{"id":161320,"date":"2022-06-04T11:15:35","date_gmt":"2022-06-04T14:15:35","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/06\/crianca-transgenero-tem-casa-apedrejada-e-e-impedida-de-ser-chamada-pelo-nome\/"},"modified":"2022-06-04T11:15:35","modified_gmt":"2022-06-04T14:15:35","slug":"crianca-transgenero-tem-casa-apedrejada-e-e-impedida-de-ser-chamada-pelo-nome","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/06\/04\/crianca-transgenero-tem-casa-apedrejada-e-e-impedida-de-ser-chamada-pelo-nome\/","title":{"rendered":"Crian\u00e7a transg\u00eanero tem casa apedrejada e \u00e9 impedida de ser chamada pelo nome"},"content":{"rendered":"<p class=\"bodytext\">\n<p class=\"bodytext\">De duas semanas para c\u00e1, j\u00e1 s\u00e3o tr\u00eas madrugadas que Jana\u00edna Britto, 40 anos, \u00e9 acordada pelo barulho de gritos e pedradas nas janelas de casa. O alvo dos agressores\u00a0\u00e9 o filho dela, uma crian\u00e7a de apenas 12 anos que dorme em um dos dois quartos e escuta tudo o que acontece.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Os apedrejamentos come\u00e7aram quando Jana\u00edna decidiu lutar para que o filho, um menino transg\u00eanero, seja chamado pelo nome social (nesta reportagem, ele ser\u00e1 identificado por R). O uso de nome social para menores de 18 anos nas escolas \u00e9 um direito\u00a0reconhecido por lei desde 2016 mas que, em Po\u00e7\u00f5es, no sudoeste baiano, n\u00e3o tem sido respeitado.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A escola municipal onde R. estuda diz precisar de uma ordem da prefeitura de Po\u00e7\u00f5es para que o tratamento dispensado ao garoto mude. Procurada por Jana\u00edna, a vereadora Larissa Laranjeiras (PCdoB) apresentou um Projeto de Lei (PL), h\u00e1 um m\u00eas, que prop\u00f5e que as pessoas transg\u00eanero sejam chamadas pelos nomes sociais nas escolas. O projeto n\u00e3o foi posto em vota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Ao descobrir que a proposta seria lida na noite de 23 de maio, um pastor da cidade conclamou a comunidade evang\u00e9lica: ???Caso voc\u00ea n\u00e3o tenha o compromisso, estaremos um monte de evang\u00e9licos na C\u00e2mara. Para que os vereadores se sintam inibidos a n\u00e3o votar nessa aberra\u00e7\u00e3o???. \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A chamada surtiu efeito, pois evang\u00e9licos compareceram \u00e0 Casa Legislativa. O pastor ficou em p\u00e9, em um canto. No outro, estava R., acompanhado pela m\u00e3e e duas amigas. Embora o projeto fosse apenas ser lido, os religiosos se anteciparam.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">H\u00e1 vereadores que j\u00e1 indicaram publicamente que se o projeto for para um pleito, ser\u00e3o contr\u00e1rios. Um deles afirmou, na sess\u00e3o de segunda-feira (30), que n\u00e3o poderia ???receber imposi\u00e7\u00e3o de ningu\u00e9m???, citou a B\u00edblia e concluiu que ???sua ideologia deve ser respeitada???.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Os ataques contra R. s\u00e3o acompanhados por organiza\u00e7\u00f5es como a Alian\u00e7a Nacional LGBTI, a Associa\u00e7\u00e3o de Fam\u00edlias Homotransafetivas e a Comiss\u00e3o de Diversidade Sexual e G\u00eanero da OAB &#8211; Bahia. Para Jana\u00edna Abreu, membro da comiss\u00e3o, os ataques contra o garoto de 12 anos se configuram em ???racismo por transfobia???. Em 2019, o Supremo Tribunal Federal enquadrou a transfobia como um crime de racismo.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Viol\u00eancia afasta transg\u00eaneros da escola<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Jana\u00edna n\u00e3o acha que sejam s\u00f3 os evang\u00e9licos que agridem a ela e ao seu\u00a0filho. O \u00f3dio plantado pelo pastor contaminou gente j\u00e1 disposta a odiar. E foi a for\u00e7a desse sentimento que quebrou uma das janelas da casa dela, na madrugada da \u00faltima quarta-feira (02), e aprisionou a\u00a0ela e ao\u00a0filho. Antes, os ataques tinham assustado, mas n\u00e3o deixaram provas f\u00edsicas. A pol\u00edcia chegou tarde demais para encontrar os respons\u00e1veis ??? no dia seguinte.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">?? tarde, estava prevista uma reuni\u00e3o na escola onde R. estuda. Apesar do horror da madrugada, Jana\u00edna optou por ir.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>???E foi muito estranho. Foi ali que consegui entender meu filho. Quando a professora dele perguntou: A m\u00e3e de A. <\/strong>(nome de batismo de R. ou &#8216;nome morto&#8217;, como \u00a0pessoas trans chamam o nome ao qual abdicam por n\u00e3o representar suas identidades de g\u00eanero<strong>) est\u00e1 a\u00ed? Pensa numa dor que me deu???<\/strong>, conta.\u00a0<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">Quando R. comunicou, h\u00e1 tr\u00eas meses, a identidade de g\u00eanero dele, Jana\u00edna desconfiou da viol\u00eancia que estava por vir. Sem saber a quem recorrer na cidade, onde n\u00e3o tem familiares, buscou grupos de m\u00e3es de transg\u00eaneros e que atuam na causa LGBTQIA+. N\u00e3o parou at\u00e9 conseguir respostas para a pergunta: ???O que fazer agora????.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"671\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/4\/0\/csm_Janaina_e_R_91b2218bbf.jpeg\" width=\"1000\"\/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"text-center\">\n<p class=\"bodytext\"><strong>Jana\u00edna e o filho: apedrejados pela transfobia<\/strong><\/p>\n<p>(Foto: Ingrid Martins)<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\">Uma das primeiras decis\u00f5es dela foi recolher documentos que, teoricamente, garantiriam a R. o nome. O principal deles era uma determina\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, a\u00a0inst\u00e2ncia educacional do Brasil, em 2018, que autorizou o nome social de\u00a0transg\u00eaneros e travestis nas escolas, para minimizar uma das faces da\u00a0viol\u00eancia\u00a0contra essas pessoas.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">O MEC prev\u00ea que basta os representantes legais de estudantes solicitarem na escola a altera\u00e7\u00e3o do nome. Toni Reis, p\u00f3s-doutor em Educa\u00e7\u00e3o pela Universidade Federal do Paran\u00e1, participou da formula\u00e7\u00e3o do parecer do \u00f3rg\u00e3o e garante que a identidade de g\u00eanero do filho de Jana\u00edna deve ser respeitada ??? n\u00e3o s\u00f3 por humanidade, mas porque a lei obriga.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>???Quem regulamenta a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 o MEC. Se eles [escola] n\u00e3o acatarem o pedido, vamos fazer do caso de R. exemplo para o Brasil???<\/strong>, afirmou.\u00a0<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">O pesquisador \u00e9 diretor-presidente da Alian\u00e7a Nacional LGBTI, que j\u00e1 notificou extrajudicialmente a Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o de Po\u00e7\u00f5es. ???Os gestores est\u00e3o ignorando. Se n\u00e3o formos atendidos, acionaremos o Minist\u00e9rio P\u00fablico???, explicou Amanda Souto, advogada integrante das associa\u00e7\u00f5es Alian\u00e7a Nacional LGBTI e das Fam\u00edlias Homotransafetivas.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Segundo a Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), a viol\u00eancia afasta as pessoas transg\u00eanero\u00a0da forma\u00e7\u00e3o educacional:\u00a056% delas n\u00e3o terminam o Ensino Fundamental.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Desde o dia em que teve o direito negado pela escola,\u00a0essa\u00a0estat\u00edstica\u00a0\u00e9 um dos temores de Jana\u00edna. O filho, at\u00e9 o momento, faz quest\u00e3o de ir\u00a0\u00e0s aulas. ???Ele n\u00e3o \u00e9 de fam\u00edlia rica. Se n\u00e3o estiver bem na escola, n\u00e3o vai ter portas abertas???.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A reportagem tentou contato tanto com a escola frequentada por R., quanto com a Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o. As liga\u00e7\u00f5es n\u00e3o foram atendidas. O funcionamento nas reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas est\u00e1 afetado pela maior celebra\u00e7\u00e3o religiosa da cidade &#8211; a Festa do Divino Esp\u00edrito Santo.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Convidado para um\u00a0anivers\u00e1rio\u00a0na pra\u00e7a onde acontece a festa cat\u00f3lica, R. n\u00e3o ir\u00e1 participar. A m\u00e3e, por ora, quer resguard\u00e1-lo.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>&#8216;Po\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 para amadores&#8217;, diz professor<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Em Po\u00e7\u00f5es,\u00a0vivem, em m\u00e9dia, 50 mil pessoas, calcula o\u00a0Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Nascida em Minas Gerais, Jana\u00edna se mudou para l\u00e1 quando R. tinha 2 anos. A mudan\u00e7a, na verdade,\u00a0era um retorno. Na adolesc\u00eancia, levada pela m\u00e3e, Jana\u00edna tinha morado l\u00e1, onde conheceu o pai dos seus dois filhos mais velhos.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>???O que eu pensava \u00e9 que por ser uma cidade de interior, eles poderiam sair, eu teria mais controle da situa\u00e7\u00e3o???<\/strong>, lembra.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">O pai de R. nunca participou da vida do menino e o paradeiro dele \u00e9 desconhecido. Decoradora de bolos de festas, foi essa ocupa\u00e7\u00e3o que garantiu o sustento dela e de R. ??? os outros dois filhos recebiam a pens\u00e3o do pai.\u00a0<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"671\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/6\/8\/csm_R_39c431bc0e.jpeg\" width=\"1000\"\/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"text-center\">\n<p class=\"bodytext\"><strong>&#8220;N\u00e3o sou uma aberra\u00e7\u00e3o&#8221;<\/strong>, diz menino transg\u00eanero<\/p>\n<p>(Foto: Ingrid Martins)<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\">Depois que o ca\u00e7ula\u00a0assumiu sua\u00a0identidade de g\u00eanero, Jana\u00edna, que\u00a0em tudo apoiou o filho,\u00a0perdeu os clientes. No s\u00e1bado passado, dos nove pedidos, seis n\u00e3o foram buscados. Hoje, ela e a crian\u00e7a sobrevivem de doa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>???Costumo brincar: Po\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 para amadores. ?? uma cidade conservadora. Voc\u00ea vai no com\u00e9rcio, n\u00e3o h\u00e1 um gay assumidamente trabalhando. Travesti e pessoas trans? Existem, mas n\u00e3o est\u00e3o l\u00e1???<\/strong>, diz C\u00e9lio Meira, professor e um dos fundadores do coletivo N\u00f3s da Diversidade.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">Na sala de aula, C\u00e9lio aborda quest\u00f5es de g\u00eanero. J\u00e1 discutiu com colegas por esse motivo. Quem o diz que o assunto \u00e9 ???mimimi???\u00a0ouve em resposta: ???Mimimi \u00e9 ???minha miseric\u00f3rdia para a sua miopia??????. \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Oficialmente, \u00e9 a primeira vez que uma m\u00e3e luta pelo direito do filho ser chamado pelo nome social na cidade. Mas, isso n\u00e3o assegura que ele \u00e9 o \u00fanico caso. Autora do PL que aguarda vota\u00e7\u00e3o, a vereadora Larissa Laranjeiras afirma que tr\u00eas jovens estudantes j\u00e1 a procuraram diretamente.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>???A realidade dessas pessoas que chegaram at\u00e9 a mim, s\u00e3o pessoas jovens, sem apoio da fam\u00edlia, eles n\u00e3o v\u00e3o conseguir bancar a mudan\u00e7a???<\/strong>.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">Foi na escola que Jana\u00edna ouviu de uma professora que era\u00a0???muito cedo para isso. Voc\u00ea n\u00e3o pode incentivar???. Jana\u00edna pensa\u00a0o\u00a0contr\u00e1rio: ???N\u00e3o acho 12 anos cedo para uma pessoa ser feliz???.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Crian\u00e7as trans existem<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">A 450 quil\u00f4metros de Po\u00e7\u00f5es, funciona o Ambulat\u00f3rio Transexualizador do Hospital das Cl\u00ednicas, em Salvador. A unidade atende, de forma multidisciplinar, pessoas travestis e transg\u00eanero\u00a0em busca de terapias hormonais. H\u00e1 uma ala dedicada a atender os mais jovens, \u00e0s sextas-feiras.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">O Conselho Federal de Medicina (CFM) permite, desde 2019, que crian\u00e7as transg\u00eanero\u00a0sejam acompanhadas por equipes multidisciplinares.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>???A transgeneridade \u00e9 descoberta em qualquer momento. Por menor que seja a crian\u00e7a, ela pode n\u00e3o se sentir pertencente ao g\u00eanero que foi designado a ela no nascimento???<\/strong>, explica Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Faria J\u00fanior, doutor em Endocrinologia, respons\u00e1vel pelo atendimento de jovens e professor da Universidade Federal da Bahia.\u00a0<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">O acompanhamento de pessoas mais jovens pode ter in\u00edcio na puberdade. Biologicamente, nos designados meninos no nascimento,\u00a0entre 9 e 14 anos, e nas designadas meninas, entre 8 e 13. ???Quando essa puberdade come\u00e7a, podemos bloque\u00e1-la, evitando o aumento do volume da mama, por exemplo, em caso de meninos transg\u00eanero???, explica Jos\u00e9.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">O bloqueio da puberdade \u00e9 possibilitado por uma subst\u00e2ncia chamada acetato de leuprolida. Em termos mais simples, o m\u00e9dico explica como\u00a0funciona:<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\"><strong>????? um stop <\/strong>[parada]<strong>\u00a0na puberdade. Imagine que voc\u00ea se sente uma menina e come\u00e7a a secretar horm\u00f4nios masculinos, isso vai incomodar muito. O bloqueador vai interromper isso???<\/strong>.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"bodytext\">As interven\u00e7\u00f5es irrevers\u00edveis s\u00e3o proibidas at\u00e9 os 16 anos, quando pode ter in\u00edcio a prescri\u00e7\u00e3o de horm\u00f4nios masculinos ou femininos. O bloqueio puberal pode ser interrompido, sem danos, caso a crian\u00e7a n\u00e3o se identifique como transg\u00eanero na vida adulta. ???Pesquisas apontam que a crian\u00e7a que se identificar como transg\u00eanero no final da puberdade ser\u00e1 transg\u00eanero na vida adulta???.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Em Po\u00e7\u00f5es, Jana\u00edna ainda n\u00e3o planeja a vinda R. para Salvador, para ser atendido no ambulat\u00f3rio das Cl\u00ednicas. A demanda mais urgente \u00e9 garantir o b\u00e1sico ??? o nome do filho ??? e o fim dos ataques.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Um dia antes do fechamento da publica\u00e7\u00e3o desta reportagem, R. enviou uma mensagem para ser publicada junto com o texto. Em uma folha de caderno, ele escreveu:<\/p>\n<h4 class=\"text-center\">???<em>Bom, eu sou um trans, o que significa que me identifico como um garoto. Podemos dizer que eu n\u00e3o sou uma aberra\u00e7\u00e3o e n\u00e3o entendo por que\u00a0tais ataques que ando tendo.<\/em><\/h4>\n<h4 class=\"text-center\"><em>Est\u00e3o a me deixar triste ao ponto de ter crise de choro. Pelo menos o que eu e minha m\u00e3e estamos a fazer vai ajudar outras crian\u00e7as trans&#8230;<\/em>???.\u00a0<\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De duas semanas para c\u00e1, j\u00e1 s\u00e3o tr\u00eas madrugadas que Jana\u00edna Britto, 40 anos, \u00e9 acordada pelo barulho de gritos e pedradas nas janelas\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":161321,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[82],"tags":[],"class_list":["post-161320","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-policia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/161320","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=161320"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/161320\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=161320"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=161320"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=161320"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}