{"id":160509,"date":"2022-06-03T05:21:58","date_gmt":"2022-06-03T08:21:58","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/06\/forca-tarefa-liga-tremores-em-sete-lagoas-a-geologia-e-ocupacao-urbana\/"},"modified":"2022-06-03T05:21:58","modified_gmt":"2022-06-03T08:21:58","slug":"forca-tarefa-liga-tremores-em-sete-lagoas-a-geologia-e-ocupacao-urbana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/06\/03\/forca-tarefa-liga-tremores-em-sete-lagoas-a-geologia-e-ocupacao-urbana\/","title":{"rendered":"For\u00e7a-tarefa liga tremores em Sete Lagoas \u00e0 geologia e ocupa\u00e7\u00e3o urbana"},"content":{"rendered":"<div><\/div>\n<div>Os desabamentos e abatimentos de quil\u00f4metros de camadas de subsolo ???esponjoso??? formado por cavernas, t\u00faneis e rios s\u00e3o a principal suspeita atualmente para os tremores em s\u00e9rie que levaram medo a Sete Lagoas. Uma das causas \u00e9 a utiliza\u00e7\u00e3o maci\u00e7a de po\u00e7os tubulares e a impermeabiliza\u00e7\u00e3o urbana. ???Tudo se encaminha para que seja mesmo uma acomoda\u00e7\u00e3o do leito c\u00e1rstico (subsolo onde a eros\u00e3o qu\u00edmica da \u00e1gua na rocha criou t\u00faneis, fendas, cavernas e rios) da regi\u00e3o. ?? o que ganha terreno entre muitos dos especialistas neste primeiro momento. Mas \u00e9 preciso fazer o monitoramento e os estudos para ter certeza???, disse ao Estado de Minas o secret\u00e1rio municipal de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Turismo de Sete Lagoas, Edmundo Diniz, que coordena uma for\u00e7a-tarefa criada nesta semana para estudar o fen\u00f4meno. O grupo conta, ainda, com representantes de outros \u00f3rg\u00e3os municipais e especialistas do Observat\u00f3rio Sismol\u00f3gico da Universidade de Bras\u00edlia (UnB) e do Centro de Sismologia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n<\/div>\n<div>Desde abril, o munic\u00edpio da Regi\u00e3o Central de Minas Gerais, a 72 quil\u00f4metros de Belo Horizonte, convive com tremores que j\u00e1 deixaram pelo menos cinco registros nos sism\u00f3grafos da UnB e da USP, sendo sentidos por pessoas em 50 bairros da cidade, al\u00e9m de munic\u00edpios pr\u00f3ximos, como Capim Branco, Paraopeba e Prudente de Morais. O mais intenso chegou a 3 graus na escala Richter de abalos s\u00edsmicos e terremotos, que vai at\u00e9 10, sendo considerado pequeno, enquanto o menor n\u00e3o passou de 1,7, o que lhe confere a classifica\u00e7\u00e3o de microtremor. H\u00e1 relatos de resid\u00eancias com trincas e medo entre parte dos 243 mil habitantes.<\/p>\n<\/div>\n<div>???H\u00e1, sim, uma grande possibilidade de os tremores estarem relacionados ao substrato c\u00e1rstico, com composi\u00e7\u00e3o de rochas carbon\u00e1ticas (muito suscet\u00edveis \u00e0 eros\u00e3o pela \u00e1gua)???, afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE), Jos\u00e9 Roberto Cassimiro, que \u00e9 ge\u00f3logo, com trabalhos na \u00e1rea de cavernas e geotecnia, e esteve em Sete Lagoas na semana passada.<\/p>\n<\/div>\n<div>A realidade geol\u00f3gica e a din\u00e2mica de ocupa\u00e7\u00e3o de Sete Lagoas refor\u00e7am a tese dos especialistas que indica o\u00a0 desabamento do solo c\u00e1rstico como causa ou fator de amplia\u00e7\u00e3o de tremores. Com 141 anos de funda\u00e7\u00e3o, Sete Lagoas retirava toda a \u00e1gua consumida do subterr\u00e2neo, secando essa rede de t\u00faneis e cavernas. O munic\u00edpio chegou, hoje, a 243 mil habitantes, mas s\u00f3 em 2015, quando tinha 230 mil, depois que a cidade j\u00e1 tinha consolidado seu crescimento, \u00e9 que passou a se abastecer com 60% de \u00e1gua do Rio das Velhas. Contudo, j\u00e1 nessa \u00e9poca, a expans\u00e3o urbana de asfalto e concreto impermeabilizaram o solo, impedindo a recarga da \u00e1gua subterr\u00e2nea pelas chuvas, e a verticaliza\u00e7\u00e3o imp\u00f4s ainda mais peso e press\u00e3o \u00e0s galerias esvaziadas.<\/p>\n<\/div>\n<div>????? como pensar em um pneu de carro. Se voc\u00ea tira o ar de dentro, diminui a press\u00e3o e o pneu fica murcho, n\u00e3o consegue sustentar o carro. A mesma coisa acontece quando voc\u00ea tira a \u00e1gua que preenche os vazios das cavernas: o teto n\u00e3o aguenta e pode come\u00e7ar a desabar. Isso gera tremores de baixa intensidade, mas pode ser prejudicial \u00e0s constru\u00e7\u00f5es que est\u00e3o pr\u00f3ximas ou mesmo acabar por desmoronar, gerando abatimentos na superf\u00edcie que chamamos de dolinas???, compara o professor de qu\u00edmica Luciano Faria, doutor em hist\u00f3ria da ci\u00eancia e ex-diretor da SBE.<\/p>\n<\/div>\n<div>Al\u00e9m do abastecimento urbano, atividades industriais e agr\u00edcolas tamb\u00e9m consomem a \u00e1gua subterr\u00e2nea e colaboram com a drenagem dos t\u00faneis e cavernas. Oficialmente, segundo o Servi\u00e7o Geol\u00f3gico Brasileiro (CPTM), h\u00e1 223 po\u00e7os tubulares ativos em Sete Lagoas, mas n\u00e3o h\u00e1 estimativas de quantos po\u00e7os n\u00e3o declarados ou irregulares atuam. O munic\u00edpio conta, ainda, com 829 hectares (ha) irrigados, de acordo com a Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas (ANA), sendo que 274ha s\u00e3o de culturas anuais em piv\u00f4s centrais e 555ha de outras culturas e sistemas.<\/p>\n<\/div>\n<div>DIMENS??O DOS ABALOS O n\u00famero exato de tremores neste ano, em Sete Lagoas, \u00e9 um dado controverso, girando entre cinco e sete registrados pelas medi\u00e7\u00f5es dos sism\u00f3grafos da rede da Universidade de Bras\u00edlia (UnB) e da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), entre abril e junho, sendo as intensidades entre 1,7 e 3 pontos da escala de momento ou que ainda se referem \u00e0 Escala Richter, que mede o poder do tremor e at\u00e9 hoje n\u00e3o chegou ao m\u00e1ximo de 10. Mas os relatos da popula\u00e7\u00e3o s\u00e3o diferentes, apontando para at\u00e9 cinco abalos em hor\u00e1rios diferentes do mesmo dia, podendo se tratar de efeitos de um \u00fanico evento ou realmente acontecimentos distintos, segundo os especialistas.<\/p>\n<\/div>\n<div>Um dos desabamentos ocorridos no subterr\u00e2neo do terreno c\u00e1rstico, segundo o coordenador da for\u00e7a-tarefa, Edmundo Diniz, foi registrado pela UnB em 29 abril e atingiu 3 graus, o que \u00e9 considerado um pequeno sismo, que \u00e9 sentido com frequ\u00eancia, mas raramente causa danos. (Veja tabela.) ???Foi registrado pelos sism\u00f3grafos da UnB esse desabamento. Mas n\u00e3o \u00e9 em uma caverna pr\u00f3xima, mas a 14 quil\u00f4metros de profundidade???, afirma Diniz.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>TENS??ES TECT??NICAS Outra poss\u00edvel causa dos tremores \u00e9 a libera\u00e7\u00e3o de tens\u00f5es tect\u00f4nicas no subterr\u00e2neo. ???Movimentos de crosta terrestre geram libera\u00e7\u00e3o de tens\u00f5es. Essa energia se espalha em ondas s\u00edsmicas que abalam a superf\u00edcie. A Serra de Santa Helena, em Sete lagoas, \u00e9 parte da Serra do Espinha\u00e7o, uma \u00e1rea de tens\u00e3o onde ocorreu um choque de blocos de crosta e que permitiu \u00e1reas fr\u00e1geis onde essas tens\u00f5es acabam sendo liberadas???, afirma Allaoua Saadi, professor titular do Instituto de Geoci\u00eancias da UFMG e que \u00e9 corroborada como hip\u00f3tese a ser verificada pelo professor Marcelo Peres Rocha, chefe do Observat\u00f3rio Sismol\u00f3gico da UnB. ???Normalmente, esses tremores, no Brasil, s\u00e3o devido a al\u00edvios das tens\u00f5es tect\u00f4nicas em ac\u00famulo e que chegam ao limite da ruptura das rochas???, descreve.<\/p>\n<\/div>\n<div>???Pouca gente sabe, mas Minas Gerais registra frequentemente uma s\u00e9rie de abalos s\u00edsmicos ??? os terremotos ??? ao longo de diversas cidades???, afirma o professor Luciano Faria, que \u00e9 tamb\u00e9m coordenador de programa\u00e7\u00e3o do Museu das Minas e do Metal (MM Gerdau). ???Vamos, inclusive, trazer mais conhecimento e responder a perguntas em uma live intitulada ???Terremotos em Minas Gerais: onde e por qu\u00ea????, no dia 16, quinta-feira, \u00e0s 19h, no YouTube do MM Gerdau, com o professor George Sand, pesquisador do Observat\u00f3rio Sismol\u00f3gico da Universidade de Bras\u00edlia. Ele vai comentar sobre os tremores de terra que frequentemente assustam os moradores, al\u00e9m de Sete Lagoas, tamb\u00e9m de dois dos mais importantes locais ??? Montes Claros e Cara\u00edbas (Distrito de Itacarambi)???, convida.<\/p>\n<p><\/p>\n<div>EFEITOS CUMULATIVOS<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Confira as situa\u00e7\u00f5es que, em tese, s\u00e3o as causas dos abalos em Sete Lagoas<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u00bb O leito c\u00e1rstico ??? subsolo onde a eros\u00e3o qu\u00edmica da \u00e1gua na rocha criou t\u00faneis, fendas, cavernas e rios ??? de Sete Lagoas passa por uma acomoda\u00e7\u00e3o, com desabamentos e abatimentos provocados pela pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica e intensificados pela din\u00e2mica de ocupa\u00e7\u00e3o da cidade<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u00bb At\u00e9 2015, toda a \u00e1gua usada em Sete Lagoas era retirada do subsolo, o que teria esvaziado as galerias e cavernas<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u00bb Ao mesmo tempo em que tem 141 anos de funda\u00e7\u00e3o, passava por expans\u00e3o urbana e impermebializa\u00e7\u00e3o do solo, com asfalto e concreto impedindo a recarga da \u00e1gua<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u00bb Atividades industriais e agr\u00edcolas tamb\u00e9m consomem \u00e1gua subterr\u00e2nea e colaboram para a drenagem dos t\u00faneis e cavernas. Oficialmente, h\u00e1 223 po\u00e7os tubulares ativos na cidade<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u00bb A verticaliza\u00e7\u00e3o da cidade imp\u00f4s mais peso e press\u00e3o \u00e0s galerias esvaziadas, contribuindo para os sismos, at\u00e9 hoje de baixa intensidade&#8217;\t&#8216;\t<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os desabamentos e abatimentos de quil\u00f4metros de camadas de subsolo ???esponjoso??? formado por cavernas, t\u00faneis e rios s\u00e3o a principal suspeita atualmente para os\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":160510,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8648],"tags":[],"class_list":["post-160509","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-minas-gerais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/160509","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=160509"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/160509\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=160509"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=160509"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=160509"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}