{"id":165840,"date":"2022-06-13T07:45:53","date_gmt":"2022-06-13T10:45:53","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/06\/cineaut-leva-programacao-cultural-gratuita-e-acessivel-para-pessoas-com-autismo\/"},"modified":"2022-06-13T07:45:53","modified_gmt":"2022-06-13T10:45:53","slug":"cineaut-leva-programacao-cultural-gratuita-e-acessivel-para-pessoas-com-autismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/06\/13\/cineaut-leva-programacao-cultural-gratuita-e-acessivel-para-pessoas-com-autismo\/","title":{"rendered":"CineAut leva programa\u00e7\u00e3o cultural gratuita e acess\u00edvel para pessoas com autismo"},"content":{"rendered":"<p class=\"bodytext\">\n<p class=\"bodytext\">Uma sess\u00e3o de cinema com luz um pouco mais acesa, som um pouco mais baixo e crian\u00e7as com a liberdade de andar pra l\u00e1 e pra c\u00e1. Livres. Assim foi a 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o do CineAut, iniciativa que promove, desde 2018, sess\u00f5es de cinema adaptadas para crian\u00e7as com autismo e seus familiares.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">O projeto nasceu de um trabalho acad\u00eamico da turma de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas da Universidade do Estado da Bahia e, no \u00faltimo s\u00e1bado, retornou ap\u00f3s os dois anos de hiato impostos pela pandemia com um evento divido em tr\u00eas momentos: lan\u00e7amento de um minidoc sobre as edi\u00e7\u00f5es interiores, a sess\u00e3o de cinema propriamente dita e, por fim, uma roda de conversa. Quem viu as crian\u00e7as na Sala Walter da Silveira, nos Barris, sabe o quanto gostaram de estar ali.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Igor Nogueira \u00e9 atleta profissional de jiu-jitsu e tem o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Ele aprendeu com a m\u00e3e, Marleide Nogueira, a gostar de cinema, assistindo aos filmes dos Trapalh\u00f5es. Igor foi diagnosticado com TEA aos 7 anos. A m\u00e3e percebia que o garoto era avesso a contato e n\u00e3o se comunicava verbalmente at\u00e9 os 6 anos de vida. ???Desenvolvemos outras formas de comunica\u00e7\u00e3o e uma dela foi atrav\u00e9s do olhar???, explica Marleide, que \u00e9 moradora do Candeal.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><\/p>\n<p class=\"bodytext\">???A inf\u00e2ncia foi dif\u00edcil porque n\u00e3o entend\u00edamos alguns comportamentos. Meu filho teve uma inf\u00e2ncia marcada pelo preconceito, rotulado como maluco, retardado, esquisito e estranho. Foi v\u00edtima de bullying na escola e entre as outras crian\u00e7as no nosso condom\u00ednio. Na nossa trajet\u00f3ria, percebemos que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil lidar com as limita\u00e7\u00f5es do autismo, mas pior foi lidar com uma sociedade excludente e capacistista???, disse Marleide.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A programa\u00e7\u00e3o do projeto contou com produ\u00e7\u00f5es audiovisuais independentes e de tem\u00e1ticas voltadas para a inclus\u00e3o: a anima\u00e7\u00e3o AUTS, dublada por Artur Arraz, adolescente com TEA, e toda a sua fam\u00edlia; a s\u00e9rie Pequenos Narradores &#8211; Comunidade, projeto que tem como autores e protagonistas crian\u00e7as de uma escola p\u00fablica da comunidade do Calabar, produzida pela Takapy Digital Art em coprodu\u00e7\u00e3o com a Griot Filmes; e, por fim, a s\u00e9rie Min e As M\u00e3ozinhas, primeira anima\u00e7\u00e3o feita em L\u00edngua Brasileira de Sinais (Libras).<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Marleide avalia que iniciativas como o CineAut s\u00e3o uma esperan\u00e7a para fam\u00edlias de pessoas com TEA acessarem o lazer e trazer suavidade para uma caminhada que j\u00e1 \u00e9 naturalmente pesada. ???Iniciativas como o CineAut garantem o direito de acessar \u00a0esses espa\u00e7os \u00a0adaptados \u00e0 nossa realidade. Fomos a uma sess\u00e3o do CineAut e a identifica\u00e7\u00e3o do Igor foi imediata porque ele se viu naquele espa\u00e7o. Um espa\u00e7o acolhedor e extremamente inclusivo???, disse.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"bodytext\">???O CineAut \u00e9 um pedacinho de uma sociedade que tanto almejamos: justa, humana e inclusiva. Um espa\u00e7o acolhedor e de intensa identifica\u00e7\u00e3o???, completou.<\/p>\n<\/blockquote>\n<table class=\"table\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" height=\"977\" src=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/fileadmin\/user_upload\/correio24horas\/2022\/06\/12\/igor.jpeg\" width=\"828\"\/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td class=\"text-center\"><b>Igor e sua m\u00e3e ap\u00f3s treino no jiu-jitsu\u00a0<\/b>(Foto: Acervo Pessoal)<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p class=\"bodytext\">Organizadora do evento, Laura Cunha explica que o trabalho nasceu a partir dos relatos de colegas que tinham pessoas autistas na fam\u00edlia e relataram a dificuldade de encontrar espa\u00e7os de lazer seguros e que pensem na realidade das crian\u00e7as. ???Nessa sess\u00e3o, buscamos adaptar a sala de cinema. A luz n\u00e3o t\u00e3o escura, o som n\u00e3o t\u00e3o alto para evitar as hipersensibilidades. Al\u00e9m da pesquisa e proximidade com o assunto, contamos com a ajuda de uma psic\u00f3loga e psicopedagoga para saber o que seria preciso para criar esse ambiente???, explicou.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A psic\u00f3loga e psicopedagoga Karla Cilene Santos Sousa acompanha o projeto desde o in\u00edcio e diz que a iniciativa \u00e9 a garantia de um direito humano: ???Precisamos pensar desde as pessoas que v\u00e3o compor esse espa\u00e7o at\u00e9 o ambiente propriamente dito Essas a\u00e7\u00f5es promovem um ambiente mais confort\u00e1vel e livre para a pessoa com autismo se manifestar???.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Karla Cilene conta que, mesmo com o diagn\u00f3stico semelhante, as pessoas com autismo s\u00e3o diferentes. Algumas delas apresentam sensibilidade auditiva, fazendo com que os est\u00edmulos sonoros sejam gatilhos para uma desregula\u00e7\u00e3o. Elas podem ficar agitadas, chorar e desejar sair do espa\u00e7o.\u00a0<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Por isso, deixar o volume mais baixo durante a proje\u00e7\u00e3o se torna uma op\u00e7\u00e3o mais efetiva. Quanto \u00e0 regulagem de luz, um espa\u00e7o totalmente escuro pode interferir na movimenta\u00e7\u00e3o e eles poderiam acabar se machucando, tendo em vista que muitas pessoas com autismo apresenta quadros de estereotipias e agita\u00e7\u00e3o psicomotora.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Tamb\u00e9m psic\u00f3loga, Lara Bolatti explica que essas adapta\u00e7\u00f5es feitas no CineAut s\u00e3o important\u00edssimas: ???A maioria das pessoas com TEA possui hipersensibilidade sensorial, ou seja, sentem com maior intensidade alguns est\u00edmulos. O som, por exemplo, fica mais alto; e a ilumina\u00e7\u00e3o mais forte. O que pode causar agita\u00e7\u00e3o, ou at\u00e9 uma crise de desregula\u00e7\u00e3o???.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">As duas especialistas afirmam que a\u00e7\u00f5es culturais s\u00e3o importantes tanto para a pessoa com autismo quanto para o seu entorno. ???Muitas fam\u00edlias ainda n\u00e3o se sentem confort\u00e1veis ou preparadas para lidar com olhares julgadores de uma sociedade ainda preconceituosa. E s\u00e3o nesses momentos que h\u00e1 trocas de viv\u00eancias e conhecimentos, fazendo com que essas fam\u00edlias n\u00e3o se sintam sozinhas e sejam encorajadas para, no seu tempo, irem enfrentando os obst\u00e1culos pela frente???, detalhou Bolatti.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Laura Cunha contou que ainda n\u00e3o sabe qual ser\u00e1 o futuro do CineAut. A edi\u00e7\u00e3o do \u00faltimo s\u00e1bado tamb\u00e9m servir\u00e1 como seu projeto de conclus\u00e3o do curso de Rela\u00e7\u00f5es P\u00fablicas. Agora, ela e a equipe come\u00e7am a buscar alternativas de financiamento para manter o projeto vivo. A dire\u00e7\u00e3o da Sala Walter da Silveira fez um convite para que o projeto aconte\u00e7a mensalmente em suas depend\u00eancias e a equipe de produ\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a luta para viabilizar a ideia para um p\u00fablico maior.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma sess\u00e3o de cinema com luz um pouco mais acesa, som um pouco mais baixo e crian\u00e7as com a liberdade de andar pra l\u00e1\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":165841,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-165840","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/165840","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=165840"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/165840\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=165840"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=165840"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=165840"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}