{"id":156386,"date":"2022-05-28T07:03:42","date_gmt":"2022-05-28T10:03:42","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/05\/o-quarto-da-empregada-ainda-e-uma-realidade-afirma-eliana-alves-cruz\/"},"modified":"2022-05-28T07:03:42","modified_gmt":"2022-05-28T10:03:42","slug":"o-quarto-da-empregada-ainda-e-uma-realidade-afirma-eliana-alves-cruz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/05\/28\/o-quarto-da-empregada-ainda-e-uma-realidade-afirma-eliana-alves-cruz\/","title":{"rendered":"&#8220;O quarto da empregada ainda \u00e9 uma realidade&#8221;, afirma  Eliana Alves Cruz"},"content":{"rendered":"<p class=\"bodytext\">\n<p class=\"bodytext\">A trama de Solit\u00e1ria, quarto romance da escritora carioca Eliana Alves Cruz, se passa em um edif\u00edcio de luxo no Rio de Janeiro. Mas poderia ser em outra cidade grande qualquer, por dois motivos: primeiro, porque a narrativa \u00e9 intencionalmente restrita aos ambientes internos; e depois, porque fala de uma das mais perversas heran\u00e7as da escravid\u00e3o: a presen\u00e7a da empregada dom\u00e9stica que mora com os patr\u00f5es, ocupando o quartinho a ela destinado. \u00a0\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???Poderia ser em qualquer lugar de classe m\u00e9dia alta, em qualquer capital do pa\u00eds???, afirma Eliana, que est\u00e1 em Salvador para lan\u00e7ar o livro neste s\u00e1bado, em evento \u00e0s 11h na livraria LDM do Shopping Bela Vista. Ela conversa com a jornalista V\u00e2nia Dias sobre o trabalho, que marca sua estreia na editora Companhia das Letras, e tamb\u00e9m na prosa te tom contempor\u00e2neo, depois dos tr\u00eas romances hist\u00f3ricos: \u00c1gua de Barrela (2015), Cais do Valongo (2018) e Nada Digo de Ti que Em Te N\u00e3o Veja (2020). \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u00a0???O Solit\u00e1ria j\u00e1 estava na minha cabe\u00e7a desde \u00c1gua de Barrela, mas a\u00ed veio a pandemia, \u00a0desenhando de forma explicita todos os resqu\u00edcios da escravid\u00e3o no nosso pa\u00eds, pois a elite n\u00e3o conseguiu ficar sem seus servi\u00e7ais e fomos vendo todo tipo de trag\u00e9dia se desenhar, os casos de trabalho an\u00e1logos \u00e0 escravid\u00e3o, a morte do menino Miguel???, enumera Eliana, que \u00e9 jornalista e assina uma coluna no UOL Esportes.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">O romance n\u00e3o \u00e9 sobre a pandemia, mas tem seu desfecho quando a doen\u00e7a est\u00e1 instalada e usa a morte de Miguel ???que caiu do quinto andar, por neglig\u00eancia da patroa de sua m\u00e3e ??? como simbolismo da rela\u00e7\u00e3o perniciosa que ainda sobrevive em muitos lares.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A trama \u00e9 sobre Eunice, a empregada, e sua filha Mabel, e os embates em torno de suas subjetividades e do desejo de mudarem de vida. O livro \u00e9 divido em tr\u00eas partes: a primeira \u00e9 narrada por Mabel e j\u00e1 come\u00e7a com a seguinte frase: ???M\u00e3e&#8230; a senhora precisa se libertar destas pessoas&#8230; A senhora n\u00e3o deve nada a elas, pelo contr\u00e1rio???. Mabel ser\u00e1 a mola propulsora para Eunice romper os v\u00ednculos &#8211; inclusive afetivos.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A segunda parte traz o ponto de vista de Eunice e a \u00faltima, dos espa\u00e7os frequentados por elas, com destaque para o quarto da empregada. ???Todo quarto de empregada \u00e9 pr\u00f3ximo \u00e0 grande lixeira da casa, porque est\u00e1 sempre no fundo do profundo do im\u00f3vel. N\u00f3s, os ???quartinhos???, estamos sempre perto dos odores da vida das pessoas que n\u00e3o nos habitam???, reflete o quartinho.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Apesar das muitas den\u00fancias que faz no livro, Eliana afirma que seu objetivo \u00e9 falar sobre liberta\u00e7\u00e3o. ???Quem \u00e9 realmente livre no Brasil hoje????, questiona a escritora, cuja fam\u00edlia \u00e9 de origem baiana. \u00a0Ela faz uma clara defesa do direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o como transforma\u00e7\u00e3o. \u00a0???Quem \u00e9 de uma fam\u00edlia negra e nunca ouviu algu\u00e9m falar ???voc\u00ea vai estudar para chegar onde cheguei??????? diz Eliana, acrescentando que as cerca de 6 milh\u00f5es de empregadas dom\u00e9sticas do Brasil, 80% negras, ainda vivem em uma situa\u00e7\u00e3o de muita invisibilidade, sem terem seus direitos b\u00e1sicos assegurados.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u00a0???O quarto de empregada ainda \u00e9 uma realidade, mesmo que ele n\u00e3o exista mais???, pontua\u00a0Eliana, acrescentando que n\u00e3o retratar a empregada dom\u00e9stica na fic\u00e7\u00e3o \u00e9 uma forma de apagamento dentro do apagamento. ????? um trabalho digno e \u00e9 a hist\u00f3ria de muita gente. A arte brasileira precisa mostrar estas vozes???. \u00a0<br \/> \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">FICHA<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Livro: Solit\u00e1ria<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Autora: Eliana Alves Cruz<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Editora: Companhia das Letras<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Pre\u00e7o : R$ 55 e R$ 35 (e-book)<\/p>\n<h3><strong>Fim de semana<\/strong><\/h3>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"el\u00edsio\" height=\"688\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/9\/8\/csm_Exposicao_Bencao_Elisio_Pitta_13a7b5e387.jpg\" title=\"exposi\u00e7\u00e3o\" width=\"1000\"\/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Fotografia de El\u00edsio Pitta est\u00e1 na mostra B\u00ean\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Casa Rosa abre exposi\u00e7\u00f5es de diferentes linguagens<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Instalado em um belo casar\u00e3o no Rio Vermelho, a Casa Rosa est\u00e1 com programa\u00e7\u00e3o interessante e diversificada, que combina arte e gastronomia. Quem quiser passar l\u00e1 s\u00f3 para conhecer o espa\u00e7o pode curtir gratuitamente as exposi\u00e7\u00f5es que ocupam os diferentes espa\u00e7os da casa. No Foyer, o artista Nuno Ramos apresenta Chama, uma instala\u00e7\u00e3o reflexiva sobre a vida, lan\u00e7ada em S\u00e3o Paulo em 2021; e o estilista Fause Haten traz sua obra O Monstro , escultura em porcelana branca vitrificada, composta por 4 autorretratos do artista.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">No Mezanino est\u00e1 a Exposi\u00e7\u00e3o Cartas D???\u00c1gua, que traz obras de arte de 6 artistas e 16 crian\u00e7as de 3 a 10 anos, levando o p\u00fablico a refletir sobre a singularidade dos olhares das diversas inf\u00e2ncias. E na Sala Rosa, o p\u00fablico poder\u00e1 navegar pela Exposi\u00e7\u00e3o Ben\u00e7\u00e3o, composta por 100 artistas consagrados e da nova gera\u00e7\u00e3o, que apresentam 200 obras de variadas linguagens: entre eles, Adenor Gondim, Adriana Hita, Alberto Pitta, Alex Sim\u00f5es, Bel Borba, El\u00edsio Pitta e J. Cunha, entre outros. das Visita\u00e7\u00e3o de quinta a domingo, 14h \u00e0s 18h, at\u00e9 10\/07.<br \/> \u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A trama de Solit\u00e1ria, quarto romance da escritora carioca Eliana Alves Cruz, se passa em um edif\u00edcio de luxo no Rio de Janeiro. 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