{"id":161756,"date":"2022-06-05T11:15:14","date_gmt":"2022-06-05T14:15:14","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/06\/o-colorismo-e-uma-ferramenta-do-racismo-uma-tecnologia-cultural-de-opressao\/"},"modified":"2022-06-05T11:15:14","modified_gmt":"2022-06-05T14:15:14","slug":"o-colorismo-e-uma-ferramenta-do-racismo-uma-tecnologia-cultural-de-opressao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/06\/05\/o-colorismo-e-uma-ferramenta-do-racismo-uma-tecnologia-cultural-de-opressao\/","title":{"rendered":"???O colorismo \u00e9 uma ferramenta do racismo, uma tecnologia cultural de opress\u00e3o???"},"content":{"rendered":"<p class=\"bodytext\">\n<p class=\"bodytext\">Segundo autor brasileiro indicado ao International Booker Prize (o primeiro foi Raduan Nassar, em 2016, por Um Copo de C\u00f3lera), Paulo Scott prefere seguir focado no desafio cont\u00ednuo de escrever bons poemas e boas hist\u00f3rias, para al\u00e9m de listas e premia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Autor de sete livros de poesia e seis livros de prosa, entre eles Marrom e Amarelo (traduzido em ingl\u00eas com o t\u00edtulo Phenotypes e concorrente ao pr\u00eamio), teve seu romance Habitante Irreal lan\u00e7ado na Alemanha, Portugal, Inglaterra, Estados Unidos e Cro\u00e1cia; e o Ainda Orangotangos, de contos, transformado em filme (leia mais sobre as obras premiadas do escritor nessas p\u00e1ginas).<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Nessa entrevista, exclusiva para o CORREIO, ele fala sobre racismo, colorismo, humanismo e, claro, sobre os rumos que a literatura anda tomando, no Brasil e no mundo, no s\u00e9culo 21.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Paulo, lembro da primeira vez em que te vi, aqui na Bahia, em Salvador, em um evento do grupo CORTE (formado pelos escritores Lupeu Lacerda, Lima Trindade, Sandro Ornellas e Wladimir Caz\u00e9) no Icba. N\u00e3o lembro o ano com exatid\u00e3o. Voc\u00ea havia lan\u00e7ado o Ainda Orangotangos. O que mudou na sua escrita at\u00e9 chegarmos a Marrom e Amarelo?<\/strong><br \/> Foi o ano de lan\u00e7amento da reedi\u00e7\u00e3o do Ainda Orangotangos pela Bertrand Brasil, selo do Grupo Record. Lembro bem. Eu j\u00e1 tinha lan\u00e7ado o Vol\u00e1teis, que agora foi reeditado pela Alfaguara. O que dizer? Penso que minha prosa se avizinhou mais da minha poesia, ficou menos inclinada a se acomodar dentro dos par\u00e2metros das estruturas narrativas redondas, did\u00e1ticas, bem resolvidas.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Recentemente, tivemos um vergonhoso epis\u00f3dio de racismo aqui na Bahia, envolvendo o escritor Jeferson Ten\u00f3rio (O Avesso da Pele). Em sua opini\u00e3o, o que motiva esses discursos de \u00f3dio, esses ataques a escritores negros? Qual o modo mais combativo de reagir a eles?<\/strong><br \/> N\u00e3o me parece que um grupo que esteja planejando um ato de viol\u00eancia f\u00edsica, concreta, concertada, contra algu\u00e9m v\u00e1 mandar aviso. O ataque an\u00f4nimo \u00e9 sempre uma express\u00e3o de covardia e se dirige, invariavelmente, a pessoas que chamam aten\u00e7\u00e3o. Penso que esse tipo de a\u00e7\u00e3o intimidat\u00f3ria deve ser enfrentada ??? e o di\u00e1logo que a exp\u00f5e como um ato de desespero e incompreens\u00e3o, de frustra\u00e7\u00e3o e impot\u00eancia, deve ser mantido, estimulado, ampliado.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Marrom e Amarelo foi indicado ao The International\u00a0Booker Prize, maior premia\u00e7\u00e3o \u00a0de l\u00edngua n\u00e3o-inglesa do mundo. Nesse contexto de discursos de \u00f3dio, o que essa indica\u00e7\u00e3o representa para voc\u00ea como escritor?<\/strong><br \/> A caminhada liter\u00e1ria \u00e9 mais complexa. Tudo \u00e9 muito circunstancial, subjetivo, passageiro. Tento encarar (sempre com gratid\u00e3o) como um momento de visibilidade do que produzo e tamb\u00e9m do que produzem outras escritoras e escritores, que, feito eu, teimam em escrever, em contar hist\u00f3rias que fa\u00e7am sentido e se aproximem de alguma perenidade. ?? um momento de notabilidade que opera sobretudo para o mercado, n\u00e3o \u00e9 um centro definitivo validador do que merece aten\u00e7\u00e3o e do que n\u00e3o merece. Penso que essa indica\u00e7\u00e3o, cujo impacto no mercado editorial \u00e9 ineg\u00e1vel, \u00e9 resultado direto do trabalho do meu editor ingl\u00eas e sua equipe, \u00e9 consequ\u00eancia do que foi plantado com a tradu\u00e7\u00e3o do Habitante Irreal para o ingl\u00eas l\u00e1 em 2014. N\u00e3o posso deixar de observar que, nesta edi\u00e7\u00e3o do Booker Prize, as obras foram selecionadas muito mais pela originalidade e pelo vigor da linguagem empregada do que pelo tema em si.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>A sua trajet\u00f3ria como escritor, para al\u00e9m do merecido reconhecimento do presente, tem tamb\u00e9m muita poesia. Qual lugar ela ocupa hoje em sua vida?<\/strong><br \/> A verdadeira revolu\u00e7\u00e3o da literatura brasileira atual est\u00e1 na poesia, quem acompanha de perto sabe. Na poesia, a linguagem est\u00e1 se renovando como nunca ??? e uma gama de novas subjetividades est\u00e1 revelando uma sonoridade, uma dic\u00e7\u00e3o, e um poderoso abalo geral, antes inimagin\u00e1veis. Me defino como um leitor de poesia, a poesia me alimenta. Nada revela melhor o que est\u00e1 oculto. Nesse encontro de se encantar e perceber est\u00e1 toda a magia. Como eu j\u00e1 disse: se n\u00e3o houvesse editoras querendo publicar minha poesia, eu mesmo a publicaria. ?? dimens\u00e3o essencial, e, sendo dimens\u00e3o essencial, \u00e9 o combust\u00edvel da minha linguagem.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>O colorismo \u00e9 o tema central de Marrom e Amarelo. O que te levou a escrever esse livro? A explorar esse tema, t\u00e3o caro pessoalmente para voc\u00ea, muito embora este n\u00e3o seja um relato autobiogr\u00e1fico?<\/strong><br \/> O colorismo brasileiro, que para n\u00f3s \u00e9 um completo tabu, \u00e9, possivelmente, o mais cruel do mundo, porque \u00e9 a express\u00e3o mais gritante de uma viol\u00eancia que s\u00f3 aconteceu no continente americano, onde a escraviza\u00e7\u00e3o de pessoas raptadas da \u00c1frica chegou a um patamar in\u00e9dito de perversidade, uma perversidade que permanece at\u00e9 hoje. Penso que o colorismo \u00e9 cen\u00e1rio para o romance, um cen\u00e1rio que para mim sempre foi incontorn\u00e1vel. Somos um pa\u00eds doente, um pa\u00eds que precisa encontrar a cura da crueldade colonial. Aqui, os negros, somos, com certeza, mais de sessenta por cento. N\u00e3o \u00e9 racional, n\u00e3o \u00e9 inteligente, em termos de na\u00e7\u00e3o, que pessoas de pele escura sejam condenadas sistematicamente \u00e0 elimina\u00e7\u00e3o (incluo nesse espectro os policiais pardos e pretos, que s\u00e3o o bra\u00e7o-capataz dessa elite brasileira ??? esse um por cento que saqueia sem o menor pudor o pa\u00eds, uma elite podre, pregui\u00e7osa e homicida-suicida ???, integrantes da pol\u00edcia que mais mata e mais morre assassinada no mundo). O livro foi rascunhado em um poema que terminei de escrever aos 20 anos e est\u00e1 no meu primeiro livro de poesia, o Hist\u00f3rias Curtas para Domesticar as Paix\u00f5es dos Anjos e Atenuar os Sofrimentos dos Monstros, faz parte da busca por boas hist\u00f3rias.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Considera que houve algum progresso real no modo como hoje os autores negros est\u00e3o inseridos no mercado liter\u00e1rio e no modo como estes s\u00e3o representados em narrativas ficcionais?<\/strong><br \/> Sim, houve uma pequena revolu\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos cinco anos, algo que vinha se esbo\u00e7ando, mas que agora se afirmou. Para sempre? Penso que sim. Veja que mesmo em um cen\u00e1rio pol\u00edtico t\u00e3o adverso, esse momento de protagonismo crescente veio e se consolidou.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Nesse contexto, qual o papel, em sua opini\u00e3o, da entrada dos movimentos negros, com suas pautas, no ambiente acad\u00eamico?<\/strong><br \/> O papel mais importante de toda a hist\u00f3ria desse pa\u00eds, nada ser\u00e1 mais decisivo. Nessa presen\u00e7a de pessoas negras e ind\u00edgenas nos espa\u00e7os acad\u00eamicos determinantes da compreens\u00e3o do pa\u00eds, est\u00e1 a maturidade que os brancos tutores do desgra\u00e7ado projeto civilizat\u00f3rio brasileiro tentaram a todo custo evitar. Nisso, a assun\u00e7\u00e3o do compromisso de luta contra o atraso do racismo brasileiro, um compromisso que deve ser ampliado, pelo governo federal fez diferen\u00e7a enorme. A esquerda deveria ter sido mais ousada. Se tivesse sido, a base social, t\u00e3o exclu\u00edda quando o assunto \u00e9 educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, teria compreendido o que estava por tr\u00e1s do golpe pol\u00edtico encabe\u00e7ado por Michel Temer em 2016, o golpe pol\u00edtico que levou o pa\u00eds a Jair Messias Bolsonaro, o pior presidente da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>O colorismo, voc\u00ea diz, \u00e9 tamb\u00e9m uma arma racista. De que modo essa arma se volta contra os negros? Em que medida afeta a afirma\u00e7\u00e3o da identidade e refor\u00e7a preconceitos?<\/strong><br \/> O colorismo \u00e9 uma ferramenta do racismo, uma tecnologia cultural de opress\u00e3o muito sofisticada, que divide, que estigmatiza, que desintegra a autoestima poss\u00edvel entre as pessoas negras. Somos um pa\u00eds negro, majoritariamente negro. Como podemos continuar submetidos ao olhar controlador do branco europeu? S\u00f3 agora uma identidade recusada por um Estado Republicano que na sua funda\u00e7\u00e3o assumiu a tarefa de eliminar as pessoas negras come\u00e7a a se expressar de maneira ampla e incontorn\u00e1vel. E isso assusta. E n\u00e3o \u00e9 de hoje. Veja o monitoramento e a repress\u00e3o aos bailes negros no Rio de Janeiro durante a ditadura militar iniciada em 1964. Fala-se em morte dos ativistas brancos, mas a repress\u00e3o aos corpos negros e ind\u00edgenas, em termos de quantidade, naquele per\u00edodo, foi ainda pior. N\u00e3o d\u00e1 para explicar o colorismo brasileiro apenas replicando as an\u00e1lises realizadas nos Estados Unidos. L\u00e1 \u00e9 o inferno, mas aqui, pela sofistica\u00e7\u00e3o, pela viol\u00eancia ampla, pela naturaliza\u00e7\u00e3o que ela produz, \u00e9 um inferno ainda pior.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Al\u00e9m de escritor, voc\u00ea \u00e9 advogado e foi professor de direito durante muitos anos. Como esses dois campos, o direito e a literatura, podem se conectar em meio \u00e0 crise \u00e9tica em que nos encontramos hoje em nosso pa\u00eds?<\/strong><br \/> Tenho refletido sobre a \u00e9tica da viol\u00eancia na literatura brasileira contempor\u00e2nea. Para chegar a esse projeto, tive de aprofundar pesquisas e reflex\u00f5es em torno da interdisciplinaridade entre direito e literatura. O direito \u00e9 limite (e opress\u00e3o), a literatura \u00e9 o que enxerga (e se desdobra) al\u00e9m. Hoje, com esse governo perverso, essa onda de perversidade de impacto in\u00e9dito, como n\u00e3o se podia imaginar anos atr\u00e1s, o comportamento das institui\u00e7\u00f5es (incluo parte do Minist\u00e9rio P\u00fablico e do Judici\u00e1rio) est\u00e1 muito comprometido ??? levaremos anos para nos recuperar, por exemplo, da in\u00e9rcia do atual procurador geral da Rep\u00fablica ???, \u00e9 na linguagem da arte que a \u00e9tica (e a media\u00e7\u00e3o \u00e9tica) se afirma. A literatura, e a produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria contempor\u00e2nea, faz parte dessa lente valiosa que o direito e a pol\u00edtica n\u00e3o conseguem alcan\u00e7ar.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Entre direito e literatura, a seu ver, como estabelecer as bases de uma inclus\u00e3o realmente democr\u00e1tica, ou como diz Achille Mbembe em seu artigo cl\u00e1ssico, reinventar o humanismo, criar um p\u00f3s-humanismo?<\/strong><br \/> Tudo \u00e9 linguagem e, num momento posterior, di\u00e1logo e a\u00e7\u00e3o. O direito brasileiro est\u00e1 envenenado desde sua origem porque \u00e9 c\u00famplice (e promotor) da exclus\u00e3o de pessoas (da esmagadora maioria das brasileiras e brasileiros), da morte, da destrui\u00e7\u00e3o, da manuten\u00e7\u00e3o dos privil\u00e9gios, das desigualdades. Democracia \u00e9 dignidade a todas as pessoas. Se n\u00e3o formos todos tratados dignamente, n\u00e3o se alcan\u00e7ar\u00e1 paz, n\u00e3o se alcan\u00e7ar\u00e1 justi\u00e7a, n\u00e3o se afastar\u00e1 o imp\u00e9rio do medo, n\u00e3o se alcan\u00e7ar\u00e1 felicidade. Essa \u00e9 a base, \u00e9 a dial\u00e9tica, que n\u00e3o conseguimos destravar.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>O engajamento tem sido a trincheira de muitos autores hoje, muito em consequ\u00eancia do cen\u00e1rio que vivemos desde 2008. Como v\u00ea esse processo?<\/strong><br \/> Sou um cidad\u00e3o atento, que tenta se engajar, se posicionar. N\u00e3o sou um autor engajado. N\u00e3o acredito em arte politicamente engajada, em literatura engajada (acho at\u00e9 covarde essa postura de salientar, de afirmar, o valor da sua produ\u00e7\u00e3o art\u00edsticas por ela ser engajada). A criatividade deve ser livre ??? a sua percep\u00e7\u00e3o \u00e9 que pode (e deve) repercutir social e politicamente. S\u00e3o dimens\u00f5es diversas; conexas, mas diversas. O poder, insisto, est\u00e1 da leitura e na dial\u00e9tica que acaba gerando.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Logicamente, voc\u00ea deve ter novos projetos na gaveta ou no prelo. Poderia nos adiantar alguns desses projetos? Em quais est\u00e1 envolvido agora?<\/strong><br \/> Estou imerso na escrita do livro ensa\u00edstico Direito Antifascismo Brasileiro. Tamb\u00e9m estou envolvido com o livro de poemas A Luz dos Monstros e do romance Ningu\u00e9m Rondon\u00f3polis (este \u00e9 um policial de fronteira). H\u00e1 textos para o cinema e o teatro tamb\u00e9m, mas prefiro n\u00e3o revelar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo autor brasileiro indicado ao International Booker Prize (o primeiro foi Raduan Nassar, em 2016, por Um Copo de C\u00f3lera), Paulo Scott prefere seguir\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":161757,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[82],"tags":[],"class_list":["post-161756","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-policia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/161756","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=161756"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/161756\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=161756"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=161756"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=161756"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}