{"id":168020,"date":"2022-06-16T04:58:16","date_gmt":"2022-06-16T07:58:16","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/06\/pf-diz-que-pescador-confessou-envolvimento-na-morte-de-dupla-na-amazonia\/"},"modified":"2022-06-16T04:58:16","modified_gmt":"2022-06-16T07:58:16","slug":"pf-diz-que-pescador-confessou-envolvimento-na-morte-de-dupla-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/06\/16\/pf-diz-que-pescador-confessou-envolvimento-na-morte-de-dupla-na-amazonia\/","title":{"rendered":"PF diz que pescador confessou envolvimento na morte de dupla na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<div><\/div>\n<div>Bras\u00edlia ??? O superintendente da Pol\u00edcia Federal (PF) no Amazonas, Alexandre Fontes, confirmou, em entrevista coletiva ontem \u00e0 noite, em Manaus, que o pescador Amarildo da Costa Oliveira, de 41 anos, conhecido como &#8220;Pelado&#8221;, confessou envolvimento no assassinato do indigenista Bruno Ara\u00fajo Pereira e do jornalista ingl\u00eas Dom Phillips. Amarildo est\u00e1 preso e levou agentes federais ao local onde os corpos foram enterrados, no Vale do Javari. Os restos mortais foram encontrados a 3,1 quil\u00f4me- tros de dist\u00e2ncia, em local de mata fechada e de dif\u00edcil acesso, onde os pertences do indigenista e do jornalista foram encontrados no in\u00edcio desta semana. O material foi enviado para per\u00edcia em Bras\u00edlia para confirma\u00e7\u00e3o da identidade. O delegado Guilherme Torres, que tamb\u00e9m participou da coletiva, afirmou: ???Foi um crime brutal e hediondo???.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O chefe da PF informou que foi feita reconstitui\u00e7\u00e3o no local do crime e tamb\u00e9m onde a embarca\u00e7\u00e3o de Bruno e Dom foi afundada pelos criminosos e que outras pessoas est\u00e3o sendo investigadas, inclusive o irm\u00e3o de Amarildo, Oseney, que tamb\u00e9m est\u00e1 preso. ???Trazemos essa triste not\u00edcia aos familiares, amigos, \u00e0 sociedade e \u00e0 imprensa mundial???, disse Fontes. ???A per\u00edcia vai dizer a causa das mortes e qual a muni\u00e7\u00e3o empregada???, afirmou tamb\u00e9m. Alexandre Fontes informou tamb\u00e9m que Amarildo fez a confiss\u00e3o no fim da noite de ter\u00e7a-feira, quando contou detalhes do crime. ???Foi disparo de arma de fogo, mas temos que aguardar a per\u00edcia para indicar a causa da morte e as circunst\u00e2ncias???, afirmou o delegado.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Al\u00e9m de Amarildo, tamb\u00e9m est\u00e1 preso o irm\u00e3o dele, Oseney da Costa de Oliveira, conhecido como &#8220;Dos Santos&#8221;. Mas, segundo a Pol\u00edcia Federal, ele n\u00e3o confessou envolvimento no crime. Sobre a motiva\u00e7\u00e3o do crime, o superintendente da PF afirmou que as investiga\u00e7\u00f5es seguem em sigilo e que a n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ainda apontar o motivo. No depoimento, Amarildo afirmou que Bruno e Dom foram mortos a tiros, esquartejados, queimados e enterrados em local de dif\u00edcil acesso, em floresta fechada.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ele admitiu ter participado do esconderijo dos corpos, mas alegou que os recebeu j\u00e1 queimados e negou ter matado a dupla. Segundo ele, o crime teria sido cometido por outra pessoa, cujo nome n\u00e3o foi revelado pela pol\u00edcia. Segundo a PF, Amarildo disse ainda que uma segunda pessoa o ajudou a esquartejar e a enterrar os corpos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A pol\u00edcia encontrou manchas de sangue na lancha de Amarildo e enviou o material para per\u00edcia em Manaus para determinar se \u00e9 humano ou de animal. A PF afirmou que o resultado do exame sairia at\u00e9 o fim da semana. As fam\u00edlias de Bruno e Dom cederam material gen\u00e9tico dos dois para ajudar na per\u00edcia. O pescador foi preso em flagrante no dia 7. Natural de Atalaia do Norte, Amarildo \u00e9 pescador conhecido na regi\u00e3o. ?? casado, mas a pol\u00edcia ainda n\u00e3o informou se ele tem filhos. Ele mora em S\u00e3o Gabriel, comunidade que pertence \u00e0 \u00e1rea rural de Atalaia do Norte. A pol\u00edcia chegou ao nome dele logo no come\u00e7o das investiga\u00e7\u00f5es. Testemunhas informaram \u00e0 pol\u00edcia que viram Amarildo amea\u00e7ando Bruno e, no dia do desaparecimento, ele estava perseguindo os dois em outra lancha. Em buscas na casa de Amarildo, a Pol\u00edcia Militar do Amazonas encontrou muni\u00e7\u00e3o de uso restrito das For\u00e7as Armadas e drogas, o que motivou a pris\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Durante a coletiva, o superintendente da PF se desculpou por n\u00e3o ter mencionado o trabalho dos ind\u00edgenas e ribeirinhos locais que estiveram presentes nas buscas. Ele acrescentou que, quando havia seguran\u00e7a para eles, sempre estavam presentes na opera\u00e7\u00e3o. Em nenhum momento a Uni\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Vale do Javari (Univaja) foi citada e n\u00e3o havia nenhum ind\u00edgena na coletiva.\u00a0 O coordenador da Univaja, Beto Morubo, informou que os ind\u00edgenas se dedicaram com afinco \u00e0s buscas pelos dois desaparecidos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<h2>Exonera\u00e7\u00e3o da Funai e amea\u00e7ado<\/h2>\n<div><\/div>\n<div>O indigenista Bruno da Cunha Ara\u00fajo Pereira foi exonerado da Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai) depois de coordenar uma opera\u00e7\u00e3o que expulsou centenas de garimpeiros da terra ind\u00edgena ianom\u00e2mi, em Roraima. Segundo a Uni\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Vale do Javari (Univaja), na qual Bruno trabalhou depois da exonera\u00e7\u00e3o, ele foi demitido do cargo sem qualquer tipo de justificativa interna. Bruno era o respons\u00e1vel pela Coordena\u00e7\u00e3o Geral de Ind\u00edgenas Isolados e de Recente Contato (CGIIRC) da Funai at\u00e9 outubro de 2019.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A exonera\u00e7\u00e3o ocorreu depois da elei\u00e7\u00e3o do presidente Jair Bolsonaro (PL). Em seguida, o delegado da Pol\u00edcia Federal Marcelo Xavier Silva assumiu a presid\u00eancia da funda\u00e7\u00e3o, apoiado pela bancada ruralista. A exonera\u00e7\u00e3o foi assinada pelo ent\u00e3o secret\u00e1rio-executivo do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a e Seguran\u00e7a P\u00fablica Luiz Pontel. No lugar de Pereira, o mission\u00e1rio evang\u00e9lico Ricardo Lopes Dias foi nomeado e ficou apenas nove meses na posi\u00e7\u00e3o. Depois de ser afastado do cargo, Bruno assumiu uma fun\u00e7\u00e3o na Uni\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Parque do Javari (Univaja), onde ele seguiu fiscalizando a regi\u00e3o, que \u00e9 constantemente invadida por garimpeiros, madeireiros e pescadores, ao lado dos ind\u00edgenas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Bruno trabalhava agora em um projeto das ONGs WWF-Brasil e da Univaja para ensinar ind\u00edgenas a monitorar suas terras com o uso de tecnologias como drones na terra demarcada no Vale do Javari. Era tido como um dos maiores especialistas sobre a regi\u00e3o e um dos principais indigenistas do pa\u00eds.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Dom Phillips era jornalista e colaborador de diversos jornais no exterior, entre eles o brit\u00e2nico The Guardian. Morava em Salvador havia 15 anos e era casado com a brasileira Alessandra Sampaio. Fez diversas viagens para a Amaz\u00f4nia para realizar reportagens sobre desmatamento e crime.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ele viajou para o extremo oeste da Amaz\u00f4nia acompanhado por Bruno para coletar dados para um livro que escrevia sobre a floresta. Os dois eram amigos e j\u00e1 haviam viajado juntos \u00e0 Amaz\u00f4nia em outras ocasi\u00f5es profissionais.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>No dia do desaparecimento, 5 de junho, Bruno e Dom estavam a poucos quil\u00f4metros do Vale do Javari, que \u00e9 a segunda maior reserva ind\u00edgena do Brasil. Eles estavam num barco a mais de 70 quil\u00f4metros entre o Lago do Jaburu e o munic\u00edpio de Atalaia do Norte. Na \u00faltima vez em que foram vistos, pararam na comunidade de S\u00e3o Rafael, \u00e0s 6h de domingo, onde tinham marcado reuni\u00e3o com o l\u00edder pescador Manoel Vitor Sabino da Costa, conhecido como Churrasco.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Do local, eles seguiram pelo Rio Javari e deveriam ter chegado a Atalaia do Norte duas horas mais tarde, mas desapareceram nesse trajeto. Quem denunciou o sumi\u00e7o foram os ind\u00edgenas da Univaja.\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Segundo a associa\u00e7\u00e3o, Bruno e Dom viajavam em uma lancha em bom estado e com combust\u00edvel suficiente para a viagem. A Univaja informou ainda que enviou equipe &#8220;formada por ind\u00edgenas extremamente conhecedores da regi\u00e3o&#8221;, mas sem \u00eaxito para encontr\u00e1-los. Segundo a entidade, Bruno Pereira era alvo frequente de amea\u00e7as feitas por pescadores ilegais, garimpeiros e madeireiros.<\/div>\n<div><\/div>\n<h2>Bolsonaro: ???Esse ingl\u00eas era malvisto???<\/h2>\n<div><\/div>\n<div>Bras\u00edlia ??? O presidente Jair Bolsonaro comentou ontem novamente o caso do indigenista Bruno Pereira e do jornalista ingl\u00eas Dom Phillips. ???A gente lamenta os desaparecimentos. Um ingl\u00eas e um brasileiro que sabiam dos perigos da regi\u00e3o. Esse ingl\u00eas era malvisto na regi\u00e3o, ele fazia muita mat\u00e9ria contra garimpeiro, a quest\u00e3o ambiental. Ent\u00e3o, aquela regi\u00e3o que \u00e9 bastante isolada, muita gente n\u00e3o gostava dele. Ele tinha que ter mais do que redobrado a aten\u00e7\u00e3o para consigo pr\u00f3prio???, afirmou Bolsonaro em entrevista ao canal da jornalista Leda Nagle.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Segundo ele, os dois ???resolveram entrar numa \u00e1rea completamente in\u00f3spita, sem s<br \/>\neguran\u00e7a e aconteceu o problema???. ???A gente n\u00e3o sabe se algu\u00e9m viu e foi atr\u00e1s dele, l\u00e1 tem pirata no rio, tem tudo o que se possa imaginar l\u00e1, e \u00e9 muito temer\u00e1rio andar naquela regi\u00e3o sem estar devidamente preparado fisicamente e tamb\u00e9m com armamento devidamente autorizado pela Funai. Pelo que parece eles n\u00e3o estavam???, destacou.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O chefe do Executivo afirmou que est\u00e1 sendo culpado pelo caso, mas que, em 2005, quando a irm\u00e3 Dorothy Stang foi assassinada, o governo do ent\u00e3o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT) n\u00e3o foi responsabilizado. ???Desde o primeiro dia, domingo retrasado, a nossa Marinha estava em campo. Est\u00e3o me culpando agora por isso. Quando mataram a Dorothy Stang ningu\u00e9m culpou o governo. Era de esquerda. Mas tudo bem, a gente vai fazer a nossa parte???, reclamou.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Bolsonaro tamb\u00e9m refor\u00e7ou que est\u00e1 trabalhando no caso desde quando come\u00e7aram as not\u00edcias sobre o desaparecimento. &#8220;Desde o primeiro dia, domingo retrasado, estamos buscando essas pessoas na \u00e1rea, e n\u00e3o estamos tendo sucesso. Apareceram vest\u00edgios, peda\u00e7os de v\u00edsceras de corpo humano. Est\u00e3o sendo feitos (exames de) DNA aqui em Bras\u00edlia, estranho terem pego esses caras e levado \u00e0 margem do rio.&#8221;<\/div>\n<div><\/div>\n<h2>CONGRESSO\u00a0<\/h2>\n<div><\/div>\n<div>No Senado, a Comiss\u00e3o de Direitos Humanos (CDH) aprovou requerimento para que o seu presidente, Humberto Costa (PT-PE), fa\u00e7a dilig\u00eancia no Amazonas. Ainda sem data definida, a previs\u00e3o \u00e9 de que a viagem ocorra entre as pr\u00f3ximas ter\u00e7a e quarta-feira. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 que a comiss\u00e3o acompanhe as investiga\u00e7\u00f5es sobre a morte do indigenista e do jornalista ingl\u00eas. Na C\u00e2mara dos Deputados, foi aprovada a cria\u00e7\u00e3o de uma comiss\u00e3o externa para acompanhar e definir provid\u00eancias sobre o caso. Os nomes ainda ser\u00e3o definidos. Os pedidos eram feitos h\u00e1 alguns dias por Nilto Tatto (PT-SP) e pela \u00fanica deputada federal ind\u00edgena na Casa, Jo\u00eania Wapichana (Rede-RR). &#8220;O pedido tem. Falta somente o presidente [Arthur Lira] decidir. ?? bom pressionar&#8221;, declarou Jo\u00eania ontem.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bras\u00edlia ??? O superintendente da Pol\u00edcia Federal (PF) no Amazonas, Alexandre Fontes, confirmou, em entrevista coletiva ontem \u00e0 noite, em Manaus, que o pescador\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":168021,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2799],"tags":[],"class_list":["post-168020","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/168020","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=168020"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/168020\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=168020"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=168020"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=168020"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}