{"id":154567,"date":"2022-05-25T23:08:16","date_gmt":"2022-05-26T02:08:16","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/05\/pode-faltar-diesel-no-brasil-no-segundo-semestre\/"},"modified":"2022-05-25T23:08:16","modified_gmt":"2022-05-26T02:08:16","slug":"pode-faltar-diesel-no-brasil-no-segundo-semestre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/05\/25\/pode-faltar-diesel-no-brasil-no-segundo-semestre\/","title":{"rendered":"Pode faltar diesel no Brasil no segundo semestre?"},"content":{"rendered":"<p>O fornecimento de diesel tornou-se uma preocupa\u00e7\u00e3o global desde que as san\u00e7\u00f5es contra a R\u00fassia levaram a uma redu\u00e7\u00e3o dos estoques no mundo.<\/p>\n<p>A informa\u00e7\u00e3o divulgada pela ag\u00eancia Reuters de que o agora ex-presidente da Petrobras, Jos\u00e9 Mauro Ferreira Coelho, teria alertado o Minist\u00e9rio de Minas e Energia sobre a possibilidade de falta de diesel no Brasil pouco antes de ser demitido ampliou ainda mais os temores no pa\u00eds. <\/p>\n<p>Segundo a ag\u00eancia de not\u00edcias, na semana passada a estatal teria apresentado um documento ao governo em que previa um cen\u00e1rio de desabastecimento em pleno auge da colheita da soja no segundo semestre, caso a empresa n\u00e3o venda combust\u00edvel a pre\u00e7os de mercado. <\/p>\n<p>Segundo fontes ouvidas pela reportagem, a Petrobras disse que a empresa e outros importadores podem ter dificuldades para garantir o diesel em meio \u00e0 redu\u00e7\u00e3o dos estoques mundiais. <\/p>\n<p>Ap\u00f3s a demiss\u00e3o de Ferreira Coelho da estatal ??? empossado h\u00e1 pouco mais de um m\u00eas ???, o governo indicou Caio Paes de Andrade para substitu\u00ed-lo. <\/p>\n<ul>\n<li>Pre\u00e7o do diesel quase dobrou durante o governo Bolsonaro, aponta Dieese  <\/li>\n<li>Privatiza\u00e7\u00e3o da Petrobras? Veja o que aconteceu com ex-estatais pelo mundo<\/li>\n<\/ul>\n<p>A Federa\u00e7\u00e3o ??nica dos Petroleiros (FUP) expressou a mesma preocupa\u00e7\u00e3o na ter\u00e7a-feira (24\/05). <\/p>\n<p>Em nota, os petroleiros afirmaram que &#8220;o Brasil corre o risco de desabastecimento de \u00f3leo diesel no in\u00edcio do segundo semestre deste ano, em fun\u00e7\u00e3o da prevista escassez de oferta no mercado internacional e do baixo n\u00edvel dos estoques mundiais&#8221;. <\/p>\n<p>Analistas consultados pela BBC News Brasil concordam com a avalia\u00e7\u00e3o da Petrobras e da FUP, mas afirmam que a defici\u00eancia deve ser pontual e s\u00f3 se concretizar\u00e1 se os fatores causadores da crise permanecerem ativos. <\/p>\n<p>&#8220;Pode faltar diesel pontualmente no Brasil&#8221;, afirma Pedro Shinzato, analista de derivados da consultoria Stonex. &#8220;N\u00e3o devemos ver um desabastecimento generalizado, mas em postos espec\u00edficos, de bandeira branca, ou em regi\u00f5es do pa\u00eds mais afastadas, \u00e9 bem poss\u00edvel falar em faltas espor\u00e1dicas.&#8221; <\/p>\n<p>Para Maur\u00edcio Can\u00eado, professor da Escola Brasileira de Economia e Finan\u00e7as da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV-EPGE) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), existe a possibilidade de car\u00eancia pontual caso a pr\u00f3pria Petrobras n\u00e3o aumente seu ritmo de importa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>&#8220;Uma escassez pontual \u00e9 mais prov\u00e1vel do que uma falta generalizada de diesel nos postos ou no transporte de carga. Pode haver atrasos no despacho ou faltas espor\u00e1dicas por conta de problemas de log\u00edstica de mudan\u00e7a de fornecedor diante do problema global&#8221;, diz. <\/p>\n<p>Entre os principais fatores apontados pelos especialistas para a concretiza\u00e7\u00e3o do cen\u00e1rio futuro est\u00e1 a defasagem do pre\u00e7o do diesel em rela\u00e7\u00e3o ao mercado internacional, que pode desencorajar a compra do combust\u00edvel no exterior por importadores privados. <\/p>\n<p>As san\u00e7\u00f5es e bloqueios impostos \u00e0 R\u00fassia por conta da guerra na Ucr\u00e2nia, que levaram os estoques internacionais para m\u00ednimos hist\u00f3ricos, tamb\u00e9m s\u00e3o um grande fator de peso. <\/p>\n<h3>O que est\u00e1 por tr\u00e1s dos temores de escassez?<\/h3>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o com um desabastecimento de diesel n\u00e3o \u00e9 exclusiva do Brasil. <\/p>\n<p>Desde que a R\u00fassia invadiu a Ucr\u00e2nia, Estados Unidos e Uni\u00e3o Europeia impuseram san\u00e7\u00f5es contra o pa\u00eds, que \u00e9 o segundo maior produtor e exportador de petr\u00f3leo do mundo.<\/p>\n<p>Com isso, a oferta da commodity diminuiu globalmente e os seus pre\u00e7os dispararam. <\/p>\n<p>&#8220;V\u00e1rios pa\u00edses est\u00e3o com os estoques de diesel e outros combust\u00edveis bastante baixos para os padr\u00f5es usuais. Se essa situa\u00e7\u00e3o continuar por muito tempo, o mundo inteiro corre o risco de sofrer com algum tipo de problema de oferta&#8221;, diz o economista Maur\u00edcio Can\u00eado.<\/p>\n<p>&#8220;A grande quest\u00e3o que definir\u00e1 se vai haver desabastecimento ou aumento ainda maior do pre\u00e7o do diesel no mercado internacional \u00e9 a velocidade e a escala com que a Europa vai cortar seu fornecimento da R\u00fassia&#8221;, afirma Felipe Perez, estrategista de downstream para a Am\u00e9rica Latina da S&#038;P global.<\/p>\n<p>Mas segundo os especialistas consultados pela BBC News Brasil, o Brasil pode ainda enfrentar um componente adicional de risco, que \u00e9 a queda nas importa\u00e7\u00f5es por conta da defasagem do pre\u00e7o do diesel em rela\u00e7\u00e3o ao mercado internacional. <\/p>\n<p>O Brasil produz mais petr\u00f3leo do que consome e se declara &#8220;autossuficiente&#8221;. Por\u00e9m, devido ao tipo de petr\u00f3leo extra\u00eddo e \u00e0 insufici\u00eancia na capacidade de refino, ainda precisa importar tanto petr\u00f3leo cru quanto derivados como a gasolina e o diesel. <\/p>\n<p>Segundo a ANP (Ag\u00eancia Nacional de Petr\u00f3leo, G\u00e1s Natural e Biocombust\u00edveis), o Brasil bateu recorde de importa\u00e7\u00e3o de diesel em 2021 ??? foram 14,4 milh\u00f5es de metros c\u00fabicos de diesel A (puro, sem biodiesel), volume 20,4% maior do que no ano anterior. <\/p>\n<p>Ainda de acordo com a ANP, a participa\u00e7\u00e3o do diesel vendido no pa\u00eds com origem estrangeira passou de 20,9% em 2020 para 23,2% em 2021. <\/p>\n<p>A Petrobras adotou o chamado pre\u00e7o de paridade de importa\u00e7\u00e3o (PPI) em 2016, durante o governo de Michel Temer. O PPI vincula o valor dos derivados de petr\u00f3leo ao comportamento dos pre\u00e7os dos produtos em d\u00f3lares no mercado internacional. <\/p>\n<p>Recentemente, por\u00e9m, os reajustes para acompanhar o valor internacional se tornaram mais espa\u00e7ados. Segundo o G1, em reuni\u00f5es internas do governo, o presidente Jair Bolsonaro (PL) tamb\u00e9m teria dito a auxiliares que n\u00e3o quer novos reajustes no diesel, gasolina e g\u00e1s de cozinha at\u00e9 a elei\u00e7\u00e3o, em outubro.<\/p>\n<p>&#8220;No momento o pre\u00e7o do diesel no Brasil est\u00e1 at\u00e9 bem alinhado com o internacional, mas porque o mercado caiu nas \u00faltimas duas semanas e o valor global tamb\u00e9m caiu um pouco&#8221;, diz Pedro Shinzato. <\/p>\n<p>&#8220;Mas sabemos que o atual presidente est\u00e1 buscando a reelei\u00e7\u00e3o e que o aumento nos pre\u00e7os de combust\u00edvel pode ser uma pol\u00edtica impopular.&#8221; <\/p>\n<p>Diante da defasagem do pre\u00e7o do diesel, importadores particulares, n\u00e3o vinculados \u00e0 Petrobras, podem deixar de comprar o combust\u00edvel no exterior para evitar preju\u00edzo ao revend\u00ea-lo internamente. <\/p>\n<p>&#8220;Ningu\u00e9m vai importar o diesel caro para vender mais barato no Brasil&#8221;, resume Can\u00eado. <\/p>\n<p>Essa foi exatamente a preocupa\u00e7\u00e3o que teria sido exposta pela Petrobras na apresenta\u00e7\u00e3o ao governo. <\/p>\n<p>Segundo as informa\u00e7\u00f5es da Reuters, o documento afirma que &#8220;sem sinaliza\u00e7\u00e3o de que os pre\u00e7os de mercado ser\u00e3o mantidos adiante, h\u00e1 um risco concreto de escassez de diesel no auge da demanda, durante a temporada de colheita, afetando o PIB do Brasil&#8221;.<\/p>\n<p>Os especialistas afirmam ainda que a temporada de furac\u00f5es no Atl\u00e2ntico, que se estender\u00e1 nesse ano de junho a novembro, tamb\u00e9m pode representar problemas para o fornecimento de diesel brasileiro.<\/p>\n<p>&#8220;As refinarias americanas s\u00e3o a principal origem das importa\u00e7\u00f5es do Brasil e boa parte delas est\u00e1 concentrada na regi\u00e3o da Costa do Golfo dos EUA, que costuma ser uma das mais atingidas pela temporada de furac\u00f5es&#8221;, diz Pedro Shinzato, da Stonex. <\/p>\n<p>&#8220;Com as refinarias dos EUA em capacidade alta, um furac\u00e3o ou condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas mais dif\u00edceis podem parar o refino ou a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e fazer com que o mercado fique ainda mais justo&#8221;, afirma Perez. <\/p>\n<h3>Vai faltar diesel mesmo?<\/h3>\n<p>Para os analistas consultados pela BBC News Brasil, uma falta pontual pode ser observada caso os fatores de risco se mantenham e n\u00e3o se encontrem alternativas vi\u00e1veis para o fornecimento. <\/p>\n<p>Para Maur\u00edcio Can\u00eado, a possibilidade pode ser contornada caso a Petrobras decida buscar alternativas para a importa\u00e7\u00e3o do diesel no mercado global e supra a demanda n\u00e3o atendida pelas importadoras privadas.<\/p>\n<p>&#8220;Temos levantado que a Petrobras j\u00e1 est\u00e1 procurando fontes alternativas de oferta na \u00c1sia e \u00c1frica para driblar a diminui\u00e7\u00e3o da oferta nos Estados Unidos&#8221;, diz.<\/p>\n<p>O especialista explica que esse processo seria mais custoso e demorado. Tamb\u00e9m significaria que a estatal precisaria arcar com os poss\u00edveis preju\u00edzos de vender o diesel no Brasil a pre\u00e7os mais baixos do que os praticados no mercado internacional.<\/p>\n<p>&#8220;Mas acho improv\u00e1vel que a Petrobras decida n\u00e3o fazer isso diante de um risco de escassez, pois o maior acionista da empresa ainda \u00e9 a Uni\u00e3o&#8221;, afirma Can\u00eado.<\/p>\n<p>J\u00e1 Felipe Perez acredita que a defasagem dos pre\u00e7os far\u00e1 com que os estoques das refinarias nacionais acabem primeiro, mas n\u00e3o afetar\u00e1 de imediato o ritmo de importa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;As empresas que t\u00eam a vantagem log\u00edstica, competitiva, contratual e estrutural devem negociar primeiro com os refinadores brasileiros. Mas no final das contas o balan\u00e7o tem que ser fechado com as importa\u00e7\u00f5es e esse pre\u00e7o vai ser o pre\u00e7o de mercado&#8221;, diz. <\/p>\n<p>Problemas de falta de suprimento foram relatados em Minas Gerais e no Distrito Federal entre mar\u00e7o e abril deste ano, mas os sindicatos que representam os revendedores de combust\u00edveis nas duas regi\u00f5es afirmam que a situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 se normalizou.<\/p>\n<p>Ainda assim, Paulo Tavares, presidente Sindicombust\u00edveis-DF, teme problemas no segundo semestre caso o consumo mundial de petr\u00f3leo russo permane\u00e7a abalado e a Petrobras mantenha sua pol\u00edtica de pre\u00e7os. <\/p>\n<p>&#8220;A manuten\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o do diesel em n\u00edveis mais baixos do que os do mercado internacional pode fazer com que falte produto para as distribuidoras, porque elas n\u00e3o v\u00e3o importar o produto mais caro&#8221;, diz. <\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o creio que vai haver escassez geral, mas podemos ter novos relatos de falta em algumas regi\u00f5es e o pre\u00e7o certamente vai subir muito.&#8221;<\/p>\n<p>O presidente-executivo da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira dos Importadores de Combust\u00edveis (Abicom), S\u00e9rgio Ara\u00fajo, afirma que qualquer falta deve ser pontual. <\/p>\n<p>&#8220;Em alguns munic\u00edpios pode haver descontinuidade no suprimento por alguns dias, porque com a defasagem do pre\u00e7o, os importadores e as distribuidoras regionais n\u00e3o est\u00e3o importando tanto&#8221;, diz. <\/p>\n<p>&#8220;Nesse cen\u00e1rio, redes de postos de bandeira branca e outros consumidores menores ficam mais vulner\u00e1veis a eventual falta de produto.&#8221;<\/p>\n<p>Em resposta aos rumores, a ANP afirmou em nota que monitora o abastecimento nacional de combust\u00edveis de forma sistem\u00e1tica, por meio do acompanhamento dos fluxos log\u00edsticos em todo o territ\u00f3rio brasileiro. <\/p>\n<p>&#8220;Na presente data, o abastecimento com diesel aos consumidores se mant\u00e9m regular&#8221;, diz a ag\u00eancia.<\/p>\n<p>Procurados, a Petrobras e o Minist\u00e9rio de Minas e Energia n\u00e3o responderam aos pedidos de coment\u00e1rio. <\/p>\n<h3>E o pre\u00e7o?<\/h3>\n<p>Os especialistas concordam que, com a continuidade nos problemas com a oferta mundial de diesel, o pre\u00e7o do produto nas bombas do Brasil pode continuar subindo. <\/p>\n<p>&#8220;O pre\u00e7o pode aumentar sim na bomba em algumas regi\u00f5es. ?? o que acontece toda vez que a demanda corre por cima da oferta&#8221;, explica Maur\u00edcio Can\u00eado.<\/p>\n<p>&#8220;A primeira resposta a tudo que tem acontecido s\u00e3o os pre\u00e7os mais altos ??? algo que j\u00e1 estamos vendo desde outubro, na verdade&#8221;, pontua Pedro Shinzato.<\/p>\n<p>Segundo analistas, o aumento afeta mais os consumidores finais principais do diesel ??? como caminhoneiros, operadores de servi\u00e7os de log\u00edstica e transportadores de passageiros em coletivos. <\/p>\n<p><b>Sabia que a BBC est\u00e1 tamb\u00e9m no Telegram? <\/b>Inscreva-se no canal<b>.<\/b><\/p>\n<p><b>J\u00e1 assistiu aos nossos novos v\u00eddeos no <\/b>YouTube<b>? 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