{"id":162155,"date":"2022-06-06T08:15:42","date_gmt":"2022-06-06T11:15:42","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/06\/teolandia-gusttavo-lima-e-a-festa-dos-bananas\/"},"modified":"2022-06-06T08:15:42","modified_gmt":"2022-06-06T11:15:42","slug":"teolandia-gusttavo-lima-e-a-festa-dos-bananas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/06\/06\/teolandia-gusttavo-lima-e-a-festa-dos-bananas\/","title":{"rendered":"Teol\u00e2ndia, Gusttavo Lima e a festa dos bananas\u00a0"},"content":{"rendered":"<p class=\"bodytext\">\n<p class=\"bodytext\">Sempre que dirijo pela estrada, fico atento \u00e0s pequenas cidades por onde passo. Carrego comigo sempre a desconfian\u00e7a de que h\u00e1 algo de belo, bom ou proveitoso para se fazer; seja uma vista, uma pra\u00e7a, uma comida, um monumento hist\u00f3rico. Paro por a\u00ed, infelizmente. Pensar num museu, teatro, centro cultural j\u00e1 me parece utopia, frente aos n\u00fameros que citei no artigo passado.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Muita gente tem dito que o crescimento vigoroso das igrejas evang\u00e9licas deve-se ao fato delas estarem preenchendo as lacunas da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Onde prefeituras, governos estaduais e federal n\u00e3o chegam, com educa\u00e7\u00e3o, cultura, sa\u00fade, e na m\u00ednima tentativa de diminui\u00e7\u00e3o da mis\u00e9ria, viol\u00eancia e desigualdade, as igrejas ocupam espa\u00e7o carente e vazio.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Passei por Teol\u00e2ndia mais uma vez, ontem, vindo para Itabuna. A cidade \u00e9 cortada pelo Rio Preto, um rio bonito. Mas a cidade d\u00e1 as costas para o rio em sua urbaniza\u00e7\u00e3o. Sua apar\u00eancia, na beira da estrada e olhando mais ao longe, \u00e9 de uma cidade muito feia. Um aglomerado com casas sem reboco, crescimento desordenado misturando pobreza e est\u00e9tica duvidosa. O que falo com tristeza. Terra da banana, poderia ter alguma atra\u00e7\u00e3o voltada a isso, pelo menos. No entanto, assim como outras pequenas cidades, parecem rasgos na estrada, feridas urbanas enfeando o caminho e a paisagem.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Em Teol\u00e2ndia, especificamente, uma constru\u00e7\u00e3o chama a aten\u00e7\u00e3o. Um pr\u00e9dio espelhado, com aquela arquitetura imitando a moda, que transita entre cl\u00ednica m\u00e9dica e casa de novo rico em Alphaville. ?? uma igreja da Assembleia de Deus. No meio da feiura e da mis\u00e9ria, do crescimento desordenado, surge uma constru\u00e7\u00e3o que, aos olhos carentes de uma cidade abandonada \u00e0 pr\u00f3pria sorte, \u00e9 um o\u00e1sis. Ali, deve parecer existir alguma salva\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">(N\u00e3o poderia deixar de abrir um par\u00eanteses para comparar com a situa\u00e7\u00e3o de Itabuna. No Jardim do ??, temos, de um lado, uma imponente Igreja Universal do Reino de Deus. Do outro, o abandonado e sucateado Centro de Cultura Adonias Filho, prova violenta da mis\u00e9ria cultural com que a Secretaria de Cultura da Bahia trata as artes e o interior do Estado. Onde nosso povo acha que vai encontrar a salva\u00e7\u00e3o?)\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Teol\u00e2ndia tem seu grande momento do ano concentrado na Festa da Banana. Recentemente, a cidade tornou-se not\u00edcia nacional por conta do cach\u00ea de mais de 700 mil reais destinados a Gusttavo Lima. A cidade ainda encontra-se em estado de emerg\u00eancia, por conta das fortes chuvas, e a prefeitura havia declarado n\u00e3o ter recursos para custear a\u00e7\u00f5es emergenciais, e nem cumprir com o piso salarial dos professores, alegando &#8220;incapacidade financeira e comprometimento com outras \u00e1reas&#8221;.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A cidade, em estado de emerg\u00eancia, sem honrar o pagamento de seus professores, descuidada, sem pol\u00edticas p\u00fablicas que possam melhorar sus condi\u00e7\u00f5es sociais, culturais e estruturais, destina mais de 2 milh\u00f5es a uma festa, sendo mais de 700 mil a apenas um artista, e a cidade faz o qu\u00ea? Vai \u00e0 rua protestar. Contra quem? Contra a decis\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico de barrar a festa frente \u00e0s anomalias or\u00e7ament\u00e1rias.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A ideia das festas anuais \u00e9 genial. A popula\u00e7\u00e3o pode se lascar o ano inteiro, mas espera aqueles dias para extravasar, ser feliz. Parte da popula\u00e7\u00e3o, em estado de mis\u00e9ria, conta tamb\u00e9m com esse per\u00edodo para ganhar algum, vendendo alimentos, lucrando por alguns poucos dias com seu com\u00e9rcio ou como ambulante.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">N\u00e3o parece passar, na cabe\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o, que uma cidade viva, o ano inteiro, cheia de atra\u00e7\u00f5es, espa\u00e7os e manifesta\u00e7\u00f5es culturais, feiras, museus, teatros, eventos, n\u00e3o s\u00f3 melhora seu povo, como faz o com\u00e9rcio girar ininterruptamente, al\u00e9m de atrair gente de outras cidades vizinhas.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">O estado de emerg\u00eancia do pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 das fortes chuvas, mas das inexistentes pol\u00edticas p\u00fablicas para a arte, a cultura, a educa\u00e7\u00e3o. Enquanto assim for, o povo continuar\u00e1 queimando pneu na pista para defender que a prefeitura queime seu or\u00e7amento em festas, com cach\u00eas exorbitantes.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">E o resto do ano, faz o qu\u00ea? Uns v\u00e3o ao bar, outros v\u00e3o ao culto, esperando as festas dos bananas que somos todos n\u00f3s.\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sempre que dirijo pela estrada, fico atento \u00e0s pequenas cidades por onde passo. 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