{"id":156989,"date":"2022-05-29T13:33:57","date_gmt":"2022-05-29T16:33:57","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/05\/cientistas-criam-espuma-biodegradavel-capaz-de-curar-feridas-na-pele\/"},"modified":"2022-09-23T12:26:13","modified_gmt":"2022-09-23T15:26:13","slug":"cientistas-criam-espuma-biodegradavel-capaz-de-curar-feridas-na-pele","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/05\/29\/cientistas-criam-espuma-biodegradavel-capaz-de-curar-feridas-na-pele\/","title":{"rendered":"Cientistas criam espuma biodegrad\u00e1vel capaz de curar feridas na pele"},"content":{"rendered":"<p>ANA BOTTALLO<br \/>S??O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Pesquisadores desenvolveram um tipo de curativo biodegrad\u00e1vel para tratar feridas na pele que teve sucesso em interromper o processo inflamat\u00f3rio e melhorou a irriga\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea em compara\u00e7\u00e3o aos tratamentos convencionais dispon\u00edveis.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>A vantagem, segundo os cientistas, \u00e9 que a nova tecnologia \u00e9 mais barata do que o tratamento considerado &#8220;padr\u00e3o-ouro&#8221; atualmente.<\/p>\n<p>De acordo com eles, o curativo, que \u00e9 feito de uma espuma biodegrad\u00e1vel absorvente, teve uma performance que resultou em uma recupera\u00e7\u00e3o maior da pele no per\u00edodo de at\u00e9 24 dias em rela\u00e7\u00e3o a outros dois curativos j\u00e1 existentes.<\/p>\n<p>O produto foi testado na pele de porcos, mas os cientistas acreditam que os resultados promissores indicam que a efic\u00e1cia deve ser boa quando ele for testado em humanos.<\/p>\n<p>A descoberta foi publicada no \u00faltimo m\u00eas na revista cient\u00edfica especializada Science Translational Medicine. O estudo \u00e9 fruto de uma parceria de pesquisadores de diversos institutos da Universidade Vanderbilt, no estado americano do Tennessee.<\/p>\n<p>De acordo com os cientistas, os tratamentos existentes para curar ferimentos cr\u00f4nicos possuem limita\u00e7\u00f5es, como n\u00e3o atuar no processo de resposta imune ou liberar fragmentos na pele que aumentam a acidifica\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas e acabam gerando um processo inflamat\u00f3rio.<br \/>H\u00e1 oito anos, os engenheiros do universidade americana criaram uma espuma porosa feita de material derivado do poliuretano, que \u00e9 biodegrad\u00e1vel e absorvido totalmente pela pele durante o processo de cicatriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No experimento realizado em modelos animais, os cientistas testaram quatro tipos distintos de espuma com n\u00edveis variados de hidrofilia (paix\u00e3o pela \u00e1gua, isto \u00e9, ela puxa a \u00e1gua, em vez de repeli-la). Como os demais curativos existentes s\u00e3o hidrof\u00f3bicos (repelem a \u00e1gua), os pesquisadores queriam testar qual o papel da \u00e1gua no processo de recupera\u00e7\u00e3o de uma ferida.<\/p>\n<p>Primeiro, eles viram que as feridas cr\u00f4nicas possuem uma alta concentra\u00e7\u00e3o de chamados elementos de oxig\u00eanio reativo (ROS, na sigla em ingl\u00eas), que s\u00e3o liberados no processo de degrada\u00e7\u00e3o celular durante a necrose e inflama\u00e7\u00e3o da pele.<\/p>\n<p>Essa libera\u00e7\u00e3o de oxig\u00eanio retarda o processo de cura e danifica as c\u00e9lulas adjacentes. Os pesquisadores viram ent\u00e3o que o curativo reage diretamente com esses elementos fazendo a sua remo\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de proporcionar o crescimento de c\u00e9lulas novas &#8220;limpas&#8221; e eliminar toxinas celulares liberadas pela atividade de necrose do tecido, possuindo assim propriedades regenerativas.<\/p>\n<p>Segundo Craig Duvall, bioengenheiro da Universidade Vanderbilt e autor correspondente do estudo, as espumas criadas em seu laborat\u00f3rio permitem que as c\u00e9lulas da ferida cres\u00e7am na espuma e sofram degrada\u00e7\u00e3o, enquanto reagem com os ROS devido \u00e0 sua afinidade por \u00e1gua.<br \/>&#8220;Quando o curativo reage com os ROS presentes no tecido, reduz a concentra\u00e7\u00e3o desses elementos nas feridas, diminuindo o estresse oxidativo. Quanto mais hidrof\u00edlicos s\u00e3o os materiais, mais reativos eles s\u00e3o com esses elementos, isto \u00e9, acaba tendo propriedade antioxidativa&#8221;, explicou.<\/p>\n<p>Com o tempo, o curativo \u00e9 degradado e o tecido regenerado substitui totalmente aquele danificado, completou ele. O uso desse curativo, por\u00e9m, ser\u00e1 limitado para ambiente hospitalar com aten\u00e7\u00e3o de um m\u00e9dico ou profissional da sa\u00fade.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisa, doen\u00e7as cr\u00f4nicas que causam feridas na pele, como diabetes, obesidade e doen\u00e7as vasculares, possuem custo anual nos Estados Unidos de mais de US$ 96 bilh\u00f5es (cerca de R$ 500 bilh\u00f5es). Aproximadamente 4,5 milh\u00f5es de pessoas s\u00e3o atendidas todos os anos no pa\u00eds com ferimentos cr\u00f4nicos ou causados por acidentes e queimaduras, que necessitam de um longo tempo de recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os curativos j\u00e1 dispon\u00edveis s\u00e3o feitos de materiais com col\u00e1geno ou poli\u00e9ster. No caso do primeiro, considerado &#8220;padr\u00e3o-ouro&#8221;, o principal problema, al\u00e9m do custo elevado de US$ 3.885 (R$ 18.742) por um peda\u00e7o de 129 cm2, \u00e9 que eles n\u00e3o oferecem uma resposta imunol\u00f3gica no local. No segundo caso, apesar do custo menor, de cerca de US$ 850 (cerca de R$ 4.100), eles s\u00e3o quebrados em mol\u00e9culas pequenas no interior da pele que podem aumentar o pH celular e piorar o processo inflamat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Duvall afirma que o novo curativo pode ser manufaturado em larga escala, com custo similar ao do material de poli\u00e9ster. &#8220;Vamos continuar refinando o produto para ter a melhor efic\u00e1cia poss\u00edvel e esperamos come\u00e7ar em breve testes em humanos&#8221;, disse.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ANA BOTTALLOS??O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Pesquisadores desenvolveram um tipo de curativo biodegrad\u00e1vel para tratar feridas na pele que teve sucesso em interromper o\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":156990,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[81],"tags":[],"class_list":["post-156989","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/156989","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=156989"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/156989\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=156989"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=156989"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=156989"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}