{"id":163714,"date":"2022-06-08T10:23:47","date_gmt":"2022-06-08T13:23:47","guid":{"rendered":"http:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/06\/fome-no-brasil-quase-dobra-apos-dois-anos-de-pandemia\/"},"modified":"2022-06-08T10:23:47","modified_gmt":"2022-06-08T13:23:47","slug":"fome-no-brasil-quase-dobra-apos-dois-anos-de-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/06\/08\/fome-no-brasil-quase-dobra-apos-dois-anos-de-pandemia\/","title":{"rendered":"Fome no Brasil quase dobra ap\u00f3s dois anos de pandemia"},"content":{"rendered":"<div>Ap\u00f3s dois anos de pandemia, o n\u00famero de brasileiros sem ter o que comer quase dobrou no pa\u00eds. Atualmente,\u00a033,1 milh\u00f5es de pessoas convivem com a fome, 14 milh\u00f5es a mais que no fim de 2020. ?? o que aponta o Inqu\u00e9rito Nacional sobre Inseguran\u00e7a Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, divulgado nesta quarta-feira (8\/6).\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O levantamento analisou dados entre novembro de 2021 e abril de 2022, a partir de entrevistas em 12.745 domic\u00edlios em \u00e1reas urbanas e rurais de 577 munic\u00edpios. A Seguran\u00e7a Alimentar e a Inseguran\u00e7a Alimentar foram medidas pela Escala Brasileira de Inseguran\u00e7a Alimentar (Ebia).\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Atualmente, os dados indicam o avan\u00e7o preocupante da fome no pa\u00eds. Em contexto de pandemia, piora na crise econ\u00f4mica e com a falta de pol\u00edticas p\u00fablicas efetivas direcionadas, o n\u00famero de domic\u00edlios com moradores passando fome saltou de 9% para 15,5%.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<h2>Inseguran\u00e7a alimentar<\/h2>\n<div><\/div>\n<div>Mais da metade da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds vive com algum grau de inseguran\u00e7a alimentar, o equivalente a 125,2 milh\u00f5es de pessoas (58,7%). De acordo com a pesquisa, 15,5% vivem com inseguran\u00e7a alimentar grave; 15,2% com inseguran\u00e7a moderada e 28%, leve. Os n\u00fameros indicam um aumento de 7,2% com rela\u00e7\u00e3o a 2020.\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Conforme defini\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO), a inseguran\u00e7a alimentar ocorre quando um indiv\u00edduo n\u00e3o tem acesso f\u00edsico, econ\u00f4mico e social a alimentos b\u00e1sicos necess\u00e1rios. A\u00a0fome representa sua forma mais grave.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>???Ao olhar para a fome, \u00e9 importante lembrar que cada n\u00famero absoluto representa a vida de uma pessoa. E que mudan\u00e7as em percentuais de inseguran\u00e7a alimentar ??? ainda que pare\u00e7am pequenas ??? significam milh\u00f5es de pessoas convivendo cotidianamente com a fome???, descreve o Inqu\u00e9rito.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<h2>Retrato da fome no Brasil\u00a0<\/h2>\n<div><\/div>\n<div>Em m\u00e9dia, considerando todas as regi\u00f5es do pa\u00eds, 3 em cada 10 fam\u00edlias relatam redu\u00e7\u00e3o parcial ou severa no consumo de alimentos. No Norte e Nordeste, s\u00e3o 4 em cada 10 fam\u00edlias; Centro-Oeste e Sudeste, 3 em cada 10, e Sul, 2 em cada 10.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>As formas mais severas de inseguran\u00e7a alimentar (moderada ou grave) atingem fatias maiores da popula\u00e7\u00e3o nas regi\u00f5es norte (45,2%) e nordeste (38,4%).<\/div>\n<div><\/div>\n<div>No campo, a inseguran\u00e7a alimentar est\u00e1 presente em mais de 60% das casas. Desses, 18,6% das fam\u00edlias convivem com a fome &#8211; valor maior que a m\u00e9dia nacional.\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Nas casas em que a mulher \u00e9 a pessoa de refer\u00eancia, a fome passou de 11,2% para 19,3%. Nos lares que t\u00eam homens como respons\u00e1veis, a fome passou de 7,0% para 11,9%<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Em fam\u00edlias com crian\u00e7as menores de 10 anos, a fome dobrou, passando de 9,4% em 2020 para 18,1% em 2022. Na presen\u00e7a de tr\u00eas ou mais pessoas com at\u00e9 18 anos de idade no grupo familiar, a fome atinge 25,7% dos lares.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<h2>Fome e a popula\u00e7\u00e3o negra\u00a0<\/h2>\n<div><\/div>\n<div>Mesmo quando os rendimentos mensais ficam acima de um sal\u00e1rio m\u00ednimo por pessoa, a inseguran\u00e7a alimentar \u00e9 maior nos domic\u00edlios onde a pessoa de refer\u00eancia se autodeclara preta ou parda, diz o estudo.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Cerca de 65% dos lares comandados por pessoas pretas e pardas convivem com restri\u00e7\u00e3o de alimentos. A fome, nas resid\u00eancias comandadas por pessoas de cor\/ra\u00e7a preta ou parda saltou de 10,4% para 18,1%.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<h2>Retrocesso hist\u00f3rico\u00a0<\/h2>\n<div><\/div>\n<div>Entre 2004 e 2013, pol\u00edticas p\u00fablicas de erradica\u00e7\u00e3o da pobreza e da mis\u00e9ria reduziram a fome para menos da metade do \u00edndice inicial: de 9,5% para 4,2% dos lares brasileiros.\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<div>Em 2018, \u00faltima estimativa nacional antes da pandemia da COVID-19, a inseguran\u00e7a alimentar j\u00e1 atingia 36,7% da popula\u00e7\u00e3o. Em compara\u00e7\u00e3o a 2022, o aumento chega a 60%.\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mesmo nos domic\u00edlios que recebem aux\u00edlio financeiro dos programas Bolsa Fam\u00edlia e Aux\u00edlio Brasil, a fome \u00e9 realidade para 32,7% das fam\u00edlias que relatam recebimento dos benef\u00edcios e para 29,4% das que n\u00e3o recebem. <\/p>\n<p>Por outro lado, em domic\u00edlios com pelo menos um morador aposentado pelo INSS, a fome tem indicativos menores (11,9%).\u00a0<\/p>\n<p>*Estagi\u00e1ria sob supervis\u00e3o da subeditora Jociane Morais\u00a0<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s dois anos de pandemia, o n\u00famero de brasileiros sem ter o que comer quase dobrou no pa\u00eds. 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