{"id":162125,"date":"2022-06-06T06:15:40","date_gmt":"2022-06-06T09:15:40","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/06\/respeite-os-cabelos-brancos-discriminar-por-idade-no-trabalho-e-coisa-do-passado\/"},"modified":"2022-06-06T06:15:40","modified_gmt":"2022-06-06T09:15:40","slug":"respeite-os-cabelos-brancos-discriminar-por-idade-no-trabalho-e-coisa-do-passado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/06\/06\/respeite-os-cabelos-brancos-discriminar-por-idade-no-trabalho-e-coisa-do-passado\/","title":{"rendered":"Respeite os cabelos brancos: discriminar por idade no trabalho \u00e9 coisa do passado"},"content":{"rendered":"<p class=\"bodytext\">\n<p class=\"bodytext\">Aos 54 anos, a Analista de Servi\u00e7os I\u00eada Moresco atua h\u00e1 muito tempo numa mesma empresa e, vez em quando, escuta uma piadinha pelo tempo de casa e por sua idade. Apesar da sua experi\u00eancia e disposi\u00e7\u00e3o em se manter atualizada, alguns colegas insistem em praticar o etarismo, discrimina\u00e7\u00e3o \u00e0 partir da idade.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???Eu acredito na cren\u00e7a limitante e n\u00e3o no fator limitante, porque isso varia de pessoa para pessoa, de profissional para profissional. Claro que existem os desafios e, com eles, as adapta\u00e7\u00f5es. Mas o que mais te limita \u00e9 a mente, e n\u00e3o a idade???, defende a analista.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"666\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/6\/5\/csm_Ieda_Moresco_1_2c09a5c634.jpg\" width=\"999\"\/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><strong>I\u00eada Moresco defende que a idade n\u00e3o limita, mas a cren\u00e7a sim. Ela afirma que as empresas perdem muito quando n\u00e3o investem em diversidade (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\">Numa sociedade marcada pelo culto \u00e0 juventude, o mercado de trabalho precisa rever os crit\u00e9rios usados para classificar os chamados 50+. Afinal, dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade mostram que o Brasil ter\u00e1 mais pessoas acima dos 65 anos do que crian\u00e7as entre zero e 14 anos, em 2030 e, apesar do evidente envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o, as empresas continuam excluindo profissionais mais velhos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Dados da Pesquisa de Diversidade, feita pela HRtech Pulses em parceria com a startup Nohs Somos, mostrou que colaboradores que t\u00eam idade entre 46 e 55 s\u00e3o apenas 11% da for\u00e7a de trabalho, enquanto os Baby Boomers, aqueles com mais de 55 anos, s\u00f3 t\u00eam 2% de profissionais ativos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Respeito e prop\u00f3sito<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Co-founder e especialista em People Science da Pulses, Beth Navas destaca o resultado de estudo que mostram que as gera\u00e7\u00f5es valorizam e querem as mesmas coisas, como confian\u00e7a, respeito e prop\u00f3sito. A grande diferen\u00e7a \u00e9 que as prioridades, expectativas e comportamentos variam de forma vis\u00edvel, dependendo do contexto de quando e como foram criadas.\u00a0<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"657\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/a\/7\/csm_Beth_Navas_Cofounder_da_Pulses.3__1__1_0d8ea5d2be.jpg\" width=\"1000\"\/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\n<p class=\"text-center\"><strong>Beth Navas defende que, independente da faixa et\u00e1ria, os trabalhadores desejam coisas parecidas, a exemplo de confian\u00e7a, respeito e prop\u00f3sito (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/strong><\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\">???As pessoas t\u00eam muitas concep\u00e7\u00f5es e sentimentos a respeito de cada uma dessas gera\u00e7\u00f5es. No entanto, somos muito mais parecidos do que diferentes. As pessoas querem um trabalho, flexibilidade, apoio, reconhecimento. E nada disso est\u00e1 relacionado a apenas uma gera\u00e7\u00e3o???, afirma.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A especialista lembra que no caso do etarismo, existem tr\u00eas aspectos importantes que devem ser considerados: atitudes preconceituosas, pr\u00e1ticas discriminat\u00f3rias contra os idosos e pr\u00e1ticas e pol\u00edticas institucionais que perpetuam cren\u00e7as estereotipadas sobre os idosos, deteriorando sua dignidade pessoal.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">???S\u00e3o atitudes e cren\u00e7as que est\u00e3o relacionadas e se refor\u00e7am mutuamente, muito por conta da sociedade em que vivemos, onde os jovens s\u00e3o muito mais valorizados do que os idosos. ?? uma quest\u00e3o at\u00e9 cultural. Ningu\u00e9m quer envelhecer ou parecer velho???, completa.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">CEO da The Soul Factor, empresa de Executive Search e advisory de carreira, sediada nos EUA com atua\u00e7\u00e3o internacional, especializada em encontrar talentos para organiza\u00e7\u00f5es multinacionais, digitais ou em transforma\u00e7\u00e3o digital, Erica Castelo defende que se o Brasil souber usar a oportunidade e manter essas pessoas, as mais velhas, ativas, movimentar\u00e1 muito mais a economia.<\/p>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"622\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/_processed_\/4\/a\/csm_Erica_Castelo_1_ok_0dadcc0505.jpg\" width=\"1000\"\/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><strong>Erica Castelo refor\u00e7a que o etarismo \u00e9 resultado de preconceitos arraigados e descolados dos novos tempos, onde a expectativa de vida \u00e9 maior (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\">???Hoje em dia, 65 anos ou mais, essas pessoas est\u00e3o cheias de energia. A popula\u00e7\u00e3o anda tendo filhos mais velha e precisa de recursos. Ent\u00e3o, eu acho que se o Brasil abrir mais o mercado de trabalho, a economia s\u00f3 tem a ganhar???, afirma.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Passado persistente<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">Erica acredita que o etarismo \u00e9 resultado de uma mentalidade antiquada que n\u00e3o se atualizou. ???Os homens se aposentavam cedo, com 50 anos, meu av\u00f4 mesmo aposentou com 50 anos. Eu acho que \u00e9 o puro preconceito. Homens com 60 anos ou mais ainda t\u00eam filhos dentro de casa e precisam ajudar os filhos. Esses trabalhadores 50 + s\u00e3o pessoas cheias de energia e est\u00e3o totalmente aptas a participar da for\u00e7a de trabalho???, garante. \u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Uma vez que n\u00e3o h\u00e1 como parar o rel\u00f3gio invis\u00edvel da vida, o jeito \u00e9 vencer a mentalidade e seguir. No caso de I\u00eada, a alternativa foi criar empatia pelo novo e perceber que no ambiente laborativo, a diversidade \u00e9 um valor que acrescenta mais do que dificulta. ???Continuem buscando conhecimento em diversas \u00e1reas, n\u00e3o apenas naquelas que voc\u00ea est\u00e1 atuando. Descubra novos interesses, cuide da sa\u00fade (corpo e mente), cuide da parte espiritual, compartilhe e aprenda com os profissionais menos experientes???, aponta.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Beth Navas afirma que, com a necessidade de contar com uma m\u00e3o de obra mais envelhecida, as empresas dever\u00e3o repensar como melhorar as habilidades destes profissionais de forma cont\u00ednua e n\u00e3o tradicional, para navegar em ambientes formais e informais de aprendizagem.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Para fundamentar sua argumenta\u00e7\u00e3o, ela cita um estudo recente, em Singapura, que aponta para a necessidade de uma revis\u00e3o nos m\u00e9todos pedag\u00f3gicos tradicionais, com maior foco para modelos mais contextualizados de geragogia, ou educa\u00e7\u00e3o de idosos, com instrutores mais emp\u00e1ticos, m\u00e9todos de ensino mais vers\u00e1teis com \u00eanfase nas aplica\u00e7\u00f5es da vida real, curr\u00edculos mais flex\u00edveis e ambientes de aprendizagem mais inclusivos. ???Mas o grande desafio continua sendo lidar com o preconceito et\u00e1rio e promover a confian\u00e7a e autoestima dos alunos para que consigam desenvolver o seu melhor potencial???, acredita.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Beth salienta que outra consequ\u00eancia decorrente da &#8220;escassez de jovens talentos&#8221; nas organiza\u00e7\u00f5es ser\u00e1 a necessidade de uma revis\u00e3o nas pol\u00edticas e pr\u00e1ticas de Diversidade Et\u00e1ria. A pr\u00e1tica de contratar pessoas jovens para cargos de n\u00e3o lideran\u00e7a ter\u00e1 que ser revista, bem como as normas de idade vigentes para cada n\u00edvel hier\u00e1rquico da organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">&#8220;Na outra ponta, a pol\u00edtica de aposentadoria compuls\u00f3ria, bastante comum em muitas organiza\u00e7\u00f5es, deve ter seus par\u00e2metros e objetivos revisados, j\u00e1 que n\u00e3o ser\u00e1 de interesse da empresa nem do funcion\u00e1rio antecipar esta sa\u00edda???, conclui.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Para investir em diversidade et\u00e1ria:<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext\">&#8211; cria\u00e7\u00e3o de um ambiente de seguran\u00e7a psicol\u00f3gica, estruturado a partir de uma lideran\u00e7a inclusiva, que promove a diversidade e inclus\u00e3o em seus times, tratando todos de forma justa, buscando perspectivas diferentes da sua e encorajando as pessoas a serem elas mesmas;<\/p>\n<p class=\"bodytext\">&#8211; incluir metas de diversidade, equidade e inclus\u00e3o no planejamento estrat\u00e9gico a partir da defini\u00e7\u00e3o de m\u00e9tricas e indicadores que favore\u00e7am o acompanhamento das pr\u00e1ticas estabelecidas pela empresa, demonstrando o compromisso da organiza\u00e7\u00e3o com o tema;<\/p>\n<p class=\"bodytext\">&#8211; cria\u00e7\u00e3o de grupos de afinidade para estudo e discuss\u00e3o de temas relacionados \u00e0 diversidade e inclus\u00e3o de diferentes grupos minorit\u00e1rios. A ades\u00e3o deve ser espont\u00e2nea e seria importante ter representantes de v\u00e1rias \u00e1reas e gera\u00e7\u00f5es;<\/p>\n<p class=\"bodytext\">&#8211; ado\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas que visem favorecer a conviv\u00eancia entre as diferentes gera\u00e7\u00f5es presentes nos ambientes de trabalho, incluindo o desenvolvimento de habilidades tecnol\u00f3gicas para profissionais com 50+ e programas de mentoria e mentoria reversa. Esses s\u00e3o passos importantes que podem ser dados pela \u00e1rea de Recursos Humanos para incentivar o processo, bem como a cria\u00e7\u00e3o de indicadores envolvendo aspectos relacionados \u00e0 interseccionalidade;<\/p>\n<p class=\"bodytext\">&#8211; ampliar a representatividade de mulheres e negros 50+ em cargos de lideran\u00e7a tamb\u00e9m s\u00e3o pontos a serem considerados, bem como a implanta\u00e7\u00e3o de um c\u00f3digo de \u00e9tica e conduta. Al\u00e9m disso, \u00e9 importante ter um canal de den\u00fancias com objetivo de coibir comportamentos excludentes.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\"> \u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos 54 anos, a Analista de Servi\u00e7os I\u00eada Moresco atua h\u00e1 muito tempo numa mesma empresa e, vez em quando, escuta uma piadinha pelo\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":162126,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[130],"tags":[],"class_list":["post-162125","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-politica2"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/162125","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=162125"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/162125\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=162125"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=162125"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=162125"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}