{"id":159947,"date":"2022-06-02T15:13:52","date_gmt":"2022-06-02T18:13:52","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/06\/por-que-pib-nao-e-o-indicador-que-mais-influencia-eleitor-segundo-economistas\/"},"modified":"2022-06-02T15:13:52","modified_gmt":"2022-06-02T18:13:52","slug":"por-que-pib-nao-e-o-indicador-que-mais-influencia-eleitor-segundo-economistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/06\/02\/por-que-pib-nao-e-o-indicador-que-mais-influencia-eleitor-segundo-economistas\/","title":{"rendered":"Por que PIB n\u00e3o \u00e9 o indicador que mais influencia eleitor, segundo economistas"},"content":{"rendered":"<p>A economia brasileira cresceu 1% no primeiro trimestre de 2022, em compara\u00e7\u00e3o com os tr\u00eas \u00faltimos meses de 2021, informou nesta quinta-feira (2\/6) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica).<\/p>\n<p>Na compara\u00e7\u00e3o com igual per\u00edodo do ano anterior, o PIB (Produto Interno Bruto) apresentou crescimento de 1,7%. Em valores correntes, o PIB chegou a R$ 2,249 trilh\u00f5es. <\/p>\n<p>O resultado era esperado por analistas. Segundo especialistas consultados pela BBC News Brasil, o crescimento traduz resultados positivos impulsionados pela reabertura econ\u00f4mica e uma recupera\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho, somados \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o das commodities no cen\u00e1rio global.<\/p>\n<p>A retomada \u00e9 impulsionada pelo setor de servi\u00e7os, que cresceu 1% no primeiro trimestre de 2022, segundo o IBGE.<\/p>\n<p>Mas, de acordo com cientistas pol\u00edticos e economistas, a divulga\u00e7\u00e3o do dado n\u00e3o deve ter grande impacto na decis\u00e3o de voto do eleitorado brasileiro.<\/p>\n<p>Isso porque, segundo os especialistas, o resultado positivo do PIB nem sempre est\u00e1 alinhado com uma sensa\u00e7\u00e3o positiva e otimista em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 economia entre a popula\u00e7\u00e3o. Outros fatores, como a alta da infla\u00e7\u00e3o e as taxas de desemprego, podem pesar muito mais no momento em que o brasileiro vai \u00e0 urna.<\/p>\n<ul>\n<li>Quem s\u00e3o os 5% de eleitores que acham que Brasil vive bom momento econ\u00f4mico<\/li>\n<li>&#8216;Brasil n\u00e3o tem s\u00f3 que combater pobreza, mas melhorar vida de todos os brasileiros&#8217;, diz pesquisador sobre sal\u00e1rio m\u00ednimo<\/li>\n<\/ul>\n<p>Puxada pelo valor de alguns alimentos e dos combust\u00edveis, a infla\u00e7\u00e3o oficial de pre\u00e7os no Brasil alcan\u00e7ou 12,13% em maio, no acumulado dos \u00faltimos 12 meses, segundo o IPCA (\u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor).<\/p>\n<p>&#8220;Na minha experi\u00eancia, o crescimento do PIB em um patamar como esse demora a refletir em uma sensa\u00e7\u00e3o positiva na opini\u00e3o p\u00fablica. Especialmente porque o crescimento \u00e9 normalmente observado de forma heterog\u00eanea entre as diferentes regi\u00f5es e setores da popula\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Mauricio Moura, presidente do Instituto Ideia e professor da Universidade George Washington, nos EUA. <\/p>\n<p>Segundo o doutor em economia e pol\u00edtica, a maior parte do eleitorado n\u00e3o est\u00e1 atenta \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o de \u00edndices macroecon\u00f4micos, mas sim \u00e0 forma como a economia afeta seu dia a dia. <\/p>\n<p>&#8220;As pessoas est\u00e3o lidando com a dificuldade de pagar contas, encontrar emprego e sobreviver &#8211; e muitas vezes n\u00e3o entendem como os dados de crescimento que veem na televis\u00e3o podem dialogar com a perda de renda que observam no seu dia a dia&#8221;, afirma Moura.<\/p>\n<p>Rodolfo Margato, economista da XP, pondera que o cen\u00e1rio macroecon\u00f4mico atual produz sinais mistos para a percep\u00e7\u00e3o do consumidor e do trabalhador.<\/p>\n<p>&#8220;Por um lado, observamos um crescimento da confian\u00e7a dos consumidores e dos empres\u00e1rios na economia no per\u00edodo recente, o que est\u00e1 diretamente relacionado ao melhor desempenho do PIB e a uma melhora no mercado de trabalho&#8221;, diz o especialista.<\/p>\n<p>&#8220;Mas tem o outro lado da hist\u00f3ria: uma infla\u00e7\u00e3o bastante elevada, que acaba machucando o sentimento econ\u00f4mico da popula\u00e7\u00e3o&#8221;, complementa Margato. <\/p>\n<ul>\n<li>O retrato da disparada da infla\u00e7\u00e3o no &#8216;prato feito&#8217; brasileiro<\/li>\n<\/ul>\n<p>O \u00cdndice de Confian\u00e7a Empresarial (ICE), calculado pela Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV) e citado pelo especialista, avan\u00e7ou 2,9 pontos de abril para maio deste ano. Essa foi a terceira alta consecutiva do indicador, que atingiu 97,4 pontos, em uma escala de 0 a 200 pontos, o maior n\u00edvel desde outubro de 2021 (100,4 pontos).<\/p>\n<p>Quando se trata do mercado de trabalho, o principal \u00edndice de avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 a taxa de desemprego. Segundo a \u00faltima divulga\u00e7\u00e3o do IBGE, de 31 de maio, a taxa caiu para 10,5% no trimestre encerrado em abril, para o menor n\u00edvel desde 2016. Mas a falta de trabalho ainda atinge 11,3 milh\u00f5es de brasileiros.<\/p>\n<h3>O que est\u00e1 por tr\u00e1s do crescimento da economia?<\/h3>\n<p>De acordo com os dados divulgados pelo IBGE, houve queda na Agropecu\u00e1ria (-0,9%), mas estabilidade na Ind\u00fastria (0,1%) e eleva\u00e7\u00e3o dos Servi\u00e7os (1%) no primeiro trimestre de 2022. <\/p>\n<p>No setor externo, as Exporta\u00e7\u00f5es de Bens e Servi\u00e7os cresceram 5%, enquanto as Importa\u00e7\u00f5es de Bens e Servi\u00e7os ca\u00edram 4,6% em rela\u00e7\u00e3o ao quarto trimestre de 2021.<\/p>\n<p>Segundo Margato, os maiores fatores que impulsionam a alta do PIB s\u00e3o a reabertura econ\u00f4mica ap\u00f3s a pandemia, a valoriza\u00e7\u00e3o das commodities no cen\u00e1rio global e a recupera\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho. <\/p>\n<p>&#8220;O primeiro fator por tr\u00e1s desse crescimento, e talvez o mais importante, \u00e9 a reabertura econ\u00f4mica com o benef\u00edcio adicional da flexibiliza\u00e7\u00e3o mais recentes de medidas restritivas contra \u00e0 covid-19, como a n\u00e3o obrigatoriedade do uso de m\u00e1scara em locais fechados, especialmente nas \u00e1reas de varejo e lazer&#8221;, diz o economista.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, os patamares bastante elevados de pre\u00e7os de commodities no mercado global t\u00eam beneficiado o Brasil, que \u00e9 um grande exportador l\u00edquido de commodities como a soja e o min\u00e9rio de ferro. <\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 um impacto direto sobre os setores que exportam commodities, como o agroneg\u00f3cio e o extrativismo mineral. A rentabilidade maior acaba ainda transbordando para outras atividades, como com\u00e9rcio e servi\u00e7os.&#8221;<\/p>\n<p>Por fim, Margato explica que com a reabertura da economia, muitas atividades e servi\u00e7os que s\u00e3o intensivos em m\u00e3o de obra passaram a contratar mais nos \u00faltimos meses. <\/p>\n<p>&#8220;?? verdade que em termos de sal\u00e1rio m\u00e9dio os n\u00edveis ainda est\u00e3o relativamente baixos, ainda muito aqu\u00e9m do que observ\u00e1vamos antes da pandemia, mas h\u00e1 sinais inequ\u00edvocos de uma recupera\u00e7\u00e3o s\u00f3lida do emprego&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A previs\u00e3o da XP \u00e9 de que a tend\u00eancia de crescimento da economia se mantenha tamb\u00e9m no segundo semestre. No entanto, a partir do 3\u00ba trimestre, a consultoria espera uma queda como consequ\u00eancia da desacelera\u00e7\u00e3o da demanda dom\u00e9stica e da eleva\u00e7\u00e3o da taxa de juros.<\/p>\n<h3>Infla\u00e7\u00e3o e defasagem salarial<\/h3>\n<p>Para a professora de Ci\u00eancia Pol\u00edtica da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar) Maria do Socorro Braga, apesar da not\u00edcia boa em rela\u00e7\u00e3o ao crescimento da economia, o impacto da infla\u00e7\u00e3o no poder de compra e a defasagem salarial s\u00e3o dois fatores percebidos com mais intensidade pelo eleitor atualmente do que os n\u00fameros do PIB.<\/p>\n<p>&#8220;Do ponto de vista do comportamento eleitoral, o voto pode ser bastante influenciado pela economia, ainda mais em um ano como esse, ap\u00f3s uma pandemia&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;Mas a divulga\u00e7\u00e3o do indicador pelo IBGE afeta apenas as camadas mais atentas e que t\u00eam amplo conhecimento do que o PIB significa para a economia. Em um contexto de infla\u00e7\u00e3o de dois d\u00edgitos, o que a maior parte das pessoas percebe mesmo \u00e9 o seu poder de compra sendo corro\u00eddo.&#8221;<\/p>\n<p>Nesse contexto, segundo Braga, a candidatura do presidente Jair Bolsonaro (PL) \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o \u00e9 a mais prejudicada, j\u00e1 que a popula\u00e7\u00e3o tende a atribuir o atual cen\u00e1rio econ\u00f4mico ao l\u00edder incumbente. <\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 esse crescimento do PIB no primeiro trimestre que vai gerar grandes mudan\u00e7as nas pesquisas eleitorais. A n\u00e3o ser, \u00e9 claro, que junto com isso sejam lan\u00e7adas novas pol\u00edticas econ\u00f4micas que venham a reduzir o desemprego e a infla\u00e7\u00e3o e a aumentar o poder de compra em pouqu\u00edssimo tempo&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A mais nova pesquisa eleitoral FSB\/BTG, divulgada em 30 de maio, aponta o ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT) com 46% das inten\u00e7\u00f5es de voto no primeiro turno, \u00e0 frente de Bolsonaro, com 32%.<\/p>\n<p>Ciro Gomes (PDT), Simone Tebet (MDB) e Andr\u00e9 Janones (Avante) tiveram 9%, 2% e 1% das inten\u00e7\u00f5es, respectivamente. Os demais n\u00e3o pontuaram.<\/p>\n<h3>&#8216;Reelei\u00e7\u00e3o \u00e9 sobre economia&#8217;<\/h3>\n<p>Uma pesquisa Datafolha realizada entre 25 e 26 maio mostrou que a maioria dos brasileiros considera que a economia ser\u00e1 determinante para definir seu voto na elei\u00e7\u00e3o de outubro. <\/p>\n<p>Entre os entrevistados, 53% consideram que a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica est\u00e1 tendo &#8220;muita influ\u00eancia&#8221; na sua decis\u00e3o de voto. <\/p>\n<p>Somados aos que ach<br \/>\nam que a economia tem &#8220;um pouco de influ\u00eancia&#8221; (24%) nessa escolha, a import\u00e2ncia do tema atinge 77% ???enquanto 21% n\u00e3o veem influ\u00eancia alguma.<\/p>\n<p>&#8220;?? um clich\u00ea, mas as reelei\u00e7\u00f5es s\u00e3o decididas por desempenho econ\u00f4mico&#8221;, diz Mauricio Moura. &#8220;O Brasil teve v\u00e1rios presidentes eleitos ou reeleitos por influ\u00eancia da economia&#8221;.<\/p>\n<p>No cen\u00e1rio atual, a percep\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica pela popula\u00e7\u00e3o ajuda a explicar o desempenho de Jair Bolsonaro nas pesquisas. Segundo o Datafolha, entre mar\u00e7o e maio, subiu de 46% para 52% a parcela de quem considera que sua situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica piorou nos \u00faltimos meses. <\/p>\n<ul>\n<li>Quem s\u00e3o os 5% de eleitores que acham que Brasil vive bom momento econ\u00f4mico<\/li>\n<\/ul>\n<p>Entre os eleitores do atual presidente, a possibilidade de uma mudan\u00e7a de voto devido a uma piora da economia \u00e9 cerca de dez pontos percentuais maior do que entre os simpatizantes do ex-presidente Lula.<\/p>\n<p>Se a infla\u00e7\u00e3o aumentar, por exemplo, 32% dos eleitores do presidente podem mudar o voto, segundo a pesquisa. Entre os de Lula, s\u00e3o 23%.<\/p>\n<p>&#8220;O levantamento do Datafolha ajuda explicar as raz\u00f5es porque, pela primeira vez, um incumbente come\u00e7a o ano eleitoral sem conseguir reverter sua posi\u00e7\u00e3o de desvantagem&#8221;, diz Maria do Socorro Braga. <\/p>\n<p>Se n\u00e3o vencer, Bolsonaro ser\u00e1 o primeiro presidente a n\u00e3o se reeleger entre todos os que puderam concorrer, desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o, a um segundo mandato.<\/p>\n<p><b>Sabia que a BBC est\u00e1 tamb\u00e9m no Telegram? <\/b>Inscreva-se no canal<b>.<\/b><\/p>\n<p><b>J\u00e1 assistiu aos nossos novos v\u00eddeos no <\/b>YouTube<b>? 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