{"id":161716,"date":"2022-06-05T08:21:16","date_gmt":"2022-06-05T11:21:16","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/06\/tremores-em-sete-lagoas-ainda-atormentam-moradores\/"},"modified":"2022-06-05T08:21:16","modified_gmt":"2022-06-05T11:21:16","slug":"tremores-em-sete-lagoas-ainda-atormentam-moradores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/06\/05\/tremores-em-sete-lagoas-ainda-atormentam-moradores\/","title":{"rendered":"Tremores em Sete Lagoas ainda atormentam moradores"},"content":{"rendered":"<\/p>\n<p>Sete Lagoas ???\u00a0 No meio da noite, um ru\u00eddo irrompeu chacoalhando janelas e vidros em Sete Lagoas, a 70 quil\u00f4metros de Belo Horizonte. ??s pressas, fam\u00edlias assustadas sa\u00edram \u00e0s ruas do Bairro Novo Horizonte. M\u00e3es com filhos enrolados em cobertores e idosos sem ideia do que ocorria temiam que suas casas desabassem. <\/p>\n<p>&#8220;Foi um desespero. Todos na rua com medo. O estrondo foi parecido com uma batida de caminh\u00e3o, mas que durou mais tempo. As janelas tremiam. Os arm\u00e1rios batiam. Foi assustador. Meu filho de 7 anos ficou apavorado. Meu marido e eu, que estou gr\u00e1vida de 7 meses, tamb\u00e9m. O pior \u00e9 n\u00e3o saber o que causou isso, se \u00e9 um terremoto&#8221;, contou a comerciante Rafaela Avelar de Assis, de 33, uma das pessoas que sentiram mais de perto os efeitos de pelo menos cinco tremores de terra que abalaram neste ano a cidade da Regi\u00e3o Central de Minas Gerais.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A pergunta de Rafaela e de habitantes dos munic\u00edpios vizinhos de Prudente de Morais, Capim Branco, Paraopeba e Curvelo sobre o que de fato causou os tremores de terra que perceberam pelo barulho e no chacoalhar de suas casas\u00a0 ainda n\u00e3o foi respondida. <\/p>\n<p>For\u00e7a-tarefa liga tremores em Sete Lagoas \u00e0 geologia e ocupa\u00e7\u00e3o urbana<\/p>\n<p>Ela \u00e9 objeto de estudo de uma for\u00e7a-tarefa organizada pela prefeitura, com \u00f3rg\u00e3os interdisciplinares e especialistas brasileiros em sismologia. Contudo, a reportagem do Estado de Minas apurou que entre os membros dessa for\u00e7a ganhou maior espa\u00e7o a teoria de desabamento de grandes se\u00e7\u00f5es subterr\u00e2neas do solo da regi\u00e3o, que \u00e9 tomado por uma rede intrincada de t\u00faneis, fissuras e cavernas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o d\u00e1 para ter certeza, ainda, mas tudo se encaminha para que seja mesmo uma acomoda\u00e7\u00e3o do leito c\u00e1rstico (terrenos onde a eros\u00e3o qu\u00edmica da \u00e1gua na rocha subterr\u00e2nea criou t\u00faneis, fendas, cavernas e rios) da regi\u00e3o. ?? o que ganha terreno entre muitos dos especialistas nesse primeiro momento&#8221;, disse ao EM o secret\u00e1rio municipal de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Turismo de Sete Lagoas, Edmundo Diniz, que coordena a for\u00e7a-tarefa.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da secretaria, o grupo \u00e9 composto por representantes de outros \u00f3rg\u00e3os municipais, al\u00e9m de especialistas do Observat\u00f3rio Sismol\u00f3gico da Universidade de Bras\u00edlia (UnB) e do Centro de Sismologia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n<p>Sete Lagoas pede apoio para identificar origem de tremores de terra<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1, sim, uma grande possibilidade de os tremores estarem relacionados ao substrato c\u00e1rstico, com composi\u00e7\u00e3o de rochas carbon\u00e1ticas&#8221;, afirma o presidente da Sociedade Brasileira de Espeleologia (SPE), Jos\u00e9 Roberto Cassimiro, que \u00e9 ge\u00f3logo, com trabalhos na \u00e1rea de cavernas e geotecnia e esteve na semana passada na cidade mineira.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A tese ganha for\u00e7a diante da realidade geol\u00f3gica e o hist\u00f3rico de ocupa\u00e7\u00e3o de Sete Lagoas. Fundada h\u00e1 141 anos, a cidade se abasteceu exclusivamente de \u00e1gua retirada do subterr\u00e2neo at\u00e9 sete anos atr\u00e1s, secando essa rede de t\u00faneis e cavernas. O munic\u00edpio chegou, hoje, a 243 mil habitantes, mas s\u00f3 em 2015, quando tinha 230 mil, depois que a cidade j\u00e1 havia consolidado seu crescimento, \u00e9 que 60% de seu abastecimento passou a ser feito com \u00e1gua do Rio das Velhas. <\/p>\n<p>Contudo, j\u00e1 naquela \u00e9poca, a expans\u00e3o urbana de asfalto e concreto havia impermeabilizdado o solo, impedindo a recarga da \u00e1gua subterr\u00e2nea pelas chuvas, e a verticaliza\u00e7\u00e3o imp\u00f4s ainda mais peso e press\u00e3o \u00e0s galerias esvaziadas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O professor de qu\u00edmica Luci- ano Faroa, doutor em hist\u00f3ria da ci\u00eancia e ex-diretor da SBE, faz uma analogia entre os efeitos do esvaziamento dessa rede de t\u00faneis e galeriass com os impactos de um pneu murcho sobre a estabilidade do autom\u00f3vel.<\/p>\n<p> &#8220;?? como pensar em um pneu de carro. Se voc\u00ea tira o ar de dentro, diminui a press\u00e3o e o pneu fica murcho, n\u00e3o consegue sustentar o carro. A mesma coisa acontece quando voc\u00ea tira a \u00e1gua que preenche os vazios das cavernas, o teto n\u00e3o aguenta e pode come\u00e7ar a desabar. Isso gera tremores de baixa intensidade, mas pode ser prejudicial \u00e0s constru\u00e7\u00f5es que est\u00e3o pr\u00f3ximas ou mesmo acabar por desmoronar, gerando abatimentos na superf\u00edcie, que chamamos de dolinas&#8221;, compara o professor Luciano Faria.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3><b>LAGOAS ESVAZIADAS<\/b><\/h3>\n<p><b><br \/><\/b>O rebaixamento do len\u00e7ol de \u00e1gua subterr\u00e2nea vem sendo sentido e acompanhado com preocupa\u00e7\u00e3o pelas autoridades municipais, especialistas e ambientalistas h\u00e1 anos, sendo que, em 2014, muitas das lagoas que d\u00e3o nome ao munic\u00edpio estavam secando. Praticamente todas elas s\u00e3o formadas pelas dolinas, que s\u00e3o abatimentos de solos de cavernas e que permitem o afloramento da \u00e1gua subterr\u00e2nea. Quando essa \u00e1gua \u00e9 drenada, a lagoa perde volume. A que mais sofre com isso, segundo os estudos municipais da \u00e9poca, \u00e9 a Lagoa Grande, que hoje tem menos de um ter\u00e7o do seu volume.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Al\u00e9m do abastecimento urbano, atividades industriais e agr\u00edcolas tamb\u00e9m consomem a \u00e1gua subterr\u00e2nea e colaboram pela drenagem dos t\u00faneis e cavernas. Oficialmente, segundo o Servi\u00e7o Geol\u00f3gico Brasileiro (CPTM), h\u00e1 223 po\u00e7os tubulares ativos em Sete Lagoas, mas n\u00e3o h\u00e1 estimativas de quantos po\u00e7os n\u00e3o declarados ou irregulares atuam. O munic\u00edpio conta, ainda, com 829 hectares (ha) irrigados, de acordo com a Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas (ANA), sendo que 274ha s\u00e3o de culturas anuais em piv\u00f4s centrais e 555ha de outras culturas e sistemas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Outra poss\u00edvel causa dos tremores \u00e9 a libera\u00e7\u00e3o de tens\u00f5es tect\u00f4nicas no subterr\u00e2neo. ???Movimentos de crosta terrestre geram libera\u00e7\u00e3o de tens\u00f5es. Essa energia se espalha em ondas s\u00edsmicas que abalam a superf\u00edcie. A Serra de Santa Helena, em Sete Lagoas, \u00e9 parte da Serra do Espinha\u00e7o, uma \u00e1rea de tens\u00e3o onde ocorreu um choque de blocos de crosta e que permitiu \u00e1reas fr\u00e1geis onde essas tens\u00f5es acabam sendo liberadas&#8221;, afirma Allaoua Saadi, professor titular do Instituto de Geoci\u00eancias da UFMG.\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Isso \u00e9 corroborado como hip\u00f3tese a ser verificada pelo professor Marcelo Peres Rocha, chefe do Observat\u00f3rio Sismol\u00f3gico da UnB. ???Normalmente, esses tremores, no Brasil, s\u00e3o devido a al\u00edvios das tens\u00f5es tect\u00f4nicas em ac\u00famulo e que chegam ao limite da ruptura das rochas???, descreve.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3>Trincas em casa e vidros quebrados<\/h3>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Enquanto a for\u00e7a-tarefa montada pela Prefeitura de Sete Lagoas inicia os estudos para identificar a causa de tantos tremores, a popula\u00e7\u00e3o descreve danos a edifica\u00e7\u00f5es, que ampliam a sua preocupa\u00e7\u00e3o. Depois de ter ido para a rua com seus familiares e vizinhos ao ver a sua casa tremendo, a comerciante Rafaela Avelar de Assis, de 33 anos, conta que, em um dos demais tremores, as ondas s\u00edsmicas (a energia do fen\u00f4meno se propagando pelo solo) espatifaram a porta de vidro temperado que separa a garagem dos fundos na casa da m\u00e3e dela, no Bairro Novo Horizonte.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>No acesso, s\u00f3 restaram as dobradi\u00e7as e a falsa testa da porta ainda presas \u00e0 parede. O vidro verde estilha\u00e7ado encheu um caixote de papel\u00e3o. &#8220;Imagine o susto que a minha m\u00e3e levou quando essa porta de vidro inteira veio abaixo, deixando esses milhares de cacos de vidro afiados. Na hora, voc\u00ea n\u00e3o sabe se tem algu\u00e9m invadindo a casa ou se o tremor vai derrubar a casa toda&#8221;, relata a comerciante.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Assim como ela, muitas pessoas, sobretudo nos bairros vizinhos de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o, Mata Grande e Vale das Palmeiras, relataram trincas nas paredes e vidros quebrados que relacionaram aos tremores. No im\u00f3vel da dona de casa Terezinha Lima dos Santos, de 71, no Bairro Vale das Palmeiras, surgiu uma trinca de 1,5 metro que desce pela parede do teto em dire\u00e7\u00e3o ao solo, depois da s\u00e9rie de tremores. <\/p>\n<p>???Fico com medo dessas coisas, mas a gente fica na m\u00e3o de Deus. Quando escuto, acho que parece uma bomba muito forte e que demora na explos\u00e3o. Depois disso \u00e9 que apareceu no dormit\u00f3rio de visitas uma trinca q<br \/>\nue n\u00e3o tinha. Na casa n\u00e3o tem nenhuma trinca. Mas n\u00e3o avisei \u00e0 Defesa Civil, porque fico com medo de quererem me tirar daqui???, disse.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>A irm\u00e3 dela, a tamb\u00e9m dona de casa Serenita Ant\u00f4nia de Jesus, de 80, \u00e9 moradora do Bairro S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o e por dormir sempre mais tarde, conta que ouve muitos dos estrondos e percebe as janelas tremendo. ???O \u00faltimo (abalo) foi na madrugada de quarta-feira (1\u00ba\/6). Est\u00e1 tendo sempre. Este \u00faltimo at\u00e9 balan\u00e7ou a casa. A janela treme. Mas fiquei em paz, porque \u00e9 coisa de Deus, ent\u00e3o Ele sabe o que faz???, disse.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Segundo o coordenador da for\u00e7a-tarefa e secret\u00e1rio municipal de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Turismo de Sete Lagoas, Edmundo Diniz, descobrir as causas dos tremores trar\u00e1 tranquilidade para a popula\u00e7\u00e3o. ???As pessoas est\u00e3o preocupadas. Tem muita informa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o \u00e9 real e gera p\u00e2nico. Gente dizendo que s\u00e3o explos\u00f5es em pedreiras. Queremos dissipar esse clima de inseguran\u00e7a???, disse.<\/p>\n<h3><b>BAIXA INTENSIDADE<\/b><\/h3>\n<p><b><br \/><\/b>O n\u00famero exato de tremores neste ano, em Sete Lagoas, \u00e9 um dado controverso, girando entre cinco e sete registrados pelas medi\u00e7\u00f5es dos sism\u00f3grafos da rede da Universidade de Bras\u00edlia (UnB) e da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), entre abril e junho, sendo as intensidades entre 1,7 e 3 pontos da escala de momento ou que ainda se referem \u00e0 Escala Richter, que mede o poder do tremor e at\u00e9 hoje n\u00e3o chegou a 10.<\/p>\n<p> Mas os relatos da popula\u00e7\u00e3o s\u00e3o diferentes, com at\u00e9 cinco sendo relatados em hor\u00e1rios diferentes do mesmo dia, podendo se tratar de efeitos de um \u00fanico evento ou realmente acontecimentos distintos, segundo os especialistas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Um dos desabamentos ocorridos no subterr\u00e2neo do terreno c\u00e1rstico, segundo o coordenador da for\u00e7a-tarefa, Edmundo Diniz, foi registrado pela UnB em 29 abril, e atingiu 3 graus, o que \u00e9 considerado um pequeno sismo, que \u00e9 sentido com frequ\u00eancia, mas raramente causa danos. (Veja a tabela acima.) &#8220;Foi registrado pelos sism\u00f3grafos da UnB esse desabamento. Mas n\u00e3o \u00e9 em uma caverna pr\u00f3xima, mas a 14 quil\u00f4metros de profundidade&#8221;, afirma Diniz. (MP)\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sete Lagoas ???\u00a0 No meio da noite, um ru\u00eddo irrompeu chacoalhando janelas e vidros em Sete Lagoas, a 70 quil\u00f4metros de Belo Horizonte. ??s\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":161717,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8648],"tags":[],"class_list":["post-161716","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-minas-gerais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/161716","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=161716"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/161716\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=161716"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=161716"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=161716"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}