{"id":166546,"date":"2022-06-14T08:32:45","date_gmt":"2022-06-14T11:32:45","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/06\/padastro-de-menor-se-diz-inocente-e-questiona-manobras-medicas\/"},"modified":"2022-06-14T08:32:45","modified_gmt":"2022-06-14T11:32:45","slug":"padastro-de-menor-se-diz-inocente-e-questiona-manobras-medicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/06\/14\/padastro-de-menor-se-diz-inocente-e-questiona-manobras-medicas\/","title":{"rendered":"Padastro de menor se diz inocente e questiona manobras m\u00e9dicas"},"content":{"rendered":"<p>O m\u00e9dico e ex-vereador da capital fluminense Jairo Souza Santos Junior, conhecido como Dr. Jairinho, foi interrogado hoje (13) na 2\u00aa Vara Criminal do Rio de Janeiro e se defendeu das acusa\u00e7\u00f5es pela morte do menino Henry Borel, de 4 anos de idade. Ele se declarou inocente e apresentou sua vers\u00e3o para os fatos, questionando os procedimentos m\u00e9dicos adotados no Hospital Barra D&#039;Or.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1465531&#038;o=rss\" style=\"width:1px;height:1px;display:inline\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1465531&#038;o=rss\" style=\"width:1px;height:1px;display:inline\" \/><\/p>\n<p>&#8220;Juro por Deus que nunca encostei em uma crian\u00e7a&#8221;, afirmou. Jairinho vivia um relacionamento com Monique Medeiros, m\u00e3e de Henry Borel, quando o menino morreu. O caso ocorreu no dia 8 de mar\u00e7o do ano passado no apartamento onde os tr\u00eas moravam, na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>O laudo de necr\u00f3psia do Instituto M\u00e9dico-Legal (IML) indicou que a crian\u00e7a tinha ferimentos pelo corpo e que a causa da morte foi ???hemorragia interna e lacera\u00e7\u00e3o hep\u00e1tica???. Foram listadas les\u00f5es hemorr\u00e1gicas na cabe\u00e7a, les\u00f5es no nariz, hematomas no punho e abd\u00f4men, contus\u00f5es no rim e nos pulm\u00f5es, al\u00e9m de hemorragia interna e rompimento do f\u00edgado.<\/p>\n<p>Em maio do ano passado, Jairinho e Monique Medeiros foram denunciados pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico do Rio de Janeiro (MPRJ) pela morte da crian\u00e7a. Os dois se tornaram r\u00e9us e s\u00e3o julgados no Tribunal de J\u00fari por homic\u00eddio triplamente qualificado, tortura, fraude processual e coa\u00e7\u00e3o no curso do processo. Monique \u00e9 acusada ainda por falsidade ideol\u00f3gica.<\/p>\n<h2>Den\u00fancia<\/h2>\n<p>Na den\u00fancia, o MPRJ endossou conclus\u00f5es do inqu\u00e9rito conduzido pela Pol\u00edcia Civil. ???Os intensos sofrimentos f\u00edsicos e mentais a que era submetida a v\u00edtima como forma de castigo pessoal e medida de car\u00e1ter preventivo consistiam em agress\u00f5es f\u00edsicas perpetradas pelo denunciado Jairo Souza Santos Junior???, diz o documento.<\/p>\n<p>Monique \u00e9 apontada como coautora do crime por omiss\u00e3o, pois tinha o dever de prote\u00e7\u00e3o e vigil\u00e2ncia. &#8220;Sendo conhecedora das agress\u00f5es que o menor de idade sofria do padrasto e estando ainda presente no local e dia dos fatos, nada fez para evit\u00e1-las ou afast\u00e1-lo do nefasto conv\u00edvio com o denunciado Jairo???, registra a den\u00fancia.<\/p>\n<p>Em sua vers\u00e3o, Jairinho afirma que, na noite dos fatos, Henry despertou duas ou tr\u00eas vezes enquanto ele e Monique assistiam televis\u00e3o. Embora o menino costumasse acordar, seria mais do que o habitual. O ex-vereador disse ter tomado rem\u00e9dios para dormir, os quais usa h\u00e1 mais de 15 anos, e adormeceu quando Monique foi fazer companhia ao filho. Mais tarde, foi acordado pela m\u00e3e da crian\u00e7a, quando Henry estaria respirando mal e com as m\u00e3os geladas. Nesse momento, ambos o levaram ao Hospital Barra D&#039;Or.<\/p>\n<p>&#8220;Fui acusado, como m\u00e9dico, de n\u00e3o prestar socorro. Mas quando voc\u00ea v\u00ea uma crian\u00e7a passando mal e voc\u00ea tem um hospital a 5 minutos da sua porta, acho que \u00e9 muito mais vi\u00e1vel lev\u00e1-la pra l\u00e1 do que socorr\u00ea-la dentro de casa&#8221;, disse Jairinho, assinalando que tamb\u00e9m n\u00e3o exercia a medicina h\u00e1 bastante tempo. Ele disse ainda que, na noite anterior, Monique obteve de Leniel Borel, pai de Henry, a informa\u00e7\u00e3o de que o menino havia vomitado. &#8220;N\u00e3o estou fazendo pr\u00e9-julgamento. Mas se meu filho vomita, eu levo pro hospital. Ou ligo pro pediatra que seja rotineiro. Porque v\u00f4mito \u00e9 sempre sintoma de alguma coisa&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Segundo Jairinho, nem os profissionais do hospital e nem familiares que acompanharam o atendimento notaram sinais de viol\u00eancia na crian\u00e7a. Ele sustenta que se houvesse qualquer les\u00e3o aparente, seria relatado. &#8220;N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel entrar em um hospital do porte do Barra D&#039;Or com uma crian\u00e7a machucada sem que nenhuma atitude seja tomada. Ningu\u00e9m falou em morte violenta. Isso veio depois. At\u00e9 o dia do vel\u00f3rio, foi tratado como morte acidental&#8221;.<\/p>\n<p>Na vers\u00e3o apresentada pelo ex-vereador, houve abordagem m\u00e9dica inadequada e Henry foi submetido h\u00e1 duas horas de massagem card\u00edaca, quando a conduta mais indicada seria cir\u00fargica. Ele sugeriu que a equipe do plant\u00e3o noturno de domingo para segunda-feira n\u00e3o estivesse preparada para um caso grave. &#8220;Toda massagem cardiorrespirat\u00f3ria pode causar les\u00e3o. Isso faz parte da literatura m\u00e9dica&#8221;, argumentou.<\/p>\n<p>Jairinho pediu para ter acesso \u00e0s c\u00e2meras internas do Hospital Barra D&#039;Or e a um raio-x que foi citado no prontu\u00e1rio. Segundo ele, esses materiais provariam sua inoc\u00eancia. Ele se defendeu ainda da suspeita de ter tentado usar de sua influ\u00eancia para conseguir uma libera\u00e7\u00e3o r\u00e1pida do corpo, mediante um contato com Pablo dos Santos Menezes, executivo do Instituto D&#039;Or.<\/p>\n<p>&#8220;Como pol\u00edtico, estamos a todo momento pegando o telefone para tentar resolver as coisas da melhor maneira e da forma mais c\u00e9lere. E naquele momento estava a av\u00f3 do Henry, dona Ros\u00e2ngela, dizendo &#039;pelo amor de Deus, me tira dessa cena e vamos acabar com isso&#039;. E eu ligo pro Pablo para tentar agilizar o \u00f3bito. E isso foi visto como algo criminoso. O pr\u00f3prio Pablo disse que n\u00e3o se sentiu coagido&#8221;.<\/p>\n<h2>Confus\u00e3o<\/h2>\n<p>Horas antes de come\u00e7ar o interrogat\u00f3rio, o ex-vereador destituiu seis advogados. Sua defesa continuou sendo comandada por Cl\u00e1udio Dalledone e Fl\u00e1via Fr\u00f3es, que n\u00e3o integram o mesmo escrit\u00f3rio dos destitu\u00eddos. Iniciada a audi\u00eancia, houve um impasse entre os defensores de Jairinho e a ju\u00edza Elizabeth Machado Louro. Os cinco advogados queriam se ficar de p\u00e9 em frente \u00e0 magistrada, que alegou se sentir afrontada e insistia para que eles se sentassem. O imbr\u00f3glio durou mais de 20 minutos. Estranhamentos j\u00e1 haviam ocorrido em audi\u00eancia anterior, quando houve bate-boca entre os advogados e a ju\u00edza.<\/p>\n<p>No interrogat\u00f3rio, Jairinho se negou a responder perguntas do MPRJ e dos advogados que representam Leniel Borel, que foi aceito no processo como assistente de acusa\u00e7\u00e3o. Assim, apenas sua pr\u00f3pria defesa apresentou questionamentos.<\/p>\n<p>Antes de narrar os fatos do dia da morte da crian\u00e7a, o ex-vereador elogiou Monique como mulher e m\u00e3e, se disse religioso e afirmou que cresceu em uma fam\u00edlia amorosa. Disse ainda que sempre gostou de crian\u00e7as e que muitos amigos de seus tr\u00eas filhos sempre frequentavam e dormiam em sua casa. Ainda segundo Jairinho, foi ele quem escolheu para o Henry o melhor quarto do apartamento onde moravam e tamb\u00e9m que insistiu para matricul\u00e1-lo numa boa escola. Ele tamb\u00e9m relatou momentos em que o menino manifestou carinho por ele. &#8220;Quem seria capaz de fazer mal a uma crian\u00e7a? Esse n\u00e3o \u00e9 o meu perfil. Essa roupa n\u00e3o me cabe&#8221;, disse.<\/p>\n<p>A defesa de Monique tem sustentado que o relacionamento entre ambos n\u00e3o era saud\u00e1vel e que ela foi v\u00edtima de agress\u00f5es. Na vers\u00e3o de Jairinho, eles se davam bem. &#8220;Teve ci\u00fames um do outro? Claro que sim. Ci\u00fames m\u00fatuos. Mas posso afirmar que 99% do tempo era maravilhoso&#8221;.<\/p>\n<h2>Processo<\/h2>\n<p>Jairinho e Monique est\u00e3o presos desde abril do ano passado. Mas em abril deste ano, a m\u00e3e do menino obteve autoriza\u00e7\u00e3o para ficar em pris\u00e3o domiciliar, com tornozeleira eletr\u00f4nica.<\/p>\n<p>O interrogat\u00f3rio de Dr. Jairinho havia sido anteriormente agendado para o dia 1\u00ba de junho. No entanto, foi adiado com base em um habeas corpus obtido pelos seus advogados. Foi garantido a ele o direito de ser ouvido ao menos 5 dias ap\u00f3s o perito assistente Sami El Jundi, contratado pela defesa.<\/p>\n<p>Sami El Jundi foi ouvido no dia 1\u00ba de junho. Ele defendeu a hip\u00f3tese de erro m\u00e9dico no Hospital Barra D&#039;Or. Tamb\u00e9m considerou ainda que a aut\u00f3psia foi falha e de m\u00e1 qualidade. Na ocasi\u00e3o, tamb\u00e9m foi ouvido o perito legista do IML Leonardo Huber Tauil. Ele sustentou que a principal hip\u00f3tese para a morte de Henry s\u00e3o agress\u00f5es sofridas pelo menino e descartou que isso possa ter ocorrido por manobras de ressuscita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mesmo ap\u00f3s o depoimento dos peritos, a defesa tentou suspender o interrogat\u00f3rio de Jairinho, pedindo que antes fossem marcadas audi\u00eancias para que algumas testemunhas fossem novamente ouvidas. A solicita\u00e7\u00e3o foi negada na semana passada pelo desembargador Joaquim Domingos de Almeida Neto, da 7\u00aa C\u00e2mara Criminal.<\/p>\n<p>Encerrado o interrogat\u00f3rio de Jairinho, ser\u00e1 aberto prazo de cinco dias para considera\u00e7\u00f5es do MPRJ. Em seguida, o mesmo per\u00edodo ser\u00e1 concedido para os advogados assistentes da acusa\u00e7\u00e3o e para as defesas de Monique e Jairinho. As partes poder\u00e3o apresentar ainda as alega\u00e7\u00f5es finais e ent\u00e3o a ju\u00edza Elizabeth Machado Louro vai decidir se os r\u00e9us v\u00e3o ou n\u00e3o a j\u00fari popular.<\/p>\n<p>A <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong> solicitou um posicionamento ao Hospital Barra D&#039;Or, mas ainda n\u00e3o obteve retorno.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O m\u00e9dico e ex-vereador da capital fluminense Jairo Souza Santos Junior, conhecido como Dr. Jairinho, foi interrogado hoje (13) na 2\u00aa Vara Criminal do\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":166547,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2799],"tags":[],"class_list":["post-166546","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/166546","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=166546"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/166546\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=166546"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=166546"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=166546"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}