{"id":164690,"date":"2022-06-10T04:59:41","date_gmt":"2022-06-10T07:59:41","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/06\/covid-19-e-gripe-provocam-pressao-na-rede-de-saude-de-bh\/"},"modified":"2022-06-10T04:59:41","modified_gmt":"2022-06-10T07:59:41","slug":"covid-19-e-gripe-provocam-pressao-na-rede-de-saude-de-bh","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/06\/10\/covid-19-e-gripe-provocam-pressao-na-rede-de-saude-de-bh\/","title":{"rendered":"COVID-19 e gripe provocam press\u00e3o na rede de sa\u00fade de BH"},"content":{"rendered":"<div><\/div>\n<div>O per\u00edodo de estabilidade da pandemia em Belo Horizonte parece estar com os dias contados. Ap\u00f3s in\u00edcio de ano com superlota\u00e7\u00e3o de unidades de sa\u00fade por pacientes com sintomas respirat\u00f3rios, o cen\u00e1rio parece ter voltado neste primeiro ter\u00e7o de junho. A cidade registra uma escalada nos casos de s\u00edndrome gripal e COVID-19 e entidades m\u00e9dicas alertam para o d\u00e9ficit de profissionais nas unidades da capital para suportar a demanda. Dados divulgados pelo Sindicato dos Servidores P\u00fablicos Municipais (Sindibel) apontam que os atendimentos a casos de s\u00edndrome gripal e COVID-19 aumentaram 286,8% nos centros de sa\u00fade e unidades de pronto-atendimento (UPAs) da capital entre 30 de maio e 3 de junho. A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) informou que segue monitorando a situa\u00e7\u00e3o e chamou uma entrevista coletiva sobre a situa\u00e7\u00e3o das UPAs, agendada para a manh\u00e3 de hoje.<\/p>\n<\/div>\n<div>Ontem, a reportagem do Estado de Minas conversou com pacientes na porta de UPAs e centros de sa\u00fade da capital. Apesar de n\u00e3o haver superlota\u00e7\u00e3o, muitas pessoas relataram demora nos atendimentos e mais da metade apresentava sintomas de doen\u00e7as respirat\u00f3rias. ?? o caso da costureira Silvana Farias de Souza, de 44 anos, que esteve na UPA Leste, no Bairro Vera Cruz, Regi\u00e3o Leste da capital. ???Comecei a apresentar sintomas na ter\u00e7a-feira. Estou sentindo dores muito fortes, muita tosse, e resolvi consultar para ver se n\u00e3o \u00e9 COVID-19???, conta. Ela j\u00e1 aguardava havia mais de uma hora para fazer o teste r\u00e1pido da doen\u00e7a. ???O atendimento est\u00e1 bem lento???, reclamou.<\/p>\n<\/div>\n<div>A dona de casa Cristiane de Almeida Guerra, de 55, ficou pelo menos duas horas esperando para fazer o teste, depois de sentir sintomas como tosse e dores no corpo, e saiu de l\u00e1 com o resultado positivo para COVID-19. ???Tenho rinite, ent\u00e3o, achei que fosse isso. Ontem (quarta-feira), comecei a sentir uma forte dor de cabe\u00e7a, que n\u00e3o passava de jeito nenhum, por isso decidi vir aqui???, conta. ???Esta foi a primeira vez que peguei a doen\u00e7a. N\u00e3o estava esperando, pois me cuido bastante???, disse a dona de casa, que tomou duas doses da vacina ??? a terceira j\u00e1 est\u00e1 dispon\u00edvel para a faixa dela.<\/p>\n<\/div>\n<div>A gerente de log\u00edstica Nammibia Brites Barbosa, de 33, tamb\u00e9m tem rinite e desconfiou dos sintomas depois de alguns dias sem melhora no quadro. ???J\u00e1 fiz o teste e deu negativo. ?? s\u00f3 uma crise de rinite mesmo, mas que est\u00e1 demorando mais do que o normal para passar???, conta. Mesmo j\u00e1 tendo tido COVID-19, a vendedora Karine Cec\u00edlia Leite, de 36, avalia que a doen\u00e7a veio mais forte dessa vez. ???Testei positivo na quarta, mas tive que voltar, pois estou me sentindo muito mal. O cansa\u00e7o est\u00e1 muito forte, tenho sentido falta de ar na hora de levantar. Mal consigo ficar em p\u00e9???, conta. Ap\u00f3s ter tomado duas doses da vacina, ela diz que esperava sintomas mais leves. ???Nem na primeira vez que eu tive, que foi antes de tomar a vacina, fiquei desse jeito. ?? ainda pior ter que aguentar essa longa espera por atendimento???, reclama, depois de quase duas horas de espera.<\/p>\n<\/div>\n<div>A gastr\u00f4noma Jacqueline Almeida, de 52, levou o filho Bernardo, de 6 , para fazer o teste. ???Ele est\u00e1 tossindo bastante. Ainda n\u00e3o tomou a vacina, ent\u00e3o, a gente fica preocupada???, disse. As vacinas est\u00e3o dispon\u00edveis para crian\u00e7as de 5 a 11 anos de idade.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>VACINAS E M\u00c1SCARAS Para o infectologista Carlos Starling, que integrou o extinto Comit\u00ea de Enfrentamento \u00e0 COVID-19 de BH e hoje faz parte de grupo popular\u00a0 formado por m\u00e9dicos e entidades da sociedade civil para monitorar a doen\u00e7a na cidade, a baixa ades\u00e3o aos refor\u00e7os das vacinas nos grupos j\u00e1 chamados e at\u00e9 mesmo na primeira e segunda doses entre o p\u00fablico infantil \u00e9 uma das quest\u00f5es na base da nova escalada de casos de COVID-19.<\/p>\n<\/div>\n<div>???Temos subvariantes da ??micron circulando em BH que s\u00e3o muito preocupantes, variantes que t\u00eam um potencial de agressividade maior e de transmissibilidade. Elas podem afetar principalmente as pessoas com vacina\u00e7\u00e3o incompleta, um percentual alto da popula\u00e7\u00e3o. Isso nos preocupa???, avalia Starling. O infectologista completa afirmando que as vacinas perdem validade com o tempo e, por isso, \u00e9 preciso que as pessoas estejam em dia com o calend\u00e1rio vacinal. Em BH,\u00a0 64,5% das pessoas j\u00e1 receberam o primeiro refor\u00e7o do imunizante contra o coronav\u00edrus. O n\u00famero de crian\u00e7as com as duas doses tamb\u00e9m \u00e9 baixo, apenas 56,9% do p\u00fablico entre 5 e 11 anos.<\/p>\n<\/div>\n<div>As m\u00e1scaras, de uso facultativo em Belo Horizonte desde 28 de abril, s\u00e3o apontadas como medida essencial por Starling. ???A banaliza\u00e7\u00e3o do uso de m\u00e1scaras e das barreiras de contato \u00e9 algo muito s\u00e9rio. Hoje, pelo comit\u00ea popular, estamos sugerindo (o retorno obrigat\u00f3rio), porque n\u00e3o temos outra forma de fazer as coisas. Que todas as pessoas voltem a usar m\u00e1scara em ambientes fechados???.<\/p>\n<\/div>\n<div>O m\u00e9dico defende ainda a volta da divulga\u00e7\u00e3o de dados que compunham o Boletim Epidemiol\u00f3gico e Assistencial da prefeitura nos dois primeiros anos da pandemia. Entre eles, os \u00edndices de ocupa\u00e7\u00e3o de leitos por pacientes com COVID-19, que, segundo ele, facilitam\u00a0 o entendimento da popula\u00e7\u00e3o sobre o est\u00e1gio da pandemia: ???Um bom par\u00e2metro \u00e9 saber como est\u00e1 o n\u00famero de interna\u00e7\u00f5es. Essa informa\u00e7\u00e3o, junto com a incid\u00eancia do v\u00edrus, serve para que a popula\u00e7\u00e3o tenha uma no\u00e7\u00e3o de como os casos da doen\u00e7a est\u00e3o se comportando???.<\/p>\n<\/div>\n<div>Depois de cerca de dois anos com edi\u00e7\u00f5es di\u00e1rias de segunda a sexta-feira, o Boletim Epidemiol\u00f3gico da PBH passou a ter duas edi\u00e7\u00f5es semanais e informa\u00e7\u00f5es reduzidas a partir de abril deste ano. A ocupa\u00e7\u00e3o de leitos nos hospitais e a taxa de transmiss\u00e3o do v\u00edrus na cidade n\u00e3o constam mais nos informativos.<\/p>\n<\/div>\n<div>Em redes particulares, como a Unimed, dados mostram que, entre 29 de maio e 4 de junho havia 288 pessoas internadas com s\u00edndromes respirat\u00f3rias nos hospitais da Regi\u00e3o Metropolitana de BH. H\u00e1 quatro semanas, o n\u00famero era de 193 pacientes. Um aumento de quase 50%.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O QUE DIZ A PBH Em nota, a PBH informou que, sobre as m\u00e1scaras, est\u00e3o mantidas as regras vigentes, com a recomenda\u00e7\u00e3o do uso nas escolas p\u00fablicas e privadas, especialmente nas salas de aulas. A Secretaria Municipal de Sa\u00fade informa que segue monitorando diariamente a situa\u00e7\u00e3o da COVID-19 na cidade e, caso seja necess\u00e1rio, e com base em dados epidemiol\u00f3gicos e evid\u00eancias cient\u00edficas, outras medidas poder\u00e3o ser prontamente adotadas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>*Estagi\u00e1ria sob supervis\u00e3o da subeditora Rachel Botelho<\/p>\n<h2><b>Para profissionais, seguran\u00e7a est\u00e1 em jogo<\/b><\/h2>\n<p><\/p>\n<div>Cerca de 25.800 pacientes com suspeita de gripe ou COVID-19 foram atendidos nas unidades p\u00fablicas de sa\u00fade de Belo Horizonte durante a semana entre 30 de maio e 3 de junho, aponta o Sindibel. A entidade chama a aten\u00e7\u00e3o para a semelhan\u00e7a do n\u00famero com o registrado em janeiro deste ano, quando 26.792 pessoas foram atendidas com sistema respirat\u00f3rio em cen\u00e1rio de press\u00e3o provocado, principamente, pela chegada da variante ??micron do coronav\u00edrus.<\/p>\n<\/div>\n<div>Naquele m\u00eas, o ent\u00e3o secret\u00e1rio municipal de Sa\u00fade Jackson Machado anunciou a amplia\u00e7\u00e3o no hor\u00e1rio de atendimento dos centros de sa\u00fade e a contrata\u00e7\u00e3o de mais profissionais para a rede p\u00fablica da capital. Mas o Sindibel afirma que ainda h\u00e1 uma defasagem de m\u00e9dicos na cidade. Segundo dados apurados pelo sindicato, pelo menos 120 das 589 equipes de Sa\u00fade da Fam\u00edlia est\u00e3o sem m\u00e9dicos e faltam 80 pediatras, inclusive nas UPAs.<\/p>\n<\/div>\n<div>De acordo com Bruno Pedralva, coordenador de comunica\u00e7\u00e3o do Sindibel, h\u00e1 tamb\u00e9m uma car\u00eancia de 80 pediatras no sistema p\u00fablico da capital. Segundo ele, h\u00e1 uma grande cobran\u00e7a para que a prefeitura nomeie profissionais que passaram em concurso p\u00fablico j\u00e1 homologado em abril. No fim de maio, 35 m\u00e9dicos tomaram posse, com prioridade para os pediatras pela alta demanda, d<br \/>\ne acordo com a prefeitura. O n\u00famero \u00e9 visto como insuficiente para lidar com a atual situa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, por entidades m\u00e9dicas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>AFASTAMENTOS A falta de m\u00e9dicos \u00e9 ainda agravada, segundo o sindicato, pela necessidade de afastamento dos profissionais, que tamb\u00e9m sofrem com o aumento de casos de s\u00edndromes respirat\u00f3rias. Levantamento feito pelo Sindibel aponta que entre segunda (6\/6) e quarta-feira (8\/6), 503 profissionais foram afastados por motivos de doen\u00e7a nos 152 centros de sa\u00fade de BH. O diretor do Sindicato dos M\u00e9dicos de Minas Gerais (Sinmed-MG), Artur Oliveira, avalia que a pandemia est\u00e1 sendo negligenciada pela administra\u00e7\u00e3o da capital. Segundo ele, est\u00e1 sendo passada a sensa\u00e7\u00e3o de que a pandemia acabou. Ele diz ainda que os casos crescentes de s\u00edndromes respirat\u00f3rias se somam a uma demanda represada de tratamentos que ficaram defasados pelo per\u00edodo de prioriza\u00e7\u00e3o da COVID no sistema de sa\u00fade.<\/p>\n<\/div>\n<div>???A situa\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o est\u00e1 controlada. Tivemos um aumento de atendimento dos quadros respirat\u00f3rios e tamb\u00e9m de interna\u00e7\u00e3o???, disse. Segundo ele, a situa\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o chegou \u00e0 propor\u00e7\u00e3o da registrada no in\u00edcio do ano, mas \u00e9 de alerta.\u00a0 ???O risco que estamos vivendo \u00e9 uma popula\u00e7\u00e3o que ficou sem atendimento para outras doen\u00e7as por cerca de dois anos e agora v\u00ea voltar a crescer o n\u00famero de casos respirat\u00f3rios???, aponta o m\u00e9dico de fam\u00edlia.\u00a0<\/p>\n<\/div>\n<div>Oliveira afirma que esse cen\u00e1rio aumenta o risco \u00e0 seguran\u00e7a dos profissionais de sa\u00fade. Isso porque, sem a percep\u00e7\u00e3o de que os casos respirat\u00f3rios ainda sobrecarregam o sistema, a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o entende a car\u00eancia no atendimento a outras doen\u00e7as.<\/p>\n<\/div>\n<div>O coordenador do Sindibel Bruno Pedralva, tamb\u00e9m m\u00e9dico do SUS, corrobora o ponto do colega. Ele afirma que h\u00e1 um risco de aumento na viol\u00eancia de pacientes contra m\u00e9dicos, que trabalham com equipes defasadas. ???Estamos percebendo que essa escalada contras os profissionais tamb\u00e9m vem dessa ideia de que a pandemia acabou e, por isso, querem atendimento imediato. Mas a pandemia n\u00e3o acabou. Na \u00faltima semana de mar\u00e7o, foram 6 mil, na \u00faltima semana de maio, 26 mil atendimentos s\u00f3 para sintomas gripais???, opina.<\/p>\n<\/div>\n<div>A preocupa\u00e7\u00e3o das entidades \u00e9 apresentada um dia ap\u00f3s epis\u00f3dio de revolta no Centro de Sa\u00fade Piratininga, em Venda Nova. Na quarta-feira, um tumulto come\u00e7ou quando uma crian\u00e7a passou pela triagem, mas n\u00e3o foi atendida. A m\u00e3e ficou do lado de fora da unidade e disse que fecharia a passagem at\u00e9 que a filha fosse recebida por algum m\u00e9dico. A mulher recebeu o apoio de outras cinco pessoas que aguardavam atendimento no centro de sa\u00fade. Pacientes bloquearam a passagem e insultaram os funcion\u00e1rios. O tumulto s\u00f3 foi apaziguado com a chegada das for\u00e7as de seguran\u00e7a.<\/p>\n<\/div>\n<div>???Essa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma trag\u00e9dia anunciada. Nesta semana, por exemplo, havia a promessa de que seriam chamados m\u00e9dicos para compor a Sa\u00fade da Fam\u00edlia e n\u00e3o tivemos o chamamento. Isso tem se repetido nas unidades de urg\u00eancia???, disse Artur Oliveira. Segundo ele, as unidades de sa\u00fade da cidade j\u00e1 n\u00e3o contam com a presen\u00e7a da Guarda Municipal e faltam at\u00e9 porteiros. Ontem, a Prefeitura de Belo Horizonte convocou entrevista coletiva sobre a situa\u00e7\u00e3o nas UPAs, marcada para hoje.<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O per\u00edodo de estabilidade da pandemia em Belo Horizonte parece estar com os dias contados. 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