{"id":160358,"date":"2022-06-02T23:20:54","date_gmt":"2022-06-03T02:20:54","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/06\/caso-da-mestranda-da-ufop-nao-e-isolado-diz-conselho-municipal-da-mulher\/"},"modified":"2022-06-02T23:20:54","modified_gmt":"2022-06-03T02:20:54","slug":"caso-da-mestranda-da-ufop-nao-e-isolado-diz-conselho-municipal-da-mulher","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/06\/02\/caso-da-mestranda-da-ufop-nao-e-isolado-diz-conselho-municipal-da-mulher\/","title":{"rendered":"Caso da mestranda da UFOP n\u00e3o \u00e9 isolado, diz Conselho Municipal da Mulher"},"content":{"rendered":"<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ap\u00f3s o caso da estudante de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Ecologia na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Ambar Cordoba, jogar luz sobre a realidade das m\u00e3es universit\u00e1rias, novos casos mostram que a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um caso isolado. Por isso, o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (Comdim) e a Associa\u00e7\u00e3o Nacional de P\u00f3s-Graduandos (ANPG) v\u00e3o se reunir nesta sexta-feira com a Pr\u00f3-Reitoria de Assuntos Comunit\u00e1rios e Estudantis e a Pr\u00f3-reitora de P\u00f3s Gradua\u00e7\u00e3o \u00e0s 10h; outra reuni\u00e3o marcada para \u00e0s 14h vai decidir o caso da bi\u00f3loga.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>De acordo com a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, D\u00e9bora Queiroz, a reuni\u00e3o tem por objetivo pedir esclarecimentos sobre a n\u00e3o implementa\u00e7\u00e3o da lei federal 3.536, de 2017, que d\u00e1 o direito \u00e0 prorroga\u00e7\u00e3o dos prazos de vig\u00eancia das bolsas de estudo concedidas por ag\u00eancias de fomento \u00e0 pesquisa nos casos de maternidade e de ado\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>No caso da mestranda, foi negado o pedido de licen\u00e7a maternidade de quatro meses e ela perdeu a bolsa da Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (Capes). Al\u00e9m disso, a recomenda\u00e7\u00e3o dada a ela foi de que deveria trabalhar com os mesmos prazos que os demais mestrandos para entregar a vers\u00e3o definitiva da disserta\u00e7\u00e3o e a submiss\u00e3o do artigo.<\/p>\n<p><b>Leia tamb\u00e9m:<\/b>\u00a0Estudante da UFOP denuncia: &#8216;Perdi o mestrado porque virei m\u00e3e&#8217;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8220;Primeiro vamos tratar o assunto da Ambar e segundo \u00e9 pedir esclarecimentos da UFOP sobre quais mecanismos t\u00eam ou pretendem ser implementados para que exista uma pol\u00edtica de parentalidade efetiva na universidade&#8221; afirma a presidente do Comdim.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Segundo D\u00e9bora Queiroz, ainda n\u00e3o existe um n\u00famero exato de mulheres na UFOP que passam pela mesma situa\u00e7\u00e3o que a mestranda, mas por meio de um estudo realizado em 2021 pelo Projeto Maternidade e Universidade (ManU) &#8211; um grupo de acolhimento e apoio a estudantes que s\u00e3o m\u00e3es na UFOP &#8211; foi detectado que cerca de 150 pais e m\u00e3es dos tr\u00eas campi t\u00eam filhos acima dos cinco anos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Em uma nota divulgada para a imprensa nessa quarta-feira (1\/6), a UFOP, diz que a concess\u00e3o de bolsas segue a mesma l\u00f3gica ison\u00f4mica, sendo a maior parte delas provindas de \u00f3rg\u00e3os de fomento federais e estaduais, que seguem prazos r\u00edgidos e demandam comprova\u00e7\u00e3o por meio de relat\u00f3rios e resultados de pesquisa.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A nota ainda diz que o preju\u00edzo dessa l\u00f3gica para as pesquisadoras levou \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do grupo Andorinhas &#8211; Rede de Mulheres da UFOP &#8211; que tem como objetivo diminuir as assimetrias de g\u00eanero e parentalidade na vida universit\u00e1ria das estudantes, t\u00e9cnicas administrativas e docentes.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mas, segundo a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, o grupo Andorinhas \u00e9 uma rede de profissionais da UFOP e n\u00e3o tem o poder de atribui\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica e cabe ao Conselho da Mulher debater as pol\u00edticas p\u00fablicas dentro da cidade e \u00e0 ANPG defender os direitos de p\u00f3s-graduandos de todo o pa\u00eds.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8220;?? importante destacar que para al\u00e9m da reuni\u00e3o a gente precisa que a UFOP regulamente os tr\u00e2mites relacionados \u00e0 maternidade e \u00e0 parentalidade para que essas mulheres n\u00e3o passem mais por isso. Se a discente tivesse sido orientada sobre a exist\u00eancia da lei que regulamenta a licen\u00e7a \u00e0 maternidade no \u00e2mbito da gradua\u00e7\u00e3o, teria tido o afastamento de quatro meses e nada disso teria acontecido. Queremos que haja um esfor\u00e7o da UFOP na cria\u00e7\u00e3o de um grupo de trabalho para que isso seja regulamentado&#8221;.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>Mais casos<\/b><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Laura Sagrilo conta que o caso da Ambar n\u00e3o \u00e9 novo e tampouco recente. Ela afirma que, enquanto aluna da UFOP teve duas gesta\u00e7\u00f5es: uma em 2015 que nasceu em 2016 e outra em 2017 que nasceu no mesmo ano.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Na gravidez de 2015, a estudante relata que teve problemas com frequ\u00eancia para atender \u00e0s atividades acad\u00eamicas e \u00e0 carga hor\u00e1ria e assim contou com a compreens\u00e3o do corpo discente sobre abono de faltas devido ao parto e ao puerp\u00e9rio. Sem sucesso, ela foi reprovada em uma disciplina.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8220;Uma professora me disse que eu teria bom aproveitamento mesmo eu apresentando como solu\u00e7\u00e3o fazer atividades em casa&#8221;.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A aluna foi orientada a entrar com o Regime de Exerc\u00edcios Domiciliares para Concess\u00e3o de Frequ\u00eancia (Retef) e mesmo com o deferimento, a professora n\u00e3o apresentou uma nova avalia\u00e7\u00e3o para a conclus\u00e3o da disciplina alegando que as faltas ocasionaram em um baixo aproveitamento da aluna.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8220;A professora me julgou sem mesmo me avaliar, entendi que ela concluiu que pelo fato de ser m\u00e3e j\u00e1 era o suficiente para eu ter baixo aproveitamento, foi desgastante o semestre, mas mesmo assim me esforcei para estar presente e estudar, me senti injusti\u00e7ada diante de tudo que fiz para fechar o semestre. Se eu tivesse o Retef, a prova deveria ter sido dada&#8221;.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Sagrilo conta que quando a licen\u00e7a \u00e0 maternidade terminou, ela teve que voltar \u00e0 universidade. Ela lembra que muitas vezes precisou levar a beb\u00ea de tr\u00eas meses que ainda amamentava.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Se a experi\u00eancia com a pequena Laura foi dif\u00edcil, com o Dante, em 2017, foi decisiva para a m\u00e3e desistir do sonho. Na gesta\u00e7\u00e3o, ela foi diagnosticada com coqueluche e hiperemese grav\u00eddica &#8211; excesso de n\u00e1useas e v\u00f4mitos que impedem a gestante de comer adequadamente.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8220;Como eu passava muito mal e j\u00e1 tinha a beb\u00ea para cuidar e nenhum apoio da UFOP, solicitei o afastamento especial, onde comprovei com atestados minha situa\u00e7\u00e3o. Foi indeferido e como n\u00e3o tinha mais condi\u00e7\u00f5es de brigar por isso, por exaust\u00e3o, acabei desistindo da gradua\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A partir da\u00ed, a m\u00e3e de dois beb\u00eas criou com mais outras cinco mulheres pu\u00e9rperas e m\u00e3es que precisam de apoio do grupo Divinas Tetas com o objetivo de dar apoio \u00e0s mulheres nessa mesma situa\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Hoje Laura Sagrilo faz um curso semipresencial em uma faculdade particular. Ela \u00e9 doula e educadora perinatal e o grupo j\u00e1 tem 120 mulheres. &#8220;Uma delas \u00e9 a Ambar Cordoba que com a nossa rede de apoio n\u00e3o deixamos que ela ficasse desamparada na busca de seus direitos&#8221;.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8220;Disseram que a universidade n\u00e3o \u00e9 lugar para mim&#8221; diz m\u00e3e<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A ouropretana Elaine Reis, conta que sempre sonhou em fazer uma gradua\u00e7\u00e3o na UFOP, mas que ao entrar na universidade, o sonho foi se tornando aos poucos um pesadelo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8220;A minha experi\u00eancia na UFOP como aluna, m\u00e3e, trabalhadora e mulher foi decepcionante, n\u00e3o \u00e9 uma hist\u00f3ria bonita, \u00e9 uma hist\u00f3ria sofrida, idealizei entrar na universidade, ser educadora e servir \u00e0 minha cidade, mas fui muito mal acolhida&#8221;.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>M\u00e3e solo de duas crian\u00e7as, uma de sete anos e o menor com dois anos, Elaine percebeu que nos anos de gradua\u00e7\u00e3o em pedagogia &#8211; de 2012 a 2019 &#8211; foi de pouca movimenta\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao apoio de m\u00e3es universit\u00e1rias no sentido de ter bolsa perman\u00eancia integral, uma brinquedoteca e espa\u00e7os para deixar os filhos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8220;No projeto de monografia, uma professora ao ver as minhas dificuldades, chegou a dizer que o meu lugar n\u00e3o era em uma universidade, cheguei a procurar o colegiado do curso de pedagogia e fiz a reclama\u00e7\u00e3o. Essa professora me procurou depois para se desculpar, mas pra mim j\u00e1 era tarde por entender que at\u00e9 dentro de um curso de pedagogia em que todos ali s\u00e3o preparados para lidar com crian\u00e7as e m\u00e3es de crian\u00e7as havia muita contradi\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Formada em pedagogia e com os filhos um pouco maiores, a ouro-pretana trabalha em duas creches de Ouro Preto e faz outra gradua\u00e7\u00e3o na UFOP.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8220;Pensei div<br \/>\nersas vezes em desistir, mas a for\u00e7a de querer ser um exemplo para os meus filhos me mantinha l\u00e1 e, al\u00e9m disso, mostrar para os pequenos que a UFOP \u00e9 lugar para mulheres, m\u00e3es, solo, de baixa renda e ouro-pretanas&#8221;.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s o caso da estudante de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Ecologia na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), Ambar Cordoba, jogar luz sobre a realidade das\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":160359,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8648],"tags":[],"class_list":["post-160358","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-minas-gerais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/160358","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=160358"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/160358\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=160358"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=160358"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=160358"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}