{"id":168372,"date":"2022-06-16T16:55:57","date_gmt":"2022-06-16T19:55:57","guid":{"rendered":"https:\/\/primeirojornal.com.br\/2022\/06\/dom-phillips-e-bruno-pereira-relembre-casos-de-assassinatos-na-amazonia\/"},"modified":"2022-06-16T16:55:57","modified_gmt":"2022-06-16T19:55:57","slug":"dom-phillips-e-bruno-pereira-relembre-casos-de-assassinatos-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/2022\/06\/16\/dom-phillips-e-bruno-pereira-relembre-casos-de-assassinatos-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Dom Phillips e Bruno Pereira: relembre casos de assassinatos na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Os homic\u00eddios na regi\u00e3o sudoeste do Amazonas aumentaram de 14 em 2019 para 85 em 2021, um crescimento de 507%, de acordo com relat\u00f3rios anuais da Secretaria de Seguran\u00e7a P\u00fablica do Amazonas. <\/p>\n<p>Esta \u00e9 a regi\u00e3o do estado onde, segundo confiss\u00e3o \u00e0 Pol\u00edcia Federal, o suspeito Amarildo Oliveira da Costa teria assassinado o jornalista Dom Phillips e o indigenista Bruno Ara\u00fajo Pereira.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div>De acordo com relat\u00f3rio da ONG internacional Global Witness, na regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia brasileira e peruana, mais de 70% dos assassinatos est\u00e3o relacionados \u00e0 defesa do meio ambiente e da terra ou ligados \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de recursos naturais como extra\u00e7\u00e3o madeireira, minera\u00e7\u00e3o e agroneg\u00f3cio em grande escala, garimpo ilegal, barragens hidrel\u00e9tricas e outras infraestruturas.<\/p>\n<p><b>Reginaldo Alves Barros e Maria da Luz Ben\u00edcio de Sousa<\/b><\/div>\n<div><\/div>\n<div>O casal de trabalhadores rurais, Reginaldo Alves Barros e Maria da Luz Ben\u00edcio de Sousa, foi encontrado morto no dia 18 de junho de 2021, na Gleba Campina, conhecida como comunidade Vilela, no munic\u00edpio de Junco do Maranh\u00e3o (MA). <\/p>\n<p>Maria da Luz era ativa em movimentos sociais em defesa do direito \u00e0 terra e era suplente da dire\u00e7\u00e3o do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR) da regi\u00e3o.<\/p>\n<p><b>Leia tamb\u00e9m:<\/b>\u00a0Dom Phillips e Bruno Pereira: confirmada pris\u00e3o de terceiro suspeito<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Na \u00e9poca, a Pol\u00edcia Civil do Maranh\u00e3o realizou uma opera\u00e7\u00e3o intitulada de &#8220;Terra Vermelha&#8221;, que deu cumprimento a dois mandados de pris\u00e3o e tr\u00eas de busca e apreens\u00e3o na zona rural do munic\u00edpio de Junco do Maranh\u00e3o. Segundo os agentes, os mandantes do crime amea\u00e7avam trabalhadores para tomar as terras. <\/p>\n<p>Al\u00e9m das pris\u00f5es, foram apreendidas duas espingardas, tr\u00eas rev\u00f3lveres calibre 38, e outros itens usados pelos criminosos para fazer ataques na regi\u00e3o.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>Ari Uru-Eu-Wau-Wau, de 34 anos<\/b><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Em de 17 de abril de 2020, o ind\u00edgena Ari Uru-Eu-Wau-Wau, de 34 anos, foi encontrado morto no distrito de Jaru (RO). O corpo apresentava les\u00e3o na regi\u00e3o do pesco\u00e7o, que ocasionou hemorragia aguda. <\/p>\n<p>Ele denunciava extra\u00e7\u00f5es ilegais de madeira dentro da aldeia de povo ind\u00edgena. A esposa e filhos, dois anos depois, ainda n\u00e3o receberam informa\u00e7\u00f5es das autoridades sobre autores ou motiva\u00e7\u00e3o do crime.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>Original Yanomami, de 24 anos, e Marcos Arokona<\/b><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Tamb\u00e9m em 2020 os ind\u00edgenas Original Yanomami, de 24 anos, e Marcos Arokona da mesma idade, foram mortos em conflito com garimpeiros na regi\u00e3o do rio Parima, na Terra Yanomami em Alto Alegre (RO). No mesmo ano, o trabalhador rural Raimundo Nonato, foi morto na regi\u00e3o de Junco, no Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p><b>Leia tamb\u00e9m<\/b>:\u00a0Fam\u00edlia de Dom Phillips pede &#8216;paz e privacidade&#8217; ap\u00f3s PF recolher corpos<\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>Maxciel Pereira dos Santos<\/b><\/div>\n<div><\/div>\n<div>O colaborador da Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai) Maxciel Pereira dos Santos, que atuava em defesa dos ind\u00edgenas da Terra Ind\u00edgena do Vale do Javari, na Amaz\u00f4nia, foi morto em 2019. <\/p>\n<p>A Pol\u00edcia Militar informou que Maxciel morreu com dois tiros na nuca quando andava de moto com a esposa e a enteada na cidade de Tabatinga. As duas sobreviveram, mas ele faleceu no local. <\/p>\n<p>O crime segue impune. Vi\u00fava disse que n\u00e3o recebeu informa\u00e7\u00f5es sobre investiga\u00e7\u00e3o por parte da Pol\u00edcia Federal. Desde 2018 at\u00e9 a data do crime, a base da Funai no Vale do Javari j\u00e1 havia sido atacada quatro vezes.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>Paulo Paulino Guajajara<\/b><\/div>\n<div>Paulo Paulino Guajajara, conhecido como Lobo Mau, foi assassinado a tiros em 1\u00ba de novembro de 2019, na Terra Ind\u00edgena Arariboia, no Maranh\u00e3o. Paulino era um guardi\u00e3o da floresta, respons\u00e1vel por fiscalizar e denunciar invas\u00f5es na mata. <\/p>\n<p>Ele estava acompanhado de La\u00e9rcio Guajajara, lideran\u00e7a da regi\u00e3o, que conseguiu fugir do ataque, apesar de ter sido alvejado com tiros no bra\u00e7o e nas costas, e outros de rasp\u00e3o. Ambos voltavam de um dia de ca\u00e7a, quando se depararam com uma emboscada, homens armados que podem ser ca\u00e7adores ou madeireiros.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Os criminosos, Raimundo Nonato Ferreira de Sousa e Ant\u00f4nio Wesley Nascimento, foram indiciados em 10 de janeiro de 2020 pela morte do ind\u00edgena. A dupla foi condenada por homic\u00eddio doloso &#8211; quando h\u00e1 inten\u00e7\u00e3o de matar &#8211; e por porte ilegal de arma de fogo e ca\u00e7a ilegal. <\/p>\n<p>O delegado da Pol\u00edcia Federal respons\u00e1vel pelo caso, Nathan Vasconcelos, afirmou que as investiga\u00e7\u00f5es apontam que os dois estavam na regi\u00e3o praticando atividades de ca\u00e7a.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>Emyra Waj\u00e3pi<\/p>\n<p><\/b>Ind\u00edgenas da etnia Waj\u00e3pi denunciaram no dia 25 de julho de 2019 que um grupo de garimpeiros assassinou o cacique Emyra Waj\u00e3pi, de 68 anos.<\/div>\n<div>A morte foi o in\u00edcio de um ataque \u00e0 aldeia Mariry, que se concretizou com a invas\u00e3o de 50 garimpeiros no local, localizado no oeste do Amap\u00e1. <\/p>\n<p>Segundo relatos, o cacique foi esfaqueado no meio da mata no momento em que se deslocava at\u00e9 sua aldeia, depois de ter ido visitar a filha.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div>O inqu\u00e9rito que investigava a morte do cacique foi arquivado em dezembro pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF). A entidade alegou que a investiga\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Federal (PF) constatou morte acidental e sem ind\u00edcios de invas\u00e3o de garimpeiros. <\/p>\n<p>Segundo a pol\u00edcia, dois fatores d\u00e3o ind\u00edcios que a morte do cacique foi acidental: a aus\u00eancia de hemorragia ou traumatismo craniano, mesmo com les\u00f5es superficiais na cabe\u00e7a, e o fato da passagem pelo c\u00f3rrego onde o corpo foi encontrado ser feita por meio de um tronco, o que pode ter provocado a queda de Emyra. As informa\u00e7\u00f5es foram divulgadas pelo <i>G1<\/i>.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>Dorothy Steng<\/b><\/div>\n<div>Em 2005 a not\u00edcia do assassinato da ambientalista e mission\u00e1ria norte-americana Dorothy Steng correu o mundo. Ela intermediava conflitos agr\u00e1rios na regi\u00e3o de Anapu, no Par\u00e1. Nascida em 1931 nos Estados Unidos, Steng se dedicou ao trabalho mission\u00e1rio no final dos anos 60. <\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, Stang atuava em defesa dos trabalhadores rurais sem terra no estado. O fazendeiro Regivaldo Galv\u00e3o, conhecido como Tarad\u00e3o, foi condenado a 30 anos de reclus\u00e3o no dia 30 de abril de 2010, como mandante do assassinato de Dorothy Stang. <\/p>\n<p>A condena\u00e7\u00e3o foi mantida em segunda inst\u00e2ncia, e a pena chegou a ser reduzida para 25 anos pelo Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ), que autorizou a pris\u00e3o em 2017.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div><b>Chico Mendes<\/b><\/div>\n<div>Na noite de 22 de dezembro de 1988, o ecologista Chico Mendes, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, no Acre, foi morto a tiros de espingarda, no quintal de sua casa, por Darcy Alves da Silva, a mando de seu pai, o fazendeiro Darly Alves da Silva. <\/p>\n<p>Em dezembro de 1990, depois de um julgamento que durou quatro dias, os assassinos foram condenados a 19 anos de pris\u00e3o.<\/p><\/div>\n<div><b><br \/><\/b><\/div>\n<div><b>Genoc\u00eddio<\/b><\/div>\n<div>De 1974 a 1983, grandes obras na Amaz\u00f4nia serviram de pretexto para genoc\u00eddio cometido pela ditadura militar, por meio de bombardeios, chacinas e destrui\u00e7\u00e3o de locais sagrados. A Comiss\u00e3o Nacional da Verdade estima que ao menos 8.350 \u00edndios foram assassinados entre 1946 e 1988. <\/p>\n<p>As investiga\u00e7\u00f5es apontam dois per\u00edodos distintos em se tratando de viola\u00e7\u00f5es aos povos ind\u00edgenas. Antes de dezembro de 1968, os massacres se davam mais pela omiss\u00e3o do Estado. Ap\u00f3s o Ato Institucional 5 (AI-5), com a cria\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio (Funai), o maior respons\u00e1vel pelos homic\u00eddios foi o regime militar, que durou de 1\u00ba de abril de 1964 a 15 de mar\u00e7o de 1985.<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os homic\u00eddios na regi\u00e3o sudoeste do Amazonas aumentaram de 14 em 2019 para 85 em 2021, um crescimento de 507%, de acordo com relat\u00f3rios\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":168373,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2799],"tags":[],"class_list":["post-168372","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/168372","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=168372"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/168372\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=168372"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=168372"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/gazetabaiana.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=168372"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}