{"id":164694,"date":"2022-06-10T05:02:24","date_gmt":"2022-06-10T08:02:24","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/06\/lazaro-barbosa-morreu-com-mais-de-60-tiros-o-confronto-final-em-detalhes\/"},"modified":"2022-06-10T05:02:24","modified_gmt":"2022-06-10T08:02:24","slug":"lazaro-barbosa-morreu-com-mais-de-60-tiros-o-confronto-final-em-detalhes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/06\/10\/lazaro-barbosa-morreu-com-mais-de-60-tiros-o-confronto-final-em-detalhes\/","title":{"rendered":"L\u00e1zaro Barbosa morreu com mais de 60 tiros: o confronto final em detalhes"},"content":{"rendered":"<div>O tenente-coronel Edson Melo, 39 anos, ainda fica tenso ao relembrar do tiroteio que terminou com a morte de L\u00e1zaro Barbosa, 32, pr\u00f3ximo a um c\u00f3rrego que faz a divisa entre \u00c1guas Lindas e o Distrito Federal. <\/p>\n<p>O policial militar do estado de Goi\u00e1s ficou \u00e0 frente de uma equipe de oito PMs que cercou o assassino e colocou fim a uma das maiores ca\u00e7adas humanas da hist\u00f3ria da pol\u00edcia brasileira, iniciada h\u00e1 exatamente um ano, em 9 de junho de 2021, depois de um crime b\u00e1rbaro que assustou o pa\u00eds. <\/p>\n<p>Naquela madrugada, o caseiro invadiu uma casa, no Incra 9 de Ceil\u00e2ndia, e matou o empres\u00e1rio Cl\u00e1udio Vidal de Oliveira, 48, e os dois filhos, Gustavo Marques Vidal, 31, e Carlos Eduardo Marques, 15. A matriarca da fam\u00edlia, Cleonice Marques de Andrade, 43, foi sequestrada e encontrada morta e nua quatro dias depois, no C\u00f3rrego das Corujas, a 8km da resid\u00eancia onde morava.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div>As buscas por L\u00e1zaro duraram 20 dias e mobilizaram cerca de 300 homens e mulheres das for\u00e7as de seguran\u00e7a do DF e de Goi\u00e1s. Drones de alta tecnologia, helic\u00f3pteros com vis\u00e3o noturna, c\u00e2meras com sensor de calor e c\u00e3es farejadores foram alguns dos m\u00e9todos utilizados na tentativa de captura do serial killer. Ap\u00f3s cometer a chacina, o assassino deu in\u00edcio a uma sequ\u00eancia de fugas e crimes: fez ref\u00e9ns, baleou tr\u00eas pessoas em Cocalzinho (GO), roubou carros e invadiu ch\u00e1caras para cometer furtos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>L\u00e1zaro desafiava a pol\u00edcia. Crescido e acostumado a viver em \u00e1rea de mata, o baiano conseguia se safar e se esconder facilmente em grutas, montanhas e c\u00f3rregos. Foram dias de uma ca\u00e7ada intensa, que fez com que alguns moradores de \u00c1guas Lindas, Cocalzinho e dos distritos de Edil\u00e2ndia e Girassol abandonassem suas casas por medo. Lotado na Superintend\u00eancia de Seguran\u00e7a do governador de Goi\u00e1s, Ronaldo Caiado, o tenente-coronel Edson contou, ao <b>Correio<\/b>, que pediu autoriza\u00e7\u00e3o a Caiado para participar da opera\u00e7\u00e3o uma equipe de oito policiais das Rondas Ostensivas T\u00e1ticas Metropolitanas (Rotam) de Goi\u00e2nia.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Com a aprova\u00e7\u00e3o, Edson passou a integrar o aparato de centenas de policiais, em 17 de junho. &#8220;Eu estava incomodado sobre como as coisas estavam caminhando naquele momento. A pol\u00edcia estava sendo massacrada, pela demora na captura e pela quantidade de policiais e o quanto aquilo custaria. At\u00e9 que chegou um ponto que eu n\u00e3o conseguia mais dormir, ent\u00e3o tomei uma decis\u00e3o e reuni alguns colegas&#8221;, destacou.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Assim que Edson e os oito policiais chegaram a Cocalzinho, na tarde do dia 17, optaram por sobrevoar a \u00e1rea em um helic\u00f3ptero para conhecer e analisar os pontos em que L\u00e1zaro teria passado. Naquele mesmo dia, o grupo entrou na mata. Um dia depois, agentes da for\u00e7a-tarefa fecharam o cerco e montaram barreiras em estradas, pois havia a suspeita de que o criminoso teria entrado em um chiqueiro em Girassol e fugido novamente para a vegeta\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O tenente-coronel conta que, em quatro dias, a equipe conseguiu identificar vest\u00edgios deixados pelo assassino, como pegadas, materiais sujos de sangue, rem\u00e9dio e at\u00e9 agulha e seringa. As pistas sugeriam que L\u00e1zaro estava ferido. Algumas habilidades do criminoso para despistar a pol\u00edcia tamb\u00e9m foram identificadas. <\/p>\n<p>Ele simulava dire\u00e7\u00f5es, trocava de sapatos e chegou a posicionar vacas em um sentido para fugir para o outro, escondendo suas pegadas. &#8220;Decidimos procurar um mateiro da regi\u00e3o, que conheceu o L\u00e1zaro. Ele nos relatou que ele tinha um modo de agir. Por exemplo, atirava com as duas m\u00e3os, praticava crimes desde a adolesc\u00eancia e conhecia regi\u00f5es de mata como se fosse o quintal da casa dele&#8221;, detalhou.<\/p><\/div>\n<h2>O confronto<\/h2>\n<div>Em 28 de junho de 2021, as buscas pareciam n\u00e3o acabar. Dentro da mata, com fome, frio e sede, a equipe do tenente-coronel Edson recebeu uma informa\u00e7\u00e3o importante que poderia levar ao desfecho da longa ca\u00e7ada. No mesmo dia, na madrugada, uma c\u00e2mera de seguran\u00e7a de uma casa registrou L\u00e1zaro saindo da mata e caminhando em uma rua, em \u00c1guas Lindas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Antes disso, Edson montou um esquema e deu ordem aos policiais para que entrassem na mata \u00e0 0h. Mas, com a nova informa\u00e7\u00e3o, foi preciso articular outro plano. &#8220;N\u00f3s nos energizamos novamente e eu pensei comigo mesmo: &#8216;N\u00f3s vamos captur\u00e1-lo. J\u00e1 t\u00ednhamos em pr\u00e1tica o modus operandi dele e colocamos em pr\u00e1tica. N\u00e3o est\u00e1vamos nos baseando em informa\u00e7\u00f5es externas, mas no que hav\u00edamos identificado at\u00e9 ent\u00e3o&#8221;, detalhou.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Posicionados em um ponto estrat\u00e9gico, o comandante da equipe preparou um ponto de emboscada e dividiu as equipes em outros locais, para evitar situa\u00e7\u00f5es de fuga. ??s 8h30, os PMs fizeram uma nova varredura em uma \u00e1rea de dif\u00edcil acesso, amontoada por p\u00e9s de bambu e planta\u00e7\u00f5es altas. <\/p>\n<p>&#8220;Chegou um momento que precisei decidir para qual lado ir\u00edamos e, dentro da leitura do modo de agir dele, definimos seguir em uma dire\u00e7\u00e3o. Eu me posicionei a cerca de 5km e cortamos o fio de arame da cerca para entrar com a viatura at\u00e9 determinado ponto do mato&#8221;, revelou Edson.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Em pouco menos de 10 minutos, um dos policiais avistou um vulto. O momento foi de tens\u00e3o e a ordem era uma s\u00f3: avan\u00e7ar e capturar. Os enormes troncos de bambu impediam a vis\u00e3o n\u00edtida dos PMs, que ouviram apenas uma pessoa falando a seguinte frase: &#8220;N\u00e3o vem que vou atirar na cabe\u00e7a de voc\u00eas&#8221;. Era ele, L\u00e1zaro Barbosa, a poucos metros da equipe. &#8220;N\u00f3s (policiais) fizemos um acordo e decidi: &#8216;Verbalizar e atirar, vamos avan\u00e7ar e revidar a injusta agress\u00e3o.&#8221;<\/div>\n<div><\/div>\n<h3>Disparos<\/h3>\n<div>Nesse exato momento, uma aeronave da Pol\u00edcia Militar sobrevoava a \u00e1rea em dire\u00e7\u00e3o a Bras\u00edlia para abastecer. Foi quando L\u00e1zaro se atordoou e se movimentou. &#8220;Quando olhei para frente, consegui ver a silhueta dele&#8221;, diz o coronel. <\/p>\n<p>Em uma dist\u00e2ncia de 8 metros, e com uma pistola e um rev\u00f3lver nas m\u00e3os, o criminoso efetuou diversos disparos contra os PMs. &#8220;Quando avan\u00e7amos, percebemos que a agress\u00e3o por parte dele havia cessado e entendemos que t\u00ednhamos neutralizado aquela amea\u00e7a. Logo percebemos que ele havia rastejado e ca\u00eddo ao lado dos p\u00e9s de bambu&#8221;, acrescentou. Durante o tiroteio, foram, ao menos, 125 tiros disparados pelos policiais. Mais de 60 acertaram L\u00e1zaro.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div>O <b>Correio<\/b> esteve no local e conversou com o fazendeiro Reinaldo Rodrigues, 48. Ele estava em casa no momento que tudo ocorreu. &#8220;?? noite, estava tendo uma intensa movimenta\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia em viaturas e helic\u00f3pteros. Pela manh\u00e3, comecei a escutar muitos tiros. Foram incont\u00e1veis tiros. Est\u00e1vamos receosos, mas confesso que n\u00e3o senti medo&#8221;, disse.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ainda com vida, L\u00e1zaro foi encaminhado ao ponto que servia como base para as for\u00e7as de seguran\u00e7a e, em seguida, levado ao hospital. Um v\u00eddeo gravado por testemunhas mostrou o momento da chegada do criminoso. Ele \u00e9 retirado de dentro da viatura e colocado em uma ambul\u00e2ncia. <\/p>\n<p>Segundo o tenente-coronel, a aus\u00eancia de sinal telef\u00f4nico impediu o acionamento imediato do socorro ao local do confronto. &#8220;A sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de dever cumprido, de que tudo que fizemos, que passamos em treinamentos, foi colocado em prova e demos uma resposta \u00e0 altura. As pessoas estavam sofrendo com isso. Sinto que fomos os respons\u00e1veis por restaurar a paz da popula\u00e7\u00e3o de Goi\u00e1s&#8221;, finalizou o policial.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<h3>Confira o depoimento do tenente-coronel em v\u00eddeo:<\/h3>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O tenente-coronel Edson Melo, 39 anos, ainda fica tenso ao relembrar do tiroteio que terminou com a morte de L\u00e1zaro Barbosa, 32, pr\u00f3ximo a\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":164695,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2799],"tags":[],"class_list":["post-164694","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/164694","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=164694"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/164694\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=164694"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=164694"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=164694"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}