{"id":163051,"date":"2022-06-07T13:18:19","date_gmt":"2022-06-07T16:18:19","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/06\/pesquisa-testa-uso-do-leite-materno-para-tratar-covid-em-quadro-de-imunodeficiencia-grave\/"},"modified":"2022-06-07T13:18:19","modified_gmt":"2022-06-07T16:18:19","slug":"pesquisa-testa-uso-do-leite-materno-para-tratar-covid-em-quadro-de-imunodeficiencia-grave","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/06\/07\/pesquisa-testa-uso-do-leite-materno-para-tratar-covid-em-quadro-de-imunodeficiencia-grave\/","title":{"rendered":"Pesquisa testa uso do leite materno para tratar Covid em quadro de imunodefici\u00eancia grave"},"content":{"rendered":"<p> Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) recorreram a um m\u00e9todo nada convencional para tratar a Covid-19 em uma paciente com uma doen\u00e7a gen\u00e9tica rara que torna seu sistema imune incapaz de combater v\u00edrus e outros pat\u00f3genos.\u00a0<br \/>\n\u00a0<br \/>\nDurante uma semana, ela foi orientada a ingerir 30 mililitros de leite materno &#8211; de uma doadora vacinada contra o SARS-CoV-2 &#8211; a cada tr\u00eas horas. Ap\u00f3s esse per\u00edodo, o resultado do teste de RT-PCR &#8211; que h\u00e1 mais de 120 dias vinha indicando a presen\u00e7a do RNA viral &#8211; finalmente veio negativo.<br \/>\n\u00a0<br \/>\n\u00a0<br \/>\nO caso foi relatado em artigo publicado na revista Viruses. &#8220;Tenho acompanhado essa paciente desde crian\u00e7a e quando ela me contou que estava com COVID-19 eu fiquei muito apreensiva. O erro inato da imunidade que ela apresenta deixa seu sistema de defesa todo desregulado. Sua resposta inflamat\u00f3ria \u00e9 deficit\u00e1ria, h\u00e1 poucas c\u00e9lulas se mobilizando para o local da inflama\u00e7\u00e3o e baixa produ\u00e7\u00e3o de anticorpos. As caracter\u00edsticas de virul\u00eancia dos agentes infeciosos podem levar a dois desfechos nesses casos: infec\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica ou morte&#8221;, conta a pediatra Maria Marluce dos Santos Vilela, professora da Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas (FCM-Unicamp) e autora principal do artigo.<br \/>\n\u00a0<br \/>\nA pesquisadora explica que o sistema imune humano e dos demais mam\u00edferos produz normalmente cinco tipos de anticorpos: as imunoglobulinas IgM, IgG, IgA, IgE e IgD. Portadores dessa doen\u00e7a &#8211; conhecida como s\u00edndrome de imunodesregula\u00e7\u00e3o &#8211; geralmente t\u00eam pouco IgE e, em alguns casos, aus\u00eancia completa de IgA, o principal anticorpo neutralizante de v\u00edrus e outros pat\u00f3genos, que costuma estar presente no leite materno, nas secre\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias e gastrintestinais. Al\u00e9m disso, h\u00e1 uma produ\u00e7\u00e3o muito baixa de IgG, normalmente o anticorpo mais abundante no sangue e respons\u00e1vel por reconhecer e neutralizar ant\u00edgenos com os quais o organismo j\u00e1 teve contato pr\u00e9vio. H\u00e1 apenas 157 casos do tipo descritos no mundo, caracterizados em estudo publicado no Journal of Allergy and Clinical Immunology, do qual Vilela \u00e9 coautora.<br \/>\n\u00a0<br \/>\n&#8220;Nossa estrat\u00e9gia foi manter a paciente isolada em casa, sob os cuidados da m\u00e3e &#8211; que monitorou a oxigena\u00e7\u00e3o, temperatura corporal e a nutri\u00e7\u00e3o. No hospital ela poderia contrair uma infec\u00e7\u00e3o bacteriana, o que tornaria o quadro ainda mais grave. E desde o diagn\u00f3stico, em mar\u00e7o de 2021, n\u00f3s a acompanhamos periodicamente por v\u00eddeo&#8221;, conta a m\u00e9dica.<br \/>\n\u00a0<br \/>\nNos primeiros 15 dias de infec\u00e7\u00e3o a paciente apresentou febre, perda de apetite e de peso, tosse e indisposi\u00e7\u00e3o. Mas para surpresa e al\u00edvio de Vilela, o pulm\u00e3o e demais sistemas mantiveram-se inalterados. Passados dois meses, o quadro permanecia o mesmo e o grupo ent\u00e3o decidiu testar, em parceria com o Hemocentro da Unicamp, o tratamento com plasma de convalescente, ou seja, a transfus\u00e3o de anticorpos produzidos por pessoas que haviam se curado da Covid-19, principalmente os do tipo IgG.<br \/>\n\u00a0<br \/>\nO procedimento foi feito e promoveu melhora dos sintomas e redu\u00e7\u00e3o de marcadores inflamat\u00f3rios no sangue. Mas, ap\u00f3s 15 dias, o exame de RT-PCR permanecia positivo e a paciente seguia apresentando sintomas leves e sinais do que os m\u00e9dicos chamam de adinamia, que \u00e9 uma grande fraqueza muscular associada a processos infecciosos prolongados.<br \/>\n\u00a0<br \/>\n&#8220;Ficamos receosos de que a infec\u00e7\u00e3o se prolongasse por muito tempo, o que a debilitaria ainda mais e aumentaria o risco de contaminar outras pessoas. Nessa mesma \u00e9poca, sa\u00edram os resultados de um estudo mostrando que mulheres lactantes imunizadas com a vacina da Pfizer produziam leite com uma quantidade razo\u00e1vel de IgA. Decidimos ent\u00e3o fazer a experi\u00eancia assistencial de reposi\u00e7\u00e3o de IgA via leite materno&#8221;, conta Vilela.<br \/>\n\u00a0<br \/>\nA pesquisadora conta que s\u00f3 foi poss\u00edvel fazer o ensaio porque h\u00e1 no pa\u00eds uma legisla\u00e7\u00e3o r\u00edgida que garante a seguran\u00e7a dos bancos de leite. Somente podem doar mulheres saud\u00e1veis, com testes negativos para doen\u00e7as infecciosas como Aids, s\u00edfilis e hepatite, entre outras. E o sistema tamb\u00e9m permite saber se a doadora foi imunizada.<br \/>\n\u00a0<br \/>\n&#8220;Recomendamos a ela o consumo do leite por via oral, pois o IgA funciona como uma &#8216;vassoura&#8217;, ou seja, vai grudando nos pat\u00f3genos ao longo de todo o trato gastrointestinal e tudo que \u00e9 impr\u00f3prio \u00e9 eliminado nas fezes. O intervalo de tr\u00eas horas entre as doses &#8211; exceto no per\u00edodo noturno &#8211; foi pensado para n\u00e3o dar chance de o v\u00edrus continuar se replicando&#8221;, conta a pediatra.<br \/>\n\u00a0<br \/>\nO teste negativou ap\u00f3s uma semana e outros dois exames, feitos com intervalos de dez dias cada, tamb\u00e9m n\u00e3o detectaram a presen\u00e7a do SARS-CoV-2. &#8220;E ainda seguimos fazendo testes de RT-PCR para SARS-CoV-2. Nossa preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 que, com as novas variantes, ela adquira uma infec\u00e7\u00e3o assintom\u00e1tica&#8221;, diz a m\u00e9dica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) recorreram a um m\u00e9todo nada convencional para tratar a Covid-19 em uma paciente com uma doen\u00e7a gen\u00e9tica\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":163052,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[174],"tags":[],"class_list":["post-163051","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-saude3"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/163051","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=163051"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/163051\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=163051"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=163051"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=163051"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}