{"id":168099,"date":"2022-06-16T07:57:52","date_gmt":"2022-06-16T10:57:52","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/06\/casal-corre-risco-de-escolher-uma-entre-tres-terapias-para-filho-autista\/"},"modified":"2022-06-16T07:57:52","modified_gmt":"2022-06-16T10:57:52","slug":"casal-corre-risco-de-escolher-uma-entre-tres-terapias-para-filho-autista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/06\/16\/casal-corre-risco-de-escolher-uma-entre-tres-terapias-para-filho-autista\/","title":{"rendered":"Casal corre risco de escolher uma entre tr\u00eas terapias para filho autista"},"content":{"rendered":"<div> Viver com a sensa\u00e7\u00e3o de ser um alvo. A vida em sobressalto passou a ser a rotina da professora de hist\u00f3ria\u00a0Viviane Silva Gonzaga, de 43 anos, do marido,\u00a0David Luis Prado Xavier, de 35, e do filho Caio, de 5 anos, autista, desde a decis\u00e3o da Segunda Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ),\u00a0no dia 8 de junho, que liberou operadoras de cobrir procedimentos que n\u00e3o constam na lista da\u00a0<\/div>\n<div>Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar (ANS). A\u00a0valida\u00e7\u00e3o do rol taxativo no lugar do exemplificativo\u00a0se tornou um pesadelo no dia a dia de quem tem alguma defici\u00eancia e precisa de tratamentos especiais e atendimentos multidisciplinares.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div> Para Viviane, a aprova\u00e7\u00e3o do STJ significa uma enorme amea\u00e7a, uma grande perda, para todos os pacientes que dependem n\u00e3o s\u00f3 de terapia, como \u00e9 o caso de seu filho Caio, como tamb\u00e9m das pessoas que necessitam de qualquer tipo de interven\u00e7\u00e3o m\u00e9dica e tratamentos que s\u00e3o obtidos por liminar. &#8220;Desde que as coisas foram direcionadas no sentido de que o rol exemplificativo iria cair e o taxativo imperar, advogados de planos de sa\u00fade j\u00e1 t\u00eam entrado com peti\u00e7\u00e3o para derrubar liminares. E muitas pessoas est\u00e3o perdendo acesso \u00e0s terapias e procedimentos. E isso vai ficar pior.&#8221;<\/p>\n<p>A professora enfatiza que essa mudan\u00e7a \u00e9 uma amea\u00e7a muito grande, principalmente, para aquelas fam\u00edlias e pacientes que dependem de m\u00faltiplos profissionais. &#8220;Pagar particular \u00e9 muito caro. Igual ao meu filho. Ele faz terapia com tr\u00eas profissionais, tr\u00eas sess\u00f5es semanais. Imposs\u00edvel bancar na rede privada. E o SUS, sabemos, n\u00e3o consegue acolher a quantidade de pessoas que dependem desses servi\u00e7os.&#8221;<\/p>\n<h3><b>Tens\u00e3o e medo de ter de escolher qual tratamento suspender<\/b><\/h3>\n<\/div>\n<div>Viviane conta que ela e o marido vivem tensos, &#8220;aguardando algum pronunciamento, e-mail ou comunicado da Unimed. J\u00e1 esperamos que eles v\u00e3o entrar em contato suspendendo o atentimento. O Caio, semanalmente, frequenta a Cl\u00ednica de Autismo da\u00a0Unimed, tendo sess\u00f5es com psic\u00f3loga, fonoaudi\u00f3loga e terapeuta ocupacional. Vivemos agora a espera da comunica\u00e7\u00e3o do plano dizendo que esses atendimentos n\u00e3o v\u00e3o acontecer&#8221;.<\/div>\n<div>Leia tamb\u00e9m:\u00a0Mulher teme rol taxativo porque filho usa oxig\u00eanio 24 horas por dia.<\/p>\n<p>Essa incerteza aumenta o estresse, a ansiedade e a inseguran\u00e7a na fam\u00edlia: &#8220;Nesse caso, teremos de fazer uma escolha extremamente delicada. N\u00e3o temos condi\u00e7\u00f5es financeiras de arcar com os tr\u00eas profissionais e teremos de escolher um deles para que nosso filho continue a ser atendido. Algo que n\u00e3o deveria ocorrer, porque ele precisa do tratamento multidisciplinar. Mas n\u00e3o temos condi\u00e7\u00f5es de pagar&#8221;, desabafa Viviane.<\/p><\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<h3><b>Press\u00e3o da sociedade civil, \u00fanico caminho\u00a0<\/b><\/h3>\n<div><\/div>\n<div>Para Viviane, a socidade civil precisa mostrar sua for\u00e7a para reverter a decis\u00e3o do STJ: &#8220;Ali\u00e1s, j\u00e1 est\u00e1 acontecendo. O\u00a0 Instituto Lagarta Vira Pupa, uma rede de apoio para m\u00e3es, familias e pessoas dom defici\u00eancia de todo o Brasil, da\u00a0Andr\u00e9a Werner, ativista, profiss\u00e3o de inclus\u00e3o, mulher guerreira e brilhante, com filho autista, tem feito um trabalho bel\u00edssimo de informa\u00e7\u00e3o e apoio para fam\u00edlias, de divulga\u00e7\u00e3o dos direitos de pessoas com defici\u00eancia e de engajamento mesmo. E as redes sociais ajudam muito&#8221;, comenta.\u00a0 <\/p>\n<p>Viviane cita inclusive o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que acolheu o pedido de urg\u00eancia da vota\u00e7\u00e3o do projeto de lei que torna o rol da ANS exemplificativo. &#8220;Ent\u00e3o, foi resultado da mobiliza\u00e7\u00e3o popular. A organiza\u00e7\u00e3o da sociedade tem o poder, sim, de chamar a aten\u00e7\u00e3o dos parlamentares para a quest\u00e3o para que projetos de lei sejam criados e decis\u00f5es revertidas, sem d\u00favida alguma. Ali\u00e1s, acredito ser o \u00fanico caminho.&#8221;<\/p>\n<h3><b>Preconceito com os deficientes<\/b><\/h3>\n<\/div>\n<div>Infelizmente, enfatiza Viviane, ela acredita que ainda h\u00e1 no Brasil um olhar capacitista sobre as pessoas com defici\u00eancia. &#8220;Ainda n\u00e3o conseguimos enxerg\u00e1-las como capazes, como pessoas que podem, conseguem, produzem, cada qual a sua maneira e que podem estar e fazer o que quiserem. A escola ainda \u00e9 pouco preparada, o mercado de trabalho tem enorme preconceito. Vivemos em uma sociedade ainda formatadora, ainda acreditamos que as coisas s\u00f3 podem ser feitas de uma maneira, que s\u00f3 podem existir de um jeito s\u00f3. E isso, inevit\u00e1velmente, exclui as pessoas que n\u00e3o s\u00e3o neurot\u00edpicas, com alguma defici\u00eancia f\u00edsica. Enquanto a sociedade achar que tudo precisa ser feito de um jeito s\u00f3, existir num \u00fanico formato, ter um \u00fanico tom, as pessoas com defici\u00eancia n\u00e3o poder\u00e3o participar do mundo que constru\u00edmos e mantemos.&#8221;<\/p>\n<p>Leia tamb\u00e9m:\u00a0Rol taxativo: fam\u00edlias vivem misto de perplexidade e inseguran\u00e7a com cortes.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div>S\u00e3o lutas em v\u00e1rias frentes, cada uma com sua urg\u00eancia. Contra o preconceito, Viviane aponta que um caminho &#8220;\u00e9 dando mais visilibidade por meio das redes sociais, mecanismo formid\u00e1vel e incr\u00edvel, ao trabalho de conscientiza\u00e7\u00e3o e respeito das pessoas com defici\u00eancia, os desafios que elas enfrentam e do que podemos fazer para sermos uma sociedade mais inclusiva. Estamos engatinhando neste processo&#8221;.<\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<h3>Entenda o caso<\/h3>\n<div><\/div>\n<div>\n<div>Muitos\u00a0 procedimentos v\u00e3o deixar de ser cobertos pelas operadoras.\u00a0A decis\u00e3o afetar\u00e1 o tratamento de milhares de pacientes que haviam garantido na Justi\u00e7a o acesso a terapias, medica\u00e7\u00f5es e cirurgias, j\u00e1 que os planos n\u00e3o s\u00e3o obrigados a cobrir procedimentos, tratamentos, terapias, cirurgias que n\u00e3o constem no que est\u00e1 determinado pela ANS.<\/div>\n<\/div>\n<div>\u00a0 \u00a0<\/div>\n<div>Se h\u00e1 alguma esperan\u00e7a, \u00e9 que a decis\u00e3o do STJ n\u00e3o obriga as demais inst\u00e2ncias a terem que seguir esse entendimento, mas o julgamento serve de orienta\u00e7\u00e3o para a Justi\u00e7a.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u00a0<\/div>\n<div><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Viver com a sensa\u00e7\u00e3o de ser um alvo. 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