221;, afirma Gomes. &#8220;Quando se decidiu ampliar [a dose de refor\u00e7o] para toda a popula\u00e7\u00e3o adulta, era porque os dados mostravam que est\u00e1vamos vivendo um cen\u00e1rio distinto. A dose de refor\u00e7o faz uma diferen\u00e7a enorme no sentido da prote\u00e7\u00e3o [contra a ??micron]. H\u00e1 um custo associado a oferecer vacina gratuitamente a toda a popula\u00e7\u00e3o. No momento em que se decide fazer esse investimento, \u00e9 porque \u00e9 uma necessidade clara.&#8221;<\/p>\n<p>Para Gomes, o esfor\u00e7o de comunica\u00e7\u00e3o deve considerar que grande parte dos jovens que n\u00e3o receberam a dose de refor\u00e7o n\u00e3o s\u00e3o antivacina e se dispuseram a tomar as duas primeiras doses. &#8220;H\u00e1 uma diferen\u00e7a entre quem n\u00e3o tomou nem a primeira dose e quem tomou duas e n\u00e3o foi tomar o refor\u00e7o. Essa pessoa n\u00e3o \u00e9 intrinsecamente contra a vacina\u00e7\u00e3o. Ela, s\u00f3 por algum motivo, n\u00e3o entendeu e n\u00e3o foi informada a respeito da import\u00e2ncia da dose de refor\u00e7o&#8221;, lembra o pesquisador, que levanta a hip\u00f3tese de que a pr\u00f3pria nomenclatura &#8220;dose de refor\u00e7o&#8221; pode ter prejudicado o entendimento da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Talvez at\u00e9 o termo &#8216;refor\u00e7o&#8217; tenha dado uma ideia equivocada de que era algo opcional, eventual, e n\u00e3o com o papel realmente importante de mem\u00f3ria do nosso sistema imunol\u00f3gico, como \u00e9, por exemplo, a vacina anual da gripe. A gente n\u00e3o chama de vacina de refor\u00e7o da gripe, chama s\u00f3 de vacina da gripe, mas ela nada mais \u00e9 que uma dose de refor\u00e7o. Talvez a gente n\u00e3o tenha conseguido passar para a popula\u00e7\u00e3o de maneira adequada&#8221;, destaca.<\/p>\n<h2>Desinforma\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Pesquisas publicadas em diversos pa\u00edses mostram que a dose de refor\u00e7o \u00e9 importante para restabelecer a imunidade seis meses ap\u00f3s a segunda dose, quando a mem\u00f3ria das defesas do organismo tende a enfraquecer.\u00a0<\/p>\n<p>Entre os estudos realizados no Brasil, um coordenado pela Fiocruz Minas mostrou que a presen\u00e7a de anticorpos em uma popula\u00e7\u00e3o de cerca de 1,5 mil pessoas vacinadas com duas doses era de 98% at\u00e9 60 dias ap\u00f3s a segunda dose e ca\u00eda para 69% entre 91 e 180 dias depois dessa aplica\u00e7\u00e3o. Com a dose de refor\u00e7o, por\u00e9m, o percentual subia a 100% em 15 dias.<\/p>\n<div>\n<p>O presidente da Sociedade Brasileira de Imuniza\u00e7\u00f5es (SBIm), Juarez Cunha, ressalta que, mesmo com tanta informa\u00e7\u00e3o embasada produzida por cientistas, a desinforma\u00e7\u00e3o que circulou durante a pandemia teve impacto e gerou d\u00favidas na popula\u00e7\u00e3o. &#8220;Tivemos muita desinforma\u00e7\u00e3o, muitas <em>fake news<\/em> [not\u00edcias falas], muitas vezes ditas por nossos pr\u00f3prios representantes, que deveriam falar a favor da vacina\u00e7\u00e3o. Isso impactou na ades\u00e3o \u00e0 vacina\u00e7\u00e3o, em especial de crian\u00e7as. Nossas coberturas de crian\u00e7as de primeira e segunda dose s\u00e3o muito baixas. Para os adolescentes, impactou j\u00e1 na segunda dose, e, para os adultos jovens, no refor\u00e7o&#8221;, observa Cunha.<\/p>\n<p> Ele defende a realiza\u00e7\u00e3o de mais campanhas de comunica\u00e7\u00e3o pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, com \u00eanfase na divulga\u00e7\u00e3o do sucesso das vacinas, que reduziram a letalidade e as interna\u00e7\u00f5es causadas pela covid-19. &#8220;Temos que refor\u00e7ar que este \u00e9 um valor muito importante da vacina. Outra coisa que tamb\u00e9m deve ser refor\u00e7ada atrav\u00e9s da comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 que, para a ??micron, os quadros s\u00e3o mais leves para vacinados. E temos que tirar a ideia de que, por ser mais jovem, n\u00e3o tem risco. O risco existe.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<p>Al\u00e9m de cumprir papel de prote\u00e7\u00e3o individual, a vacina\u00e7\u00e3o reduz a circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, ao produzir infec\u00e7\u00f5es mais leves, com menor potencial de transmiss\u00e3o. &#8220;?? uma prote\u00e7\u00e3o individual e da coletividade. Quanto maior o n\u00famero de vacinados, maos teremos diminui\u00e7\u00e3o da circula\u00e7\u00e3o viral, e, com isso, diminuir\u00e1 a possibilidade de se infectar, a possibilidade de transmitir e tamb\u00e9m de ter as formas mais graves da doen\u00e7a&#8221;, afirma o presidente da SBIm.\u00a0<\/p>\n<p>Cunha ressalta que h\u00e1 uma falsa ideia de que a pandemia acabou, que se soma \u00e0 percep\u00e7\u00e3o de que os casos provocados pela variante ??micron produzem apenas sintomas leves. Ele explica que o baixo percentual de internados no pico da nova variante est\u00e1 relacionado \u00e0 prote\u00e7\u00e3o das vacinas e acrescenta que a ??micron \u00e9 capaz de escapar da imunidade produzida por apenas duas doses ou pela infec\u00e7\u00e3o natural.\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;A sensa\u00e7\u00e3o que as pessoas t\u00eam de fim de pandemia e de relaxamento total das medidas n\u00e3o farmacol\u00f3gicas fez cair a ades\u00e3o desses grupos, que desde o in\u00edcio se fala que t\u00eam quadros considerados n\u00e3o t\u00e3o graves. Mas n\u00e3o se pode pensar que a pandemia j\u00e1 terminou com a quantidade de \u00f3bitos di\u00e1rios que ainda temos. E n\u00e3o adianta esperar piorar a situa\u00e7\u00e3o para se vacinar, porque a vacina leva um tempo para proteger&#8221;, enfatiza.<\/p>\n<p>Procurado pela <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade informou, por meio de nota, que recomenda aos estados e munic\u00edpios que fa\u00e7am a busca ativa da popula\u00e7\u00e3o para completar o esquema vacinal contra a covid-19. Segundo o minist\u00e9rio, j\u00e1 foram veiculadas 38 campanhas publicit\u00e1rias em TVs e r\u00e1dios do pa\u00eds para refor\u00e7ar a import\u00e2ncia da vacina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;A pasta tamb\u00e9m refor\u00e7a amplamente a import\u00e2ncia da segunda dose e da dose de refor\u00e7o para garantir a m\u00e1xima prote\u00e7\u00e3o contra o v\u00edrus e conter o avan\u00e7o de novas variantes no pa\u00eds&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Ao todo, 84,5 milh\u00f5es de brasileiros com mais de 18 anos j\u00e1 receberam a dose de refor\u00e7o, o que corresponde a cerca de 40% da popula\u00e7\u00e3o brasileira. J\u00e1 a cobertura de primeira dose chega a 82,6%, e a de segunda dose, ou dose \u00fanica, a 76%.\u00a0<\/p>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Campanhas publicit\u00e1rias com linguagem adequada, busca ativa de quem n\u00e3o voltou aos postos de vacina\u00e7\u00e3o e maior divulga\u00e7\u00e3o do sucesso da imuniza\u00e7\u00e3o s\u00e3o algumas\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":153636,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[174],"tags":[],"class_list":["post-153635","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-saude3"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/153635","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=153635"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/153635\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=153635"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=153635"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=153635"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}