{"id":161796,"date":"2022-06-05T12:26:36","date_gmt":"2022-06-05T15:26:36","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/06\/tire-suas-duvidas-sobre-a-variola-dos-macacos\/"},"modified":"2022-06-05T12:26:36","modified_gmt":"2022-06-05T15:26:36","slug":"tire-suas-duvidas-sobre-a-variola-dos-macacos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/06\/05\/tire-suas-duvidas-sobre-a-variola-dos-macacos\/","title":{"rendered":"Tire suas d\u00favidas sobre a var\u00edola dos macacos"},"content":{"rendered":"<div>\n<div>\n<div>\n<p><span>S<\/span>AMUEL FERNANDES<br \/>S??O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Com sintomas como febre, dores no corpo e feridas pelo corpo, a var\u00edola dos macacos preocupa m\u00e9dicos e cientistas pela r\u00e1pida dissemina\u00e7\u00e3o. Segundo o CDC (Centro de Controle de Doen\u00e7as dos EUA), j\u00e1 s\u00e3o mais de 700 casos da doen\u00e7a no mundo.<\/p>\n<p>Um dos pontos ainda em aberto \u00e9 como o v\u00edrus se propagou t\u00e3o r\u00e1pido em diferentes pa\u00edses -fora da \u00c1frica, esse \u00e9 o maior surto j\u00e1 visto. A pouca capacidade de produ\u00e7\u00e3o da vacina para barrar a transmiss\u00e3o do v\u00edrus \u00e9 outro aspecto que preocupa especialistas.Abaixo, veja as principais quest\u00f5es que envolvem o atual cen\u00e1rio da doen\u00e7a e o que pode ser feito para barrar sua transmiss\u00e3o.O que causa a var\u00edola dos macacos?A doen\u00e7a \u00e9 causada pelo monkeypox, um v\u00edrus do g\u00eanero orthopoxvirus. Outro pat\u00f3geno que tamb\u00e9m \u00e9 desse g\u00eanero \u00e9 o que acarreta a var\u00edola, doen\u00e7a erradicada em 1980.<\/p>\n<p>Embora tenham suas semelhan\u00e7as, existem diferen\u00e7as entre as duas doen\u00e7as. Uma delas \u00e9 a letalidade: a var\u00edola matava cerca de 30% dos infectados. J\u00e1 a var\u00edola dos macacos conta com uma taxa de mortalidade entre 3% a 6%, segundo a OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade).Ent\u00e3o a var\u00edola dos macacos n\u00e3o significa um risco por ter menor letalidade?Os riscos menores n\u00e3o indicam que a doen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 grave. Crian\u00e7as, gr\u00e1vidas e imunossuprimidos s\u00e3o pessoas que podem desenvolver quadros mais graves, por exemplo.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o deixa de ser preocupante porque toda doen\u00e7a infectocontagiosa n\u00e3o \u00e9 para correr solta. ?? preciso conter esses surtos&#8221;, afirma Clarissa Damaso, virologista da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e assessora do comit\u00ea da OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade) para pesquisa com v\u00edrus da var\u00edola.<\/p>\n<p>Ela \u00e9 uma das pesquisadoras que comp\u00f5em o grupo de trabalho para enfrentamento da var\u00edola de macacos organizado na UFRJ. A iniciativa realiza testes em pessoas suspeitas da doen\u00e7a -no Brasil, s\u00e3o seis casos investigados- e tamb\u00e9m deve acompanhar os pacientes para observar a evolu\u00e7\u00e3o do quadro cl\u00ednico e evitar a dissemina\u00e7\u00e3o do pat\u00f3geno.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do grupo da UFRJ, outros dois centros realizam testes para diagnosticar a doen\u00e7a no Brasil: o Instituto Adolf Lutz, em S\u00e3o Paulo, e a Funed (Funda\u00e7\u00e3o Ezequiel Dias), em Minas Gerais.<\/p>\n<p>Outro caminho para diagnosticar a doen\u00e7a \u00e9 um teste da empresa Roche. Carlos Martins, presidente da Roche Diagn\u00f3stica no Brasil, afirma que o produto \u00e9 um exame PCR parecido com testes para Covid.<br \/>Segundo ele, os resultados dos exames ficam prontos entre 4 e 8 horas e o produto deve chegar ao Brasil em algumas semanas.Como conter a dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus?Diminuir a transmiss\u00e3o envolve principalmente isolamento dos casos suspeitos e confirmados, al\u00e9m de imunizar pessoas que tiveram contato pr\u00f3ximo com algu\u00e9m infectado. Grupos de maiores riscos, como profissionais de sa\u00fade da linha de frente, tamb\u00e9m podem ser imunizados.<\/p>\n<p>Segundo a OMS, a vacina contra a var\u00edola tem uma taxa de efic\u00e1cia de aproximadamente 85% para a doen\u00e7a causada pelo monkeypox. No entanto, ela n\u00e3o se encontra dispon\u00edvel para o p\u00fablico em geral. Em 2019, outro imunizante foi desenvolvido e tem efic\u00e1cia na preven\u00e7\u00e3o da var\u00edola dos macacos, mas tem produ\u00e7\u00e3o em pequena escala.<\/p>\n<p>Atualmente, o Brasil n\u00e3o conta com as vacinas. Marcelo Queiroga, ministro da Sa\u00fade, afirmou que a pasta est\u00e1 em contato com a Opas (Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana da Sa\u00fade) para avaliar compras de doses, mas ainda em avalia\u00e7\u00e3o.O que explica a nova onda de casos?A var\u00edola dos macacos j\u00e1 era conhecida, mas era registrada principalmente em pa\u00edses africanos. O que deixou a comunidade cient\u00edfica em alerta foi a dissemina\u00e7\u00e3o r\u00e1pida do v\u00edrus para outros pa\u00edses fora da \u00c1frica.<\/p>\n<p>Apesar da refer\u00eancia aos macacos, os hospedeiros naturais do monkeypox provavelmente s\u00e3o roedores, como ratos. A partir deles, o v\u00edrus pode ser transmitido aos humanos por meio do contato com fluidos ou les\u00f5es dos animais infectados.<\/p>\n<p>De pessoa para pessoa, a transmiss\u00e3o acontece por meio de contato pr\u00f3ximo. A infec\u00e7\u00e3o pode ser por vias respirat\u00f3rias, mas \u00e9 preciso contato face a face perto por tempo prolongado. Em compara\u00e7\u00e3o, o Sars-CoV-2, v\u00edrus que causa a Covid-19, tamb\u00e9m se transmite por vias respirat\u00f3rias, mas n\u00e3o precisa de um contato t\u00e3o pr\u00f3ximo e nem prolongado.<\/p>\n<p>Outra forma de infec\u00e7\u00e3o s\u00e3o por meio das feridas, parecidas com bolhas, que a var\u00edola dos macacos causa na pele. Cristina Bonorino, imunologista e professora titular da UFCSPA (Universidade Federal de Ci\u00eancias da Sa\u00fade de Porto Alegre), explica que o l\u00edquido dentro dessas bolhas cont\u00e9m o v\u00edrus. Sendo assim, o contato direto com essas secre\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m causa a propaga\u00e7\u00e3o do pat\u00f3geno.<\/p>\n<p>Por justamente ter uma transmiss\u00e3o que precisa de contato muito pr\u00f3ximo, os novos casos ainda carecem de explica\u00e7\u00f5es. &#8220;N\u00f3s n\u00e3o estamos entendendo exatamente como est\u00e1 acontecendo essa transmiss\u00e3o&#8221;, afirma Damaso.<\/p>\n<p>A hip\u00f3tese mais relatada \u00e9 que uma pessoa pode ter sido infectada na \u00c1frica e transmitido para outros indiv\u00edduos fora do continente africano em aglomera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Isso pode ter acontecido principalmente porque o in\u00edcio da doen\u00e7a tem sintomas comuns e pode gerar confus\u00f5es. &#8220;Pode acontecer da pessoa estar no in\u00edcio da sintomatologia, se sentindo um pouco mal, mas confundir com uma gripe, por exemplo, e passar adiante&#8221;, diz Damaso.<br \/>Outra hip\u00f3tese que pode ser investigada s\u00e3o casos assintom\u00e1ticos, diz Bonorino. &#8220;Uma pergunta \u00e9: ser\u00e1 que existe uma forma que n\u00e3o causa bolhas e por isso se espalhou mais rapidamente? N\u00e3o sabemos.&#8221;<br \/>Uma terceira suposi\u00e7\u00e3o \u00e9 de muta\u00e7\u00f5es no pat\u00f3geno. V\u00edrus de DNA como o monkeypox t\u00eam uma chance muito menor de sofrer altera\u00e7\u00f5es. Mesmo assim, essa possibilidade n\u00e3o deve ser descartada, diz Raquel Stucchi, infectologista e professora da Unicamp (Universidade de Campinas).<\/p>\n<p>&#8220;Realmente o v\u00edrus n\u00e3o costuma ter mudan\u00e7as, mas alguma coisa aconteceu nele para explicarmos essa explos\u00e3o t\u00e3o grande de casos.&#8221;E como \u00e9 o tratamento?O tecovirimat \u00e9 um medicamento que pode ser usado no tratamento. Recentemente, um estudo publicado na The Lancet investigou o rem\u00e9dio em casos de monkeypox e viu um efeito positivo.<\/p>\n<p>Outro medicamento \u00e9 o brincidofovir, antiviral que j\u00e1 tem aprova\u00e7\u00e3o do FDA (Ag\u00eancia de Alimentos e Drogas dos Estados Unidos) para tratamento da var\u00edola.<\/p>\n<p>No entanto, nenhum dos rem\u00e9dios est\u00e1 dispon\u00edvel no Brasil. &#8220;At\u00e9 o momento, a Anvisa n\u00e3o recebeu solicita\u00e7\u00e3o de autoriza\u00e7\u00e3o para vacina ou medicamentos contra a var\u00edola ou var\u00edola do macaco&#8221;, informa a ag\u00eancia em nota.<\/p>\n<p>A Anvisa tamb\u00e9m afirma que \u00e9 responsabilidade das farmac\u00eauticas fazerem o pedido e ainda indica que \u00e9 &#8220;poss\u00edvel autorizar a importa\u00e7\u00e3o [&#8230;] em situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia de sa\u00fade p\u00fablica&#8221;.O que fazer a partir de agora?Embora a situa\u00e7\u00e3o seja at\u00edpica, as chances da var\u00edola dos macacos se tornar uma pandemia s\u00e3o pequenas pela baixa capacidade de transmiss\u00e3o do v\u00edrus.<\/p>\n<p>Mesmo assim, medidas precisam ser tomadas. Elas envolvem principalmente testar casos suspeitos da doen\u00e7a, isolamento nos positivados ou at\u00e9 o resultado do exame e aplica\u00e7\u00e3o de vacinas naqueles que tiveram contatos.<\/p>\n<p>&#8220;?? importante a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o ter p\u00e2nico. N\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a nova. Sabemos que existe h\u00e1 muito tempo e temos armas para combater&#8221;, afirma Damaso. Ela tamb\u00e9m explica que os antivirais podem ser \u00fateis para tratar casos mais graves da doen\u00e7a no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as especialistas afirmam que o novo surto s\u00f3 chamou aten\u00e7\u00e3o quando a doen\u00e7a se espalhou para regi\u00f5es mais ricas do mundo, como Estados Unidos e Europa, m<br \/>\nas quando era end\u00eamica somente na \u00c1frica n\u00e3o tinha tanto apelo.<\/p>\n<p>O fato abre alerta para as chamadas doen\u00e7as negligenciadas, aquelas sem tanto investimento para pesquisas cient\u00edficas. &#8220;N\u00f3s nunca damos import\u00e2ncia ao que acontece na \u00c1frica at\u00e9 que chegue ao mundo todo&#8221;, conclui Stucchi.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SAMUEL FERNANDESS??O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Com sintomas como febre, dores no corpo e feridas pelo corpo, a var\u00edola dos macacos preocupa m\u00e9dicos e\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":161797,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8135],"tags":[],"class_list":["post-161796","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-estilo-de-vida"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/161796","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=161796"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/161796\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=161796"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=161796"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=161796"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}