{"id":156370,"date":"2022-05-28T06:03:57","date_gmt":"2022-05-28T09:03:57","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/05\/entenda-por-que-os-sites-asiaticos-tem-tirado-o-sono-dos-grandes-marketplaces-do-brasil\/"},"modified":"2022-05-28T06:03:57","modified_gmt":"2022-05-28T09:03:57","slug":"entenda-por-que-os-sites-asiaticos-tem-tirado-o-sono-dos-grandes-marketplaces-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/05\/28\/entenda-por-que-os-sites-asiaticos-tem-tirado-o-sono-dos-grandes-marketplaces-do-brasil\/","title":{"rendered":"Entenda por que os sites asi\u00e1ticos t\u00eam tirado o sono dos grandes marketplaces do Brasil"},"content":{"rendered":"<p class=\"bodytext\">\n<p class=\"bodytext\">Menor pre\u00e7o, variedade, abordagem insistente. Oferta rel\u00e2mpago piscando por todo os cantos e cupom de desconto brotando de tudo quanto \u00e9 lado. Parece o com\u00e9rcio de rua do centro da cidade? Mas n\u00e3o, a freguesia \u00e9 outra e est\u00e1 bem ali a um clique de dist\u00e2ncia do aplicativo. O camel\u00f3dromo agora \u00e9 digital. \u00a0Sites asi\u00e1ticos como Shopee, Aliexpress e Shein est\u00e3o com tudo: dois a cada tr\u00eas brasileiros compraram em endere\u00e7os estrangeiros, no \u00faltimo ano, mesmo com o d\u00f3lar nas alturas ??? passando de R$ 5 desde junho de 2021 e \u00a0com recuo no final de mar\u00e7o de 2022.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">E n\u00e3o para por a\u00ed: esse volume deve aumentar bastante este ano. Segundo a edi\u00e7\u00e3o mais recente da pesquisa Webshoppers da NielsenIQ|Ebit e Bexs Pay, 71% das pessoas pretendem continuar comprando produtos de fora do Brasil este ano.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Dos 87,7 milh\u00f5es de brasileiros que compram online, 68% adquiriram produtos importados em 2021. O tamanho dessa fatia faz muita diferen\u00e7a. Isto porque o faturamento dos sites cross border (internacionais) cresceu 60% no ano passado e chegou a atingir R$ 36,2 bilh\u00f5es. O montante representa cerca de 17% do com\u00e9rcio online no pa\u00eds, que faturou R$ 218,9 bilh\u00f5es no mesmo per\u00edodo. \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Os n\u00fameros mostram como esses sites asi\u00e1ticos se tornaram um fen\u00f4meno de consumo no pa\u00eds onde se compra de um tudo online &#8211; at\u00e9 minhoca para a composteira, como fez o engenheiro ambiental Thayllon Ferro, que gastou R$ 50 no produto.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???No Shopee, a primeira coisa que eu comprei foi de um vendedor brasileiro. Era uma composteira que veio pelo Correio com as minhocas vivas dentro. L\u00e1 voc\u00ea acha coisas absurdas. O que mais me atrai na plataforma s\u00e3o os produtos mais diferenciados e os pre\u00e7os???. \u00a0<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"1000\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/0\/2\/csm_27052022PN2248_d681629db7.jpeg\" width=\"667\"\/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><strong>Shopee comemora maior crescimento em participa\u00e7\u00e3o no mercado entre os sites asi\u00e1ticos, ao saltar de 8% para 56%<\/strong><br \/> \t\t\t(Foto: Sora Maia\/ CORREIO)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\">De carrinho em carrinho, Thayllon compra tamb\u00e9m alpargata e m\u00e1scaras. Este \u00faltimo item, uma pechincha, por R$ 9,90. \u00a0 ???Eu amo tanto esses sites que meus amigos j\u00e1 me prometeram um bolo com tema do Shopee no meu anivers\u00e1rio ???, brinca. O engenheiro ambiental chega a fazer quatro compras por m\u00eas, dependendo da necessidade.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>???S\u00e3o plataformas que t\u00eam produtos com pre\u00e7os de coisas que no Brasil seriam itens de camel\u00f4, mas que l\u00e1 fora s\u00e3o itens de marcas alternativas???, <\/strong>complementa. \u00a0<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">Thayllon, no entanto, n\u00e3o nega que j\u00e1 caiu tamb\u00e9m em algumas ciladas. ???Uma vez, comprei uma semente de planta da China. Era para vir um cacto. Mas na hora, quando plantei, nasceu uma erva daninha. Fiz at\u00e9 um v\u00eddeo e postei no meu Instagram. Tem que ter o jeito de procurar as coisas e fazer essa sele\u00e7\u00e3o para n\u00e3o cair numa fraude ou em um erro de entrega???. \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Ainda de acordo com a pesquisa da NielsenIQ|Ebit e Bexs Pay, o nome do apelo se chama mesmo pre\u00e7o baixo. Para mais da metade dos consumidores (63%), esse \u00e9 o maior atrativo que conquistou a prefer\u00eancia do consumidor brasileiro. As categorias mais compradas foram Moda (38%), Eletr\u00f4nicos (36%), Casa e Decora\u00e7\u00e3o (24%), Inform\u00e1tica (21%), Brinquedos e Games (17%), como destaca o head de e-commerce da NielsenIQ Ebit, Marcelo Osanai. Um dos fatores que tem melhorado a rela\u00e7\u00e3o do consumidor com as compras internacionais \u00e9 a diminui\u00e7\u00e3o no tempo de entrega. Se em 2019 a m\u00e9dia era 42 dias, a espera caiu para 28. \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???A avalia\u00e7\u00e3o dos brasileiros aos sites estrangeiros \u00e9 a melhor dos \u00faltimos tr\u00eas anos, em grande parte por conta da redu\u00e7\u00e3o no tempo de entrega. Isso demonstra que os consumidores t\u00eam apetite por consumir produtos do exterior, sendo impedido muitas vezes por quest\u00f5es t\u00e9cnicas da jornada de compra. Com a melhora nessa experi\u00eancia, o e-commerce cross border deve crescer ainda mais???. \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">No ranking das queridinhas est\u00e1 a Shopee, que saltou de 8% (2020) para 56% (2021). J\u00e1 a \u00a0Shein cresceu 21%. A Aliexpress, no entanto, embora tenha perdido um pouco de espa\u00e7o no ano passado, manteve a participa\u00e7\u00e3o expressiva &#8211; de 52% para 44%.\u00a0<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>???A pesquisa retrata um novo cen\u00e1rio competitivo com destaque da Shopee e Shein, tudo isso por conta do crescimento acelerado desses dois e-commerces que at\u00e9 anos atr\u00e1s n\u00e3o eram relevantes no mercado brasileiro???, <\/strong>analisa Osanai. \u00a0<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">A Bahia \u00e9 um dos lugares que os consumidores mais compram na Shopee e ocupa a lideran\u00e7a entre os estados do Nordeste. No ranking nacional, fica atr\u00e1s apenas de S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. S\u00e3o mais 20 categorias de produtos e 95% dos pedidos s\u00e3o feitos via smartphone. \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Os dados s\u00e3o da pr\u00f3pria plataforma que listou, inclusive, os produtos que mais atraem os baianos, como pontua o respons\u00e1vel pelo marketing na Shopee, Felipe Piringer. No primeiro lugar de vendas no estado est\u00e1 a m\u00e1scara descart\u00e1vel. Em seguida, touca de cetim, desodorante, pomada modeladora de cabelo e roupa \u00edntima feminina.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>???N\u00e3o nos vemos como uma empresa estrangeira. A Shopee est\u00e1 presente no Brasil com CNPJ e sede na cidade de S\u00e3o Paulo. Acabamos de atingir 2 milh\u00f5es de vendedores brasileiros registrados em nossa plataforma e mais de 85% das nossas vendas s\u00e3o de vendedores locais. A meta \u00e9 continuar crescendo exponencialmente???. <\/strong>\u00a0<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Gatilhos<\/strong> \u00a0<br \/> Para o fundador da consultoria especializada em varejo Varese Retail e conselheiro de empresas, Alberto Serrentino, o sucesso dos sites asi\u00e1ticos tem mais algumas explica\u00e7\u00f5es. \u00a0O que os asi\u00e1ticos s\u00e3o muito bons \u00e9 em oferecer al\u00e9m de uma variedade gigantesca de produtos, uma quantidade imensa de sellers (vendedores). Some a\u00ed, \u00a0a intensidade da gamefica\u00e7\u00e3o ??? moedas, cupons, recompensas, cashbacks. Tudo isso se transforma em gatilhos muito eficientes, por sinal. \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???A Shein, por exemplo, \u00e9 uma opera\u00e7\u00e3o chinesa montada para vender cross border para o mundo com uma velocidade brutal e com uma capacidade de algoritmos que decifram tend\u00eancias e detectam demandas nas redes sociais com uma resposta muito r\u00e1pida. S\u00e3o lan\u00e7ados de 3 mil a 5 mil produtos por semana e a Shein consegue despachar esses itens para qualquer lugar a pre\u00e7os muito competitivos???, comenta o especialista. \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Serrentino pontua que as plataformas estrangeiras &#8211; sobretudo, os marketplaces &#8211; se aproveitam ainda da ???Regra dos M\u00ednimos???, o que facilita o barateamento desses produtos. Na pr\u00e1tica, \u00e9 o seguinte: no Brasil, existe uma isen\u00e7\u00e3o de valor de qualquer pagamento de imposto, importa\u00e7\u00e3o ou burocracia de importa\u00e7\u00e3o para encomendas internacionais \u00a0pessoais de at\u00e9 50 d\u00f3lares. \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???Os sites de fora se aproveitam um pouco desse limbo regulat\u00f3rio. Na verdade, isso \u00a0n\u00e3o abrigaria a venda de empresas para pessoas f\u00edsicas, mas no fundo como isso n\u00e3o est\u00e1 regulamentado acabou ficando, abrindo uma porteira gigantesca para que haja muita venda de produtos baratos e de produtos que caibam dentro dos 50 d\u00f3lares de isen\u00e7\u00e3o???, explica Serrentino.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Neg\u00f3cio da China<\/strong><br \/> A maquiadora Rafaela Martins, 33 anos, conta que j\u00e1 chegou a fazer 12 compras por m\u00eas na Shein, mas tem tentado reduzir essa frequ\u00eancia pela metade. ???Gasto, em m\u00e9dia, R$ 600. Conheci a Shein quando entrei em um processo de emagrecimento. As op\u00e7\u00f5es do site eram muito variadas e com um excelente custo benef\u00edcio. Normalmente eu olho os produtos na venda ???flash???. A\u00ed eu penso: meu Deus, s\u00f3 10 reais numa blusinha? N\u00e3o posso perder essa oportunidade???.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Rafaela leva a s\u00e9rio os coment\u00e1rios de clientes e as recomenda\u00e7\u00f5es antes de fazer qualquer compra. ???Leio especifica\u00e7\u00f5es e, principalmente, coment\u00e1rios das pessoas que j\u00e1 compraram. Se for positivo, levo. Quando voc\u00ea aprende a analisar e escolher bem os produtos, dificilmente se decepciona???, diz. \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">E a\u00ed d\u00e1 para entender porque plataformas como o Shopee, Aliexpress e a Shein est\u00e3o tirando o sono de grandes e-commerces nacionais &#8211; entre eles, Havan, Magalu, Americanas e Casas Bahia &#8211; suas principais concorrentes. \u00a0As varejistas brasileiras t\u00eam pressionado o governo a taxar os produtos internacionais vendidos em plataformas estrangeiras, alegando pagar mais impostos. O Minist\u00e9rio da Economia j\u00e1 sinalizou que prepara uma Medida Provis\u00f3ria para endurecer as regras de importa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Uma das mudan\u00e7as que est\u00e1 sendo discutida \u00e9 a tributa\u00e7\u00e3o da importa\u00e7\u00e3o feita por pessoas f\u00edsicas por meio dessas plataformas digitais, independente do valor da compra. Economista da Associa\u00e7\u00e3o Comercial de S\u00e3o Paulo (ACSP), entidade respons\u00e1vel pela implanta\u00e7\u00e3o do Impost\u00f4metro, Marcel Solimeo, comenta que atualmente, tanto empresas brasileiras ou estrangeiras pagam impostos, entre eles o IPI quando \u00e9 o caso do imposto de importa\u00e7\u00e3o, o ICMS, al\u00e9m do PIS Cofins. As pessoas f\u00edsicas \u00a0\u00e9 que t\u00eam um tratamento diferenciado.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>???O que se pretende coibir s\u00e3o importa\u00e7\u00f5es que entram como sendo de pessoas f\u00edsicas, mas s\u00e3o feitas por plataformas e em \u00a0uma escala praticamente comercial \u00a0e, muitas vezes, com os valores e com a descri\u00e7\u00e3o do produto \u00a0n\u00e3o correspondendo a realidade para se enquadrar como pessoa f\u00edsica e para escapar de \u00a0uma tributa\u00e7\u00e3o maior???.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">At\u00e9 o dia 27 de maio (sexta-feira), o painel do Impost\u00f4metro registrou mais de R$ 1, 174 trilh\u00e3o de tributos pagos pelos contribuintes brasileiros aos governos federal, estaduais e municipais desde o in\u00edcio do ano. ???Quanto se paga hoje e quanto vai pagar depois da Medida Provis\u00f3ria pode variar muito. Geralmente, os itens considerados essenciais s\u00e3o tributados com al\u00edquotas baixas e outros produtos, muitas vezes em car\u00e1ter tempor\u00e1rio, tem uma al\u00edquota maior. Precisamos aguardar a MP???, refor\u00e7a Marcel Solimeo. \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Com\u00e9rcio Eletr\u00f4nico (Abcomm), Rodrigo Bandeira ressalta que toda e qualquer empresa que venda pela internet no Brasil sofre com a concorr\u00eancia de vendedores internacionais. ???Defendemos que as importa\u00e7\u00f5es ocorram dentro das regras vigentes e formais do Brasil. O caminho para tornar os sites brasileiros mais competitivos est\u00e1 em proporcionar o atendimento e o processo de compra algo extraordin\u00e1rio, com informa\u00e7\u00f5es detalhadas e \u00a0r\u00e1pidos prazos de entrega???, afirma Bandeira.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Em uma linha contr\u00e1ria ao que vem sendo defendido pelo Minist\u00e9rio da Economia, na \u00faltima semana, o presidente Jair Bolsonaro escreveu em post no seu perfil no Twitter que n\u00e3o vai assinar medidas que criem impostos para compras online feitas de fornecedores estrangeiros. ???N\u00e3o assinarei nenhuma MP (Medida Provis\u00f3ria) para taxar compras por aplicativos como Shopee, AliExpress, Shein???. \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Em nota, o Minist\u00e9rio da Economia disse que n\u00e3o iria se manifestar sobre o prazo para a publica\u00e7\u00e3o da MP e nem o post do presidente. Diante da pol\u00eamica da possibilidade (ou n\u00e3o) de uma regulamenta\u00e7\u00e3o, a Shopee e a Aliexpress argumentam que cumprem a legisla\u00e7\u00e3o \u00a0e que observam com aten\u00e7\u00e3o as movimenta\u00e7\u00f5es sobre eventuais mudan\u00e7as regulat\u00f3rias no e-commerce brasileiro. J\u00e1 a Schein n\u00e3o retornou o contato da reportagem. \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Evolu\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/> A empres\u00e1ria Ailyn Aquino, 27 anos, \u00e9 daquelas que n\u00e3o demorou muito para descobrir o caminho de garimpar as melhores ofertas nesses sites e na sua imensid\u00e3o de categorias. ???Atualmente tenho comprado muitas coisas para beb\u00ea como fraldas de pano, porta chupeta, len\u00e7ol. Nessa separa\u00e7\u00e3o por setor, vou nas ofertas que tem promo\u00e7\u00e3o ou busco o produto desejado e fa\u00e7o as compara\u00e7\u00f5es???. \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">J\u00e1 a enfermeira Maria Manoela Nogueira, 39 anos, compra de tudo pelo Shopee: bota, carteira e mosquiteiro. ???Qualquer coisa que decido comprar, olho antes l\u00e1 para ver se encontro mais barato. Levo sempre em considera\u00e7\u00e3o, as lojas com itens mais vendidos. Quanto mais, melhor???, garante Maria Manoela.<br \/> \u00a0<br \/> Olhando historicamente, os produtos chineses sempre foram comercializados com esse apelo do pre\u00e7o mais baixo. Afinal, quem n\u00e3o lembra da febre das lojas de R$ 1,99 no Brasil? Professor de Intelig\u00eancia Competitiva na Universidade Presbiteriana Mackenzie, Roberto Gondo Macedo explica que com o decorrer dos anos, muitos produtos come\u00e7aram a ter uma qualidade melhor, ganhar espa\u00e7o no mercado e eles vencem ainda em volume na efici\u00eancia log\u00edstica. O Brasil \u00e9 um mercado extremamente pertinente para o universo das empresas chinesas e isso se potencializou muito na pandemia.<br \/> \u00a0<br \/> ???Os grandes conglomerados conseguiram ir quebrando esse preconceito sobre a qualidade e a morosidade na entrega de produtos e essa evolu\u00e7\u00e3o vai ser sim uma pedra no sapato de com\u00e9rcios eletr\u00f4nicos nacionais. Isso n\u00e3o quer dizer, no entanto, que vai haver s\u00f3 um monop\u00f3lio chin\u00eas e quem vai perder s\u00e3o as empresas brasileiras. Por\u00e9m, o mercado vai ter que come\u00e7ar a conciliar for\u00e7as e o conv\u00edvio com os marketplaces estrangeiros???, opina. \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">S\u00f3 para se ter uma ideia dessa aposta no consumidor brasileiro, a Aliexpress hoje opera oito voos fretados semanais conectando o Brasil a distribuidores internacionais, afim de reduzir os prazos de entrega. O Brasil est\u00e1 entre os cinco mercados mais importantes em volume de vendas, no mundo. Nos planos da empresa est\u00e1 tamb\u00e9m a inaugura\u00e7\u00e3o de um centro de distribui\u00e7\u00e3o no pa\u00eds, \u00a0embora n\u00e3o haja um prazo espec\u00edfico para que isso aconte\u00e7a, conforme ressalta a diretora do AliExpress no Brasil, Briza Bueno.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>???O consumidor brasileiro de e-commerce, de um modo geral, \u00e9 bastante exigente e pesquisador. H\u00e1 algumas caracter\u00edsticas ainda, que s\u00e3o mais acentuadas no Brasil, como a op\u00e7\u00e3o por parcelar compras, m\u00e9todo que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o comum em outros mercados, e o fato de buscarem esclarecer d\u00favidas antes de fecharem as compras???. \u00a0<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>S\u00f3 uma olhadinha<\/strong><br \/> Tantas promo\u00e7\u00f5es e ofertas apontam para mais um segredo dos sites asi\u00e1ticos. De acordo com head para potencializar vendas da AGR Consultores, Rodrigo Catani, eles trabalham muito bem a compra por impulso. N\u00e3o por um acaso, a Shein lan\u00e7ou recentemente uma cole\u00e7\u00e3o exclusiva com a cantora Anitta, que nos \u00faltimos meses mobilizou uma imensid\u00e3o de f\u00e3s ao chegar no topo do \u00a0Spotify Global com a can\u00e7\u00e3o Envolver. A plataforma somou 6,391 milh\u00f5es de reprodu\u00e7\u00f5es da m\u00fasica por usu\u00e1rios em todo o mundo.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>???E a\u00ed entra o gatilho da novidade, da exclusividade, por sempre trazer produtos novos e ???antenados??? com o que est\u00e1 em alta no mercado, inclusive com abas com o nome tend\u00eancias ou \u00faltimos lan\u00e7amentos. Isso faz com que o consumidor sinta vontade de acessar o site com alta frequ\u00eancia???, <\/strong>comenta. <strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">Encontrar tudo no mesmo lugar \u00e9 mais um fator decisivo que favorece a compra. Muitos desses itens s\u00e3o conhecidos como produtos ???cauda longa???, ou seja, de \u00a0menor t\u00edquete m\u00e9dio e maior giro. Especialista em e-commerce e professor do Prime MBA da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Lucas Machado \u00a0comenta ainda que a diversidade \u00e9 mais uma estrat\u00e9gia que joga a favor dos e-commerces asi\u00e1ticos. \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???A pr\u00f3pria Shein trabalha com mais de 5 mil f\u00e1bricas pelo mundo, 80 mil op\u00e7\u00f5es de vestidos, vende para mais de 220 pa\u00edses, passando grandes marcas nacionais como Renner. Ent\u00e3o, com certeza, a quest\u00e3o da variedade \u00e9 algo que impacta muito, n\u00e3o s\u00f3 isso, mas encontrar uma diversidade de possibilidades. Podemos identificar tamb\u00e9m nesses sites &#8211; embora tenham a sensa\u00e7\u00e3o de com\u00e9rcio de rua &#8211; que eles j\u00e1 come\u00e7am a se ???tropicalizarem???, ficando um pouco mais ocidentais???.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">E naquela olhadinha ???s\u00f3 para ver o que h\u00e1 de novo??? \u00e9 onde mora o risco, como acrescenta o advogado da \u00e1rea de relacionamento do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), David Guedes: ???Sabemos que o consumidor brasileiro \u00e9 muito suscet\u00edvel a an\u00fancios de ofertas, promo\u00e7\u00f5es e vantagens na hora da compra e nesses sites e aplicativos h\u00e1 muito deste apelo. Independente do valor, n\u00e3o deixe de registrar todas as etapas da compra, desde o contato com o an\u00fancio at\u00e9 a confirma\u00e7\u00e3o de entrega do produto, fazendo prints para se resguardar caso venha a ocorrer algum problema???.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Advogada da Proteste Associa\u00e7\u00e3o de Consumidores, Bianca Caetano concorda. Principalmente porque no geral, os sites estrangeiros ainda precisam avan\u00e7ar no atendimento e comunica\u00e7\u00e3o com o cliente brasileiro. As queixas mais comuns registradas pela entidade est\u00e3o normalmente relacionadas ao descumprimento de oferta no que diz respeito ao n\u00e3o recebimento do produto, \u00a0prazo de entrega, produto diferente do adquirido e problemas no exerc\u00edcio do direito de arrependimento, al\u00e9m o ressarcimento dos valores pagos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???Primeiro o consumidor deve registrar reclama\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do site ou aplicativo, inclusive, com o vendedor atrelado a plataforma. E em caso de n\u00e3o encontrar uma solu\u00e7\u00e3o efetiva buscar plataformas e \u00f3rg\u00e3os de defesa do consumidor, como o Reclame da Proteste???, aconselha. \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>RANKING DOS PRODUTOS MAIS VENDIDOS VIA CROSS BORDER (SITES ESTRANGEIROS)<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>1.<\/strong>Moda e acess\u00f3rios 38%\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>2.<\/strong> Eletr\u00f4nicos 36%\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>3. <\/strong>Casa e decora\u00e7\u00e3o 24%\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>4.<\/strong> Inform\u00e1tica 21%\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>5.<\/strong> Brinquedos e games 17%\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>6. <\/strong>Cosm\u00e9ticos 17%\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>7.<\/strong> Telefonia e celulares 14%\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>8. <\/strong>Livros 13%\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>9.<\/strong> Esporte e lazer 10%\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>10.<\/strong> Acess\u00f3rios automotivos 16%\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Fonte: NielsenIQ Ebit\u00a0<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\"><\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>POR DENTRO DA LINGUAGEM DO COM??RCIO ONLINE<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>1. Cross Border <\/strong><br \/> Remete ao transporte de um produto de um pa\u00eds para o outro. Ou seja, consumidores brasileiros compram online em sites estrangeiros, principalmente China e Estados Unidos. Amazon, Shopee, Aliexpress e a Shein s\u00e3o exemplos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>2. Marketplace <\/strong><br \/> ?? um grande mercado online em que diferentes vendedores s\u00e3o conectados a essa vitrine com o objetivo de expor seus produtos e alcan\u00e7ar mais r\u00e1pido \u00a0seus consumidores. O marketplace cobra uma comiss\u00e3o dos vendedores em cada pedido e em caso de troca faz a intermedia\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m da Amazon, Aliexpress e o Shopee, o mercado nacional tem marketplaces como Magalu e Americanas. \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>3. Sellers \u00a0 <\/strong><br \/> S\u00e3o as empresas ou vendedores que efetivamente est\u00e3o vendendo dentro do marketplace.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>4. Players <\/strong><br \/> Grandes empresas de um determinado segmento. No caso do e-commerce nacional x crossborder, a disputa est\u00e1 concentrada entre as asi\u00e1ticas Shopee, Aliexpress e a Shein e as varejistas brasileiras Havan, Magalu, Americanas e Casas Bahia. \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>5. Fast fashions \u00a0 \u00a0<\/strong><br \/> ?? um modelo usado por alguns players do segmento de moda, em que o lan\u00e7amento de cole\u00e7\u00f5es n\u00e3o est\u00e1 mais concentrado em uma ou outra esta\u00e7\u00e3o do ano. A Zara \u00e9 um expoente desse conceito. Em termos de e-commerce, essa disrup\u00e7\u00e3o estimula a velocidade de renova\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as &#8211; \u00a0tamb\u00e9m presente na Shein.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>CONHE??A AS ASI\u00c1TICAS<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>. Shopee \u00a0<\/strong>Lan\u00e7ada em 2015 em Singapura, como uma plataforma de com\u00e9rcio eletr\u00f4nico para conectar vendedores, marcas e consumidores. Faz parte da Sea Limited. Come\u00e7ou a operar no Brasil em 2019. \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>. Shein \u00a0<\/strong> A empresa chinesa de com\u00e9rcio eletr\u00f4nico de fast fashion foi fundada em 2012 \u00a0e j\u00e1 atende a \u00a0150 pa\u00edses em todo o mundo. E um detalhe: n\u00e3o vende no seu pa\u00eds de origem. \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>. Aliexpress \u00a0<\/strong> Lan\u00e7ado na China em 2010 pelo grupo de tecnologia Alibaba, que opera em mais de 200 pa\u00edses. O Brasil est\u00e1 entre os cinco mercados mais importantes da marca. A vers\u00e3o em portugu\u00eas entrou em opera\u00e7\u00e3o tr\u00eas anos depois. \u00a0A funda\u00e7\u00e3o da empresa foi liderada pelo executivo chin\u00eas Jack Ma (Ma Yun).<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>&#8216;PEGADINHAS&#8217; DA CHINA<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>. O coment\u00e1rio tem mais credibilidade do que voc\u00ea imagina <\/strong>Se for comprar algum produto desconhecido do mercado nacional, tenha cuidado para n\u00e3o cair em uma cilada. Diferen\u00e7a do que chegou quando comparado a foto postada no site, tamanho e cor podem transformar a compra em frustra\u00e7\u00e3o. Por mais que voc\u00ea confira todas as especifica\u00e7\u00f5es, o ideal \u00e9 procurar as avalia\u00e7\u00f5es de consumidores brasileiros que j\u00e1 adquiriram aquele item. Fique atento tamb\u00e9m a avalia\u00e7\u00e3o da loja e do vendedor. \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>. Limites de isen\u00e7\u00e3o<\/strong> Compras acima de 50 d\u00f3lares s\u00e3o taxadas, ent\u00e3o \u00e9 preciso prestar aten\u00e7\u00e3o ao imposto que ser\u00e1 pago para o mais barato n\u00e3o sair caro. \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>. Nem tudo pode ser novo <\/strong>Alguns destes sites vendem produtos (principalmente eletr\u00f4nicos) recondicionados (refurbished) ??? ou seja, aqueles que foram devolvidos ao fabricante &#8211; mas nem sempre deixam isso claro para o consumidor. \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>. Prazos <\/strong>\u00a0Ainda que os e-commerces tenham avan\u00e7ado muito na redu\u00e7\u00e3o do prazo de entrega fica a dica para n\u00e3o confiar tanto assim que aquele produto vai cumprir totalmente o limite do tempo de entrega. Vale comprar com anteced\u00eancia. \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>. Central de Atendimento ao Cliente em evolu\u00e7\u00e3o<\/strong> Geralmente, as principais queixas que chegam at\u00e9 as entidades de prote\u00e7\u00e3o ao consumidor s\u00e3o relativas \u00a0ao descumprimento de oferta, \u00a0prazo de entrega, produto diferente do adquirido e problemas no exerc\u00edcio do direito de arrependimento, al\u00e9m o ressarcimento dos valores pagos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>?? PROIBIDO<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">A legisla\u00e7\u00e3o brasileira pro\u00edbe o com\u00e9rcio online, importa\u00e7\u00e3o, tr\u00e2nsito e a exporta\u00e7\u00e3o de armas, animais e plantas silvestres, bebidas alco\u00f3licas, diamantes (pedras mesmo trabalhadas, mas n\u00e3o montadas, ou seja, classificadas na posi\u00e7\u00e3o 7102 da Nomenclatura Comum do Mercosul\/ NCM), subst\u00e2ncias entorpecentes ou drogas, fumo e qualquer outro produto de tabacaria, moedas em esp\u00e9cie e produtos proibidos pelos \u00f3rg\u00e3os de controle administrativo de sa\u00fade, metrologia, seguran\u00e7a p\u00fablica, prote\u00e7\u00e3o ao meio ambiente, controles sanit\u00e1rios, fitossanit\u00e1rios e zoossanit\u00e1rios. Regras e mais informa\u00e7\u00f5es est\u00e3o dispon\u00edveis no site da Receita Federal (www.gov.br\/receitafederal). \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Sementes e mudas\u00a0<\/strong><br \/> No caso de sementes e mudas, a importa\u00e7\u00e3o \u00e9 controlada pelo Minist\u00e9rio da Agricultura (MAPA) e deve atender requisitos de fitossanidade, qualidade e identidade. As regras estabelecidas pelo Mapa aplicam-se para qualquer modalidade de compra, inclu\u00edda a compra eletr\u00f4nica com entrega via remessa expressa ou postal. \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>PRINCIPAIS SITES ESTRANGEIROS<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>1. Shopee (<\/strong><strong>@shopee_br<\/strong>)\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">www.shopee.com.br<\/p>\n<p><strong>2. Shein (<\/strong><strong>@sheinbrasil_<\/strong>)\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">br.shein.com<\/p>\n<p><strong>3. Aliexpress (<\/strong><strong>@aliexpress<\/strong>)\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">pt.aliexpress.com<\/p>\n<p><strong>4. Amazon (<\/strong><strong>@amazonbrasil<\/strong>)\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">www.amazon.com.br<\/p>\n<p><strong>5. Mercado Livre (<\/strong><strong>@mercadolivre<\/strong>)\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">www.mercadolivre.com.br<\/p>\n<p><strong>6. Ebay (<\/strong><strong>@ebay_brasil<\/strong>)\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">www.ebay.com<\/p>\n<p><strong>10.\u00a0Wish (<\/strong><strong>@wish_br<\/strong>)\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">www.wish.com\/br<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><\/p>\n<p class=\"bodytext\"><\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>ENTREVISTA: ANA FERNANDA SOUZA<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>???A solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 comprar ou deixar de comprar nas fast fashions???\u00a0<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Uma coisa \u00e9 comprar de uma marca que reflita seus valores. Outra, \u00e9 achar que n\u00e3o comprar nas fast fashions vai impedir que haja impactos ambientais ou o trabalho escravo associado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o. Membro do Comit\u00ea Racial do Instituto Fashion Revolution Brasil e representante do Fashion Revolution Salvador, a jornalista Ana Fernanda Souza chama aten\u00e7\u00e3o para um contexto que \u00e9 bem mais denso do que comprar uma blusinha na Shein e envolve uma mudan\u00e7a de comportamento, na verdade mesmo, \u00e9 de quem toma as decis\u00f5es de impactos \u00a0estruturais, ou seja, empresas e governos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???A Zara n\u00e3o est\u00e1 preocupada comigo, a Shein menos ainda. A decis\u00e3o de compra passa mais pela coer\u00eancia com nossos valores e n\u00e3o na inten\u00e7\u00e3o de boicotar uma marca ou outra???, defende. Idealizadora do Coletivo Justa Moda, Ana Fernanda traz algumas reflex\u00f5es sobre as cr\u00edticas \u00e0s fast fashions. Veja na entrevista. \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>&#8216;A roupa baratinha que voc\u00ea compra na Shein todo m\u00eas tem um pre\u00e7o muito alto&#8217;. Qual a maior cr\u00edtica atualmente \u00e0s fast fashions? \u00a0<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">A maior cr\u00edtica as fast fashions \u00e9 no ponto de vista da sustentabilidade. Na verdade, da \u00a0insustentabilidade do \u00a0modelo. Ou seja, pela sua agilidade, alto consumo de \u00a0mat\u00e9ria prima, quantidade de roupas, cole\u00e7\u00f5es lan\u00e7adas m\u00eas a m\u00eas, \u00e0s vezes, \u00a0semana a semana ??? como a gente est\u00e1 vendo a\u00ed com as ultra fast fashions, como \u00e9 o caso \u00a0da Shein.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Ela n\u00e3o \u00e9 em si, sustent\u00e1vel porque ele reproduz um paradigma ultrapassado, mas que a gente conhece bem, de agir como se os recursos naturais fossem infinitos, mas eles n\u00e3o s\u00e3o. Isso se aplica, inclusive, quando a gente pensa em ???recursos naturais mais sustent\u00e1veis???, como o algod\u00e3o org\u00e2nico ou a viscose certificada ou qualquer outra \u00a0mat\u00e9ria prima que tenha esse selo eco. Mesmo esses produtos, eles consomem \u00e1gua, precisam de solo, consomem mat\u00e9rias primas que acabam. S\u00e3o neg\u00f3cios que precisam se readaptar a isso. \u00a0<\/p>\n<p class=\"text-center\">*<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Parte da solu\u00e7\u00e3o \u00e9 mesmo parar de comprar na fast fashions? Por que o problema \u00e9 muito mais estrutural do que de uma atitude sustent\u00e1vel do consumidor? \u00a0<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">A gente n\u00e3o pode pensar nunca em dar uma solu\u00e7\u00e3o individual a um problema que \u00e9 coletivo. Mas sim, em solu\u00e7\u00f5es coletivas e de longo alcance. Isso \u00e9 uma quest\u00e3o. \u00a0O segundo ponto tem rela\u00e7\u00e3o com o pr\u00f3prio ato de consumir. Consumir e refletir sobre o consumo \u00e9 uma coisa que uma m\u00ednima parte da sociedade pode fazer, no sentido do alto \u00edndice de pobreza que grande parcela da popula\u00e7\u00e3o enfrenta. Uma escolha baseada em consumo seria uma escolha que apenas a menor parte da humanidade poderia abra\u00e7ar. \u00a0<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Por isso, a solu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 comprar ou deixar de comprar nas fast fashions. A gente precisa buscar alternativas que sejam positivas e que passam por lideran\u00e7as ??? ambientais, governamentais e empresariais ??? que precisam tomar atitudes relacionadas a esses assuntos como a redu\u00e7\u00e3o de gases do efeito estufa, a busca de energias renov\u00e1veis n\u00e3o poluentes, o fim do desmatamento.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">Sejam elas fast fashions ou n\u00e3o, \u00a0os governos precisam regular isso melhor e determinar padr\u00f5es mais altos, multas ambientais que realmente funcionem, que seja aplicadas com valores revertidos \u00a0para mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, por exemplo. Isso sim, s\u00e3o solu\u00e7\u00f5es coletivas que n\u00e3o passam por essa esfera do onde eu vou comprar.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Claro que cada pessoa fica livre para comprar de marcas que melhor reflitam seus valores, mesmo que a gente saiba que o impacto disso \u00e9 pequeno sempre buscamos fazer o melhor. \u00a0<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"1000\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/9\/1\/csm_28052022PN0102_9be0af1fdf.jpg\" width=\"667\"\/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><strong>&#8216;Os governos precisam regular isso melhor e determinar padr\u00f5es mais altos&#8217;, defende Ana Fernanda<\/strong><br \/> \t\t\t(Foto: Acervo Pessoal)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"text-center\">*<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>O buraco \u00e9 mesmo muito mais em baixo do que comprar ou n\u00e3o no brech\u00f3? \u00a0<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Comprar ou n\u00e3o em brech\u00f3 \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o individual e que n\u00e3o atinge todas as pessoas como por exemplo, mulheres e homens com corpos gordos, com defici\u00eancia ou fora do padr\u00e3o \u00a0que nem sempre est\u00e3o contemplados. Ali\u00e1s, um dos argumentos que as pessoas que gostam de comprar na Shein costumam usar \u00a0\u00e9 que a marca contempla bem os corpos gordos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Comprar ou n\u00e3o em brech\u00f3, mesmo que a pessoa goste muito ou queira, nem sempre ela vai conseguir. Mais uma vez \u00e9 um esfor\u00e7o baseado em uma solu\u00e7\u00e3o individual. Apesar disso, a compra em brech\u00f3 \u00e9 o habito de prolongar a vida \u00fatil das roupas. Com o uso dos brech\u00f3s, isso \u00e9 muito positivo. Por\u00e9m, mais uma vez, n\u00e3o vai impedir os impactos das fast fashions. \u00a0<\/p>\n<p class=\"text-center\">*<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Por que o consumidor n\u00e3o pode ser culpado pelo o impacto das fast fashions? \u00a0De quem \u00e9 a culpa efetivamente?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Eu n\u00e3o culparia o consumidor porque estamos todos n\u00f3s somos submetidos a um sistema de produ\u00e7\u00e3o que incentiva o consumo, o desejo e a moda ela \u00e9 muito eficiente em \u00a0querer coisas que a gente n\u00e3o precisa. Querer comprar mais, a roda gira um pouco assim.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Claro que podemos comprar menos, mas estamos dentro de um sistema que funciona desse jeito. ?? muito mais simples comprar na fast fashion. \u00a0Voc\u00ea tem o e-commerce com todas tecnologias para descobrir qual o seu corpo, parcela em tantas vezes, voc\u00ea pode comprar a qualquer hora, ent\u00e3o, tudo nos leva a comprar.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>A gente tem que pensar em solu\u00e7\u00f5es globais. Quando a gente come\u00e7ar a refletir o sistema como um todo e tomar a\u00e7\u00f5es no sentido de mudar esse sistema a\u00ed eu acho que vamos estar mais perto dessa transforma\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">A solu\u00e7\u00e3o passa por redistribui\u00e7\u00e3o de riquezas, justi\u00e7a social, equidade social e n\u00e3o por reduzir o consumo, porque a maioria das pessoas sequer tem a comida que precisa para o dia dia, quem dir\u00e1 para consumir moda numa quantidade suficiente a ponto de impactar o meio ambiente. \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>QUEM ??<br \/> Ana Fernanda Souza <em>\u00e9<\/em><\/strong><em> jornalista, Idealizadora do Coletivo Justa Moda, membro do Comit\u00ea Racial do Instituto Fashion Revolution Brasil e representante do\u00a0Fashion Revolution Salvador. \u00a0<\/em><\/p>\n<p class=\"bodytext\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Menor pre\u00e7o, variedade, abordagem insistente. 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