{"id":155639,"date":"2022-05-27T09:10:17","date_gmt":"2022-05-27T12:10:17","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/05\/o-retrato-da-disparada-da-inflacao-no-prato-feito-brasileiro\/"},"modified":"2022-05-27T09:10:17","modified_gmt":"2022-05-27T12:10:17","slug":"o-retrato-da-disparada-da-inflacao-no-prato-feito-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/05\/27\/o-retrato-da-disparada-da-inflacao-no-prato-feito-brasileiro\/","title":{"rendered":"O retrato da disparada da infla\u00e7\u00e3o no &#8216;prato feito&#8217; brasileiro"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<p>Imagine que uma pessoa vai a um supermercado para comprar todos os ingredientes necess\u00e1rios para fazer um t\u00edpico prato feito brasileiro.<\/p>\n<p>Os ingredientes para o prato variam de acordo com a regi\u00e3o, mas para esse exerc\u00edcio estamos considerando sete alimentos: arroz, feij\u00e3o carioca, tomate, alface, alcatra, batata e ovos.<\/p>\n<p>Se hoje uma pessoa gastaria cerca de R$ 100 para comprar todos os ingredientes para esse prato feito, h\u00e1 um ano ??? em abril de 2021 ??? a mesma pessoa teria gasto apenas cerca de R$ 85 nos mesmos ingredientes, segundo os dados do \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo, a principal refer\u00eancia de infla\u00e7\u00e3o do IBGE no Brasil.<\/p>\n<p>(Nesta compra n\u00e3o estamos levando em considera\u00e7\u00e3o o tamanho das por\u00e7\u00f5es, o que vai sobrar de cada alimento e nem o custo de outras vari\u00e1veis, como temperos, \u00f3leo de cozinha e pre\u00e7o do g\u00e1s para cozinhar.)<\/p>\n<ul>\n<li>Por que o pre\u00e7o do \u00f3leo de cozinha disparou no Brasil e no mundo <\/li>\n<\/ul>\n<p>Os alimentos se tornaram o principal vil\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o brasileira ??? os pre\u00e7os gerais da economia subiram 12,13% nos \u00faltimos 12 meses, mas a alimenta\u00e7\u00e3o no domic\u00edlio (que exclui comida comprada em restaurantes) subiu 16,12%. No \u00faltimo m\u00eas, a alimenta\u00e7\u00e3o e transportes responderam por 80% da alta geral dos pre\u00e7os no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Voc\u00ea pode conferir no gr\u00e1fico acima como os pre\u00e7os de alguns ingredientes do prato feito brasileiro variaram ao longo de um ano.<\/p>\n<ul>\n<li>Como nova alta do diesel anunciada pela Petrobras afeta o consumidor?<\/li>\n<li>Pre\u00e7o do diesel quase dobrou durante o governo Bolsonaro, aponta Dieese  <\/li>\n<\/ul>\n<p>Alguns itens do prato t\u00edpico brasileiro ficaram mais baratos em um ano, como \u00e9 o caso do arroz e do feij\u00e3o-preto. Mas eles s\u00e3o minoria ??? mais de 90% dos produtos encareceram, a maioria com altas superiores a 10%.<\/p>\n<p>E para piorar, analistas acreditam que os pre\u00e7os devem subir ainda mais neste ano.<\/p>\n<h3>Substitutos?<\/h3>\n<p>Mesmo diante da escalada de pre\u00e7os, h\u00e1 formas de se atenuar o efeito da infla\u00e7\u00e3o no prato dos brasileiros buscando substitutos.<\/p>\n<p>Alguns alimentos importantes da cesta b\u00e1sica tiveram queda. O arroz ficou 11% mais barato em um ano. O feij\u00e3o-carioca encareceu 9,4%, mas ele pode ser substitu\u00eddo pelo feij\u00e3o-preto, cujo pre\u00e7o caiu quase 7%.<\/p>\n<p>A alcatra (que teve alta de 13%) \u00e9 outro item que pode ser substitu\u00eddo ??? por carne de porco (cujo pre\u00e7o caiu quase 6% ao ano) ou carne-seca e de sol (cujo pre\u00e7o subiu 3%, um reajuste inferior \u00e0 infla\u00e7\u00e3o m\u00e9dia). J\u00e1 o frango ??? que costuma ser alternativa mais barata de prote\u00edna ??? tamb\u00e9m teve infla\u00e7\u00e3o alta, de 21%.<\/p>\n<p>A batata inglesa subiu 63%, mas a batata-doce teve reajuste bem menor, de 3,58%.<\/p>\n<p>Na salada, a substitui\u00e7\u00e3o \u00e9 mais dif\u00edcil. Tub\u00e9rculos, ra\u00edzes e legumes encareceram 69% em um ano; hortali\u00e7as e verduras subiram 36%.<\/p>\n<p>Fora do almo\u00e7o, a alimenta\u00e7\u00e3o pode ser complementada com frutas cujos pre\u00e7os ca\u00edram em um ano ou registraram pouca infla\u00e7\u00e3o. ?? o caso do abacaxi e da banana-ma\u00e7\u00e3 (que est\u00e3o 3% e 5% mais baratos, respectivamente) e a laranja-p\u00eara (cujo pre\u00e7o subiu 4%). Mas outras variedades de banana e laranja tiveram reajustes grandes de pre\u00e7o.<\/p>\n<p>?? importante ressaltar tamb\u00e9m que essa infla\u00e7\u00e3o \u00e9 nacional ??? ou seja, que os pre\u00e7os variaram de forma diferente de acordo com a regi\u00e3o do Brasil.<\/p>\n<p><\/p>\n<h3>Sal\u00e1rio defasado e acelera\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os<\/h3>\n<p>O mais recente boletim do IBGE revela tr\u00eas tend\u00eancias: os sal\u00e1rios n\u00e3o est\u00e3o acompanhando a alta dos alimentos, os pre\u00e7os est\u00e3o subindo de forma mais acelerada neste ano e a maioria dos alimentos nos supermercados teve reajustes grandes.<\/p>\n<p>A alimenta\u00e7\u00e3o no domic\u00edlio ficou 16,12% mais cara no Brasil, em m\u00e9dia ??? entre abril de 2021 e abril deste ano. O aumento \u00e9 bastante superior, por exemplo, ao reajuste de 10,18% no sal\u00e1rio m\u00ednimo que aconteceu no come\u00e7o de 2022.<\/p>\n<p>Outro estudo confirma que a maioria dos brasileiros n\u00e3o est\u00e1 conseguindo &#8220;vencer a infla\u00e7\u00e3o&#8221;. Em mar\u00e7o, apenas 13,9% das negocia\u00e7\u00f5es salariais no Brasil medidas pelo Dieese produziram ganhos reais para os trabalhadores, acima da infla\u00e7\u00e3o. Em 34% das negocia\u00e7\u00f5es, as categorias conseguiram &#8220;empatar com a infla\u00e7\u00e3o&#8221; ??? e em 52% desses acordos os trabalhadores tiveram aumentos que n\u00e3o cobrem a subida de pre\u00e7os da economia.<\/p>\n<p>Outra tend\u00eancia preocupante \u00e9 que os pre\u00e7os parecem estar subindo de forma mais acelerada neste ano.<\/p>\n<p>O IPCA (que mede n\u00e3o s\u00f3 o pre\u00e7o dos alimentos, como de diversos bens e servi\u00e7os) teve alta de 1,06% em abril ??? a maior varia\u00e7\u00e3o para um m\u00eas de abril em 27 anos. A infla\u00e7\u00e3o acumulada dos \u00faltimos 12 meses \u00e9 de 12,13% ??? acima dos 11,30% nos 12 meses anteriores.<\/p>\n<p>E a alta dos alimentos \u00e9 a que mais preocupa ??? alimentos e bebidas ficaram 2,06% mais caros em apenas um m\u00eas.<\/p>\n<p>Quem vai ao supermercado consegue ver exatamente como o alimento se tornou o &#8220;vil\u00e3o&#8221; da infla\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n<p>Dos 159 alimentos cujos pre\u00e7os s\u00e3o monitorados pelo IBGE, apenas 9% (14 deles) tiveram queda nos pre\u00e7os nos \u00faltimos 12 meses (confira na tabela abaixo os pre\u00e7os que mais ca\u00edram e os que mais subiram). Os demais 91% ficaram mais caros ??? sendo que 54% (ou 84 itens) tiveram um aumento expressivo, de mais de 10%.<\/p>\n<p>Tr\u00eas produtos ??? cenoura, tomate e abobrinha ??? mais que dobraram de pre\u00e7o em apenas um ano.<\/p>\n<h3>Por que mais caro?<\/h3>\n<p>O movimento da alta dos pre\u00e7os n\u00e3o \u00e9 isolado no Brasil.<\/p>\n<p>At\u00e9 pa\u00edses ricos e com hist\u00f3rico de baixa infla\u00e7\u00e3o ??? como Reino Unido e EUA ??? est\u00e3o enfrentando a maior escalada de pre\u00e7os desde 1982. O Reino Unido vive atualmente uma &#8220;crise do custo de vida&#8221;, com disparada no pre\u00e7o de alimentos e energia.<\/p>\n<p>Alguns motivos dessa disparada s\u00e3o comuns em todo o mundo: problemas nas cadeias globais de suprimento (que nunca se recuperaram totalmente da pandemia) e a guerra na Ucr\u00e2nia (que fez o pre\u00e7o da energia disparar, com as san\u00e7\u00f5es impostas \u00e0 R\u00fassia, al\u00e9m de problemas no fornecimento de cereais produzidos na Ucr\u00e2nia).<\/p>\n<p>No Brasil, essas vari\u00e1veis todas impactaram diretamente no pre\u00e7o dos alimentos, tamb\u00e9m devido ao aumento no custo do transporte de cargas.<\/p>\n<ul>\n<li>Os motivos que levaram infla\u00e7\u00e3o de mar\u00e7o a ser a maior em quase 3 d\u00e9cadas e como isso afeta o consumidor <\/li>\n<\/ul>\n<h3>Os pre\u00e7os v\u00e3o parar de subir?<\/h3>\n<p>Os pre\u00e7os devem ficar mais caros ainda neste ano, segundo alguns analistas.<\/p>\n<p>A corretora XP aumentou sua proje\u00e7\u00e3o de infla\u00e7\u00e3o de alimentos para este ano ??? de 9,5% para 11,1% ??? em estudo divulgado em maio. Com isso, prev\u00ea que a infla\u00e7\u00e3o geral no Brasil vai fechar o ano em 9,2%.<\/p>\n<p>&#8220;Nossa proje\u00e7\u00e3o para os pre\u00e7os de alimentos considerava os efeitos inflacion\u00e1rios da guerra na Ucr\u00e2nia. Elevamos [agora] nossa proje\u00e7\u00e3o para englobar os efeitos secund\u00e1rios da alta de combust\u00edveis e outros custos no grupo&#8221;, diz o boletim.<\/p>\n<p>Para o ano que vem, a corretora prev\u00ea que os alimentos continuar\u00e3o subindo, mas em um ritmo menos acelerado: de 3,5%.<\/p>\n<p>A XP elenca tr\u00eas motivos pelos quais a infla\u00e7\u00e3o seguir\u00e1 alta: os severos lockdowns na China por conta da pandemia de covid (que provocam rupturas nas cadeias globais de suprimento), a grande probabilidade de novos reajustes de combust\u00edveis no Brasil (segundo o estudo, o pre\u00e7o no Brasil ainda est\u00e1 defasado em 20% em rela\u00e7\u00e3o ao exterior) e uma disparada na infla\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os (que encarecem os demais pre\u00e7os da economia, inclusive dos alimentos).<\/p>\n<p><b>Sabia que a BBC est\u00e1 tamb\u00e9m no Telegram? <\/b>Inscreva-se no canal<b>.<\/b><\/p>\n<p><b>J\u00e1 assistiu aos nossos novos v\u00eddeos no <\/b>YouTube<b>? 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